A Caçadora Da Rainha
2 Reunião Semanal
O perfil esguio de Astérea corria entra as árvores e seus galhos tortuosos, chegando cada vez mais perto do vilarejo. Os portões que pareciam tocar os céus estavam fechados, enquanto um homem, no alto de uma torre de vigia estava à espera do grupo que tinha partido para a floresta. Cada caçador tinha um tempo limitado para permanecer fora dos limites da cidade de Balder. Depois que esse período se esgotasse, os portões se serrariam e só seriam abertos no dia seguinte. Nem cozinheiro, ferreiro, pastor ou caçador ousava ficar do lado de fora dos portões. Nunca alguém foi encontrado com vida após ter passado as noites na floresta. Astérea se lembrava de uma história de quando pequena, que um velho comerciante tinha perdido o filho enquanto estava a caminho de Balder. Ninguém ousou se voluntariar, nem mesmo seu pai. No dia seguinte encontraram rastros de sangue que desapareceram ao adentrar na mata. Nenhum corpo foi encontrado e o menino nunca mais foi visto. Com o passar dos anos, aquilo virou apenas um conto para manter as crianças em suas devidas camas à noite, porém aquilo só tinha feito Astérea vagar dentre a relva, mas nem mesmo ela conhecia a floresta por inteiro. A floresta que emitia seus próprios gritos agonizantes e pedidos suplicantes por ajuda.
O guarda reconheceu os cabelos castanhos ondulados da Caçadora e abriu os portões altos ás presas, porque em sua velocidade ela poderia atravessar a porta e continuar intacta. Era uma menina que envolvia lendas. Muitos diziam que na infância, quatro bruxas tinham a visitado no berço e rogado aos deuses que a tal possuísse dons especiais, só assim ela poderia ser a Caçadora mais jovem e mulher de todos os reinos.
Astérea passou pela pequena fenda que se abriu entre as amplas portas maciças e correu. As casas passavam como borrões, todas as construções que, no começo dos tempos, eram precárias, e com o passar dos anos ganharam forma. Uma grande construção se encontrava no meio da cidade. Parecia um forte, tão grande quanto um pequeno castelo. As paredes de pedra esculpida estavam desgastadas com trabalho do tempo, as seis torres de vigia guardavam soldados que vigiavam até o horizonte. Depois de passar grande parte do seu tempo em que não caçava bisbilhotando pelos cantos de Balder, sabia de muitos fatos. Conhecia grande parte dos comerciantes e artistas que passavam algum tempo na cidade, sabendo de todas as notícias dos oito cantos do reino, se alguém não precisava de ajuda para entrar no forte, era Astérea. A garota passou correndo pela ponte movediça, que estava baixada sobre um rio que rodeava a contrução, e as grades sólidas, levantadas. Continuou correndo, enquanto seus pulmões lutavam em seu peito para continuarem a respirar. Subiu uma alta escadaria de granito, caminhou por alguns corredores até dois guardas a pararem em frente a uma porta com o dobro de suas alturas.
–Eu preciso ver a Governanta. – Astérea falou com a respiração pesada e a voz falhando.
–Ela está em reunião agora, Caçadora, não pode lhe atender. – disse o guarda da esquerda com a voz imponente, já se colocando em frente a entrada, mesmo sabendo que ninguém a faria mudar de idéia.
–Eu preciso vê-la. Agora.
Astérea empurrou o guarda que se colocou em seu caminho e entrou na sala. Seus olhos fitaram um grande salão abobadado, o pé-direito alto e uma mesa de pedra bruta se colocava no centro com oito pessoas, entre homens e mulheres sentados, todos a fuzilando com o olhar. Ela se encontrava no salão mais importante de todo o povoado de Balder. Aonde representantes de outros vilarejos eram recebidos, tratados eram feitos, guerras eram organizadas e batalhas imponentes já tinham sido travadas, em tempos já esquecidos.
Uma mulher robusta se levantou da grande mesa de pedra. Seus cabelos ruivos estavam presos em um coque apertado, suas sardas estavam escondidas atrás da vermelhidão de seu rosto e ela tentou exclamar algumas palavras entre os dentes cerrados.
–É melhor você ter um ótimo motivo para ter me interrompido, Caçadora. Não vou admitir um intrometimento durante uma reunião tão importante. Conversaremos mais tarde. – ela se virou para a mesa e procurou sentar novamente, dando algumas explicações aos outros sete encontrados no recinto.
–Me soltem! – gritava Astérea enquanto os guardas a agarravam pelos braços tentando a retirarem da sala. – Me soltem seus ratos imundos!
Antes que os homens pudessem a impedir, ela se desvencilho de seus braços e voltou seu rosto para a mulher robusta e os outros.
–Eu vi um Lobo da Rainha, longe da fronteira. Aposto que isso é um motivo relevante para a interrupção de uma reunião, não seria, Governanta?
Uma onda de silêncio inundou o salão. Todos os oito sentados se movimentavam desconfortavelmente na cadeira, como se fossem espetados agulhas em suas nádegas. Depois de uma troca de olhares evidente entre os oito homens e mulheres, a Governanta se levantou:
–Guardas, soltem-na e deixem a sala. Precisamos continuar com reunião e a presença da Senhorita Astérea é requisitada.
Ninguém disse nada. Ninguém ousou dizer nada, Astérea procurou algum sinal de ceticismo nos olhares que a cercavam, mas todos estavam profundos e congelantes. A menina sentiu os braços fortes que a seguravam afrouxarem e deixarem que as solas de seus pés tocassem o chão. Agora era a hora de contar sua história.
O perfil esguio de Astérea corria entra as árvores e seus galhos tortuosos, chegando cada vez mais perto do vilarejo. Os portões que pareciam tocar os céus estavam fechados, enquanto um homem, no alto de uma torre de vigia estava à espera do grupo que tinha partido para a floresta. Cada caçador tinha um tempo limitado para permanecer fora dos limites da cidade de Balder. Depois que esse período se esgotasse, os portões se serrariam e só seriam abertos no dia seguinte. Nem cozinheiro, ferreiro, pastor ou caçador ousava ficar do lado de fora dos portões. Nunca alguém foi encontrado com vida após ter passado as noites na floresta. Astérea se lembrava de uma história de quando pequena, que um velho comerciante tinha perdido o filho enquanto estava a caminho de Balder. Ninguém ousou se voluntariar, nem mesmo seu pai. No dia seguinte encontraram rastros de sangue que desapareceram ao adentrar na mata. Nenhum corpo foi encontrado e o menino nunca mais foi visto. Com o passar dos anos, aquilo virou apenas um conto para manter as crianças em suas devidas camas à noite, porém aquilo só tinha feito Astérea vagar dentre a relva, mas nem mesmo ela conhecia a floresta por inteiro. A floresta que emitia seus próprios gritos agonizantes e pedidos suplicantes por ajuda.
O guarda reconheceu os cabelos castanhos ondulados da Caçadora e abriu os portões altos ás presas, porque em sua velocidade ela poderia atravessar a porta e continuar intacta. Era uma menina que envolvia lendas. Muitos diziam que na infância, quatro bruxas tinham a visitado no berço e rogado aos deuses que a tal possuísse dons especiais, só assim ela poderia ser a Caçadora mais jovem e mulher de todos os reinos.
Astérea passou pela pequena fenda que se abriu entre as amplas portas maciças e correu. As casas passavam como borrões, todas as construções que, no começo dos tempos, eram precárias, e com o passar dos anos ganharam forma. Uma grande construção se encontrava no meio da cidade. Parecia um forte, tão grande quanto um pequeno castelo. As paredes de pedra esculpida estavam desgastadas com trabalho do tempo, as seis torres de vigia guardavam soldados que vigiavam até o horizonte. Depois de passar grande parte do seu tempo em que não caçava bisbilhotando pelos cantos de Balder, sabia de muitos fatos. Conhecia grande parte dos comerciantes e artistas que passavam algum tempo na cidade, sabendo de todas as notícias dos oito cantos do reino, se alguém não precisava de ajuda para entrar no forte, era Astérea. A garota passou correndo pela ponte movediça, que estava baixada sobre um rio que rodeava a contrução, e as grades sólidas, levantadas. Continuou correndo, enquanto seus pulmões lutavam em seu peito para continuarem a respirar. Subiu uma alta escadaria de granito, caminhou por alguns corredores até dois guardas a pararem em frente a uma porta com o dobro de suas alturas.
–Eu preciso ver a Governanta. – Astérea falou com a respiração pesada e a voz falhando.
–Ela está em reunião agora, Caçadora, não pode lhe atender. – disse o guarda da esquerda com a voz imponente, já se colocando em frente a entrada, mesmo sabendo que ninguém a faria mudar de idéia.
–Eu preciso vê-la. Agora.
Astérea empurrou o guarda que se colocou em seu caminho e entrou na sala. Seus olhos fitaram um grande salão abobadado, o pé-direito alto e uma mesa de pedra bruta se colocava no centro com oito pessoas, entre homens e mulheres sentados, todos a fuzilando com o olhar. Ela se encontrava no salão mais importante de todo o povoado de Balder. Aonde representantes de outros vilarejos eram recebidos, tratados eram feitos, guerras eram organizadas e batalhas imponentes já tinham sido travadas, em tempos já esquecidos.
Uma mulher robusta se levantou da grande mesa de pedra. Seus cabelos ruivos estavam presos em um coque apertado, suas sardas estavam escondidas atrás da vermelhidão de seu rosto e ela tentou exclamar algumas palavras entre os dentes cerrados.
–É melhor você ter um ótimo motivo para ter me interrompido, Caçadora. Não vou admitir um intrometimento durante uma reunião tão importante. Conversaremos mais tarde. – ela se virou para a mesa e procurou sentar novamente, dando algumas explicações aos outros sete encontrados no recinto.
–Me soltem! – gritava Astérea enquanto os guardas a agarravam pelos braços tentando a retirarem da sala. – Me soltem seus ratos imundos!
Antes que os homens pudessem a impedir, ela se desvencilho de seus braços e voltou seu rosto para a mulher robusta e os outros.
–Eu vi um Lobo da Rainha, longe da fronteira. Aposto que isso é um motivo relevante para a interrupção de uma reunião, não seria, Governanta?
Uma onda de silêncio inundou o salão. Todos os oito sentados se movimentavam desconfortavelmente na cadeira, como se fossem espetados agulhas em suas nádegas. Depois de uma troca de olhares evidente entre os oito homens e mulheres, a Governanta se levantou:
–Guardas, soltem-na e deixem a sala. Precisamos continuar com reunião e a presença da Senhorita Astérea é requisitada.
Ninguém disse nada. Ninguém ousou dizer nada, Astérea procurou algum sinal de ceticismo nos olhares que a cercavam, mas todos estavam profundos e congelantes. A menina sentiu os braços fortes que a seguravam afrouxarem e deixarem que as solas de seus pés tocassem o chão. Ela caminhou em direção a mesa, escutando atrás de si os passos dos guardas deixarem a sala. Nenhuma cadeira foi colocada para que se sentasse, então aguardou ordens em frente aos olhares que a estudavam. A Governanta levantou.
–Esta garota é Astérea, a Caçadora, meus companheiros. Ela é a única mulher mais jovem que já foi além das fronteiras da cidade. Todos de acordo em que ela conte o ocorrido? — As cabeças assentiram. –Conte-nos tudo, criança. – falou sentando se no lugar e cruzando os braços.
Astérea contou o ocorrido, cada detalhe e sentimento, até a sala mergulhou em um silêncio incomodo até que a mulher comentou.
–Como o esperado. Igual aos outros acontecimentos.
Todos os oito começaram a se entreolhar e comentar. Uma agitação se iniciou na sala, mulheres tirando mapas dos bolsos, homens batendo com os pulsos na mesa, cadernos e livros sendo abertos enquanto murmúrios eram trocados. A cabeça de Astérea começou a explodir de perguntas, mas ela achou que, se conseguisse permanecer mais tempo ali quieta, arrancaria alguma informação.
–SILÊNCIO.
A mulher berrou e sua palavra ecoou pelo salão arredondando, produzindo o efeito da sedação de todas as vozes ao redor. A Governanta sussurrou algo no ouvido do homem com um grande bigode e ele se virou para a porta.
–Guardas!
Os homens fortes e imensos entraram pela porta e se aproximaram da garota.
–Os acompanhe, por favor.
A garota, impossibilitada de fazer outra escolha, seguiu os homens que a levaram para fora da construção. Astérea desceu a escadaria que dava para a rua central, que dava para uma praça. Começou a observar as pessoas, sem prestar atenção, se questionando apenas o significado de tudo aquilo. Então ela não era a única. Já havia acontecido com outros caçadores, provavelmente, em outros vilarejos. Eram quatro vilarejos que tinha sido o resultado do isolamento que a Rainha produzira. O olhar penetrante do Lobo aflorou em seus pensamentos. Afinal de contas, lobos poderiam... encarar? A visita dos Lobos da Rainha ocorriam todo o último dia do mês, eles eram acompanhados por cavaleiros em armaduras lustrosas e montados em grandes e fortes cavalos. O Dia da Visita. Era como uma vigia para a Rainha manter os olhos em tudo e em todos, mas nunca se encontrava Lobos fora de data. Cavaleiros sempre à procura de mais algum sinal de uma revolta contra a Rainha ou algum perigo que o povoado pudesse provocar, mas raramente tinha alguma coisa para eles esquadrinharem.
Conforme o tempo passava e Astéreia formulava suas idéias, ela pensou em Owen. Devo contar isso para o Owen.
Como se aquele pensamento lhe desse forças, a garota se levantou da escadaria e caminhou em direção a ferraria.
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