A Caçadora
6 Sonho
Notas iniciais
O final de semana havia chegado, e seus uniformes também, Erza estava animada por finalmente poder ir a escola, conhecer humanos normais, com vidas normais, já Lucy estava tão animada para fazer a missão quanto um gato para ir tomar banho, ela simplesmente não acreditava naquilo, ela era a Caçadora mais jovem e mais condecorada, passara até sua amada e adorada mãe, ela não entendi como podiam mandá-la para uma missão tão comum como aquela, ela sentia que escondiam algo dela, mas não sabia o que.
Outra coisa que ajudava a sua animação ir para o ralo, era o fato de que as únicas pessoas que tinha contato eram Erza, Laxus e Makarov, os outros caçadores morriam com o decorrer do tempo e muito facilmente, ela já desistira há muito tempo de criar laços com alguém que não fosse os três, aquele mundo a que ela pertencia não era um mundo em que facilmente se tem uma relação duradoura, ou tampouco, se tem uma relação, afinal, a vida deles corria perigo até mesmo quando respiravam, ou seu companheiro morria, ou era você, naquele mundo, as relações eram apenas restritamente profissionais.
Lucy pegou a caixa que haviam deixado na porta de seu quarto e abriu sem nenhum entusiasmo, seu queixo quase caiu ao ver o tamanho da saia de seu uniforme, ela nunca, NUNCA, usaria aquilo. Jogou o uniforme dentro da caixa e a colocou de lado, se jogou na cama e cobriu seus olhos, na tentativa de dormir um pouco, já que nas noites anteriores, o sangue que ficara em seus sais a atormentava.
Ela caminhava pela densa floresta, mas não era um lugar qualquer, era uma floresta encantada, ela sabia disso, as árvores tinham um brilho estranho e único, as flores cintilavam –como se uma criança de sete anos tivesse jogado purpurina –de uma maneira irritante, pelo menos, para ela. Via borboletas pousando de flor em flor,sugando seu néctar, os pássaros cantavam, via os animais correndo,andando, pulando por ai, tudo parecia perfeito, perfeito de mais, irritante de mais.
Ela caminhou mais e mais, por longas horas, até avistar uma cabana de madeira, ela andou vagarosamente, suas pernas não a agüentavam mais, suas roupas grudavam no corp, continuou a caminhada a pequena moradia de madeira, estava na varanda, podia ver que a cabana que de longe parecia rústica e confortável, estava caindo aos pedaços e cheirava a algo que para seu corpo, não era nada de mais, cheirava a morte, segurou a vontade de vomitar e bateu na porta, ninguém atendeu. Bateu mais uma vez, com mais força. Ninguém atendeu.
A raiva fora tanta que quando bateu na porta ela caiu no chão, ela se assustou como conseguiu fazer aquilo, ela mal usara força, engoliu em seco e adentrou na cabana, os poucos móveis que não estavam cobertos pelos lençóis que um dia foram brancos, mas que agora estavam cinzas, estavam aos pedaços,o chão também de madeira, rangia a cada passo que dava.
_Tem alguém ai? _perguntou com um pouco de esperança. Mas ninguém respondeu.
Ouviu o chão ranger novamente, mas daquela vez, ela não havia andado, se quer havia se mexido. Olhou para cima, a casa provavelmente tinha um sótão. Andou vagarosamente, ignorando os ratos e baratas que andavam perto de seus pés, olhava apenas para o teto, até que parou e abriu um sorriso, finalmente a achara. Puxou a porta quadriculada que havia no teto, uma escada se formou, subiu ouvindo os rangidos dos velhos degraus como se fossem reclamações. O sótão parecia estar vazio, mas apenas parecia. Ela podia ouvir.Ouvir suas respirações descompassadas, seus batimentos cardíacos acelerados, podia sentir o medo descomunal que eles sentiam.
Ela estava cansada, não sabia o por que de estarem se escondendo dela, mal sabia quem morava naquele lugar, mas sabia que estavam escondidos, escondidos dela. Desabou no chão e ficou sentada fitando o nada, não sabiao por que se sua garganta coçar, ela não sabia o que fazer, sentia o local arder, de certa forma doía. Viu uma garota, de sua idade talvez se aproximar, a garota era loira, interamente negros, como o de um demônio, mas a aparência tão bela como a de um anjo. Mesmo que o olhar da garota não demonstrasse emoção, ela sabia que a garota tinha medo.
_Mina! Não toque nesse monstro! _assim um velho ancião, de cabelos brancos e barbas de mesma cor apareceram, seus olhos eram iguais ao de Mina.
Ela não entendeu, por que ela a chamara de monstro? Ela não era nenhum monstro, pelo contrario, ela era humana, ao contrario dos outros daquela sala.
_Eu não sou um monstro! _gritou.
_Claro que é! _gritou o ancião. _Matou grande parte de nós! Descumpriu o acordo do conselho, criança noturna.
_Eu não sou um vampiro. _alegou ela.
_Não? Olhe para si mesma no espelho e me diga que essa imagem não tem nada a ver com a criança noturna que invadiu nossa aldeia ontem a noite.
Ela se levantou e se olhou em um espelho próximo, sua camisola branca estava manchada com um liquido escarlate, seu rosto cheio de respingos, enquanto sua boca estava toda suja com o liquido e com o gosto metálico. Seus olhos não estavam mais castanhos e sim vermelhos, sedentos de mais sangue. As pontas de seus cabelos também não escaparam do liquido escarlate, ela sentiu o arrependimento bater em seu peito, o que havia acontecido? O que ela fez?
Lucy acordou em um pulo, estava suada e com os batimentos cardíacos acelerados ao máximo, que sonho era aquele? Se arrependeu profundamente por ter resolvido dormir, mas agora, estava sem sono algum, saiu de seu quarto e foi falar com Erza, que estava em seu quarto, ouvindo música e lendo uma revista adolescente com a manchete: “Que tipo de garoto combina com você?”. Lucy bufou e se sentou ao lado da amiga, que quando a viu sorriu.
_Viu nossos uniformes? _falou Lucy.
_Sim. _respondeu animada. _vão ficar super bem em mim.
_Devem mesmo. _falou Lucy desinteressada.
Olhou por todo o quarto vendo os pôsteres que haviam nas paredes, as cores que estavam nelas, os livros e as fotos que enfeitavam, os ursos de pelúcia em cima da cama davam um ar feminino e infantil. Muito diferente de seu quarto que tinha as paredes completamente brancas, a cama com colchas e lençóis da mesma cor, as únicas coisas em comum eram os livros que enfeitavam uma parede inteira de seu quarto, a outra, havia suas espadas, adagas e sais, aquele era o seu quarto perfeito.
Elas conversaram grande parte da noite, sobre tudo que se pudesse imaginar, mas mesmo assim o sonho não saia dos pensamentos de Lucy...
Fale com o autor