A Caçadora
2 O Começo do Treinamento
Notas iniciais
Jude estava em seu quarto, haviam chegado na sede de Tóquio há uma semana, ele estava preocupado, tinha medo de Igneel achá-lo, achar Lucy, o único jeito de protegê-la era se afastar dela, e naquele momento, estava arrumando suas malas, ele não iria se despedir de Lucy, não queria que ambos sofressem, andou até o escritório do Mestre da sede, Makarov.
–Jude, o que deseja? -falou o velho homem, de baixa estatura e cabelos grisalhos. –
Makarov-san, partirei hoje à noite, pretendo nunca mais voltar, sei que é pedir muito, mas cuide de Lucy, sei que ela estará segura aqui.
–Não entendo, Jude, por que vai partir?
–Assuntos pessoais, cuidará de Lucy?
–Sim, já que é um pedido seu.
–Não sei nem como te agradecer, ela está passando por um momento difícil depois da perda de Layla, não fala comigo e mal come, tenho medo que ela possa ficar doente.
–Fique tranquilo, darei um jeito nisso.
–Só mais um pedido. — falou Jude. -Não a torne uma caçadora, tenho medo do futuro que ela possa ter.
–Entendo, fique tranquilo.
–Então já vou indo. -pegou um envelope branco de dentro do bolso do paletó. -Entregue isso a ela, caso pergunte de mim. -Jude saiu da sala desolado, mas com a cabeça erguida, aquilo seria para o bem de sua amada filha, era isso que importava.
Lucy estava trancada dentro de seu quarto, comia pouco, mal falava e nunca saia dali, ficava encarando o nada, a procura de algo para lhe confortar, o fato de que sua mãe estava morta a assombrava, o fato de que ela morrera como uma heroína, pouco lhe agradava, ele queria que Layla estivesse ali, com ela. Toda a noite sonhava com sua mãe, com o último instante em que passaram juntas, Lucy nunca em sua vida imaginaria que aquele seria o último dia em que veria sua mãe, com vida. Passou as delicadas mãos no cabo da afiada espada que ficava com ela a todo o momento, segurou o leve pingente de estrela que havia em seu colar, começara a cantarolar a canção de ninar que sua mãe cantava para ela, olhou para o relógio na mesa de cabeceira e vira que já se passavam das oito da noite, estranhou o fato de seu pai não ir vê-la, toda noite no mesmo horário, ia tentar falar com ela, mas em vão, já que a pequena não abria a boca, mas mesmo não trocando uma única palavra com seu pai, gostava de sua companhia. Pela primeira vez no dia, decidiu se levantar, os pés descalços tocaram o chão gélido, fazendo um leve arrepio percorrer por seu corpo, abriu a porta e tapou os olhos, por conta da claridade do corredor, assim que seus olhos se acostumaram, seguiu em frente, foi até o quarto de seu pai, bateu na porta, mas ninguém atendeu, girou a maçaneta, o trinco fez um leve estralo e a porta se abriu, o quarto estava escuro, vazio.
–Papa. -chamou a loira. -Papa, você está ai? -Ninguém respondeu, foi até o armário e o abriu, estava tão vazio como o quarto, se desesperou e começou a correr pelo corredor, chorando, chamando a atenção de vários caçadores que ali passavam, até que tromba com um velho senhor.
–Lucy, tome mais cuidado.
–S-sinto muito, Makarov-san, o senhor viu meu pai? Não o acho em lugar nenhum.
–Ele me pediu para que lhe entregasse esta carta. -falou entregando a loira, o envelope branco. O pegou com as mãos tremulas e correu de volta para seu quarto, acendeu a luz e logo abriu o envelope, lendo a carta:
“Querida Lucy, Minha doce filha sinto muito, tive que deixar o quartel, mas acredite, não foi por livre e espontânea vontade, o que eu mais queria era estar perto de você, e te ver crescer e se tornar uma bela mulher, forte e determinada assim como sua mãe era. Mas infelizmente não poderei ficar ao seu lado como desejo, sinto muitíssimo mesmo minha filha, talvez um dia você entenda o que está acontecendo, ou talvez nos reencontrem e eu mesmo poderei explicar o que houve e o que me fez te deixar. Juro-te minha filha, que isso é para o seu bem, para protegê-la, pois se algo acontecer com você, não sei o que seria de mim, eu te amo, não posso deixar que algo de ruim aconteça com você. Espero que nos vejamos em um futuro próximo e que um dia me perdoe e entenda que estou fazendo isso para o seu bem. Com todo o meu amor, Jude Heartfilia.” As lágrimas da pequena loira escorriam pelo seu rosto e caiam no papel borrando algumas palavras que lá estavam escritas, ela estava sem entender, seu pai a deixara, a partir daquele momento, ela não tinha pai, nem mãe, urrou de dor e desespero, queria achar uma forma de que a dor passasse. Ela se deitou abraçando as pernas contra seu corpo fortemente, seus olhos começaram a pesar e logo adormeceu.
Um mês, Lucy se trancou no quarto por um mês saia apenas para comer, algumas pessoas falavam que ela estava depressiva, outras que havia ficado louca. A loira estava com a pele mais pálida do que de costume, saiu do quarto, foi até o escritório do mestre e bateu na porta, logo falou para entrar.
–Lucy, o que Atrás aqui? _perguntou Makarov.
–E-eu, quero entrar no curso de caçadora, quero me tornar uma como minha mãe e meu pai. -Falou com um tom confiante por mais que tivesse gaguejado no início.
–Sinto muito, mas isso é impossível.
–Como assim? Sei que os cursos só começarão daqui a uma semana!
–Seu pai me pediu que eu não permitisse que fosse uma caçadora, sinto muito, mas por mim, não será. -falou por fim. Lucy não conseguiu distinguir os sentimentos que se passavam em seu coração, raiva, angustia, desolação, incredulidade, não acreditava, a sua última esperança era entrar naquele curso e vingar sua mãe. Correu para fora da sala, se ninguém iria treiná-la, treinaria sozinha. Viu caçadores saindo do local de treino, se espreitou pelos cantos para que não fosse percebida, mas falhou.
–O que faz aqui garota? -perguntou uma morena.
–E-eu, eu... _ela não sabia o que responder.
–Saia logo, não sabe que só pessoal autorizado pode vir treinar, a não ser que seja aluna da academia. O que não é o caso.
–Mas...
–Saia! Ande, não tenho paciência para garotinhas chatas como você. Meu tempo é curto e valioso. — Lucy abaixou a cabeça acanhada e saiu da sala, com os punhos cerrados e pronunciando alguns xingamentos, mas ela não desistiria tão fácil. Todos os dias ela vira que não usavam a sala das onze da noite as cinco horas da manhã, achou um meio tempo per feito para treinar, assim que pode, entrou na sala de treinamento, vira vários bonecos de pano, madeira e plástico, um lugar onde se localizavam as espadas, algumas de madeira outras da mais pura prata. Arcos pendurados enquanto suas flechas estavam em um recipiente, discos, Lucy se aproximou do disco, o tocou na ponta, percebeu que era muito afiado, se ela tivesse colocado um pouco mais de força nas mãos, teria se cortado, o pegou cuidadosamente e se aproximou do meio da sala, ficando um distancia de dez metros do boneco de plástico, respirou fundo e contou. Um, dois, três... Lançou o disco, que voou perfeitamente até a barriga do boneco, onde ficou fincada, sorriu com o resultado, ouviu um barulho de palmas e olhou para trás desesperada. Viu um loiro forte e bonito, sua face estava séria, ele tinha uma cicatriz em seu olho esquerdo, aquele era Laxus, neto de Makarov e o segundo no comando da base .Lucy sentiu medo, ela sabia que aquele lugar era proibido, mas mesmo assim, entrara lá.
–Você tem talento garota. Mas seria muito melhor, para qualquer tipo de monstro, que tivesse acertado no pescoço, o decapitando, a decapitação é o meio mais prático, quase sempre. -falou o loiro pegando uma espada de prata e a admirando. -Mas isso não vem ao caso, qual seu nome garota?
–L-Lucy, L-Lucy H-Heartfilia.
–Por que gagueja? -sorriu zombeteiro. — Eu não mordo.
–Lucy sorriu, fora a primeira vez que a loira sorria desde que sua mãe morrera. -Você tem um belo sorriso garota, sorria mais, você fica muito mais bonita. -Lucy assentiu ainda mais sorridente.
–O que fazia aqui sozinha, Lucy? -continuou Laxus.
–B-bem, eu quero me tornar uma caçadora, mas o seu avô não deixa, então vim aqui escondida, para treinar.
–Tsc, o velho não sabe de nada, quer saber Lucy. Gostei de você Lucy, vou te treinar.
–O-o que?! O senhor está falando sério!? -perguntou espantada.
–Claro, nunca brincaria com uma coisa dessas, além disso, vejo que tem grande potencial.
–Não sei nem como lhe agradecer Senhor!
–Primeiramente, parando de me chamar de Senhor, afinal, não sou tão velho assim, tenho meus vinte e três anos! -falou Zombeteiro, Lucy riu e assentiu sorridente.
–Então, amanhã as cinco horas da matina, esteja aqui, não se atrase. _se virou e deixou a loira ali, estática, ela conseguira um treinador, e ele era O Treinador, o Capitão, o Caçador entre os caçadores, ela não conseguiu deixar de sorrir com a ideia de se tornar forte e ser a aprendiz de Laxus.
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