A Caçada
6 Cemitério do Castelo
Notas iniciais
Após descansarem e reabastecerem suas energias, o trio seguiu em frente. Não demorou muito até que eles se aproximaram de algumas cruzes enterradas no solo, e o Escudo de Teodor começou a brilhar
Neste instante alguns cadáveres saíram dos solos e de seus respectivos túmulos e partiram para cima de Teodor, Ecaterina e Petru. Teodor defendeu a investida de dois zumbis enquanto o outro ia em direção à Petru, mas teve a atenção chamada pela magia de Ecaterina
—Ecaterina: Afaste-se criatura maligna!
Isto deu espaço que Petru precisava, ele efetuou alguns disparos e a criatura caiu, mas se levantou. Ecaterina lançou uma nova magia e a criatura virou cinzas
—Ecaterina: Isso aí!
Teodor repeliu o ataque dos dois zumbis, Petru e Ecaterina se encarregaram eles, fazendo-os caírem ao chão para todo o sempre. O trio seguia em direção ao Castelo, mas foram bloqueados por um enorme fosso, Petru jogou uma pedra e depois de alguns segundos ouviram o barulho dela caindo sobre as águas que circundavam a construção
—Petru: Eita! Abismo muito fundo!
—Teodor: Vejam! – Teodor apontava para uma ponte que chamou a atenção deles – Me ajudem a abaixá-la!
Os três foram em direção à ponte e tentaram abaixá-la com todas as suas forças. Petru se cansou facilmente, Ecaterina e Teodor aguentaram mais alguns segundos. Sem sucesso. Ecaterina se sentou perto da base
—Ecaterina: É... é muito pesada... – Ecaterina tinha cansaço em sua voz, quase perdendo o fôlego
—Teodor: Tem que haver algum jeito de fazê-la abaixar! – Teodor quase socou a ponte, mas o metal maciço o fez recuar.
Ecaterina colocou as mãos na cabeça, fora atingida por uma enxaqueca, mas extremamente fraca. Teodor e Petru perceberam isso e a levantaram facilmente. Dentro da mente de Ecaterina uma voz suave e leve ecoava em sua mente, um chamado
—Voz: Ecaterina! Minha filha!
—Ecaterina: Quem me chama?! – Ecaterina olhava em todas as direções, buscando a entidade que a chamara.
—Voz: Eu sou aquela a quem você dedica suas preces, eu sou aquela que lhe dá forças mágicas!
—Ecaterina: Mãe...Natureza?! – Ecaterina parecia admirada ao perceber a forma daquela que considerava uma deusa.
A figura que surgiu diante de Ecaterina era majestosa e imponente. Um cervo com galhadas que parecia uma coroa, e seu corpo era celestial, coberto por estrelas e galáxias, além disso tinha uma aparência um tanto terrestre. Os pelos brilhosos como se fosse um manto de um rei. Seus olhos tinham um brilho azul, quase divino, e então tomou a palavra
—Mãe Natureza: Sim, sou eu, minha filha! Tenho acompanhado de perto a jornada de sua família. Mas infelizmente não pude fazer muito para ajudá-la!
—Ecaterina: Mãe Natureza, toda a ajuda que a senhora me dá, grande ou pequena, é sempre bem-vinda e sempre digna de agradecimento”
—Mãe Natureza: Suas palavras acalmam meu espírito receoso e temo ter que pedir um enorme favor!
—Ecaterina: Tudo! O que a senhora pedir!
—Mãe Natureza: Vá até o altar, no centro desta terra fétida e sem vida, e lhe contarei tudo!
Ecaterina acordou de seu transe, Teodor e Petru olharam preocupados mas já tinham uma noção do que havia acontecido. Algo semelhante a isso ocorreu na Garganta das Almas, mas com uma criatura que eles viram. Desta vez era só Ecaterina presente lá, ninguém mais estava com ela exceto sua família
—Teodor: Quem se comunicou com você desta vez?
—Ecaterina: Aquela quem me dá energias mágicas!
—Petru: A Mãe Natureza?
—Ecaterina: Ela mesma, e está requerendo uma audiência conosco e um favor nosso...
—Teodor: Aonde?!
—Ecaterina: Sigam-me...
Um tempo se passou, Ecaterina guiava marido e filho pela terra inóspita, e estavam se aproximando de uma região curiosa. Havia três pilares de pedra, a terra era elevada como se fosse intencional. O altar estava diante deles, e o Escudo de Teodor tornou a brilhar novamente
Gargalhadas infames tomaram o local do vento suave que soprava em seus ouvidos. De cada totem saiu um Espectro Fantasmagórico que se dirigiram a eles de uma maneira selvagem. Um novo combate começou e cada um dos Espectros caiu perante à magia pura de Ecaterina, já que Petru não conseguia muito com sua Besta
E se aproximaram do altar, cuja mesa de oferenda se localizava no solo. Nesta “mesa” redonda havia encaixes, quatro para ser mais exato. Em um deles havia uma pedra cinza, Ecaterina se aproximou e conseguiu enxergar dentro da pedra. Haviam nuvens dentro desta pequena pedra e o Espírito da Natureza surgiu perante Ecaterina e sua família
Teodor e Petru se preparavam para um combate mas Ecaterina havia explicado toda a situação para eles, e os dois se acalmaram. O Cervo Celestial se aproximou de Ecaterina e ela tocou sua cabeça
—Mãe Natureza: Agradeço a todos por virem aqui! – olhava para Ecaterina, Petru e Teodor.
—Petru: Wow! Ela...ela fala! – Petru parecia encantado e maravilhado. Fora a beleza desta encarnação, a voz era tão suave que parecia angelical
—Mãe Natureza: Sim, meu filho! Agradeço a sua mãe por ter vos trazido perante a mim.
—Teodor: E o que Vossa Excelência gostaria de nos pedir?!
—Mãe Natureza: Só a minha palavra não basta, então terei que levá-los para uma viagem – A Mãe Natureza, de alguma forma, se conectou com as mentes de Teodor, Petru e Ecaterina
Os três pararam em uma terra semelhante com a do cemitério, mas esta terra era bela, verdejante e cheia de vida! O Castelo se encontrava ao fundo, o que deixou Teodor um tanto confuso
—Teodor: Aonde estamos?! – coçava a cabeça implacavelmente
—Mãe Natureza: No mesmo lugar, no altar. Mas em uma era completamente distante e extinta!
Era um reino fabuloso, o reino Élfico. O bondoso Rei Salerian governava com honra e dignidade seu povo, as matas eram ricas de recursos e nunca faltava nada para ninguém. Não havia pobreza, nem miséria, e nem riqueza. Todos tinham o que necessitavam e isso os fazia felizes
—Mãe Natureza: Vocês acreditariam se eu apenas contasse a história?!
—Teodor: Um pouco difícil, mas esta é a razão por nos ter trazido aqui...
—Mãe Natureza: Exato!
—Ecaterina: Há algo estranho... neste Rei Élfico... ele me parece familiar...
—Petru: Verdade, mãe...
—Mãe Natureza: Vocês o conhecem muito bem, mas seu povo o chama por outro nome, um nome que ele mesmo se intitulou.
Houve uma passagem enorme de tempo, uma correria geral. Soldados Élficos se preparando para um combate. O céu estava escarlate, as florestas estavam em chamas, e o Rei... estava perdido
—Mãe Natureza: Por séculos o Homem e os Elfos viveram pacificamente, cada um com seus respectivos reinos e problemas pessoais. Mas a cobiça da raça humana os levou ao ato mais cruel e impensável já visto até agora. Uma marcha contra um povo pacífico que dizimou toda esta bela floresta.
—Teodor: Eu... eu não sabia...
—Petru: Nunca estudei isso no Folclore...
—Mãe Natureza: Meus filhos, saibam que a história sempre será escrita pelos vencedores, e a própria história já provou isto. Os registros dos elfos desapareceram completamente, mas não aqui, e não ainda...
A Mãe Natureza os avançou novamente no tempo, o Rei se encontrava em uma catedral. Parado, lendo um livro. O que ele recitou fez a espinha dos caçadores congelarem por completo
—Rei Salerian: Ó Deus das Trevas! Ó Criatura da Noite! Após inúmeras eras de longo descanso, eu, Monarca dos Elfos, exijo que me ajude! Em um ato desesperado, por favor, salve meu povo! Não importa o que me custe, o que me tire, apenas peço que me ajude!
—Ecaterina: O que é isso?!
—Mãe Natureza: O que acabou de ouvir e de ver. O nobre e bondoso Rei Salerian, para repelir as forças Humanas de suas terras, vendeu sua alma para uma criatura sombria. Algo que nem mesmo eu poderia controlar, algo que foi selado no Abismo Eterno quando o mundo foi criado...
—Teodor: Não pode ser...
Então uma fumaça negra com pequenos raios roxos saiu abaixo do Rei Salerian, sua voz era grave, pesada e cada palavra recitada fazia o coração dos caçadores tremer de medo. O Rei Salerian apenas escutava, atento, aos pedidos da criatura
—Aztherot: Pois saiba, Monarca Élfico, posso dar-lhe o poder que tanto procura! Mas o preço está além de suas posses atuais! Não perca meu tempo com mesquinharias, embora eu o agradeça por ter libertado-me de meu sono profundo!
—Rei Salerian: Ó Rei Sombrio, Aztherot, lhe darei tudo que estiver ao meu alcance, riquezas, meu reino, meu sangue!
—Petru: O que ele está fazendo?!
—Ecaterina: Isso é diabólico!
—Teodor: É inacreditável!
—Aztherot: Como dito antes, meu preço é muito alto. Mas o desejo de vingança que sinto em você é compatível com minha sede de sangue! E o sacrifício de sangue que você me oferece é justamente o que preciso!
—Rei Salerian: Então, Vossa Divindade, aceitaste minha oferta?! – O rei parecia orgulhoso e feliz. Por métodos sombrios ele poderia salvar seu povo.
—Aztherot: Sim! Hei de possuir seu corpo, e hei de oferecer teu povo em holocausto à meu nome! Reúna-os todos, amanha! Para o sacrifício!
O dia raiava na Terra Élfica, outrora bela e cheia de vida e agora morta. O Rei Salerian estava diferente, estava sombrio, mas conseguiu reunir todos os sobreviventes e soldados para um anúncio. O ataque humano cessara por hora para que os humanos enterrassem seus defuntos
O Rei Salerian contemplou e postou com sua voz grave, e o povo élfico estava assustado, e temeroso. Todos estavam reunidos para um propósito maligno que ninguém sabia até que o Rei Salerian ergueu seus braços aos céus
—Rei Salerian: Agradeço a todos aqui presentes! Vós sois o cordeiro do Deus Superior! – O Rei proferia estas palavras enquanto o povo, mesmo desconfiado, celebrava a mensagem de seu soberano.
—Rei Salerian: Esta guerra nos está custando muito, meu povo! Portanto, hei de cumprir um grande sacrifício para trazer a paz devolta a este belo reino que nos foi dado pelo Deus Superior! Os humanos hão de sucumbir perante nós!
A multidão se reunia em frenesi, todos alegres e tristes. Uma sombra de esperança perpetuava os corações dos élficos, até que uma esfera sombria se colocou por entre as mãos elevadas do Monarca Élfico
—Rei Salerian: Agora que todos estão perante a “nós”, reunidos para sacrifício, que sua hora dê início!
E então foi a visão do inferno, vários raios de energia sombria saía da esfera que Salerian segurava com suas mãos, e cada raio atingia um elfo diferente em diferentes partes do corpo. Isto congelou os corações dos élficos que estavam reunidos, todos com medo. Seu rei os traiu, os entregou em sacrifício!
E então o Rei Salerian se transformou em uma criatura sombria e abissal, e partiu para cima dos súditos que sobreviveram. Os soldados tentaram inutilmente defender o povo enquanto eram esmagados e brutalizados por aquele que juraram proteger. Salerian devorava a todos que encontrava pelo caminho, da maneira mais brutal possível, enquanto saboreava o sangue deles
A cena era cruel demais, Petru teve que fechar os olhos e Ecaterina virava o rosto. Os gritos de desespero de todos os elfos ecoava no ar, enquanto apenas um único ser partia para a carnificina. Teodor era o único que permanecia atento a ação, já vira tantas coisas em sua vida, mas nada igual a isso. Começou a tremer vagarosamente enquanto assistia ao holocausto
O Rei Salerian, ou seja o que ele for, finalmente cessou a matança quando o último homem, a última mulher e a última criança foram abatidos feito animais. Pedaços de membros se estendiam por toda a terra. O verde havia se tornado vermelho e uma voz grave tornou a surgir
—Aztherot: Você cumpriu com sua promessa, Monarca Élfico! E merece parte de meu poder para vencer àqueles que ameaçaram seu povo! Mas lembre-se, caso não absorva o sangue de seus inimigos ou sua energia vital, eu removerei seu poder, pois tudo que consumiste irá oferecer-me em tributo!
—Salerian: Sim! Majestade Abissal!
—Aztherot: Agora hei de retornar ao meu breve sono, teu corpo será só teu! E de agora em diante irá chamar-se de...
O nome que os três ouviram fez Teodor ranger os dentes e fechar os punhos de uma forma que sua família nunca vira antes
—Teodor: Vlad... Tepes...!
Finalmente voltaram ao altar, pouco tempo verdadeiro havia se passado, apenas alguns minutos talvez. Teodor, Ecaterina e Petru ganharam conhecimento de uma revelação que mudou todo o curso de seus pensamentos. Finalmente, a origem de Vlad Tepes, lhes fora revelada
—Ecaterina: Então... então... – Ecaterina estava em soluços, mal conseguia falar e sua família, incluindo a Mãe Natureza, perceberam isso
—Mãe Natureza: Sim! Salerian, abandonou toda a honra que tinha, sacrificou seu povo e suas almas da forma mais cruel e brutal possível, e se tornou o que vocês conhecem hoje!
—Petru: Suponho, então, que ele tenha dizimado toda a armada humana que invadiu seu reino?
—Mãe Natureza: Vocês são de Sighisoara, não são?!
—Ecaterina: Sim, nós somos de lá!
—Mãe Natureza: Uma das doze cidades humanas que Vlad Tepes ainda não dizimou...
—Teodor: O que?!
—Mãe Natureza: Ao longo da história, a partir do que deu sequência ao que vocês viram, é provável que Tepes tenha abatido tudo e todos humanos que tenham cruzado seu caminho. Quando os humanos locais foram eliminados, ele se voltou para a caça...
—Teodor: Maldito! Desgraçado!
—Mãe Natureza: É por isso que preciso que vocês o eliminem, para que a última espécie que restou neste planeta possa sobreviver e repovoá-lo!
—Teodor: Diga-nos! O que devemos fazer!?
—Mãe Natureza: Está vendo este altar abaixo de nós?!
Teodor e sua família olharam atentamente para o altar, para os encaixes e para a pedra cinza que brilhava em um deles. Ela se encontrava presa, nada podia removê-la, mas como ela foi posta lá?!
—Ecaterina: O que é este altar?
—Mãe Natureza: Este é o altar que os elfos, uma vez, fizeram em homenagem ao Deus Superior. Nestes encaixes os Cristais Elementais devem ser postos para honrar o Deus Superior.
—Petru: E como este cinza parou aqui?!
—Mãe Natureza: O Cristal do Vento foi posto aí por um aventureiro, como vocês, que veio para cá. Ele disse-me que veio acompanhado, mas infelizmente o companheiro dele faleceu antes de chegar aqui!
—Teodor: Por acaso, o falecido se chamava Krystus?! – Ecaterina e Petru olharam para ele, não queria saber a possível resposta.
—Mãe Natureza: Se não me falha a memória...sim... e o viajante era...
—Teodor: Thomas! Eles eram irmãos... – Teodor apertava o medalhão de Krystus.
—Ecaterina: Então basta trazer os Cristais, e o que?!
—Mãe Natureza: Tragam-me os Cristais e poderei canalizar a Energia Lunar para você, Ecaterina, com ela sua força mágica será além do imaginável, poderá abaixar a ponte que tanto desejam cruzar.
—Petru: Parece um bom acordo para mim!
—Teodor: Sabe onde podemos encontrar estes cristais?!
—Mãe Natureza: Sim! O Cristal do Fogo está localizado em frente a uma árvore amaldiçoada, o Cristal da Água está na tumba dos Três Irmãos e o Cristal da Terra está onde os mais abastados são sepultados.
—Ecaterina: Onde os mais abastados são sepultados... um sarcófago, mausoléu!
—Teodor: Vale a tentativa!
—Petru: Vamos!
E então o trio de caçadores partiu para mais uma aventura. Suas mentes latejavam com tanta informação que obtiveram, e finalmente viram uma luz no fim do túnel. Não demorou muito para que eles se aproximassem de uma Árvore Colossal. Teodor foi na frente, com passos suaves e leves para se aproximar a árvore e pegar o Cristal
—Teodor: Peguei! – Teodor não percebera o que acontecia
Então, a Árvore Colossal se descascou por completa, e de dentro surgiu uma árvore viva! Com galhos sombrios e olhos vermelhos, era um Carvalho Amaldiçoado. A árvore partiu em direção a Teodor que por pouco não conseguiu desviar. Mas a árvore aplicou um outro golpe, Teodor o bloqueou mas o impacto o fez voar longe
Ecaterina e Petru faziam disparos de magia e flechas. A magia era repelida, o que deixava Ecaterina furiosa, e as flechas fincavam mas não penetravam, sem causar dano
—Ecaterina: Ou minha magia é fraca, ou esta árvore é muito forte!
—Petru: Minhas flechas também não surtem efeito!
A árvore tentou um golpe em Petru, mas o jovem desviou rapidamente e continuava atirando e corrento. Ecaterina tentou mais uma vez, mas a esfera de energia foi ricocheteada e quase atingiu Teodor
—Ecaterina: Que droga! Amor, levanta!
Teodor estava zonzo, mas percebeu que havia pego o Cristal do Fogo e o lançou para a esposa
—Teodor: Amor, pega!
Um lançamento e apanhamento perfeitos! Ecaterina sentiu algo diferente quando tocou o Cristal do Fogo. Era como se entrassem em união. Inconscientemente Ecaterina disparou uma magia na Árvore Colossal, que se incendiou de imediato, caindo no chão
—Petru: O que você fez?!
—Ecaterina: Eu... eu não sei... eu toquei o Cristal do Fogo e derrubei uma árvore, só disso que lembro...
—Teodor: Não faz mal! Temos que nos apressar!
Voltaram ao altar, a Mãe Natureza não estava lá, o que deixou Ecaterina um pouco triste. Ela se abaixou e colocou o Cristal do Fogo no encaixe que tinha um formato parecido com o da pedra. Ela então sentiu uma força deixando-a, provavelmente era a força que a pedra tinha dado para que ela destruísse o Carvalho Amaldiçoado
Olharam em volta, e seguiram em direção a um caminho que não foram ainda, lá havia três túmulos, cercados por árvores mortas. Isso era óbvio, estavam no túmulo dos Três Irmãos!
—Petru: Cadê o Cristal?!
—Ecaterina: Estranho...
—Teodor: O Escudo não está brilhando, estamos seguros
Os três olharam, analisaram e não encontraram nenhum sinal do Cristal da Água. Era perturbador, o tempo corria e tinham encontrado um beco sem saída, nos túmulos era possível apenas ler os nomes e as datas de nascimento e falecimento. Era um cemitério bastante estranho, nada igual aos do mundo humano
—Petru: Eu desisto... não faço a menor ideia!
—Teodor: Temos que desenterrá-los!
—Ecaterina: O que?! Isso é profanação!
—Petru: E nojento...
—Teodor: Vocês querem o Cristal da Água ou não?!
Teodor, Ecaterina e Petru começaram a escavar, mas tiveram que fazê-lo com suas próprias mãos, não trouxeram nada apropriado. Afinal, quem adivinharia que eles estariam pisando no reino dos elfos?
Demorou um pouco até que Petru desenterrasse o primeiro irmão, que por ventura era o irmãos mais novo. Ao abrir o caixão Petru saltou para trás
—Petru: UAAHH!!! Sou eu! – Petru estava vendo a si próprio dentro do caixão, sem vida, ressecado, desidratado.
Ecaterina e Teodor perceberam uma possível lógica neste enigma, e então Teodor pegou do cantil e despejou um pouco de água no “corpo” de Petru, que se desfez em poeira e os ossos do irmão mais novo foram revelados. Escavaram os outros dois e fizeram o mesmo para o irmão do meio e o irmão mais velho, e o mesmo aconteceu. Houve um súbito tremor, não como um terremoto, mas era como se a terra próxima tremesse, e então o espírito do irmão mais velho apareceu
—Irmão Mais Velho: Mortais! Agradecemos por ter libertado nossos espíritos sedentos, sua bondade se provou digna de nossa compaixão – o Irmão dizia enquanto estendia a mão para Petru.
—Petru: É o Cristal da Água?!
—Irmão Mais Velho: Sim... quando Salerian enlouqueceu houve uma grande falta d’água na região, nosso irmão mais novo infelizmente veio a sucumbir. Eu e o Irmão do Meio fomos sacrificados no holocausto... Espero que deem um fim na tirania de Salerian...
—Petru: Daremos! – Petru dizia enquanto pegava o Cristal da Água, e sentia suas forças revigoradas enquanto o fazia.
O Irmão Mais Velho desapareceu em meio a luz que brilhava internamente, o Segundo Cristal fora obtido, faltava apenas um. Petru deu o Cristal da Água para seus pais que se refrescaram. De alguma forma, o Cristal da Água tinha propriedades tão mágicas quanto o Cristal do Fogo, e reabasteceu o cantil utilizado pelo trio, que se puseram a bebê-lo
Retornaram ao altar e Petru colocou o Cristal da Água no encaixe, e então partiram para o último cristal. Procuraram muito até acharem o mausoléu a uma distância considerável do altar. Sua porta de pedra era difícil de mover, até para Teodor. Ecaterina fez um disparo mágico e a porta foi destruída
O trio adentrou o mausoléu e foram recebidos por dois Zumbis Carniçais, os quais caíram facilmente perante a Magia de Ecaterina e a Besta Sagrada de Petru, enquanto Teodor os protegia dos ataques. Seguiram para dentro do mausoléu quando se depararam com um tronco apodrecido, caído perante eles. Alto demais para ser saltado, Ecaterina e Petru atacaram o tronco, mas sem sucesso
Teodor então soube que tinha que prosseguir sozinho, levantou o tronco e seguiu em frente
—Teodor: Tenho que seguir sozinho... me esperem!
—Petru: Tenha cuidado, pai!
—Ecaterina: Cuidado, amor!
Teodor acenou positivamente para a mulher e o filho, demorou um pouco quando finalmente chegou a um sarcófago. A tampa de pedra estava rachada, e Teodor a destruiu com um poderoso golpe com suas mãos e o que estava dentro do sarcófago fora revelado
Morto, conservado e de mãos juntas estava Thomas, o irmão de Krystus. Teodor pensou que em suas mãos lacradas estava o Cristal da Terra, tentou forçá-las mas não conseguiu. Instintivamente, Teodor pegou o medalhão de Krystus e o colocou por entre as mãos de Thomas
As mãos se abriram vagarosamente, revelando o Cristal da Terra. Era como se Thomas aguardasse por este momento há muito tempo. Teodor não pode deixar de derramar algumas lágrimas quando viu que os irmãos estavam juntos novamente. Um havia caído no Jardim da Perdição, e o outro no Cemitério do Castelo, mas agora estavam próximos
—Teodor: Vá em paz, Thomas! – Teodor apanhara o Cristal da Terra e sentiu sua força física aumentar, assim como sua resistência e suas pequenas feridas se fecharam, assim como a cicatriz de seu rosto que desapareceu.
Teodor saiu do sarcófago, ainda com lágrimas nos olhos, Ecaterina percebeu isso e foi direto para abraçá-lo, Petru não entendeu nada mas foi até o pai. Teodor mostrou o Cristal da Terra para eles, e todos o tocaram e sentiram suas feridas se fecharem e suas forças vitais restauradas
—Ecaterina: Sua cicatriz... desapareceu?!
—Teodor: O que?! – Teodor colocou a mão no rosto e não sentiu mais a ferida.
—Petru: É mesmo!
-Teodor: Estes Cristais... me pergunto qual seria o poder do Cristal do Vento...
Partiram para o altar, Teodor encaixou o Cristal da Terra em seu devido lugar. Três raios caíram em cima dos três pilares e a encarnação da Mãe Natureza surgiu no meio do altar
—Mãe Natureza: Meus parabéns, meus filhos! Vocês concluíram sua missão, e se merecem dignos de minhas bênçãos!
E então uma coluna de luz desceu dos céus, não sabiam de onde e cada um foi banhado com seu poder
—Mãe Natureza: Teodor, o Paladino Sagrado, teu Escudo Dourado agora será mais resistente, assim que utilizá-lo, uma onda de luz será emitida e nada poderá atravessá-la!
Teodor utilizou o Escudo como se fosse para proteger, e uma barreira luminosa surgiu maior do que o próprio escudo
—Mãe Natureza: Jovem Petru, o Caçador Iluminado, tua Besta Sagrada agora aumentará o seu poder, suas flechas serão mais mortais contra as criaturas sombrias, e etéreas!
Petru sacou a Besta Sagrada, e a disparou em uma lápide próxima e a mesma se desfez em vários pedaços, o que deixou Petru impressionado
—Mãe Natureza: Minha filha Ecaterina, a Sacerdotisa Arcana, teu Poder Mágico terás a mesma magnitude que os poderes dos Deuses! Com ele, você poderá abaixar a ponte que vos separa do Castelo, e teu poder será grandioso!
Ecaterina lançou uma esfera de energia brilhosa e poderosa aos céus, que ao atingir o potência máxima explodiu
—Mãe Natureza: Agora vão, meus filhos! Destruam as ambições de Vlad Tepes! E deem descanso aos espíritos dos élficos abatidos!
Ecaterina se ajoelhou perante a Mãe Natureza, Teodor e Petru imitaram seus movimentos e os três agradeceram a Mãe Natureza pelos novos poderes. Bênçãos da Mãe Natureza são sempre bem-vindos para aqueles que lutam contra as forças das trevas. O trio seguiu até a ponte enquanto a Mãe Natureza retornava para o solo, ela queria observá-los, atenta, o que vos aconteceria assim que entrassem no Castelo, mas não era possível. Seu espírito não adentrava o Castelo
Demorou pouco até os caçadores se aproximarem da Ponte Levadiça, Ecaterina lançou uma energia mágica poderosa e tal feito abaixou a ponte com muita facilidade. Teodor e Petru ficaram surpresos e impressionados
—Ecaterina: Vamos!
Teodor e Petru seguiram Ecaterina através da ponte até chegarem no portão do Castelo de Vlad Tepes. Era uma construção bela, jazida em ruínas por causa do tempo que se passou. Ecaterina lançou uma nova esfera de energia e o portão foi reduzido à cinzas!
—Teodor: Minha nossa...
—Petru: Que poder!
E então o trio seguiu para dentro do Castelo, preparados para a última batalha contra o Conde das Trevas, Vlad Tepes, e com uma enorme responsabilidade sobre seus ombros. O trio desapareceu na escuridão da entrada do Castelo e não demorou muito para ouvir seus gritos de susto
FIM DO CAPÍTULO
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