A Caverna Secreta de Nollor

7 Paulo, o sábio ferreiro


Entrando no corredor Ricardo se encontrou com Paulo saindo do seu quarto.

-Olá Ricardo !

-Oi Paulo, é… aproveitando o nosso encontro, eu preciso de um favor seu.

-Claro, o que você quer ?

-Será que você poderia me ensinar a afiar a minha espada ? Eu comprei uma pedra, amanhã eu vou fazer uma caçada mas não sei se a minha espada está bem afiada e ela está muito suja.

-Ah, claro, é só isso ?

-Sim, você poderia fazer esse favor ?

-Claro, depois do jantar nós vamos ao meu escritório e eu te ensino.

-Muito obrigado.

Ricardo entrou no seu quarto, pegou a toalha no guarda-roupa e voltou para o banheiro.

-Querida, você poderia fazer a salada por favor.

-Ta bom mãe. Pode deixar.

-Hoje nós vamos ter na janta as mesmas coisas do almoço e suco de abóbora.

-Hum… eu adoro suco de abóbora.

-Ricardo ! -Disse Paulo batendo na porta do banheiro.

Ricardo desligou o chuveiro e respondeu.

-Oi ?

-Onde está a sua espada ? Eu vou aproveitar o tempo em que a Sandra está preparando a janta e limpa-la antes de afiar.

-Ah, certo, ela na bainha encostada no guarda-roupas do quarto de hóspedes.

-Obrigado.

-Eu é que agradeço. -Ricardo ligou o chuveiro e voltou a tomar banho. Paulo foi até o quarto de hóspedes, pegou a espada de Ricardo, entrou no seu escritório que estava na porta que ficava de frente para a da cozinha, pegou dois frascos cheios de líquidos verde e amarelo e uma bacia de ferro com água quase até o topo.

Botou a bacia em cima de uma mesa cheia de ferramentas, empurrou as ferramentas e botou a espada embainhada de Ricardo ao lado da bacia, abriu os dois frascos estranhos e derramou metade dos líquidos dentro da bacia com água, mexeu a mistura com uma grande colher de ferro e usando um gancho, deixou a espada e a bainha separadas e totalmente submersas naquela mistura e ficou observando toda a sujeira sair daqueles objetos de prata que ficavam cada vez mais brilhantes. Ricardo bateu na porta do escritório que estava apenas encostada e entrou.

-Ah, Ricardo, vem pode entrar.

-Paulo, o que é esse líquido ?

-Isso é um ácido purificador especial que eu preparei para limpar a sua espada, falando nela, você a achou dentro da caverna não foi ?

-Sim ela estava separada desta bainha, mas acho que elas são um conjunto.

-Tanto a espada quanto a bainha tem um grande poder, cuide bem delas, as espadas tem coração e alma, não são nós quem as escolhemos, elas que nos escolhem.

-Isso é muito estranho. Eu não entendo.

-Com o tempo você vai entender. Eu só comecei a entender isso depois de muito tempo adquirindo experiência como ferreiro.

-Hum…

-Está pronta, agora eu vou deixar elas de molho em água quente para tirar todo o ácido em volta dela.

-Querido, Ricardo, venham os dois, o jantar está pronto !

-Já estamos indo meu amor ! Vamos, depois do jantar nós tiramos elas da água quente e começamos a afiar a espada.

-Certo.

Na mesa tinha as mesmas coisas que no almoço mas dessa vez Ricardo resolveu provar um pouco da salada com macarrão.

-Nossa, tudo que eu comi até agora é ótimo !

-É porque essa mulher é mágica ! -Brincou Paulo apontando para Sandra. -Ela consegue fazer tudo ficar bom !

-Ai…para meu amor, eu fico sem jeito !

E todos na mesa começaram a rir.

-Então quer dizer que amanhã você vai fazer a sua primeira caçada Ricardo ?

-É, o mestre Tarik vai levar todos à floresta de Aidem para nós treinarmos o golpe fulminante.

-Hum… o mestre Tarik está fazendo um ótimo trabalho, vocês passaram das 3 etapas básicas bem rápido.

-É verdade, mas para mim foi bem simples.

-Que menino humilde. -Brincou novamente e riu com todos. -Então nós temos que afiar bem a sua espada.

Todos pareciam muito animados no jantar, Ricardo estava se sentindo em casa junto com aquela família, eles eram muito bons, gentis e sociáveis com ele mesmo aquele sendo apenas o seu segundo dia naquela casa.

-Eu já acabei, com licença !

-Ah, Paulo, espera, eu vou com você, também já acabei, com licença.

-Ta bom, vamos. Vocês duas podem retirar as coisas da mesa ?

-Claro ! Não há problemas.

-Vamos Ricardo, ah por favor, pegue a pedra de amolar que você comprou e leve ao escritório, nós vamos usa-la agora.

-Ta bom, me espera só um momento.

Ricardo foi ao seu quarto abriu a sua mochila que estava em cima da escrivaninha, pegou a pedra e foi para o escritório.

-Aqui está a pedra.

Paulo pegou a pedra, examinou e botou em cima da mesa.

-Essa é uma pedra de boa qualidade, você fez uma ótima compra.

Ricardo abriu um sorriso orgulhoso pelo elogio mesmo que ele não tivesse a mínima ideia se aquela pedra era boa quando a comprou. Paulo Retirou a espada e a bainha da água quente esecou as duas com um pano velho, botou a bainha sobre a mesa e começou a afiar a espada.

-Veja, isso é bem simples, eu disse que ia te ensinar a afiar a sua espada mas eu não posso fazer isso.

-Mas por que ?

-Esse, mesmo parecendo ser um trabalho simples, é o trabalho de um ferreiro, o ferreiro sabe como tratar cada espada, nós praticamente conversamos com elas.

-Então eu vou te pagar por isso.

-Ah, não , não precisa se incomodar dessa vez é por conta da casa, considere um presente de boas vindas à esse lugar.

-Bem, obrigado, mas eu fico te devendo essa.

-Como quiser.

Já fazia mais ou menos uma hora que Ricardo e Paulo estava no escritório conversando e afiando a espada de Ricardo até que começaram a surgir os bocejos.

-É… eu já estou ficando cansado também !

-Acho que já está bom não é ?

-De forma alguma, ela ainda não está pronta, mas não vai demorar muito.

-Ta bom, se é assim que você quer.

-Isso é orgulho, eu não consigo devolver a arma de nenhum cliente se não estiver perfeita. Mesmo que seja de graça, se eu não fizer ela ficar perfeita eu vou acabar perdendo clientes.

-É, faz sentido.

-Claro que faz, é por essa falta de vontade de trabalhar que tem um monte de ferreiro arrumando bicos pela rua e não conseguem montar o seu negócio.

-É verdade. Me diz uma coisa, os ferreiros também lutam ?

-Os ferreiros são bem pacíficos, mas a maioria de nós sabemos manejar as armas muito bem, melhor do que muitos que dizem ser profissionais. Nós sabemos o bastante para conseguir nos manter vivos e intactos.

Meia hora depois a espada estava pronta.

-E… pronto ! Agora só falta fazer o teste.

-Teste ?

Paulo sem falar nada, arrancou um fio de cabelo da cabeça de Ricardo que deu um gemido leve, soltou o cabelo em cima da lamina da espada parada. O fio foi partido em dois passando pela espada apenascom a força gravitacional.

-Bom, o teste disse que ela está pronta, dê uma olhada !

Ricardo pegou a sua espada. Ela podia refletir o seu rosto tão bem quanto um espelho.

-Está ótima ! Muito obrigado Paulo, fico te devendo essa.

-Mais um cliente satisfeito.

Paulo se levantou da cadeira de madeira velha e soltou um bocejo e se espreguiçou. Ricardo descansou a sua espada em sua bainha brilhante, e os dois se cumprimentaram.

-Bom, já que está tudo pronto, acho melhor nós irmos para os quartos dormir, já está tarde e tanto você como eu devemos acordar cedo amanhã.

Paulo e Ricardo saíram do escritório, e Paulo ativou a tranca da porta.

-Boa noite garoto.

-Boa noite Paulo.

Cada um entrou em seu quarto, Ricardo guardou a sua espada embainhada deitou na cama, ficou olhando para o teto, pensando na sua primeira caçada, e de repente Lara passou em sua cabeça, mas por que ele estava pensando nela ? Em pouco tempo Ricardo caiu no sono. O tempo passou tão rápido, logo o seu despertador natural já estava ativo, aquele sol iluminando o seu rosto, Ricardo acordou bocejando e se espreguiçando na cama, levantou-se, limpou os olhos que ardiam com o brilho do sol. E foi para a cozinha.

-Bom-dia. -Disse para Carol ainda com voz de sono.

-Bom-dia ! Eu estou preparando o café para nós dois.

-Ta bom, eu vou tomar um banho.

Ricardo voltou para o quarto, pegou a sua toalha no guarda-roupas e foi para o banheiro, tomou banhou e escovou os dentes, penteou o cabelo, voltou para o quarto escolheu um quimono preto de poliéster com um tigre-dente-de-sabre desenhado começando no peito esquerdo, passando pelo ombro e acabando nas costas. Botou a sua luva, na mão direita, tirou as moedas de dentro do saco pequeno, juntou com as outras no saco que havia encontrado na caverna, botou algumas porções no pequeno saco e prendeu à cintura, prendeu a sua espada embainhada nas costas de maneira que ele poderia saca-la na posição defensiva e por ultimo botou o seu colar abençoado e voltou para a cozinha.

-Nossa ! É a primeira vez que eu te vejo assim, todo armado para a caçada.

-Esse quimono ficou bom em mim ? Ele é bem confortável.

-Ficou ! Agora vem logo tomar o café que você tem que ir buscar a Lara na casa dela e é bom não se atrasar.

-É verdade.

Ricardo sentou à mesa serviu um pouco de café com leite e pegou um pedaço de pão para come-lo molhado ao café.

-Acabei. Obrigado pelo café, está ótimo !

-De nada, pode deixar isso ai que depois eu pego e lavo, vai logo se não você vai se atrasar !

-Obrigado, tchau ! Acho que a caçada só vai acabar umas 4 horas, se eu demorar, não precisa ficar preocupada.

-Ta bom, até mais ! Boa caçada !

-Bom treino !