A Cat In My Life
16 Especial — Aniversário e "Rosa"
Notas iniciais
Especial — Aniversário e “Rosa”

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“Se queres ser feliz amanhã, tenta hoje mesmo.” (Liang Tzu)
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— Porra. Preciso disso tudo? — praguejou Natsu, na frente de Levy.
Como uma dádiva dos Deuses, Natsu estava com um blazer lindo que ele mesmo havia comprado. Levy praticamente o obrigou a comprar aquele — que por acaso, era o mais bonito e mais caro, não que aquilo mudasse algo em sua vida. Ela queria que tudo fosse perfeito e que Lucy amasse o presente.
Mesmo reclamando a cada minuto, ele estava muito nervoso. Queria que Lucy gostasse do que ele planejava fazer. Por aquele motivo, estava em sua própria casa com o auxilio de Levy, tentando ficar mais “apresentável” para quando chegasse ao prédio de Lucy.
Provavelmente no relógio já marcariam 19h, e ele precisaria estar pronto às 20h. Estava aliviado pela namorada ter acreditado em sua conversa fiada pela mensagem de texto do celular: “Fique me esperando no apartamento. Vou levar algumas guloseimas pra gente.” Mas na verdade, estava morrendo de medo de que ela percebesse que ele estava preparando algo muito maior para o seu aniversário.
Seu aniversário. Ele estava tão feliz por saber que estava com ela há tanto tempo.
Haviam comemorado o seu próprio aniversário de forma bem simples. Lucy dormiu em sua casa e ficaram quase a noite toda conversando, até chegar o momento de “irem para a cama”, assim dizendo. Um sorriso malicioso correu o rosto de Natsu, lembrando-se dos acontecimentos.
Levy se responsabilizou em arrumar a maioria das coisas, como: roupas, sapatos, cabelo e presente. Natsu não queria comprar nada muito caro, pois sabia que ela não gostava quando ele a dava presentes dignos de milionários, como joias. E assim, ele optou comprar um buquê de rosas e um álbum em que revelou as fotos que tiraram com o passar dos meses de namoro — roubando o cartão de seu celular, até ela se levar na conversa de Natsu ao dizer que provavelmente teria caído no lixo.
Ele riu mentalmente, pensando em como era péssimo em mentiras. Lucy era tão boba que sempre acreditava. Ele a amava muito e estava mais feliz do que nunca esteve. Os problemas que quase o separaram, estavam muito bem resolvidos. E só de lembrar-se do que passaram até aquele dia, o dava um arrepio na espinha. O amor, com certeza, quebrava muitas barreiras. E se algo tentasse separar Lucy dele novamente, ele viraria uma fera.
Lucy iria se tornar maior de idade. Estavam perto de terminar o último ano do colegial, e provavelmente iriam juntos para uma faculdade. Nem em sonhos Natsu iria ficar longe da amada. O máximo que conseguiria fazer era estudar algo diferente do dela.
Seus pensamentos sumiram quando sentiu Levy espetar uma agulha em seu braço.
— Ai, Levy! Quer me deixar sangrando antes mesmo de eu ver a Lucy? — reclamou pela milésima vez.
— Deixa de ser fraco, garoto. A Lucy está namorando o Natsu ou um cabritinho? — ela deu um tapa em seu braço quase ferido, sem dó algum. — Eu te dei a chance de ir dar a surpresa pra ela sozinha. Vou ter que dar o meu presente só amanhã.
Ambos combinaram de apenas Natsu ir até o prédio de Lucy. Estava torcendo para que ela não achasse que estivesse sendo ignorada pelos amigos, todavia, seria completamente uma idiotice a se pensar naquela altura do campeonato. A verdade era que estava muito nervoso.
— Certo, mas termine logo, não quero atrasar — bufou. — O pessoal já deve estar lá em baixo.
— Calma! Estou terminando. — sorriu, ajeitando uma parte do cabelo dele. — Prontinho!
Ele suspirou, se virando para o espelho logo atrás dele. E sim, ele realmente estava lindo e representava um perfeito namorado. Seus cabelos penteados na medida certa, sem ficar parecendo que algum tipo de bicho lambeu o local. As roupas caíram perfeitamente nele e ficaram superelegantes em seu corpo másculo e invejável. Os sapatos eram caríssimos e belos, combinando com seus olhos escuros.
Levy estava mais que satisfeita com o resultado. Havia preparado muita coisa para que Natsu deixasse-a boquiaberta, porém, era melhor que ele se apressasse, ou ia acabar fazendo com que ela saísse do prédio para procurá-lo. Após ver que ele gostou do resultado absurdo, deu-lhe um pequeno empurrão, instigando-o a ir.
— Muitíssimo obrigado pelo o que fez — suspirou. — Tenho que admitir que você fez um ótimo trabalho. Mas não acha que estou meio... “chamando a atenção”?
Ela sorriu, respirando fundo, também nervosa e apressada.
— Não está, não. Ela vai adorar o que vai fazer, pelo menos, eu acho. — riu — Eu aposto no melhor. Do jeito que a Lucy é emotiva, vai amar perceber que se importa tanto com seu aniversário.
Ele sorriu um pouco constrangido: — Se fosse o meu eu anterior, acharia essa roupa careta demais.
— Acho que o amor faz essas coisas. — deu ênfase a palavra com um sorriso, olhando seu celular.
— Devo ir, não é?
— Com certeza — respondeu, tocando seu ombro. — Boa sorte.
Ele a deu um abraço amigável. Se não fosse Levy, provavelmente ele estaria na merda. De novo. Após se desvencilhar de seus braços, pegou o buquê e o álbum de fotografias, correndo logo em seguida até as escadas.
— Não falhe, ou eu chuto sua bunda! — ela gritou de cima, se preparando para ir embora.
— Eu vou aceitar isso. — riu, chegando até a porta de saída e correndo para fora em seguida.
(...)
É, ele estava tramando alguma.
Lucy tinha quase certeza daquilo. Natsu não demoraria a ir comprar algumas comidas para comemorarem seu aniversário, como dito na mensagem que a enviou mais cedo. Ou talvez ele tivesse encontrado um amigo na rua e parado para conversar.
Entristeceu, imaginando que ele pudesse cancelar aquele dia tão especial, que fazia um bom tempo em que não comemorava com pessoas que amava — seu pai. Quando morava em sua antiga casa, apenas os empregados e cozinheiros a faziam uma surpresa. Ela amava, mas o mais importante nunca estava presente. Todas as vezes ele lhe dava um presente caríssimo, achando que isso a deixaria feliz, mas não. Muito pelo contrário.
Naquele momento, e depois de tantas lutas com o relacionamento que mantinha com Natsu, esperava mais dele, ou pelo menos, um dia inteiro juntos. Passaram a manhã na escola e namoraram um pouco, mas não a sós, como ela queria. À tarde ele teve que sair com o avô para ajudá-lo em algumas coisas, e apenas tinham aquele horário. Ela suspirou pela milésima vez.
Usava o vestido rosado que Natsu havia lhe dado algum tempo atrás, mas ele não estava lá para vê-la. Checou seu celular para ver se encontrava mais alguma mensagem dele, mas nada. Seus olhos marejaram um pouco, entretanto, não iria chorar por aquela besteira. Já tinha ficado sozinha muitas vezes, aquela, sem dúvidas, não era a primeira.
Quando pensou em esquecer-se daquilo e fazer outra coisa, recebeu uma ligação de seu fixo. Estranhou receber uma chamada do apartamento para algo, mas se apressou em atender. Talvez fosse algo importante.
— Alô? — perguntou, curiosa.
— Srta. Lucy? Aqui é da recepção, tudo bom? — ela reconhecer a voz melosa da recepcionista e se perguntou o que ela queria àquela hora da noite.
— Ah... Sim, estou bem. Houve alguma coisa? — franziu o cenho.
Antes que ela respondesse, conseguiu ouvir um tipo de instrumento de cordas de longe do telefone.
— Bem, olhe pela janela — ela parecia se divertir com a situação, o que a deixou mais confusa ainda. — Tenha uma boa noite! — e desligou apressadamente.
Lucy soltou um resmungo, colocou o telefone no gancho e correu até a janela da sala. Fosse brincadeira ou não, estava querendo descobrir o que diabos aquela ligação significava. Antes que pudesse pensar nas probabilidades do que seria, arregalou os olhos ou ver Natsu e um grupo musical ao lado, com guitarra, baixo e mais alguns instrumentos.
O que aquilo era? Ele estava preparando uma surpresa para ela? Sorriu ternamente quando viu suas roupas. Blazer, sapatos e calça sociais, os cabelos arrumados: um belo namorado. Riu ao ver as pessoas passando e comentando baixinho o que ele fazia. E apesar de seu quarto ser no segundo andar, o via perfeitamente bem lá de baixo.
Antes que pudesse perguntar o que ele queria, Natsu gritou:
— Ei, Raio de Sol, desculpa a demora, tá? A Levy é muito perfeccionista — ele deu sua típica risada infantil e olhou para o pessoal com os instrumentos ao lado. — Você nunca me viu cantar, não é? Pois bem, feliz aniversário. Eu te amo.
Não aguentando segurar o choro, as lágrimas saíram quase em disputa. Fungou várias vezes antes de acenar com a cabeça, mostrando que havia entendido tudo. Estava um pouco envergonha por ver que todos dali viam tudo de camarote, porém, Natsu era o mais importante de tudo naquela hora.
Lambeu os lábios ressecados, vendo que a banda começava a tocar uma música muito romântica e que ela amava, de Nickelback. Os acordes saíam em perfeita união, e o sorriso de seu namorado iluminava tudo naquele pequeno local da calçada larga e repleta de pessoas curiosas e emocionadas, juntamente com Lucy.
A voz de Natsu saiu logo depois, grossa e deliciosa de se ouvir. Sem conseguir se segurar, ela pensou em correr lá para onde ele estava para agarrá-lo, mas queria ouvir a música toda. Era a primeira vez que o ouvia cantar, precisava aproveitar aquele momento. Sentiu-se Julieta, apoiada na sacada de seu quarto de apartamento, vendo seu amado declarar seu amor.
Ele cantava como se aquelas pessoas ao seu redor não existissem, apenas os dois. Com certeza aquilo era muito melhor do que simplesmente guloseimas. Ela riu, vendo o rosto de Natsu tão divertido. Não tinha dúvidas de que nunca encontraria mais alguém. Existindo ou não, ele era sua alma gêmea e sempre seria, pela eternidade.
Seu coração estava amolecido pela letra da música, e a única coisa que ela queria quando ele acabasse era correr para os seus braços e beijá-lo como nunca. Que se danassem aquelas pessoas, poderia demonstrar seu amor sem problemas. Estar com Natsu fora uma aventura incrível, e continuaria para sempre. Naquele momento, pensar em ficar velha não importava, contanto que ele estivesse do seu lado para sempre.
Uma vida ao seu lado passou pela sua cabeça: casarem, terem filhos e envelhecerem juntos. Aquela era a melhor escolha que estava fazendo na vida. A música continuava a passar pelos seus ouvidos, e também pessoas assoviando e batendo palmas pelo show de Natsu.
Não. Não aguentava mais. Sem que Natsu percebesse, ela correu até o último andar pelas escadas. O amava tanto que não cabia no peito, sem exageros. Ele a completava mais do que tudo. Antes que ele desse conta que Lucy não estava mais na janela, ela apareceu na frente do prédio, cessando os passos a medida de que o via com clareza.
I won't be missing one more day
Com o último verso da música, Lucy correu até ele com uma risada e pulou em seus braços, sento levada para um rodopio e um beijo intenso, mesclado com as palmas e algazarra dos passantes. Natsu riu entre os beijos com ela e se separaram depois de muito tempo, porém, ainda unidos pelos braços.
— Você... é louco. — ela sussurrou, soluçando em seguida.
— Louco por você. — riu baixinho em seu ouvido, beijando carinhosamente seu pescoço.
— Não acredito que fez isso na frente do meu prédio — corou. — Estou morrendo de vergonha.
Com um beijo na testa, ele sorriu, vendo que ela era a coisa mais linda daquele mundo. Olhos castanhos enormes e boca carnuda, pedindo para ser beijada.
— Não gostou, foi?
— Gostar? Eu não gostei, eu amei. Foi a coisa mais perfeita que alguém já me deu de aniversário — ele limpou as lágrimas de seu rosto e beijou seus olhos. — Melhor do que qualquer presente.
Natsu fez um sinal para a banda, como um agradecimento e uma despedida. Lucy sorriu para eles, que logo depois, se retiraram até um carro grande. Voltou a encará-lo, um pouco constrangida.
— Mas esse não é o único presente. Tome. — ele pegou várias rosas em um buquê que estavam nas mãos de uma mulher desconhecida e a deu. — Eu te amo, Raio de Sol.
— Eu te amo mais — ela cheirou as rosas, emocionada. — Lindas.
— Você é mais — ele piscou um olho. — Tenho mais duas coisas pra te dar.
Ela sorriu, excitada.
— Cadê?
— Um deles só posso te dar — ele se aproximou de seu ouvido, para que ninguém ouvisse. —... em uma cama, sem essas roupas.
Lucy mordeu os lábios, corando um pouco. Adorava seu jeito pervertido, talvez nunca fosse se cansar.
— Huuuum — gemeu em seu ouvido, deixando-o em chamas. —, acho que vou gostar.
— Pois eu tenho certeza. — ela soltou um gritinho ao vê-lo levantá-la do chão e a pôr nos braços. — Tchau, pessoal! Agora é comigo.
Os outros gritaram e deram adeus, assoviando mais, adorando o show de Natsu e o amor que inalava dos dois. Aquele momento era só deles, era óbvio. Lucy estava tão feliz que não podia expressar em palavras. Aquele, sim, era o melhor aniversário que ela já havia dito.
Pois finalmente era com a pessoa mais especial de sua vida.
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