A Cat In My Life
8 8 — Uma surpresa com um segredo revelado
Notas iniciais

8
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“É estupidez entristecermo-nos pela perda de uma companhia: podíamos nunca ter encontrado essa pessoa, portanto, podemos dispensá-la.” (Cesare Pavese).
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Minerva olhava para os dois com um rosto um pouco inexpressivo, como se aquele assunto não a deixasse com nada a declarar com apavoro. Natsu estava um tanto assustado com a afirmação dela. Ela conhecera seu pai e estava a cada minuto deixando-o mais curioso. Lucy estava quase a ponto de segurar sua mão com um: “Calma, vai dar tudo certo. Apenas respire”, mas ficou um pouco pensativa perante aquilo e a vergonha também era mais forte que tudo.
Ele nunca mais falou em seu pai desde que completou seus sete anos, pois estava revoltado demais para querer Igneel novamente perto dele. Natsu, além de não se importar, nem sequer o chamava mais de “pai”.
Mesmo com tudo que Minerva fez a Natsu até aquele momento, não parecia que ela tinha alguma raiva muito forte por ele, porém, era como se ela quisesse algum tipo de vingança por algo que ele ou seu pai fez no passado. Lucy respirou fundo e encarou-a.
— Por acaso você tem a ver com o desaparecimento dele? — Natsu precisava perguntar, mesmo não querendo realmente saber a resposta.
Ela cruzou os braços e massageou as têmporas, achando aquilo tudo uma palhaçada.
— Se você acha que eu fiz algo a ele, está muito enganado.
Lucy tomou coragem e perguntou:
— Seria algo que ele tenha feito a você e agora quer se vingar pelo Natsu? — ela achou que sua voz havia saído um pouco estranha por causa do nervosismo.
Ela sorriu.
— Parece que a sua namorada sabe bem — indagou. — Então você realmente mora no apartamento de que eu fui expulsa, não é?
Lucy sentiu seus pelos se eriçarem, mas ficou curiosa com a afirmação.
— Não somos namorados! Por acaso você anda me espionando, também? — ela não estava ameaçando, mas sim, tirado uma dúvida.
— Claro! Por minha causa eu fiz vocês se encontrarem. — Natsu arregalou os olhos e franziu o cenho.
Ele já estava mais que confuso, então disse:
— Ok, então você planejou essa porra toda? — eu tinha certeza que ele estava pronto para bater nela.
Lucy pensou bem e, o que aconteceu até aquele dia não fora tão ruim para ela. Na verdade, foi até bem interessante. Havia feito coisas que jamais tinha pensado a respeito, mas não era como se tivesse odiado. Natsu parecia nervoso, talvez não gostasse dela. O que havia acontecido há alguns minutos não quis dizer nada, óbvio. Ele ficava com qualquer garota, Lucy era apenas mais uma. Entristeceu pensando tudo aquilo, mas logo prestou atenção a conversa.
— Seu pai era um policial, se não lembra — disse Minerva. — Ele era competente, pelo menos era o que eu ouvia falar. Aparecia em todos os jornais, pegava todos os tipos de assassinos ou seriais-killers.
Natsu bufou.
— Eu sei muito bem que ele era um policial, mas o que isso tem a ver comigo, posso saber?
— Apareceu, também, em todos os jornais que o meu pai... — ela suspirou, parecendo sofrer ao dizer aquilo.
[...]
Fiore, Magnólia
2001
— Merda, faça silêncio! — sussurrou Igneel, andando armado por uma floresta bem próxima à cidade.
— Ok, esquentadinho, to tentando. — disse Robert, seu parceiro de investigações, vindo atrás dele.
Ambos estavam procurando por Meskot Orlando, um suposto assassino que estava matando pessoas de um modo totalmente implícito, pois ninguém da cidade o via fazer algo a mais do que passear nas ruas com a filha de 11 anos, Minerva Orlando.
Todos diziam que ele e sua filha moravam em uma pequena casa dentro da floresta, um pouco distante da cidade, porém que dava para chegar a pé. Ele e o amigo estavam armados e preparados à procura dele. Pelo que algumas pessoas diziam, ele era o assassino, pois já viram Meskot levando um saco com um corpo humano dentro dele.
Igneel não tinha certeza se era real, mas fotos comprovavam que o que tinha dentro do saco era um corpo, sem dúvidas. Ele iria matá-lo se precisasse. Era um policial consagrado em Magnólia, todos o conheciam por sua bravura, competência e habilidade em pegar qualquer tipo de bandidos perigos.
Seus fios de cabelo vermelhos como fogo batiam em alguns galhos, mas ele não se importava no momento. Igneel pensou rapidamente em sua mulher, Nara, e o filho de apenas cinco anos, Natsu. Iria, com certeza, pegar aquele homem e dar a ele o corretivo que merecia, e também voltar logo para casa, para sua família.
Ele parou bruscamente após sair de seus devaneios, quase sendo derrubado por Robert.
— Shh, acho que chegamos. — cochichou, andando lentamente até a pequena casa.
Ela era simples. Baseada em tijolos e palha seca na parte de cima. Pareciam ser bem pobres, mas ele não teria dó. Se o homem fosse um assassino por alguma doença psicológica, poderia estar ensinando suas técnicas para a filha.
— Igneel, vai entrar por trás?
— Calma, quero me certificar se é aqui mesmo. — agachado, ele foi até uma das janelas quebradas e olhou pela parte de dentro. Cuidadoso para não ser pego.
Ele viu uma das cenas que o deixou sem palavras.
Meskot estava de frente para a filha, com os joelhos flexionados, mexendo as mãos com maestria enquanto um tipo de fumaça lilás saía da mão dele. Minerva tentava fazer o mesmo, mas o poder saía era em pouquíssima quantidade. Ela emburrou o rosto e sentou-se no chão ao lado de um gato preto, chateada.
— Eltűnik most — dito isso, a fumaça sumiu rapidamente. — Calma, filha, um dia seu poder vai aumentar, ok? — ele sorriu divertido, tocando a cabeça dela.
— Eu sei, mas quero que aumente logo. Assim a gente vai poder trazer a mamãe de volta, não é? — ela sorriu como uma criança muito contente. Igneel prendeu a respiração, prestando bastante atenção à conversa.
— Com certeza, mas só irei te ensinar essa magia quando estiver bem grandinha para usá-la.
— Espero que eu aprenda logo...
— Tudo tem seu tempo, e esse tempo está chegando.
Igneel não sabia o que falar sobre o que tinha acabado de ver e escutar. Ele era um bruxo? Sua filha era uma minibruxa? Aquilo poderia ser uma miragem, mas estava real demais para seus olhos.
— Igneel, que porra é essa? Se mova! — Robert bateu em suas costas, atrás dele.
Ele saiu do transe e olhou para o parceiro que já havia perdido a paciência.
— É ou não é o lugar certo? — novamente ele perguntou.
— É... sim — ele respirou fundo. — Eu estou sem palavras. Acabei de ver a coisa mais louca da minha vida.
Robert bufou.
— Tá, agora vamos entrar logo. Acho que sei do que está falando.
Mas ele não sabia. Por nenhum motivo no mundo ele pensaria que Meskot e sua filha poderiam ser bruxos. Eles eram perigosos, Igneel tinha certeza daquilo.
Por um momento Igneel não queria entrar. Magia. Bruxaria. Nem ele sabia o que tinha acabado de ver. Não poderia dizer um simples “não” a Robert e ir embora, era seu trabalho, contudo, precisava conversar com ele em primeiro lugar.
Ambos foram lentamente até a porta de entrada, mas Igneel pôs o braço na frente de Robert.
— Não vamos arrombar a porta, se é o que pensa.
— Como é? Ele é um assassino, cara!
— Eu sei — suspirou. — Pode sacar a arma, mas não atire ou grite para intimidá-los. Tem uma criança com ele, lembre-se disso.
Ele deu de ombros e ficou ao lado de Igneel, que sacou a arma e se preparou para bater na porta.
— É a polícia, saiam daí, vocês dois! — disse ele, sem gritar muito, apenas em um tom razoável para que ambos pudessem ouvir.
Lá dentro, Meskot tampou a boca de Minerva e fez um sinal de silêncio, pedindo para que ela se escondesse.
— Papai, e você? — ela sussurrou. — Vem comigo.
— Não, eu sei que ele sabe que estou aqui, não quero que se machuque. Por favor, vá! — ele ordenou, a empurrando para a parte de trás da casa. Ele a entregou o gatinho filhote e ela correu, acenando com a cabeça.
Naquela casa havia uma estranha magia que protegia Minerva e o corpo que ele escondia. Existia um pequeno porão que ela se esconderia. Ele era lacrado com magia e ninguém, a não ser da família, poderia entrar.
Mas batidas na porta deixaram Igneel sem poder pensar nela e em sua segurança.
— Abra a porta ou teremos que entrar a força! — gritou Robert, do lado de fora.
Meskot se levantou e esperou eles entrarem, não tinha mais nada a perder, não poderia mais se esconder. Sua filha teria que aprender tudo o que ele a tinha ensinado sozinha, com alguns toques de seu avô.
Igneel entrou com um baque e a porta caiu no chão, afinal, era bem fraca. Ele apontou a arma para Meskot, que levantou a mão, desistindo e sem querer lutar.
— Ok, então você é o provável assassino? — perguntou Robert. Igneel levantou uma mão para ele, pedindo que se calasse.
— É Meskot?
— Sim. — ele respondeu, seriamente.
— Posso saber o que estava fazendo com sua filha agora há pouco? — ele perguntou, querendo saber se aquilo realmente era verdade.
Meskot abaixou as mãos, fazendo com que os dois policiais estendessem mais os braços com arma em mãos. Ele pensou que, se ele estivesse perguntando aquilo, deveria ter visto pela janela o que eles fizeram. De modo algum ele deixaria alguém a mais saber aquilo. Infelizmente a maldição correria por Minerva e seus descendentes.
— Se você viu, já sabe o que deve ser...
— Está falando com a polícia, nos respeite e fale direito! — Robert advertiu, mas Igneel o encarou com uma cara nada boa, fazendo-o parar.
— Cadê a garota? — perguntou.
— Não direi. Nunca a encontrarão, tenho certeza disso. — ele os enfrentou, sem usar nenhuma outra magia. Precisava deixar sua filha a salvo.
Igneel estava achando seu jeito muito estranho.
— E o corpo que trouxe para cá? — ele não perderia seu tempo perguntando se era verdade, mentira ou uma omissão. Apenas queria ir embora, levar sua filha e prendê-lo.
— Também nunca encontrará! Ele me pertence. — ele mudou seu tom para mais irritado, como se tivesse ciúmes de um cadáver.
— Como é que é? Você está preso, seu necrófilo! Depois disso, nós encontraremos o corpo, não se preocupe — disse Robert, pegando as algemas.
Meskot não tentou fugir. Não se moveu, nem nada, apenas estendeu as mãos para Robert algemá-las. Igneel abaixou a arma e deu um passo para dentro da casa.
— Não pense em ir para aí! — Meskot finalmente fez algo que deixasse Igneel sem dúvidas. — Saia!
— Pronto, agora podemos levá-lo. Procure a garota. — disse Robert, segurando-o com uma mão.
— Vocês se arrependerão se fizerem isso. — disse Meskot, ficando com um tipo de áurea negra em seu corpo. Robert grunhiu de dor e caiu no chão, se contorcendo.
— Robert, mas que porra é essa? — Igneel gritou, indo até ele. — Eu sabia que você era um monstro!
— Sou um bruxo, e você não vai pegar minha filha, ou o matarei se preciso.
— Por que não faz isso agora? — ele tentava acordar Robert, gritando com ambos.
— Não sou um assassino como pensa, o corpo que está aqui é de- — ele foi interrompido por uma bala que atravessou seu peito, bem no coração.
Ele gritou e caiu no chão. Igneel olhou para o lado e viu Robert, deitado e gemendo com sua arma em mãos.
— Morra, seu filho da puta. — disse.
Igneel tirou a arma das mãos de Robert.
— Você está louco? Ele iria contar o porquê de esconder um corpo! — gritou.
Ainda segurando a arma, ele andou até Meskot. Mas antes de chegar até o corpo morto e ensanguentado, ele viu Minerva olhando para os dois, acompanhada a um gato pequeno ao seu lado, com os olhos cheios de lágrimas e um olhar de ódio para ele ela franziu o cenho.
Ele vira tudo, menos o momento do tiro de Robert.
— Você matou meu pai! Assassino! — a garota gritou aos prantos, deixando sair a mesma áurea negra.
— O que- — ele foi cortado por um grito ensurdecedor de Minerva. Ele gemeu e tampou os ouvidos, caindo no chão com Robert.
Era a coisa mais alta que ele já tinha ouvido. Até mesmo quando esquecera os protetores de ouvido em uma aula de tiro havia sido melhor do que aquilo. A casa tremeu e tudo começou a cair.
Ele olhou rapidamente para Robert e o viu, seus olhos e ouvidos cheios de sangue. Igneel gritou por ele, mas nada adiantava, ele havia morrido. Seu corpo começou a doer e ele tentou correr para fora da casa, mas a porta se reconstruiu, impedindo-o de fugir. Ele não havia matado Meskot, mas no momento ela não o escutaria.
— Por culpa sua eu nunca mais irei poder fazer minha mãe voltar a viver! — ainda gritando, ela proferiu essa frase que Igneel nunca mais esqueceria.
O corpo era de sua mãe. Sua querida mãe.
[...]
Fiore, Magnólia
2014
Minerva contava com os olhos lacrimejantes, tendo que se lembrar de tudo que passara no passado. Natsu e Lucy estavam sentados em um banco úmido, assustados com a história que tinham acabado de escutar. Natsu nunca imaginaria que Igneel poderia matar alguém daquele jeito. O pai dela não havia feito nada contra ele que pudesse ter tomado um tiro.
Lucy estava com pena de Minerva, perder um parente era a coisa mais triste que já havia passado.
— E depois? — Natsu perguntou, olhando para o chão.
— Seu pai foi amaldiçoado por mim, por isso sua mãe morreu — ela disse. Natsu arregalou os olhos e a encarou, incrédulo. — Eu não queria, sinto muito. Eu não sabia a potência que teria o meu poder.
— Como é que é? Você matou a minha mãe! — ele se levantou, indo até ela, mas Lucy o segurou.
— Natsu, calma, por favor. Entenda ela. Perder um pai ou uma mãe é horrível e você sabe muito bem disso.
Ele respirou fundo, se sentando novamente.
— Só quero que vocês saibam que nunca quis matar ninguém. Eu tinha 11 anos e não sabia controlar meu poder. Tive que viver sozinha esse tempo todo, aprendendo com meu avô que já estava quase morrendo. Ele morreu um ano depois e eu segui em frente — ela deixou escorrer uma lágrima, mas a secou rapidamente. — Antes que me perguntem por que fiz isso, eu respondo. Eu queria que Natsu aprendesse a ser alguém bom, apenas isso.
Lucy olhou para Natsu, querendo saber mais.
— Alguém bom? — ela perguntou, curiosa.
— Sim — ela se virou de costas. — Eu via o que ele fazia. Tratava mal as pessoas a sua volta e não se importava com o amor por causa da ida de seu pai. Afinal, Igneel estava com medo de te perder, Natsu!
Natsu fitou suas costas, com os olhos arregalados novamente.
— O quê?
— Ele te amava mais do que tudo, eu senti isso nele. Após sua mãe morrer por causa da maldição, ele fugiu com medo de você partir assim como ela — ela se virou, se preparando para ir embora. — Te transformei em um gato para que aprendesse algo com a vida. Poderia muito bem fazer novamente, mas cansei. Já se passaram 13 anos, quero me esquecer disso e seguir minha vida como alguém normal, longe daqui.
Lucy se viu chorando, emocionada com aquelas palavras, porém Natsu não se movia. Ele apoiou os cotovelos nos joelhos e voltou a olhar para o chão. Ele se achava homem demais para chorar, mas no fundo, estava feliz.
— Eu conversava com seu avô e você sabe, não é? — ela sorriu tristemente. — Ele é uma pessoa muito boa e tentava me fazer parar de todas as formas, me ajudando e tudo mais. Mas minha raiva não deixava. Com meu poder fiz vocês dois se encontrarem, pois vi que Lucy era uma moça de coração puro e poderia te ajudar. Vejo dentro de você que pode mudar, você sente algo por ela e eu sei disso.
Então por causa de Minerva a cartomante sentiu aquele poder dentro dela e viu que ela e Natsu iriam se encontrar. Lucy sentiu um calor em seu corpo, corando um pouco.
— Oh... — Lucy limpou uma lágrima, se levantando. Pensar em seus sentimentos não era a hora certa — Obrigada por se abrir para nós dois, eu meio que entendo o que passou.
— Não se importe com isso, estou arrependida com o que causei no passado, mas o que fiz no futuro foi preciso. Espero que vocês continuem amigos, e desculpe chamá-los de “namorados”, às vezes sou tola.
— Não precisa se incomodar, entendo você e sei que queria fazê-lo parar com tudo. Pelo menos Natsu sabe que seu pai realmente se importou muito com ele e isso é ótimo. — ela sorriu fraco, pensando em seu pai que não a dava amor, nunca havia dado.
— Enfim, agora eu devo ir — ela arrumou o capuz em sua cabeça. — Adeus, Lucy.
— Adeus. Espero que seja feliz lá fora. — ela sorriu.
Minerva olhou para Natsu e respirou fundo.
— Espero que me entenda algum dia. Adeus, Natsu. — ela jogou sua capa para um lado e sumiu por entre o tecido. Lucy se assustou um pouco, mas logo sorriu, vendo que ela não era o monstro que aparentava ser.
Ela sentiu calafrios por causa não só do vento frio que tinha passado naquele momento, mas também por Natsu, que não dizia uma só palavra. Ela se sentou ao seu lado e passou as mãos pelos braços, pois àquela hora sentiu que com certeza iria chover.
— Natsu... — ela quase sussurrou, com a voz trêmula pelo frio.
— Vem, vou te deixar em casa. — ele respondeu se levantando e sem mostrar o rosto, já sentindo gotas de chuva em sua pele.
— Ok — ela gaguejou, seguindo-o por trás.
Lucy pensou que talvez ele não tivesse acreditado na história de Minerva, mas ela não falaria mais no assunto, Natsu poderia explodir e gritar com ela — algo que ela não queria de modo algum. Eles foram até o carro em silêncio. Lucy estava com tanto frio que não continha as batidas de dentes. Ele andava com as costas um pouco curvadas e tocava o rosto com uma das mãos, com a outra ele pegou a chave e abriu a porta. A chuva engrossou um pouco e ele se apressou.
Ela não gostava nada daquele jeito em Natsu. Ela pensou que poderia chamar um táxi e ir embora com o rosto levemente franzido para dar um pouco mais de drama a situação, mas desistiu, ela tinha certeza que ele a empurraria para dentro do seu carro e a levaria a força. E o momento não era propício.
Ele abriu a porta para ela e a deixou passar. Lucy não teve coragem de olhar para seu rosto e apenas entrou sem dizer mais nada. Natsu foi para o outro lado e também entrou, para logo depois ligar o carro.
Todo o caminho foi silenciado por uma música baixa de rock que Natsu colocou para tocar. Seu rosto estava sério e quase triste, mas ele não queria demonstrar nada a Lucy. Ele estava sofrendo e ao mesmo tempo feliz, precisava aliviar sua dor, só não sabia como.
Quando chegaram, a chuva já estava muito mais forte, Lucy tirou o cinto entristecida. Queria apenas ir embora e deixar Natsu com sua cara de idiota na dele. Ela queria ajudá-lo e conversar com ele, mas não tinha chance. Ao se livrar do cinto de segurança, ela o olhou rapidamente com um rosto sério.
— Obrigada. — respondeu ríspida e levou seus dedos finos até a maçaneta da porta.
Mas ela não saiu. Natsu segurou seu outro braço e a impediu que saísse. Lucy se assustou e virou-se para ele, mas antes de puder raciocinar, ele se aproximou e a beijou inocentemente, um simples selinho que prensou seus lábios com força.
Lucy sentiu seu corpo pegar fogo quando sentiu sua mão em seu rosto e a outra em sua cintura. Não havia língua, mas ela não achou ruim já que deveria beijar muito mal. A primeira e última vez que beijou alguém foi aos 12 anos com seu primo do segundo grau, escondidos debaixo da mesa da cozinha. Se seu pai tivesse descoberto ela poderia ter estado de castigo até os tempos atuais.
Aquela sensação de seus lábios nos dela estava tão boa que ela nem sequer conseguira pará-lo. Estava gostando muito e Natsu não estava diferente. Ela segurou delicadamente a mão que segurava seu rosto e a acariciou com amor, fechando os olhos e aproveitando. Quando sentiu que ele ia aprofundar o beijo e abrir a boca, ela sentiu algo molhado escorrer nas suas bochechas e franziu o cenho, sentindo seus braços se enrolarem nela e buscarem um abraço confortante.
Lucy ouviu um pequeno soluço de choro e sentiu vontade de chorar com ele, então, passou seus braços por seus ombros e o abraçou com ternura e paixão. Ele queria um pai presente e sempre odiou o seu por achar que ele não o amava, mas era mentira. Natsu enterrou seu rosto no pescoço dela e continuou se lamentando com soluços. Pela primeira vez em sua vida ele chorava na frente de uma garota, mas não estava triste, pois estava gostando do conforto que Lucy estava proporcionando a ele.
Ela queria falar, mas achou melhor ficar calada e aproveitar o momento. Ele chorava mais forte a cada segundo. Estava emocionado por saber de Igneel, mesmo sabendo que ele havia matado um inocente. Lucy fez um cafuné delicioso nos cabelos dele e o fez se arrepiar.
Como Minerva o disse, ele sentia algo por ela, só não sabia daquilo.
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