A Cat In My Life
10 10 — Uma conversa "diferente"
Notas iniciais

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“O beijo é uma forma de diálogo.”. (George Sand)
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Ainda com o coração batendo em seu ouvido por sabe-se lá qual o motivo, Lucy suspirou, saindo de seus devaneios quando escutou a voz de Levy a alertando para alguma outra conversa paralela.
Ela tinha que admitir que Natsu mexia muito com seus sentidos, e era de uma forma avassaladora que ela era incapaz de decifrar. Lucy já se sentia atraída por ele desde que o viu na lanchonete, mas era como se aquela atração boba de antes aumentasse sua porcentagem milhares vezes depois daquele inocente beijo, mas ao mesmo tempo, sedento.
Ele, após a encarada brusca com Lucy, continuou jogando com o olhar focado na bola. Seus movimentos eram rápidos e, a cada jogada que ele dava, as garotas gritavam e torciam pelos “Dragon Slayers”, aquele time que dava medo em qualquer outro, graças a Natsu, na maioria das vezes.
Já com o placar de 5x1, o primeiro tempo cessou e eles trocaram os lugares. Enquanto Lucy conversava com Levy sobre a escola, ainda conseguia ver Natsu com sua visão periférica, e ele estava lindo de morrer. A regata suada colava em seu peitoral em pouco tempo de jogo, ainda mais por causa da agitação. Lucy sentiu calor e tentou se aprofundar na conversa — o que era impossível.
— Puxa, Lu-chan, em que mundo você está? — perguntou Levy.
Ela corou.
— Calma, sua anã, ela só estava paquerando o corpo sarado do Natsu — Erza reprimiu um riso e continuou comendo. Lucy a esfaqueou com o olhar. — É brincadeira... tá?
— Não me chame de anã, Erza — bufou. — Lu-chan, deixa de ser pervertida por um segundo, o.k.?
Aquilo já estava passando dos limites e ela teve medo que alguém ouvisse.
— Calma! Vocês que são pervertidas, eu to pensando em outras coisas.
— O que seria? — perguntaram em uníssono.
— Não interessa, tudo bem? — mostrou a língua a ambas. — Que horas são de intervalo?
Após perguntar isso, elas viram Juvia, que sentava em uma das mesas distantes, se aproximar. Seu olhar era um pouco tímido e ela sorria para as três. Levy e Erza se olharam como quem dizia “Vamos embora agora!”.
— Faltam apenas oito minutos pra tocar o sinal, é melhor a gente subir logo. Não quero pegar nenhuma autorização com o professor. — resmungou Levy, se levantando.
— Tem razão, vamos. — Erza fez o mesmo.
Lucy, sinceramente, não sabia o que fazer para impedir a procedência das duas. Ela suspirou e se levantou também, mas já com um plano em mente. Juvia parou perto delas e acenou amigavelmente.
— Oi, garotas, tudo bom?
Levy olhou para ela rapidamente: — Oi.
Erza apenas fez uma reverência rápida com a cabeça e sorriu fraco, puxando Lucy para o corredor que levava a saía da quadra. Ela retribuiu Juvia com um sorriso triste, deixando-a sozinha.
Ela precisava saber urgentemente o que havia acontecido entre as três. Presumia que elas talvez tivessem brigado e Juvia tentava fazer as pazes. Enquanto elas passavam pelo corredor, Lucy parou, chamando a atenção.
— O que houve, Lu-chan? — perguntou Levy.
— Eu vou comprar uma coisinha na cantina, podem ir à minha frente. — sorriu estranhamente, pois era terrível em mentiras.
Erza viu a amiga franzir o cenho, estranhando.
— Então vamos com você, não é, Erza?
— Deixa de ser idiota, Levy — suspirou. — A Lucy tá querendo ver o Natsu todo molhado.
Lucy nunca pensou na probabilidade das duas pensarem coisas tão pervertidas todo o tempo. Levy já conhecia do assunto por causa de Gajeel, que por sorte apareceu vindo da quadra, totalmente suado e extremamente sexy ao olhar de Levy. Ela percebeu a amiga estremecer, só não sabia se era de paixão ou de ódio — ou os dois.
— Posso falar com você? — ele estava cansado e ofegava por causa do vôlei, falando com Levy. — É rápido.
— Não tenho nada pra falar com você. — cuspiu, mas Erza a de um empurrão por trás, deixando seus corpos mais perto um do outro, quase a se tocarem.
— Lucy, Levy, vou esperar vocês na sala — ela piscou o olho e saiu apressada. Jellal já estava lá e esse também era um dos motivos.
Levy estava um tanto nervosa, mas Gajeel parecia confiante no que queria falar. Lucy bateu de leve no ombro da amiga e saiu apressada até Juvia, fingindo que ia até a cantina. Ela estava sentada em uma das cadeiras da mesma mesa em que as três estavam, mas seu rosto estava tão triste que Lucy sentiu pena.
Com medo de como chegar nela, ela foi mais devagar até Juvia, que, quando percebeu a presença de Lucy, levantou o olhar, confusa. Lucy sorriu e se sentou, pronta para saber o porquê de todo aquele drama.
— O que está fazendo aqui? — ela perguntou, ainda um pouco triste.
— Bem, eu não tenho por que sair de perto de você quando chega — sorriu. — Sou Lucy Heartifilia, prazer. Posso saber o que há entre vocês?
Juvia suspirou, passando o dedo na mesa e falando seu nome apressadamente.
— Pensei que as duas já tivessem te contado — ela a olhou rapidamente. — Eu te vi com a Levy na lanchonete, se lembra?
Lucy arregalou um pouco os olhos, finalmente lembrando-se de que era realmente ela que estava trocando carícias com um rapaz que ela chutou ser Gray, já que eles entraram juntos na sala de aula.
— É verdade — ela sorriu. — O seu namorado é o Gray, não é?
Ela corou, dando um sorriso.
— É, e esse é o problema da Levy e da Erza não falarem mais comigo...
— Como assim?
Juvia suspirou, parecendo entristecer de uma hora para outra.
— Não sei se você sabe, mas Gray é amigo do Natsu e também do time de vôlei da escola — Lucy franziu o cenho e concordou lentamente. — As meninas o odeiam por causa disso, como se Gray fosse Natsu.
Lucy sentiu calafrios passarem pelo seu corpo. Natsu era uma pessoa tão ruim assim? Ela tinha certeza de que ele mudara pelo menos um pouco depois de descobrir sobre Igneel. Ela tinha sérias dúvidas se ele havia contado a alguém — o que era quase impossível já que era um pouco constrangedor.
Levy detestava Natsu e ela sabia. O motivo poderia ser Gajeel, já que os dois sempre andavam juntos. O problema era que Lucy não queria deixar de conversar com ele, mesmo sendo tão diferentes um do outro.
— O Natsu é tão odiado assim?
— Ele é o mais popular por causa do vôlei, sabe? Quando ele entrou aqui, não tinha muitos amigos, mas rapidamente, depois de entrar no time, se mostrou um jogador excelente e todos tinham curiosidade em conhecê-lo.
E como era excelente, pensou Lucy. Juvia continuou:
— Nós três éramos muito amigas, muito mesmo. Sentávamos perto uma da outra pouco tempo depois que eu cheguei à escola. Eu ainda gosto muito delas, mas o problema é o Gray.
— Vocês se apaixonaram e eles discordaram com isso?
— Bem, eu o vi pela primeira vez no meu primeiro dia de aula — suspirou, tentando sorrir. — Eu usava óculos e meus cabelos eram estranhos, todos zoavam e me chamavam de feia constantemente. Até meu modo de falar era esquisito.
— Puxa, sinto muito, também já sofri bullying no passado. — disse, triste por Juvia.
— Ele era o único cara que era gentil comigo e me ajudava a levar minha bolsa — ela corou. — Todos brincavam com ele, dizendo: “Ah, você tá namorando a estranha do colégio? Que patético”. E ele ficava muito nervoso e já chegou a bater em muitos ex-amigos.
Lucy ficou surpresa ao saber que um dos amigos de Natsu era tão gentil.
— E depois?
— Ele me convidou à festa da escola para que eu fosse seu par — sorriu timidamente. — Pedi ajuda à minha mãe para me deixar bem diferente e não fazer Gray passar vergonha comigo. O problema era que Levy e Erza discordaram, pois diziam que ele só queria me usar, mas eu não desisti de ir.
Lucy estava tão ligada na conversa que nem falou nada.
— Quando ele veio me buscar em casa, eu havia me transformado em outra Juvia. Meus cabelos estavam como agora e eu tinha tirado os meus óculos. Pela primeira vez usei maquiagem e minhas roupas estavam muito apresentáveis.
Juvia parecia tão feliz naquele momento que pensou seriamente em falar com Levy.
— Quando nós fomos para a festa, quase ninguém me reconheceu, apenas souberam quem eu era por causa do cabelo. As duas ainda falavam comigo e me elogiaram, mas quando viram Gray ao meu lado, saíram de perto de mim — entristeceu. — A festa foi esplendida e dançamos juntos muitas vezes. Ele sussurrava em meu ouvido várias coisas lindas e eu só me apaixonava cada vez mais. Quando ele me disse que me levaria para casa, eu concordei, mas quis me despedir das minhas amigas antes e ele me esperou no seu carro.
— Por acaso foi aí que vocês brigaram?
— Foi o começo de tudo. Levy me falou para ter cuidado, pois com certeza ele tentaria me forçar a fazer sexo com ele. Eu fiquei morrendo de vergonha e neguei tudo, e que ele provavelmente também estivesse gostando de mim. Elas tentaram me fazer ficar, mas eu acabei ficando com raiva e brigamos feio — ela encostou a mão no rosto para se apoiar. — Eu tinha certeza de que era apenas briga de criança e que faríamos as pazes no outro dia.
— E isso... não aconteceu? — perguntou Lucy, tendo certeza da resposta.
— Bem, eu voltei para o carro de Gray um pouco triste e contei tudo a ele. Não pude negar que ele ficou um pouco desconfortável com o que eu disse e foi um pouco frio ao me mandar entrar em seu carro e pôr o cinto. No caminho, ele parou em uma rua deserta e começou a me tocar e tentar tirar minha roupa — ela corou, assim como Lucy. — Eu tentei pará-lo, mas ele não queria me soltar. Seu rosto estava sério e assustador.
— Então as meninas estavam certas sobre isso?
— Mais ou menos. Ele sempre gostou de virgens, mas quando eu comecei a chorar de medo ele me fitou assustado e preocupado. Foi a cena mais linda que já vivenciei...
Lucy pensou em Natsu rapidamente. Ele poderia mudar como Gray? Seria ótimo que um dia os dois tivessem mais intimidade. Ela não poderia negar que estava gostando muito dele, mas e ele? Gostava dela? A cabeça de Lucy girava, mas mesmo assim prestou atenção em Juvia.
— Ele me pediu desculpas e falou tudo o que uma garota queria ouvir. Ele estava sentindo algo por mim, mas não sabia o que era. Você já deve imaginar, não é? — Lucy meneou a cabeça positivamente. — Nós começamos a nos relacionar mais intensamente nesse dia, depois de um tempo ele disse que me amava, e eu também, claro.
— E vocês três nunca mais se falaram?
— Sim, e foi por minha causa. Eu perdi a cabeça, porque estava apaixonada por Gray. Eu quero muito voltar a ser amiga das duas, mas elas não entendem que o meu amor por Gray e o dele por mim é sincero.
— Acho que as duas não estão acreditando que ele te ama. Elas devem achar que ele vai te jogar fora...
— Nós nunca dormimos juntos — ela disse, do nada, deixando Lucy confusa. — Na verdade, já, mas nunca tivemos uma relação sexual. Ele disse que esperaria meu tempo, pois não estou pronta. Você acha isso uma boa dica para saber que ele me ama?
— É claro, Juvia! Ele te ama, eu tenho certeza — sorriu. — Se ele não te amasse, com certeza estaria te pressionando.
— Obrigada por acreditar em mim, Lucy — ela sorriu com sinceridade. — Mas posso te pedir um favor antes de ir?
— Claro.
— Não conte às meninas que lhe disse isso. Quero falar com minha própria boca quando eu tiver oportunidade.
Lucy estranhou, mas entendeu que ela mesma queria ter uma conversa com as duas e não pretendia se meter na conversa. Ela concordou e se levantou após escutar o sino tocar. Gray se aproximou um tempo depois e abraçou Juvia por trás, querendo estar perto dela o tempo todo.
— Ah, oi, Gray. — ela sorriu, sentindo seu cheiro estonteante.
Ele era bonito. Seus cabelos pretos e bagunçados caíam sobre o rosto e ele cheirava seu pescoço como um amante nato. Era impossível os dois não estarem apaixonados ambiguamente.
— Você é aquela garota que apareceu na lanchonete? — ele perguntou.
— Sou, sim — sorriu. — Prazer, sou Lucy Heartifilia.
— Gray Fullbuster. — e voltou a dar carinho para Juvia.
— Bem, vou subir para a classe. Até outro dia! — disse Lucy, acenando para os dois.
— Tchau, Lucy. — responderam um uníssono.
Para Lucy, no fundo, ela pretendia encontrar um namorado carinhoso assim como parecia que era Gray. Natsu não parecia do tipo que gostava de dar carinhos para as garotas com quem saía. Ela queria amor, paixão, e quem sabe: desejo.
Indo rapidamente até sua sala, ela viu uma cena que a deixou um pouco nervosa.
Ao lado do bebedouro, Lisanna passava os braços pelo pescoço de Natsu e se esfregava nele sem nenhum mínimo de respeito pelo local escolar. Ele não parecia querer aquilo e apenas ficava parado enquanto ela se remexia em suas partes íntimas.
Era incrível como em toda escola sempre tinha que ter uma garota como ela. Lucy revirou os olhos, mas estava chocada e um tanto triste com Natsu. Achou bom não ter dado tempo para que aquele beijo fosse aprofundado em seu carro. Desejou que algum coordenador visse aquela cena impetuosa e brigasse com ambos.
Em um momento Lucy sentiu nojo e não queria nem olhar. Passou reto pelos dois e fingiu que aquela cena não existia. Natsu levou um susto ao perceber que ela vira o que os dois faziam. Dentro dos olhos dela, ele percebeu que estava triste. Soltou Lisanna um pouco depois que ela passou e seus lábios se moveram para chamá-la, mas parou no mesmo momento.
— O que foi, Natsu? — perguntou Lisanna, com uma voz manhosa.
— Nada — respondeu ríspido e estressado. — Vou falar com uma pessoa.
Deixando Lisanna sozinha, ele correu até Lucy. Quando virou para o outro corredor, ela estava abrindo a porta, mas não deu tempo. Natsu segurou seu braço e a fez se virar para ele. Seus olhos estavam brilhando, um pouco marejados.
Natsu sentiu um aperto no coração. Lucy gostava dele? Ela arregalou os olhos e tentou se livrar de sua mão, mas ele apertou mais forte. Não queria admitir que aquele beijo tinha mexido com ele, pois era Lucy que sabia uns de seus grandes segredos. Mas o poder que ela tinha sobre ele não era amor, não podia ser.
Ele não acreditava no amor até saber a história verdadeira contada por Minerva. Antigamente ele era alguém que queria ficar longe de qualquer coisa relacionado ao amor, mas o que estava fazendo com Lucy era o que ele realmente queria saber.
O braço dela começava a doer pela força que ele exercia e ela gemeu.
Por algum motivo aquele gemido o fez pensar em outra coisa. Sua voz era fina, mas gemendo ficava algo totalmente erótico. Lembrou-se do dia em que a viu vestida apenas de lingerie. Agradeceu novamente por ser apenas um gato na época.
— Me solte. — ela pediu baixinho, como uma súplica.
— Você não está querendo chorar, está? — sua voz era rouca e sensual por causa dos pensamentos nada puros.
Ela tentava segurar mais o choro. Não queria ver Natsu, não depois da cena que viu.
— Não. Solte-me, estou com nojo de você. — sussurrou.
Ele não sabia o porquê, mas seu coração se apertou ao ouvir aquilo. Nunca havia ido atrás de uma garota e o pessoal estava perto de voltar para as salas. Natsu a soltou, mas foi arrastando lentamente a mão por toda a extensão de seu braço, sensualmente. Lucy sentiu seus pelos se eriçarem.
Quando viu o primeiro aluno se aproximando, ela entrou na sala com rapidez, sem falar mais nada.
[...]
O sinal anunciando o final da aula alertou os alunos. O professor de inglês liberou-os, que no mesmo momento, foram apressados até a porta da sala. Lucy arrumava as coisas calmamente. Erza se despediu, pois o pai já deveria estar esperando-a na porta da escola.
Levy ficou calada por toda a aula e não conversou com nenhuma das duas. Provavelmente seria por causa de Gajeel. Ela queria perguntar a ela o que havia acontecido, mas achou melhor ficar calada. Sua expressão não estava triste, mas também não estava feliz, mais parecia que ela estava nervosa ou apreensiva com algo.
Naquele momento, Natsu saiu de sala sem olhar para Lucy. Ela ficou um pouco arrependida pelo o que disse com ele. Sabia que ele sofreu muito em sua vida, mas vê-lo com Lisanna a deixou sem ter o que dizer. Seu olhar para ela na porta da sala estava cheio de desejo, mas ela não percebeu, estava querendo chorar, e felizmente conseguiu segurar.
Na hora da aula, ele não olhou para ninguém, ficou apenas em sua cadeira, olhando para as mãos. Lisanna se atreveu a falar com ele, mas foi recebida com um silêncio. Gajeel olhava muito para Levy, assim como Jellal olhava para Erza. Lucy tentou não se virar para Natsu, mas foi quase impossível.
Ela se levantou para sair, mas Levy chamou sua atenção. Gajeel ainda estava na sala conversando com alguns rapazes.
— Lu-chan, pode ir primeiro. Vou ter que passar por um lugar antes. — ela jurou ter visto um sorriso no rosto de Levy, mas apenas concordou.
— O.k., já estou indo — sorriu. — Nos vemos amanhã de manhã, certo?
Ela sorriu: — Com certeza!
Acenando, Lucy saiu de sala. Sua cabeça estava girando mais do que o normal, e ela sabia por quê. Se conseguisse achá-lo, falaria com ele — o que seria um pouco difícil.
Quando se deu conta já estava fora da escola. Talvez procurar Natsu fosse burrice, pois obviamente ele estaria rodeado de pessoas. Se ela fosse a culpada por deixá-lo tão calado, provavelmente ele sentia algo por ela e disso a alegrava, mas pensar em Lisanna a deixava triste e enciumada.
Andando pela rua, ela pensou em tudo que tinha acontecido apenas no primeiro dia de aula. Ao virar a primeira curva, viu Natsu andando lentamente e chutando uma pedra. Seu coração bateu mais forte e ela respirou ofegante.
— Natsu. — sua voz soou um pouco mais alta para que ele a escutasse.
Ele parou no mesmo instante e se virou, com as mãos no bolso. Sua mochila estava pendurada apenas em seu braço esquerdo e aquilo o deixava muito sexy. A face dele estava séria, mas ele a amenizou após ver Lucy.
— Lucy. — disse.
— Poderíamos conversar rapidamente? — sua voz saiu falhada.
Ele se aproximou, deixando-a mais nervosa.
— Pode falar.
Ela pensou um pouco antes de falar e depois olhou para os pés.
— Desculpe.
— Pelo o quê?
— Pelo o que eu disse — ela quase sussurrou. — Eu... não tenho nojo de você, sabe? Eu sinceramente estou confusa demais comigo mesma. Quando te vi com aquela tal de Lisanna fiquei extremamente nervosa, e falei aquilo da boca pra fora. Eu conheço você e sei que sofreu muito. Desculpe, Natsu. Me desc...
Lucy não pôde completar a frase quando sentiu a mão de Natsu segurar seu cotovelo com ternura e levá-la até a calçada, atrás de uma parede de uma loja. Por sorte não havia ninguém por perto. Ela sentiu suas bochechas corarem e abaixou o olhar, segurando sua blusa.
— Desculpe... — continuou, sentindo uma lágrima escorrer de seu rosto. Natsu arregalou os olhos e aproximou seu corpo ao dela.
O coração dela estava tão frenético que ela nem percebeu o que estava acontecendo. A cabeça de ambos estava confusa. Natsu inalou seus cabelos e sentiu cheiro de cereja, que o deixou louco.
— O que você está fazendo comigo? — ele perguntou, rouco.
Lucy apenas fitou os seus olhos que só faltavam queimá-la viva de tanto desejo — e era excitante.
— Eu deveria te fazer a mesma pergunta...
Natsu enlouqueceu com o que ela disse e pressionou seu corpo ao dela com uma pressão deliciosa, deixando-a sem ar. Ela gemeu um pouco mais e o deixou com as pernas um pouco bambas. Ela ia abrir a sua boca novamente, mas ele a calou com um beijo de tirar o fôlego. E não era como o do carro, era muito melhor.
Era o beijo que ela sonhava ganhar dele há muito tempo.
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