A Casa da Colina
9 O cheiro
Notas iniciais
O cheiro
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Ela andava por entre as árvores com os pés descalços, gostava de sentir a dor das raízes penetrando na pele. Parou em frente à pequena cabana já a muito abandonada e inspirou o cheiro de sangue seco que restava no local, ninguém nunca acharia seu recanto. Riu em pensar nos dois jovens policiais que tentavam em vão a encontrar, eles não conseguiriam porque ela era mais esperta, e, caso conseguissem morreriam como todas aquelas crianças tolas que imploravam pela vida, e depois pela morte.
Uma única coisa a preocupava no momento: a mulher que chegara perto demais, que entrara em sua mente e a vira estripando a ultima menina, mas ela era mais esperta e usaria isso a seu favor.
Ela entrou na cabana e observou todos os artefatos prontos para o grande ritual, ah ela reduziria aquela cidade a cinzas! Todos pagariam. E faltavam somente três crianças...só mais três para o seu grande feito. Ah e se a cidade já cheirava a medo agora imagina quando estivesse concluído! Ela sorria de prazer quando imaginava os gritos, o sangue e a dor. Todos pagariam. Todos.
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Sasuke resolveu andar pela praia naquela tarde de sábado, não sabia como chegara lá mas de repente seus sapatos pretos estavam sujos de areia e o sol que brilhava no céu não era o suficiente para esquentar a superfície da terra.
Ele chegou até a beira da praia onde as ondas lambiam o chão e sentiu a maresia impregnara-lhe as roupas. Fechou os olhos e ouviu o silencio do mar, quando os abriu viu algo inesperado.
Uma jovem mulher de pele clara e cabelos cor de rosa emergia das aguas escuras e geladas. O olhou e sorriu.
– Sakura? O que faz aqui?
Ela virou o corpo totalmente para frente e ele arfou: ela estava nua.
– Eu gosto daqui Sasuke. Quer entrar na água? – disse ela caminhando lentamente com as ondas até a areia. Seus longos cabelos agora estavam grudados no corpo molhado e magro, ele não pode deixar de reparar nas curvas delicadas e nos seios médios. Caberiam em sua mão.
– Você vai ficar com hipotermia.
Ela sorriu maliciosamente e se postou atrás dele puxando o pesado casado de lã pelos ombros.
– Entre comigo, na água. – disse pausadamente enquanto puxava a camisa.
Ele como enfeitiçado pela loucura da amiga retirou o resto das roupas deixando somente a cueca preta.
Sakura o carregou pela mão até o mar e ele sentiu o primeiro impacto das águas de inverno entrando em sua pele.
Ela mergulhou o deixando ali, tremendo sem coragem de fazer o mesmo e quando submergiu se postou em sua frente.
– Você não vai sentir frio. – disse em um sussurro.
Ele fitou os olhos verdes.
– Como?
Ela sorriu.
– Assim. – disse o beijando delicadamente.
Ele passou os braços pela cintura nua dela e a puxou para mais perto, não soube se foi o toque na pele ou do beijo, mas imediatamente um calor adentrou em suas veias e ele já não sentia frio.
– Você beija muito bem Uchiha.
Ele se assustou com a voz diferente e logo se viu beijando Ciara Johnson.
– O que? O que é isso? Cadê a Sakura? – gritou se afastando dela violentamente.
– Sasuke? Sasuke!!
Ele acordou em um rompante e escorou o rosto entre as mãos assustado.
– Bonito, me chama aqui em um sábado à tarde para trabalhar e fica dormindo Teme!
– Naruto, nunca fiquei tão feliz por ter sido acordado por você.
O loiro o olhou sem entender e balançou a cabeça como se o amigo estivesse ficado louco.
No interior da mata fechada, dentro daquela cabana velha a mulher sorria alegremente pois conseguira dar seu primeiro passo. Ela era mais esperta.
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– Hinata onde você se meteu? Kurama estava em polvorosa. – disse a rosada sorrindo e jogando a bolinha para o cachorro pegar.
– Ah fui à escola pegar umas provas para corrigir, tenho que fazer isso hoje antes de sair com o Naruto. E o que você quer grandão? – disse acariciando o setter irlandês.
Em resposta ele soltou um latido alto e animado.
– Acho que ele está com fome.
– Pode ser, vem Kurama, mamãe vai te dar comida!
Sakura observou a amiga saindo com o cachorro e sorriu, Naruto sabia mesmo como agradar.
Com um suspiro pesado ela fechou o livro que lia e saiu resignada para o quarto a fim de ligar para Sasuke.
– Hei boy, o que vai fazer hoje? – perguntou enquanto tirava o vestido longo e jogava no cesto de roupas suja.
– Não tenho nada marcado, por quê?
– Passo as oito para te pegar então.
– Aonde vamos?
– A um luau na praia.
– Com esse frio?
– Deixa de ser reclamão, e eu te esquento.
– ‘Tá bom.
Ela desligou o celular e entrou em baixo do chuveiro onde se deliciou com uma ducha quente.
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Depois de conversar com Ino e explicar como estavam as investigações e o que faria a noite Sasuke tomou um banho e vestiu uma calça jeans preta, um casaco preto de lã e coturnos de couro, colocou um cachecol cinza para esquentar o pescoço e refletiu por um momento sobre a grande quantidade de peças pretas que possuía no guarda roupa.
As oito em ponto recebeu um toque no celular indicando que Sakura estava esperando, passou um perfume e foi ao encontro da amiga.
– Eu deveria te buscar. – disse entrando no carro.
– Por quê? – perguntou ela abrindo um sorriso e ligando a seta para sair da vaga.
– Porque é estranho você vir me buscar.
– Que machista Sasuke.
– Hm, e esse luau ai, como vai ser?
– Com violão, vinho e cachaça.
– Típico de você.
Ela olhou para ele fez um biquinho.
– Não seja chatinho vai, você vai gostar.
Ele bagunçou os cabelos e ficou em silencio enquanto Highway To Hell tocava nos autofalantes do carro.
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Hinata deixara Kurama devidamente aconchegado na sala e foi saltitante até o carro de Naruto que estava estacionado em frente à casa de pedra.
– Boa noite lindinho! – disse beijando o loiro animadamente.
– Boa noite! Como está Kurama?
– Muito feliz quentinho e alimentado.
– Assim que eu gosto. – sorriu dando partida no carro.
– Sakura levou Sasuke em um luau... – disse Hinata acariciando os cabelos rebeldes dele.
– Uhum, ele me disse.
– O que acha disso?
– Acho que ele está ficando louco porque hoje estava dormindo e chamando por ela.
A mulher arregalou os olhos.
– Sério?
– Uhum, depois acordou assustado e eu nem tive coragem de dizer isso.
Ela gargalhou.
– Meus deuses, esses dois!
Naruto balançou a cabeça rindo do jeito de Hinata e seguiu viagem até o cinema.
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Sakura estacionou o carro na calçada que circundava a orla da praia e saiu para encarar o vento com Sasuke.
– Isso é loucura – disse ele batendo os dentes.
– Tem uma fogueira lá, olha! – disse ela apontando para um ponto luminoso.
– Hm.
Ela engatou o braço no braço dele e assim foram até o pequeno aglomerado de pessoas que cantavam animadamente.
– Sakura! – uma massa ruiva a abraçou.
– Karin, vai me sufocar.
– Que bom que você veio! Oi bonitão! – disse se dirigindo a Sasuke.
– Oi.
– Quer beber? – disse ela oferecendo uma garrafa para ele.
– O que é isso?
– Poitín – respondeu Sakura – tem noventa por cento de álcool.
– O que? – perguntou ele olhando apavorado para garrafa.
– Isso mesmo, quarta aguardente mais forte do mundo. Vai Uchiha, um gole!
Ele balançou a cabeça e levou a garrafa à boca, bebeu um gole e depois de fazer uma careta muito feia passou a Sakura que fez o mesmo ritual.
– Arree! – disse ela limpando a boca com a costa da mão.
– Pronto, estão em casa! – falou Karin sorrindo.
Os três foram até a fogueira e cumprimentaram todos que ali estavam. Sakura depositou um beijo na bochecha quente de Gaara e sorriu embora este tenha fechado a cara quando vira Sasuke.
– Que bom que você veio – disse ele puxando uma mecha de cabelo que saia da trança lateral que ela havia feito.
– Eu disse que viria.
Sasuke vira o brilho nos olhos de Gaara quando viu Sakura se aproximando, não tinha notado como ela era diferente com aquele tradicional vestido longo preto e um lenço cinza no pescoço, na verdade ela era muito bonita.
Os dois se sentaram em um canto da fogueira ficando de frente para Gaara e sua irmã já embriagada, ao ritmo que a bebida era ingerida a cantoria ficava mais alta e animada e quando dera por si Sasuke conversava com todos como se fossem velhos amigos.
– Hei Sasuke, — disse Sakura rindo e colocando a mão na perna dele – você quer fumar?
Ele virou para fita-la e ela não pode deixar de notar como os lábios dele ficavam vermelhos com o frio.
– Não, sou policial... aqui é foda.
Ela piscou mostrando que entendera.
– Tudo bem, então eu vou passar também.
– Por quê?
– Porque eu não preciso disso e porque estou com você hoje.
Ele a fitou com carinho e quis puxar aquele corpo magro para um abraço, mas foi interrompido por Gaara que passara a mão no violão que jazia esquecido.
– Canta ai mano! – falou Karin virando mais uma dose e caindo de lado na areia arrancando várias risadas.
Ele balançou a cabeça e tocou as primeiras notas da música.
“Quando conheci você, logo me apaixonei pela cor do teu olho, pela cor do teu olho...”
Sakura sentiu um frio na barriga quando o ruivo a olhou intensamente.
“Juro, eu não acreditei que tudo isso um dia pudesse acontecer ...eu conhecer teu bél prazer”
As pessoas a sua volta se abraçavam e alguns trocavam beijos acalorados e olhares cheios de segredos, Sakura apenas continuou com a respiração trancada e apavorada com o clima que havia se formado entre os dois.
“Pega minha mão, e abre o coração pro novo amor chegar!”
Ela olhou para o lado e viu Sasuke a encarando seriamente, sem saber o que dizer deixou seu olhar pairar entre a fogueira e Gaara até que os últimos acordes se perdessem e outra pessoa tomasse o violão.
– Isso foi lindo. – murmurou Sasuke no ouvido da rosada.
– Cala boca babaca.
Ele riu e levantou indo até um grupinho de garotas que sorriam e conversavam sobre as coisas do céu e da terra.
– Quer dar uma volta?
Ela olhou para cima e viu Gaara esticando a mão em sua direção, sorriu e aceitou o convite.
Os dois caminharam até a beira do mar em silencio e depois de observar as ondas que quebravam calmamente ela ouviu o amigo suspirar pesadamente.
– Gostou da musica?
Ela sorriu de canto e virou para encara-lo.
– Achei linda.
– Você é linda.
– Você nunca foi tão romântico assim. – falou ela em tom de deboche para quebrar o clima estranho.
– Você nunca me deu a oportunidade.
– Ah Gaara...
– Porque trouxe ele?
– Sasuke?
– Sim.
Ela deu de ombros.
– É meu amigo, gosto de estar perto dele.
– Isso eu já percebi.
– Ciúmes novamente?
Ele postou as mãos nos ombros dela e a olhou nos olhos.
– Pare de fugir Sakura.
– Gaara eu ...
A frase foi interrompida pois ela não via mais a praia. Seus olhos a levaram para um corredor escuro e uma escada, ela subiu lentamente passando as mãos nas paredes para se localizar. Estou na minha casa! pensou apavorada.
Ouviu um grunhido baixo e triste, apurou os passos e seguiu o som que agoniava a mente.
Kurama? perguntou indecisa quando viu o cachorro arranhar uma porta maciça, era o quarto de Hinata.
– Sakura! Sakura!
Ela abriu os olhos e viu Sasuke, estava deitada na areia com o tronco apoiado no corpo do moreno que se ajoelhara ao chão.
– Sasuke – falou pausadamente tentando por em ordem os pensamentos.
– Você está bem? – perguntou ele tirando uns fios de cabelo do rosto dela.
– O que aconteceu?
– Você caiu, apagou. – disse ele com o tom de voz carregado de preocupação.
– Estou bem – ai ela se lembrou – mas Hinata! Preciso ir pra casa agora Sasuke!
– Hinata deve estar com o Naruto...
– Sasuke, por favor, me leve pra casa.
Ele assentiu com a cabeça e levantou carregando ela como se fosse um corpo frágil e delicado.
– Você está bem? Precisa de alguma coisa?
Ela olhou para o lado ainda um pouco tonta e viu Gaara com um ar tristonho, pousou as duas mãos no rosto gelado do ruivo e depositou um beijo em sua testa.
– Obrigada pela musica.
Ele sorriu e observou ela ir com Sasuke a enlaçando pela cintura, ao entrarem no carro ela reparou que as mãos do amigo tremiam.
– Você está bem?
Ele a encarou com os lábios apertados.
– Eu quase morri do coração Sakura! – explodiu.
Ela arregalou os olhos e depois tocou o rosto dele com a mão.
– Não precisa se preocupar, eu estou bem.
Ele respirou fundo e ligou o carro.
– Depois vai ter que me explicar o que aconteceu.
Ela fitou sombriamente a rua a sua frente.
– Depois.
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Chegaram à casa da colina em quinze minutos e mal Sasuke estacionou o carro para Sakura já sair correndo, a porta da frente estava escancarada o que a deixou ainda mais assustada.
Foi entrar quando uma mão a puxou pelo braço.
– Está louca? Pode ter alguém ai dentro, eu vou à frente.
Ela o puxou pela gola do casaco e com seus rostos a poucos milímetros um do outro falou duramente:
– Não Sasuke, eu sei o que tem ai e acredite em mim, não é algo que sua arma possa matar.
Ele estreitou os olhos não entendendo o que ela quisera dizer, ainda assim deixou que tomasse a frente.
Os dois ouviram um som choroso vindo do andar de cima e Sakura imediatamente reconheceu como Kurama. Subiram os degraus rapidamente e logo ela se postou em frente ao quarto da amiga.
Kurama arranhava a porta tristemente e nem parecera notar a presença dos outros dois ali.
– Sakura o que..
– Espere aqui.
Ela abriu a porta com cautela e aquele ranger lhe arrepiou até os pelos mais escondidos do corpo, a escuridão era quase plena e só uma pequena faixa de luar iluminava o quarto. Ela deu um passo em frente e viu a amiga ajoelhada no chão, de costas para ela, sons guturais misturados com um choro contido vinham dela.
– Hinata?
Nenhuma resposta a não ser o maldito som que ela emitia.
Sakura então deu um passo em frente e viu que a morena mexia em algo.
– Hina? Sou eu a Sakura.
Nenhuma resposta.
Ela então respirou fundo e andou até a amiga, o que viu fez o coração parar. O som que Hinata emitia era de dor, dor por estar arrancando as próprias unhas com um alicate de eletricista.
– Pelos deuses! – exclamou Sakura se ajoelhando ao lado dela e puxando o alicate de suas mãos cobertas de sangue. As unhas já arrancadas jaziam no chão com pedaços da carne.
A morena pareceu acordar de um transe ao toque da amiga e logo seus olhos se encheram de agua, Sakura reconheceu como dor.
– Sakura...sakura – dizia ela embalando o corpo para frente e para trás.
– Calma vai ficar tudo bem. – ela olhou para a porta e Sasuke permanecia lá com as feições apavoradas pelo que vira. – Sasuke, em baixo da escada tem um armário, pegue a caixinha de primeiros socorros! Rápido!
Ele saiu em disparada pelo corredor escuro.
– Sakura...meus dedos..meus dedos!
– Vai ficar tudo bem Hina, calma. – disse ela puxando as mãos mutiladas para si.
– Foi ela, ela esteve aqui!
– Quem Hinata? – perguntou a outra alarmada.
Os olhos da morena brilharam pelas lagrimas e fitaram a amiga.
– Ela é terrível.
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