A Casa da Colina

14 A dança dos mortos


Notas iniciais
Quero muito agradecer o enorme carinho de todos vocês gente! Obrigada pelos comentários que me deixam tão feliz! Vocês são demais! Boa leitura!

A dança dos mortos

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Depois de se despedir de Sasuke ela entrou em casa decidida, sabia que seria perigoso persistir no plano, mas necessário. Lembrando-se dos ensinamentos de Tsunade ela foi até o banheiro onde tomou um longo banho com ervas e sais.

Com os cabelos molhados e usando apenas um vestido branco sem nenhuma peça intima buscou os objetos que seriam usados: meio metro de corda, dois incensos de canela, uma vela branca e outra azul, uma moeda antiga, um cálice com água e sal. Munida de tudo que precisava caminhou para o centro da floresta e procurou uma clareira onde podia observar o céu estrelado.

Com o sal fez uma cruz no chão para representar os pontos cardeais e acendeu um incenso e a vela azul.

Despiu o vestido branco e totalmente nua se postou em frente à cruz, inspirou o vento cálido que lambia seu corpo e se concentrou, pegou a corda que trouxera e começou a dar nós na mesma enquanto recitava com a voz firme:

– No primeiro nó meu feitiço começa, no segundo nó nada mais me impeça, no terceiro nó tudo realizará, no quarto nó toda força terá, no quinto nó floresce pelas minhas mãos, no sexto nó a natureza presencia seu nascimento, no sétimo nó será protegido pelo céu, pelo oitavo nó será levado pelo vento, pelo nono nó meu será.

Passou a corda na fumaça desprendida do incenso e da vela e a deixou em um canto. Partiu então para o seu mais significativo ritual. O ritual de invocação.

Postou a moeda no ponto que marcava o norte, o cálice com água no ponto oeste, o incenso no leste e a vela no sul.

Respirou então para buscar concentração e pegou a moeda na mão.

– Eu Sakura saúdo a terra, a natureza, todos os seus elementos e a sua força. Eu agradeço por tudo que a terra me presenteia todos os dias de minha vida, peço que a energia da terra esteja sempre presente e me traga coragem, estimulo, disciplina, conforto, estabilidade e saúde. Peço que a terra representada por esta moeda me proteja e me ajude sempre. Assim seja.

Ela colocou a moeda de volta na cruz e pegou o cálice erguendo o mesmo para o céu.

– Eu Sakura saúdo todos os elementos e as deusas da água, agradeço a água por toda a água existente no planeta, pela água que bebo e de que necessito para viver, peço ao elemento água intuição, clareza, visão, energia e força mágica. Eu peço que a água contida nesse cálice me proteja e me ajude sempre. Que assim seja.

Devolveu a taça ao seu lugar e ascendeu o incenso, espalhando a fumaça ao seu redor recitou:

– Eu Sakura saúdo e invoco todos os elementos do ar. Agradeço pelo ar que respiro, pelos ventos, pela inteligência, pela criatividade, pelas minhas virtudes racionais. Peço ao elemento ar capacidade de raciocínio, clareza de ideias. Eu peço que a fumaça desse incenso me proteja e me ajude sempre. Que assim seja.

Depositou o incenso na cruz e pegou o ultimo objeto, a vela.

– Eu Sakura saúdo e invoco todos os elementos do fogo. Peço a intuição sagrada e a energia curativa do fogo, agradeço ao fogo pela vida e peço à fumaça que se desprende desta chama me proteja e me ajude sempre. Que assim seja.

Depois de depositar a vela na cruz pegou o cálice e bebeu a água. Ajoelhou-se e com as mãos em cima da cruz rogou entre dentes:

– Eu o invoco, oh espirito protetor de Niksa.

Sentiu como se tudo a sua volta fosse puro vácuo, o vento parou, as árvores não balançavam mais e os grilos e as corujas fizeram silencio. Permaneceu com os olhos fechados e se arrepiou ao sentir um ar gélido próximo ao ouvido.

– Você nos chamou .... – a voz era rouca e baixa, ao fundo ouviu outras vozes em um concerto macabro.

Chamou

Chamou..

– Menina corajosa...

Tola

Tola...

Ela reuniu toda a coragem que possuía e falou com a voz fina.

– Vocês são espíritos da natureza, os chamei porque preciso de ajuda.

A voz gargalhou.

– Não se invoca os mortos... os mortos devem permanecer em suas covas...

Mortos

Mortos...

Covas...

Mortos...

– Eu sei quem é você, e você vai me ajudar.

– Porque acha isso? Não sabe quem eu sou... eu não sou ninguém...

Ninguém...

Ela deve ser morta...

– Você é Aeron.

Sentiu o ar gélido em sua boca, sabia que ele estava a encarando. Embora sentisse muito medo confiava que saber o nome dele ajudaria.

– Como sabe meu nome menina dos cabelos rosados?

– Tsunade Senju me falou de você. Há muitos anos atrás você a ajudou.

– Tsunade? Tínhamos um trato, ninguém a não ser ela ousava me invocar.

– Sou discípula dela, eu preciso de sua ajuda.

– O que quer?

– Tem um assassino de crianças em Clare e alguém foi morto aqui em Niksa ontem. Acredito que seja um bruxo ou bruxa, preciso saber quem é.

Ele gargalhou e o seu coral macabro o imitou.

– Não posso fazer isso.

Ela deve morrer...

Morrer...

Morta...

Precisa me ajudar, Niksa era sua.

– Você sabe demais... agora, abra os olhos.

Ela sentiu o peito arfar, abriu lentamente os olhos e viu um homem de meia idade a poucos centímetros do seu rosto. Segurou o grito quando fitou os orbes, eram negros como a noite.

A sua volta espíritos murmuravam frases desconexas e agonizantes.

– Vou te dar o dom da visão, você vai perceber as coisas a sua volta. Niksa é sagrada para mim e para meus ancestrais, não quero sangue derramado aqui.

Ela sentiu uma dor aguda perfurar sua testa no ponto em que a unha translucida dele rasgou sua pele, desenhando um losango a sangue.

– Agora, não perturbe os mortos. Os mortos devem permanecer mortos.

Mortos..

Os mortos...

Sem ter tempo para reagir seu corpo foi elevado do chão e seus braços esticados como se estivesse em uma cruz. Os cabelos esvoaçaram e com um misto de desespero ela sentiu dezenas de mãos e línguas passearem por seu corpo.

– Repita comigo. Os mortos devem permanecer mortos.

– Os mortos devem permanecer mortos.

Mortos...

Mortos..

Gritou de dor quando sentiu um corte profundo nas costas ao mesmo tempo em que um liquido espesso e quente escorria, era seu sangue.

– Eu bebo seu sangue jovem bruxa, agora temos o um trato. Proteja Niksa, eu protejo você.

Com um baque surdo seu corpo arqueou no ar e foi jogado com força ao chão, a ultima coisa que viu foram as velas e os incensos se apagando.

~~

– Como foi ontem com a Sakura?

– Normal, ela já se sentia melhor.

– Hm.. não vai comer essa rosquinha?

– Não Naruto, pode comer.

Os dois estavam em uma sala da delegacia desde as sete horas da manha, Sasuke chegou tão cansado no hotel que mal conversou com Ino, apenas tomou um banho e dormiu. Acordou as seis e deixou a loira dormindo, achou melhor não acordá-la porque conhecia bem seu mau humor matinal.

– Você acha que a Hinata vai querer continuar comigo depois que eu voltar pra Tóquio? – perguntou o loiro com a boca cheia de rosquinha açucarada.

Sasuke o olhou com certo nojo e balançou a cabeça negativamente.

– Não.

O outro ficou de boca aberta olhando feio para o amigo.

– Idiota, você deveria dizer que ela vai.

– Mas eu não acho que ela vai, e sinceramente não me importa.

– Sabe Sasuke, você é um cretino às vezes.

O outro ignorou e voltou a atenção aos milhares de documentos a sua frente, fazer uma arvore genealógica de tantas gerações não era tão fácil assim.

~~

Ela acordou com o som dos passarinhos, se remexeu e notou que seu corpo estava extremamente dolorido, claro, ela dormira no chão da floresta. Sentou e colocou a mão na cabeça, essa latejava. Suspirando Sakura se levantou e vestiu o vestido sujo de terra, pegou seus objetos guardando com carinho a moeda antiga e a corda. A moeda teria que ter carregada sempre consigo e a corda teria que ficar embaixo do travesseiro sem que ninguém percebesse.

Andou até a casa que permanecia fechada, Hinata deveria ter ido direto para a escola naquela manha.

Foi até o quarto e guardou tudo, depois entrou no banheiro onde ao se despir levou um choque. Uma cruz fora desenha em suas costas, ela já estava cicatrizada e não sangrava mais. O losango na testa havia desaparecido.

Suspirou e ligou o chuveiro com a água fervendo, depois de lavar as cicatrizes com um certo desconforto colocou um vestido preto de mangas longas para esconder alguns hematomas e foi até a cozinha. Novamente sentiu um cheiro de podre vir do quarto de Tsunade e revirou os olhos, teria uma conversa séria com Hinata pois já estava mais do que na hora de Kurama aprender a fazer suas necessidades na rua.

Tomou uma xicara fumegante de café preto e comeu alguns biscoitos de farinha integral. Devidamente alimentada resolveu ir até a sua horta e colher algumas hortaliças para levar a Gaara, e quem sabe, passar para dar um alô a um certo Uchiha.

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~~

Era quase meio dia quando Sasuke e Naruto pararam de pesquisar para almoçar, o loiro guardava os papeis em uma pasta e resolveu perguntar algo que estava lhe perturbando a um tempo.

– Sasuke, como você sabe que a Sakura não tem nada a ver com o acidente do Neji?

O moreno parou rijo onde estava e girou os pés para encarar Naruto com as feições sérias e levemente irritadas.

– Que tipo de pergunta é essa Naruto? Você duvida da Sakura?

O outro se embaralhou e levou a mão a nuca desconfortável.

– Não teme! Eu sei que a Sakura chan é inocente! Mas pensa comigo, já já a Ciara vai vir te perguntar isso e a resposta tem que estar na ponta da língua!

– Eu sei que ela não tem nada a ver com isso porque estava junto com ela baka.

– Mas ela podia ter saído, sei lá te deixado na cozinha e ido ao banheiro, ou ao quarto. Sabe como vão tentar incriminá-la.

Sasuke suspirou cansado e colocou as mãos nos bolsos do jeans escuro.

– Eu estava beijando ela Naruto.

Do outro lado da porta Ino apertou com tanta força o celular que fez a tela trincar em mil pedaços. Não acreditou no que ouviu. Sabia que aquela garota não era só uma amiga de Sasuke, era uma vadia qualquer. Juntou a dignidade que ainda tinha e saiu antes que os dois saissem da sala, o almoço que levara embalado para Sasuke fora jogado no lixo e agora ela só pensava no que fazer para não perder o noivo. Não, ela não perderia o seu Uchiha.

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Sakura andava pelas ruas de Clare e já notara o clima instalado na cidade, embora fosse só o inicio da tarde poucas pessoas eram vistas pelas ruas, os cartazes com os rostos das crianças entulhavam as paredes de lojas, muros e postes. A cidade se tornara cinza, morta e cheia de medo.

Ela largou as hortaliças na feira e ouviu do próprio Gaara que os negócios estavam péssimos, ninguém queria ir à feira e muito menos comprar algo que vinha dela, a situação da loja estava bem parecida.

Pedindo paciência para aguentar todos os olhares inquisidores ela caminhou até a delegacia, lá chegando foi direto a sala que lhe interessava.

Bateu na porta e ouviu a voz conhecida.

– Entre.

Entrou e logo sentiu a cicatriz em suas costas formigar levemente.

– Boa tarde, Ciara.

– Boa tarde Sakura, vejo que voltou para conversar comigo.

– Voltei, acho que você me deve muitas explicações.

A loira sorriu de lado.

– Claro, mas não aqui. Vá até a minha casa hoje a noite, podemos conversar melhor lá.

– Ok, as oito em ponto estarei lá.

– Até lá.

A garota saiu se sentindo um pouco enjoada, percebeu que sempre ficaria assim na presença da policial.

Olhando para o chão esbarrou em um peito duro e firme, duas mãos a seguraram pelos braços.

– Sakura?

– Naruto!

– O que faz aqui?

– Quis saber como estão as investigações... – mentiu.

– Hm, Sasuke acabou de ir para o hotel, porque não passa lá para falar com ele?

– Boa ideia! E hoje a Hinata vai aparecer em casa? Você pare de sequestrar a minha amiga em – brincou ela.

– Ah eu gosto de dormir com ela sabe, juntinho.

Ela não sabia.

– Entendo, mas não quero ficar sozinha.

– Hoje eu a levo, prometo.

– Certo, até mais Naruto!

– Até mais Sakura!

Ela saiu pensativa, havia algo em Ciara Johnson, algo que não batia, alguma informação faltava.

Parou em uma padaria e comprou um saquinho de biscoitos de chocolate para Sasuke, sabia que ele estava estressado por muitos motivos. Andou calmamente até o hotel e nem foi anunciada, subiu direto para o segundo andar e bateu no quarto de número 12.

– Ah, Sakura! – a loira vestindo apenas uma camisa masculina abrira a porta.

– Oi Ino – disse sem graça. Como esquecera dela?

– Veio falar com o Sasuke?

– Sim – disse escondendo o saquinho atrás do corpo – ele está?

– Não, acabou de sair para comprar algo para comermos, sabe enjoamos da comida do hotel.

– Ah, eu imagino. Bem então eu vou indo...

– Sakura espera! Tem algo que quero lhe pedir com muito carinho.

– Claro...

– Estou pensando em antecipar o casamento, sabe como é, viver só de sexo não dá. – disse ela rindo abertamente e bagunçando os cabelos para deixar claro que era isso que os dois faziam antes dela chegar.

– Oh, é... – balbuciou a outra desconcertada.

– Então, eu simplesmente amei a sua casa, já imaginou um casamento naquele jardim?

Sakura então percebera onde ela queria chegar e sentiu um desconforto no estomago.

– Entendo... é nosso jardim é grande mesmo.

– Ah eu sabia que você super entenderia! – disse ela batendo palmas – vou falar com o Sa, obrigada querida.

– Por nada.

A loira sorriu e fechou a porta na cara de Sakura que permaneceu ali por mais alguns segundos. Não acreditava que depois do que passara com Sasuke ele cogitara a ideia de se casar na sua casa.

– Cretino... – saiu resmungando para si mesma.

Dentro do quarto Sasuke saia do banheiro de banho tomado e enrolado em uma toalha, parou e olhou para noiva confuso.

– Porque está com a minha camisa?

– Ah, deu vontade de usar.

– Hm, quem era na porta?

– Serviço de quarto. Vamos sair para comer?

– Não posso, tenho que trabalhar. – disse ele largando a toalha e pegando uma cueca.

– Sasuke! É só um jantar!

Ele suspirou e por fim achou que seria melhor jantar do que ficar ouvindo-a reclamar a noite inteira, ponderou sobre como falaria com ela sobre Sakura, tinha que dar um fim naquela situação.

– Ok, mas se arrume rápido.

– Certo!

Ela correu para o banheiro enquanto ele bagunçava os cabelos pensando no que faria da vida com aquelas duas mulheres.

~~

Sakura ficou matando tempo no centro da cidade até o relógio dar o horário combinado, pegou seu carro e foi até a parte sul do Condado onde as casas eram de madeira e possuíam cerquinhas brancas a volta. Os jardins eram bem cuidados e tudo seguia na mais perfeita ordem social. Parou em frente e uma pequena casa branca estilo americana e ajeitou os cabelos um pouco nervosa, adentrou pelo pequeno cercado e bateu a campainha.

Ciara Johnson abriu a porta segurando um enorme gato preto nas mãos, usava uma calça de moletom amarela e uma camisa larga branca, parecia outra pessoa.

– Pontual Sakura, entre. Temos muito que conversar.

Notas finais
E então? ah me digam que sentiram pelo menos um arrepiozinho vai? Esclarecimentos: O feitiço das cordas é feito para dar sorte a pessoa que o faz, no momento em que pratica o ato o bruxo ou bruxa tem algo em mente e a corda deverá ser queimada assim que o desejo se realizar. O pedido da Sakura foi, obviamente descobrir quem é que está matando gente por ai. O ritual de invocação é um simples e eu segui a risca o que os Wicca fazem, pelo menos foi o que achei PORÈM a parte que o espirito chega foi tirada da minha cabeça, então se existe algum Wicca ai não me odeiem certo? Enfim, espero seus comentários! O que acham que a Ciara quer com a Sakura? suspeito isso certo? e a Ino? vaca sim ou com certeza? Quero saber o que meus leitores mais esperam da fic! vamos lá, quero conversar com vocês! Beijocas