A Casa Maldita 2
21 Ultimo capítulo: Revelações e mistérios
Notas iniciais
Lúcio acelerou o quanto pode o helicóptero, quanto mais rápido se afastasse daquela tribo melhor seria pra ele. Chegando na casa deu um chute violentamente na portaria que se abriu fazendo barulhos estrondosos, chamando a atenção de todos os alunos. O comissário saiu da sala correndo com uma aparência fechada e se deparou com o Lúcio todo ensopado de suor.
–O que houve Lúcio? — Perguntou apreensivo, olhando seu estado dos pés à cabeça.
–Aconteceu que vou explodir essa maldita casa! Todos vocês irão morrer! — Respondeu com um olhar de ódio, que assustava todos.
–Que brincadeira é essa? Pare já com isso senão...
–Senão o que? — interrompeu-lhe – Não há mais escapatória pra mim, o Líder estar vivo e irá acabar com a minha vida; mas antes disso eu vou destruir essa casa com vocês juntos.
O Comissário fico confuso, mas ao mesmo tempo contente, não sabia de que jeito o Líder tinha escapado daquele grave acidente, sendo que naquele dia procurou seu corpo mas não encontrou. Com lágrimas de alegria, perguntou para o Lúcio como seu grande amigo se salvou.
–Não sei como aquele inútil conseguiu escapar do acidente! Fui eu quem provocou tudo... Naquele dia, se lembra Comissário? Em que faltou luz? — Perguntou num tom irônico.
–Claro, me lembro... Mas o que isso tem a ver com o Líder?
Lúcio abriu um sorriso maquiavélico.
–Eu planejei tudo! Foi eu quem desliguei a energia elétrica e que também conseguir atrair o Líder para a aquela cachoeira. Como ele é idiota! Caiu feito um patinho. Chegando na cachoeira nós discutimos... trocamos alguns socos até que eu conseguir empurrá-lo naquela cachoeira.
Comissário pasmo, dobrou os joelhos sobre o chão balançando a cabeça, deixando cair algumas lágrimas.
–Eu não to acreditando nisso! Eu confiei em você! Achei que você fosse meu amigo.
–Eu fingir – Disse se aproximando dele – A única coisa que eu queria era assumir o trono dessa casa! Desde pequeno fui fascinado por ela e jurei pra mim mesmo que um dia iria comandá-la com absoluto poder!
Enfurecido Comissário levantou-se aos berros, ficando cara a cara com o maior o encarando.
–VOCÊ É PODRE LÚCIO! UM LOUCO! PSICOPATA! VOCÊ TEM NOÇÃO DO QUE VOCÊ FEZ?
–Primeiro abaixe o tom, você não estar em condições de aumentar a voz pra mim. E outra... da próxima vez que você me chamar de podre, eu jogo essa bomba na tua cara e verei você virar pó!
Ramalho que até o instante estava quieto se aproximou do padrinho e tentou acalmá-lo.
–Basta Lúcio! O que você está fazendo não é certo. Se quiser fugir, fuja! Mas não faça nada que você possa se arrepender depois. Olhe o estado de todos! Estão com medo de há qualquer momento você nos machucar com essa bomba!
–O que há Ramalho? Virou um menino bonzinho agora? Não se esqueça que antigamente você não tinha piedade de ninguém.
–Eu ainda sou o mesmo! Não mudei... mas o que você está fazendo ninguém merece! Pra que tanto ódio? — Ramalho olhava bem fundo nos olhos de seu padrinho, que o ignorava a todo instante. Lúcio já estava fora de si, não escutava ninguém.
Lúcio andou por todo salão dando várias gargalhadas e olhando para Ramalho. Este por sua vez ficava sério, apenas observando as grandes besteiras que seu Padrinho estava fazendo.
–Por que você está rindo de mim?
–Lembra dos seus pais? Do acidente que eles tiveram e morreram?
–Diga logo! O que tem meus pais? — Disse se aproximando deste muito nervoso.
–Calma Ramalho! Está com pressa? — Disse num tom sarcasticamente.
–Fale logo seu desgraçado! Já to perdendo a paciência. — Pegou firme na roupa de coro que este estava vestido.
–Eu mentir pra você! Seus pais não morreram naquele acidente...
Ramalho não queria acreditar, no momento em que ouviu aquelas palavras frias soltou este e várias coisas começaram a se passar em sua mente. Ficou em estado de choque, paralisado com lágrimas caindo sem parar esperando por uma resposta do Lúcio.
–Há muito tempo trabalhei com seu pai numa matalúrgica na cidade Las Stois, nós eramos amigos, tinhamos uma amizade muito grande – deu uma pausa para soluçar e continuou. — Mas um dia seu Vicente nos mandou embora; seu pai não recebeu o dinheiro, mas eu recebi. Com pena, eu emprestei todo o meu dinheiro para que ele pudesse comprar o que ele queria e também para poder ti sustentar! Vicente atrasava muito o nosso salário.
–Chega de enrolação Lúcio, diga logo o que aconteceu com eles.
–Seu pai me pediu um prazo de dois meses para que pudesse me devolver toda a quantia que eu lhe emprestei... o prazo acabou e fui até a cada deles saber o porquê da demora, pois o prazo já tinha vencido e estava precisando muito do dinheiro; discutimos feio e nesse dia levei uma arma comigo. Seu pai me chamou de impaciente, fiquei nervoso e acabei dando um tiro na cabeça dele. Sua mãe se desperou abraçando ele e tive que matar ela também para que não tivesse testemunhas.
Ramalho ergueu os ombros e respirava fundo, aquilo foi demais pra ele, não esperava que uma dívida fossse o motivo da perda de seus pais. Ele fechou bem sua mão e deu dois socos bem fortes no seu padrinho, que no segundo caiu limpando a boca que estava sangrenta.
–EU TE ODEIO LÚCIO! VOCÊ É UM CANALHA- Dizia ele, enquanto apunhalava vários chutes na barriga do outro. — Como você pode ser tão cruel com eles? Hein! Reponde seu lixo!
Lúcio levantou-se aos poucos todo rasgado e com a cara sangrenta, mas ainda prevalecia aquele sorriso maquiavélico em sua face a todo instante, debochando do Ramalho, da sua grande dor que estava lhe matando por dentro.
–Eu não me arrpendi! Seus pais mereceram... — olhava antentamente se aproximando deste. — Eu só queria meu dinheiro de volta, o dinheiro que o imprestável do seu pai não soube me pagar!
Ramalho pegou do seu bolso um canivete que ninguém nunca soube que se encontrava com ele. Abriu este mirando contra a barriga de seu padrinho e apunhalou com uma facada profunda. Um corte se formou neste, fazendo transbordar muito sangue no chão. As mãos de Ramalho sujavam de sangue e na sua face permanecia ódio e alívio.
–Vá pro inferno! — Dito isso, Ramalho retirou o canivete com toda força.
Lúcio rapidamente caiu de lado, com aquele corte profundo sendo visualizado por todos os alunos, que ficaram impressionados com o que víram. Ramalho virou as costas sem dá a mínima a ele e foi caminando até seu dormitório.
A movimentação no grande salão era muito grande, o comissário ordenou que todos os alunos fossem aos seus dormitórios para poder resolver aquela situação de uma maneira mais calma. Este por sua vez, já sabia que Lucio estava morto e que não havia mais nada há se feito e sim providenciar o enterro.
Todos foram rapidamente para seu dormitório, e em seguida Líder chega até a casa observando apavorado a cena de seu grande inimigo ali, no chão morto. Comissário apenas olhou para o Líder e lhe disse:
–Ele teve o que mereceu!
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No dormitório Edilson andava de um lado a outro, esperando que seu companheiro de quarto Ramalho, pudesse se abrir com ele. Percebendo que este não iria dá o braço a torcer, tocou no assunto.
–Nossa! Ramalho. Você me surpreendeu hoje matou o Lúcio. Não é por nada não, mas bem que ele mereceu! Como diz o ditado, quem procura acha! Meus parabéns. — Estendeu as mãos, mas Ramalho nem ligou.
–Cara não enche! To de cabeça quente e você vem com essas conversinhas chatas. Se continuar vou acabar dando facada em você também!
Edilson se afastou com um pulo, deitou-se na cama e se enrolou dos pés a cabeça.
–Esquece Ramalhinho! — Disse tremendo a boca – Fique socegado que ficarei quetinho, não vou te encher; mas fique sabendo que eu sinto muito pelo o que aconteceu. Fiquei impressionado pelas coisas que ele disse tanto como você! Perder os pais desse jeito não é nada bom; espero que você fique bem logo!
Ramalho ainda de cabeça baixa retribuiu as palavras confortante do Edilson.
–Obrigado Edilson! Você nem imagina como estou me sentindo...
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Jaqueline, Bruno e Karina, estavam no mesmo dormitório. Ela pensou que Karina iria arrumar a maior confusão, mas dessa vez estava enganada; ela sorriu com um olhar sincero.
–Quero pedir desculpas pra vocês! Eu fui uma boba, achando que eu tinha me apaixonado pelo Bruno, mas na verdade era pura ilusão minha. Você nunca olharia pra mim do jeito que eu gostaria! Você gosta dela, então decidi que não vou mais atormentar a vida de vocês.
Jaqueline não acreditou muito nas suas palavras e perguntou como poderia ter a certeza de que não seria mais incomodada.
–Eu vou embora amanhã da casa! Só resta um mês mesmo para que todos saíam da casa maldita, então já estou decidida, amanhã volto pra casa.
–Que bom Karina! Desejo que você encontre o grande amor da sua vida.
Assim como eu encontrei o meu. — Finalizou dando um selinho em Bruno.–Pode ter a certeza, de que um dia irei encontrar! — Disse se retirando do dormitório, acenando com a mão.
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3 horas depois...
Já estava tudo preparado para o velório do Lúcio. Os responsáveis colocaram ele no caixão e o corpo permaneceu por um bom tempo no grande salão, antes de ser enterrado. O caixão ainda estava aberto , apenas cobrindo o corpo por um pano branco. Poucas pessoas se aproximaram para vê-lo. Lúcio conquistou mais inimigos do que amigos e a maioria dos alunos e comissários apenas permaneciam em silêncio observando ele.
Líder ainda se aproximou e viu como ficou seu estado. Com aparência muxa devido ao sangue que perdeu, em consequência da facada que lhe fez perder muito líquido. Ramalho apenas rodeava o caixão, olhando-o com desprezo, quando virou as costas, os olhos do cadáver se mexeram, mas ninguém percebeu. Depois fecharam o caixão e enterraram o corpo.
UM MÊS DEPOIS....
Os alunos já estavam de malas prontas para embarcarem de volta pra casa. Todos não víam a hora de reverem seus familiares e poder aproveitar a vida. Certamente alguns sentirão saudades da ''CASA MALDITA'', outros nem tanto. Lider irá encerrar todas as ligações de seu trono, para viver com um pouco mais de tranquilidade. Sendo assim, a casa maldita deixará de existir para sempre. Mas ficará na lembrança no coração de todos.
–Senhor! Senhor! — gritou um homem desesperado, chamando Líder para averiguar com o comissário o ocorrido.
O homem se referia ao caixão, que se encontrava aberto sem o corpo do Lúcio dentro. Ambos se aproximaram e viram um bilhete pequeno dentro do caixão. Aquela letra não era estranha, Líder reconheceu que a letra era do seu inimigo. Abrindo o bilhete viu algo escrito assim:
Quem está vivo, não pode ficar dentro de um caixão!
Ass: Lúcio
Fim...
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