A Casa Dos Mortos

1 A Casa dos Mortos


Notas iniciais
Escrevi esse conto para um projeto na aula de português no ano passado, espero que gostem :)

Há alguns anos, um primo me contou uma história. Quando ouvi, achei absurda. Afinal, não acreditava no sobrenatural, achava que se não houvesse uma explicação científica, não existiria. Mas, os últimos acontecimentos vêm me fazendo mudar de opinião.

“Na década de 50 em uma cidade pequena do interior, com cerca de dois mil habitantes, onde todos os moradores se conheciam. Nos limites da cidade, havia uma antiga propriedade onde morava uma família: o pai, a mãe e os três filhos. Eles haviam se mudado há cerca de dois anos, era aparentemente uma família normal. Os habitantes da cidade viam os moradores daquela casa apenas quando a mãe ia à mercearia e as crianças à escola. O pai saia cedo e voltava tarde.

Um dia pela manhã, quando os empregados chegaram à casa da família, todos estavam mortos. O corpo da filha de oito anos foi encontrado na sala de estar. Havia sangue em volta do corpo e um grosso pedaço de madeira. No banheiro foi encontrado o filho mais novo, de três anos, afogado na banheira. No jardim pendurado em uma árvore, o filho mais velho, de dez anos. Os corpos do casal foram encontrados no quarto. O pai, havia sido morto a facadas, e depois desmembrado. O corpo da esposa estava pendurado em uma viga, por uma corda. A polícia, na época, concluiu que a mãe assassinou os filhos e o marido, cometendo suicídio logo depois. O motivo teria sido as traições do marido que levaram-na a ter um surto psicótico.

Os moradores daquela pequena cidade do interior estavam horrorizados, nunca haviam imaginado que algo assim poderia acontecer ali, naquela cidadezinha tão pacífica.

Logo que a investigação policial terminou, as pessoas que passavam por perto da casa diziam ouvir os gritos de fúria da mulher e o choro das crianças. Anos se passaram, e os moradores daquela cidade continuavam a contar sobre os gritos e lamentações que supostamente poderiam ser ouvidos por qualquer pessoa que passasse por perto daquela casa durante a noite.”

Esse primo que me contou a história havia se mudado recentemente para esta cidade, achou esta história tão interessante que contou para toda a família e os amigos. Logo depois da mudança, fomos visitar este primo.

Quando chegamos, ele fez questão de nos levar àquela casa que supostamente era mal-assombrada. A casa era muito antiga, tinha suas portas e janelas cobertas por grandes pedaços de madeira.

Meu primo sabia que eu era cético, então fez um desafio: eu deveria entrar na casa, ir até o quarto do casal e trazer algum objeto, algo que provasse que eu realmente estive lá. Achei uma bobagem, algo desnecessário, mas aceitei.

Com certa dificuldade, conseguimos arrancar alguns dos grandes pedaços de madeira que impediam a passagem pela porta. Quando consegui entrar, o cheiro de umidade, mofo e sujeira, me deixaram enjoado. Logo que passei pela sala de estar, vi uma mancha escura no chão e percebi mais tarde que era o sangue da filha.

Passei pelo corredor indo em direção às escadas e no caminho vi a porta do banheiro aberta, onde o filho mais novo teria sido afogado. Entrei na cozinha, fui até a janela dos fundos com vista para o jardim, e vi a árvore onde o filho mais velho foi assassinado. Só então parei para pensar sobre onde estava e o que havia ocorrido naquele local. Um arrepio percorreu minha espinha.

Segui o caminho para as escadas, rumo ao meu destino inicial. Elas rangiam, pelos anos que ficaram sem uso. Os quartos ficavam em um longo corredor decorado com quadros e fotografias de família, e havia uma pequena mesa com um porta-retratos. Então, o peguei para que servisse de prova de que realmente estive naquela casa. No final do corredor havia uma porta que pensei ser a do quarto do casal.

Hesitei por alguns segundos antes de virar a maçaneta. Quando a porta se abriu, um cheiro mais forte do que o do resto da casa me atingiu. Pútrido! Dei um passo para dentro do quarto e o lugar estava escuro, a única luz do local vinha do corredor. A janela do quarto estava fechada e não deixava a luz do fim da tarde passar.

Atravessei o quarto e tomando cuidado para não esbarrar em nada. Quando cheguei ao outro lado do quarto tateei em busca da janela e consegui abrir com certo esforço. A luz tomou conta do cômodo e então me virei para poder olhar o quarto com atenção.

Passei o olhar devagar pelos móveis até que meus olhos se prenderam em um ponto. Não pude conter um grito de horror: havia um corpo, já em avançado estado de decomposição, suspenso por uma grossa corda em uma viga. Fiquei alguns segundos imóvel pelo susto. Quando finalmente percebi o que era, dei um passo para trás e pisei em alguma coisa. Quando olhei para o chão, vi uma faca com algo escuro em parte do cabo e da lâmina. A faca que foi usada para esfaquear o marido. E depois desmembrá-lo.

Levantei novamente os olhos para o corpo, e desta vez o grito não saiu. Ela estava olhando para mim, nos meus olhos. Aquela mulher que havia matado os filhos e o marido e que estava morta há mais de cinquenta anos.

Saí correndo do quarto, desci as escadas e passei pelo corredor em direção à porta de saída. Antes de sair, olhei em direção à sala de estar e lá estava a menina, no canto, ensanguentada, brincando com as suas bonecas...

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!