A Casa De Hades
8 Capítulo 9 - Nico
Notas iniciais
Nico
Nico acordou cedo. Ele sabia de alguma forma que tudo iria se iniciar nesse dia, por isso se levantou rapidamente. Leo tinha marcado uma reunião no refeitório, por isso ele foi com sua irmã Hazel acordar os outros.
- Vai dar tudo certo. – ela prometeu.
Nico percebeu que ela estava tentando afirmar mais pra si mesma do que pra ele. Eles chegaram até a cabine de Frank e bateram na porta.
- Entra. – ele respondeu.
Nico abriu a porta e entrou na cabine de Frank. Na mesa, o pote de algemas chinesas estava aberto e virado, enquanto Frank estava com todos os dedos dentro de várias algemas.
- Estão chamando pra reunião no refeitório. – Hazel disse.
Frank tirou e guardou as algemas com tanta rapidez que Nico se impressionou.
- Vamos. – ele disse.
Enquanto voltavam, Jason estava batendo na porta do Treinador Hedge.
- Ele está dormindo? – Nico perguntou.
- Só se arrumando.
O sátiro saiu da cabine com uma camisa polo laranja e um short de ginástica.
Quando eles chegaram ao refeitório, Leo explodiu numa gargalhada.
- Parece que acabou de sair da Escola da Vida Selvagem, Treinador.
- Valdez, ainda falta o megafone.
- Pois bem, vamos começar. – Jason anunciou.
Todos abasteceram os pratos e se sentaram.
- Hoje é dia 10 de julho. Temos cinco pra nos prepararmos e vinte pra deter Gaia. – Piper contou.
- Ainda temos que salvar o Percy e a Annabeth. Depois voltar pra América e selar a paz entre os gregos e romanos. E voltar pra Grécia e deter Gaia. – disse Hazel.
Leo soltou um sorriso.
- Disso eu posso cuidar. Mas precisarei de ajuda.
Nico levantou a mão. Sabia do que Leo precisava.
- Bom, se precisar de ajudantes e metais preciosos, eu e a Hazel podemos ajudar.
Hazel e Leo lançaram um olhar de aprovação. Ele sabia que ainda tinha outra missão.
- E as Portas da Morte ficam em Épiro. Sugiro que paremos em algum lugar nas redondezas.
- E eu vou precisar de alguns materiais. – completou Leo.
Nico pensou por um momento. Tentou lembrar o que sabia sobre a Grécia.
- Tem o Monte Parnaso. Acho que ainda restam alguns metais úteis por lá.
Hazel se pronunciou antes:
- Isso pode ser uma tarefa pra mim. Frank e Nico, vocês podem vir comigo?
Os dois lançaram pra ela um olhar positivo. Nico entendia o plano de Hazel. Ela queria proteger aqueles que ela não desconfiava.
- Claro. – ele e Frank disseram em uníssono.
- Ainda resta eu e Jason. – completou Piper.
- Piper, eu vou precisar de você aqui. Quero saber outros locais onde posso achar mais materiais. Sua ajuda seria útil lá em baixo. Alguma cidade pode ter o que eu preciso. – disse Leo.
- Eu poderia fazer uma ronda em Épiro. – sugeriu Jason.
- Sozinho? – perguntou o Treinador.
Nico começou a ter pensamentos sobre a missão. As chances de ele ser capturado novamente eram altas, já que ele era o único que sabia a localização das Portas. Talvez se Jason descobrisse também, poderia dividir essa responsabilidade.
- Exatamente. É um trabalho que somente o Jason pode fazer. Ele pode voar se precisar voltar mais rapidamente. Ou mandar uma Mensagem de Íris. – respondeu Nico.
- Hum, está bem. – concordou o sátiro.
- Então está decidido. Hazel, Nico e Frank irão para o Monte Parnaso buscar o Bronze Celestial. Eu e Leo vamos pra cidade buscar cal, aço e outros materiais. Jason e o Treinador ficarão aqui arrumando o navio e como seguranças até que alguma equipe retorne. Então o Jason vai para Épiro, tentar descobrir uma forma de entrarmos no templo subterrâneo e como proteger os mortais. – resumiu Piper.
Quando Nico terminou seu café da manhã, um alarme soou.
- Enfim chegamos. Bem vindos à Grécia. – anunciou Leo.
Todos eles correram para o convés principal e de lá se espalharam. “A vista do lugar era incrível”, pensou Nico. Os prédios bem arrumados, as igrejas brilhando ao sol. Turistas andando por todos os lados e conversando.
- Que cidade bonita, seria uma pena se os Gigantes a destruíssem. – zombou Leo.
Nico não segurou o riso, assim como todos no navio.
- Onde vamos pousar Leo? – quis saber Hazel.
- Vamos precisar de um local distante dos mortais.
Eles pousaram o navio em um pequeno morro nas proximidades da fronteira Grécia — Albânia. Eram oito horas da manhã do dia 10.
- Acho que as viagens podem durar mais de um dia. Vamos levar alguns mantimentos se não voltarmos até o anoitecer.
Nico voltou pra sua cabine e juntou o que tinha: Uma mochila, um saco de dormir, sua espada de ferro estígio, um saco de ambrosia, um cantil de néctar, uma muda de roupa, dinheiro mortal, dracmas, comida, água e refrigerante. Colocou também um pequeno presente que ele carrega desde os 13 anos, como um amuleto.
Ele saiu da cabine e seguiu para o convés, onde Frank aguardava os outros. Leo estava conversando com ele e entregou uma mochila vazia pra Frank.
- O que é isso? – Nico quis saber.
- Uma das minhas invenções. – respondeu Leo.
- É uma mochila mágica. Poderemos colocar tudo que vamos pegar aqui dentro, sem carregar muito peso. – completou Frank.
Hazel se aproximou com uma mochila marrom nas costas. Seu cabelo estava solto em uma cascata de cachos e os olhos dourados brilhavam.
- Vamos. – ela disse.
- Mas como? – Nico quis saber.
Hazel assobiou. Um borrão castanho se materializou ao lado deles, fazendo Nico saltar pra trás. A filha de Plutão montou no cavalo e ajudou o irmão a subir.
- Frank, você nos acompanha...
- Na forma de águia. – ele completou.
Nico teve a leve impressão de que o grandalhão tinha medo do cavalo e soltou um leve sorriso com o pensamento.
- Nico, se segure. – a irmã alertou.
O cavalo pulou do navio com tanta rapidez que Nico quase ficou, mas se agarrou com força na cintura de Hazel. Ele olhou pra cima e viu Frank em forma de águia seguindo eles. Eles estavam se movendo com uma velocidade assustadora e Nico sentiu vertigem ao tentar olhar a paisagem, que virou um borrão.
Até agora tudo estava bem. Nico começou a pensar que tudo daria certo, mas estava errado. Arion teve que desacelerar e acabou esmagando alguma coisa com um “tump” doloroso. A criatura virou um pequeno monte de pó.
- O que é isso? – Hazel perguntou.
Nico se lembrou daquela coisa. Alguns deles o escoltou para o mundo mortal.
- São os capachos dos Gigantes. – Nico respondeu.
Os monstros eram criaturas híbridas horrorosas. Tinham metade do corpo em forma de javali e a outra em forma de uma arma. Um tinha adagas no lugar das presas; outro tinha um chicote no rabo; o terceiro tinha a cabeça de machado; os outros eram misturas tão horrendas que Nico sentia enjoo só de pensar.
- Não parecem muito amigáveis. – disse Hazel.
Antes de qualquer coisa, um lobo gigante surgiu e começou a atacar os híbridos. Hazel desceu do cavalo e sacou sua espada de cavalaria. Nico também pegou sua espada de ferro estígio e se juntou a luta. Um deles quase acertou a cabeça dele, mas Arion golpeou o monstro com um coice. Nico o espetou com a espada, absorvendo a essência dele. O lobo destroçou mais três e começou a mudar até virar um enorme elefante.
Nico conseguiu destruir mais outros cinco fazendo um arco no ar com a espada, atingindo os monstros que saltaram para pega-lo.
- Temos que acabar com isso. – gritou Hazel, na esquerda dele.
Frank surgiu na forma humana, sacou o arco e lançou uma flecha no centro do grupo das criaturas. A flecha explodiu, transformando em pó os monstros mais próximos e lançando os outros em direção as espadas de Nico e Hazel.
- Problema resolvido. – disse Frank, com um sorriso.
Nico achou ele cada vez mais parecido com Leo. Ficou pensando se também iria virar um palhaço também, contando com a possibilidade de ele conseguir sobreviver.
- Onde estamos? – perguntou Hazel, tirando Nico de seus pensamentos.
Frank virou um gavião e voou em círculo. Depois desceu, pegou um mapa dentro da mochila, analisou por alguns segundos, olhou para os montes e colinas ao redor, depois voltou os olhos novamente para o mapa e levantou o rosto com um sorriso.
- Chegamos. – ele respondeu e apontou para o maior dos montes.
- O Monte Parnaso. Espero que não tenhamos problemas aqui. – disse Nico.
Notas finais
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