A Casa De Hades
25 Capítulo 27 - Percy
Notas iniciais
Percy
Percy acordou a primeira luz da alvorada. Ele se esgueirou até a cabine de Annabeth e a acordou.
- Chegamos Sabidinha. – ele falou.
Os dois foram até o convés e se juntaram aos outros. Percy estava tentando o tempo todo controlar Annabeth para ela não pular no pescoço da deusa, mesmo ele também se sentisse tentado a fazer o mesmo.
- O Argo II ficará aqui enquanto descemos para o Mundo Inferior. – disse Leo, apontando para o pequeno morro onde eles estavam. – O navio ficará protegido com o campo de força, bloqueando qualquer plano de Gaia.
- Levem tudo que precisarem, não teremos tempo pra voltar antes de terminar. – aconselhou Hera.
Percy voltou pra cabine e colocou dois pares de roupa extra, um cantil de néctar, ambrosia e comida. Foi até o arsenal, pegou um escudo comum de bronze, cinco metros de corda e vasculhou a estante até achar um pequeno frasco e guardando rapidamente na mochila.
A equipe entrou pelas infinitas ruas até chegarem aos Estúdios de Gravações M.A.C. Percy se lembrava de quando tinha ido ali com Annabeth e Grover. Ela também parecia ter recordado da missão, porque apertou com força a mão dele. Percy ficou pensando onde estaria seu melhor amigo, em algum lugar do mundo.
- Parece que foi a cem anos que estivemos aqui. – ele sussurrou pra ela.
- Vamos continuar. – ela sussurrou de volta.
Caronte estava sentado no banco, lendo um enorme livro de capa dura.
- Você de novo, Perseu Jackson. – disse o deus.
Hera o interrompeu antes de ele pensar qualquer coisa.
- Caronte, preciso que nos leve para o Hades. — disse a deusa.
- E o que vocês vão me dar em troca? – ele questionou.
- Eu sou filho do seu mestre e ordeno que nos leve. – disse Nico.
Leo deixou vinte dracmas sobre a mesa. O deus pegou todas, escondeu no manto e os levou até o elevador.
- Comportem-se pestes ou deixo todos aqui por mais quinhentos anos. – rugiu Caronte.
Percy sentiu a mesma tontura que o afetou na primeira vez que ele passou por ali. Num piscar de olhos, eles estavam no Rio Estige. Eles navegaram por alguns minutos e desembocaram na praia de areia vulcânica. Os Muros de Érebo se erguiam altos à frente.
- Eu sei o caminho, sigam-me. – disse Nico.
O garoto sacou a espada e os mortos abriram caminho para eles. Piper, Annabeth, Calipso e Hera ficaram no meio, enquanto Percy e Leo fechavam a retaguarda. Percy reparou no tridente que o garoto carregava e ficou curioso, porque não se lembrava da existência da arma antes de cair no Tártaro.
- Onde conseguiu essa arma? – perguntou.
Leo apertou a haste da arma.
- Foi um presente de Céos antes de ele ficar preso nas Portas. – ele respondeu.
Se lembrar das Portas da More fez o estômago de Percy revirar. Aquele lugar era carregado de magia antiga e poderosa. Ficou triste quando Frank, Hazel, Giges, Jon, Perseu, Arion e todos os outros surgiram em sua mente. Todos aqueles que esperavam conseguir ver a luz do sol novamente se sacrificaram por ele.
- Espero que Hazel, Frank e os outros estejam bem. – Percy confessou.
- Nico disse que um dos semideuses morreu. Pode ter sido um deles ou Perseu. – disse Leo.
Caminharam em silêncio durante um bom tempo. Quando Percy se deu conta, eles atravessavam o Elísio.
- Aqui que vocês vão acabar se morrerem. – disse Hera, apontando para o lugar. – Espero que terminem o trabalho antes de partirem.
Annabeth iria espancar a Rainha do Olimpo, mas Piper a segurou.
- Mantenham a calma. – falou Calipso em tom doce. – Somos da mesma equipe agora.
Eles chegaram à entrada para o Tártaro depois de alguns minutos. A caverna era ampla, com o chão de pedra escorregadio. Com um arrepio, se lembrou de quando foi atraído pra lá com os amigos pelo maléfico titã Cronos.
- Chegamos. – anunciou Nico.
A borda do lugar era um mar de sombras. Mais abaixo, Percy ouvia monstros sendo torturados e gritando. Tártaro fervia em caos e trevas, aprisionando os monstros em suas jaulas. As línguas garras não estavam à vista, mas Percy sabia que elas estavam ali.
- O que vamos fazer aqui? – Piper perguntou.
Todos se voltaram para Leo. O garoto encolheu os ombros.
- Meu pai disse que tínhamos de vir pra cá.
- Fazer o que? – Annabeth quis saber.
- Algo nos espera, lá embaixo. – respondeu Nico. – Posso sentir.
Durante um momento, ninguém disse nada. Então Hera se pronunciou.
- Ficar aqui não vai adiantar em nada. Seja lá o que for que temos que ver, não virá até nós.
Percy, Nico e Leo pegaram cordas e amarraram uns aos outros. Desceram cerca de trinta metros até um túnel que se abria nas paredes. Calipso os aconselhou a entrar ali e parar.
- Vamos fazer uma pausa aqui, descansaremos e almoçamos.
Eles se desamarraram e montaram acampamento. Percy se deu conta de que estava faminto e exausto quando se sentou no chão. Hera estalou os dedos, mas nada aconteceu.
- Meus poderes estão bloqueados aqui. Não consigo fazer muita coisa. – confessou a deusa.
- Ótimo. Uma deusa sem poderes. Se encontrarmos Porfírion, estamos perdidos. – ironizou Leo.
A Rainha do Olimpo fez uma careta. Annabeth soltou um sorriso.
- Não fale assim Leo. Ela ainda é uma deusa e pode nos ajudar. Além disso, não precisamos do Gigante atrapalhando a gente. – disse Piper.
Eles comeram comidas frias, porque não ousavam acender uma fogueira ali. Percy caminhou até o lado de Calipso, que estava amolando a lâmina da adaga dela.
- O que está achando da missão? – ele perguntou.
- Ah, oi Percy. Estou achando meio calmo até aqui.
- Você e o Nico estão...
A garota ficou vermelha de vergonha.
- Como você sabe?
Percy sorriu.
- Eu não sabia de nada, mas agora sei.
Ela riu e bateu no ombro dele com o cotovelo.
- Sim, estamos juntos. Mas ainda sinto saudades de você Percy.
Percy não sabia o que falar. Ele passou um tempo em Ogígia e a libertou, porém ainda não tinha tido tempo pra falar com ela.
- Amigos? – ele perguntou.
- Amigos. – ela respondeu.
Eles se abraçaram por um momento. Antes de falarem qualquer coisa, o túnel estremeceu. Do fundo, algo se movia na direção deles, algo grande e pesado.
- Preparem-se – avisou Hera.
Os heróis sacaram as armas e aguardaram. Quando saíram das sombras, Percy soltou um arquejo.
Notas finais
Agora vou matar vocês de curiosidade. Quem será que chegou?
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