A Casa Das Máscaras
6 Capítulo 6
Andreas
“Bonjour, mon amour,” Falei num gracejo ao atender meu celular.
“Se algum de seus clientes acredita nesse sotaque, eu ficarei impressionado.” Desmond falou, seco como sempre. “Andreas, a Casa das Máscaras voltará a abrir hoje à noite. Quero você aqui.”
“Ah, sério, Desmond! Não dava para ter esperado até amanhã? Estou podre!” Reclamei. Era quinta-feira, e essa primeira semana de aulas havia me esgotado.
David parecia estranhamente quieto, o que era bom, pois eu tinha medo de perdermos o controle juntos e eu acabar ainda mais exausto e machucado. Não sou imune a caras gostosos, afinal. Mas ele chegava ao dormitório sempre exausto das aulas e dos treinos, tomava um banho e caía duro na cama depois de conversamos um pouco. Queria ver como seria quando precisasse começar a estudar.
“Hoje à noite. Esteja lá antes das sete.” Desmond enfatizou antes de desligar.
Eu suspirei. Ainda sentia meu ânus dolorido do final de semana. Precisei inclusive comprar um produto para passar nele, meu final de semana passado não havia sido fácil nem para mim! Se bem que Louis não contava muito. Eu me arrastei para a última aula da tarde, não querendo que a noite chegasse. Sabe quando você não está com humor para nada?
“Nossa, Andreas, você ficou com uma expressão de enterro depois dessa ligação!” Disse meu colega de curso, encarando-me preocupado. Era um rapaz mais ou menos da minha altura, só que tinha os cabelos acastanhados, olhos negros, e não malhava, o que o deixava um tanto magrelo. Era oriental e usava óculos. Eu o achava bonitinho e fofo. “Está tudo bem?”
“Tudo okay. Era o... meu pai. Ele pediu que eu fosse ajudar minha mãe na loja hoje depois da aula, e eu ‘to exausto.” Inventei rápido. Sempre fui bom em mentir e atuar. Talvez eu devesse estar fazendo faculdade de artes cênicas.
“Ah, que coisa. Se você quiser, eu posso ir te ajudar.” Ele disse solícito.
Eu parei, imaginando como ele me ajudaria. Só se fosse segurando o pinto de algum cliente para ajudar na penetração. A imagem mental disso me fez gargalhar. Christian me encarou como se eu fosse louco, ou coisa que o valha, e eu passei um braço por seus ombros, voltando a caminhar.
“Aproveita a noite para terminar o trabalho para amanhã. Se você quer ajudar, coloca meu nome, assim eu não fico com zero no meu primeiro trabalho do ano.” Eu sugeri.
“Tudo bem...” Ele disse meio contrariado. Afinal, nós mal nos conhecíamos e eu já estava abusando da boa vontade dele. Mas o que posso dizer? Eu sempre fui um tanto cara de pau. Se não fosse por isso, eu sequer teria conseguido trabalhar na casa de prostituição mais cara e frequentada do país.
Ainda lembro como se fosse ontem.
Eu estava precisando desesperadamente de dinheiro. Minhas irmãs tinham três anos, e uma delas morreria muito cedo se nós não arranjássemos o dinheiro. Meu pai inventou de se meter com um agiota, e logo estávamos endividados e ferrados, pois com a grana que minha mãe ganhava como atendente nós mal conseguíamos nos sustentar. Eu tinha quinze anos na época e trabalhava em um posto de gasolina.
Um dia um carro luxuoso e caro parou para abastecer, e uma mulher extremamente bonita e arrumada saiu do banco de passageiro e foi em direção à lojinha de conveniência do posto. Eu a fiquei olhando embasbacado. Eu já sabia que era gay, mas mesmo assim, eu nunca tinha visto uma mulher tão bonita quanto aquela. O vidro do carro baixou e o homem por trás dele me encarou com certa diversão.
“Gosta do que vê?” Ele perguntou.
Eu levei um susto e avermelhei por ter sido pego no flagra olhando a mulher do homem.
“Ela é muito bonita, senhor.” Falei humildemente, não querendo levar um soco nas fuças.
“É uma prostituta. Você pode ter se pagar.” Ele estava tirando com a minha cara, é claro. Imagine se um frentista ia poder pagar por uma mulher daquelas. “Ela me custou uma fortuna.” Ele suspirou, exibindo-se.
“Quanto?” Eu perguntei interessado, mas era outra ideia que surgia na minha mente. O homem riu com gosto.
“Vinte mil, por uma semana inteira.” Falou, balançando a cabeça. “se a minha mulher descobre... mas ela está quase do outro lado do mundo, então suponho que não tenho risco de ser descoberto, não é?” Ele piscou.
Eu estava em choque. Vinte mil? Havia prostitutos que ganhavam vinte mil numa única semana? Meu queixo estava caído. Se eu conseguisse ganhar metade disso por mês, poderia ajudar meus pais a salvar a vida da minha irmã. Eu olhei em desespero para o homem.
“Onde? Onde que eu vou para... ter uma como ela?” Perguntei. Não ia dizer que queria era me vender para o cafetão da moça. O homem provavelmente riria da minha cara. Ele riu de qualquer forma, para falar a verdade, mas pegou um cartão da carteira e entregou a mim.
“Se tiver dinheiro para pagar...” Falou, e fechou o vidro quando a moça retornou e entrou no carro.
Eu olhei para o cartão.
A Casa das Máscaras.
Desmond S. Chavelier.
Havia um número e um endereço também. Depois que a cafetinagem saíra da ilegalidade no país, até cartõezinhos já eram distribuídos assim livremente. Eu ri disso e guardei o papel no bolso.
Eu saí do posto no final do meu turno e fui direto para o lugar do endereço, deparando-me com uma espécie de mansão moderna e requintada. Era cedo ainda, o dia estava claro e as portas do lugar, fechadas. Mesmo assim eu disse ao porteiro que gostaria de falar com Desmond. O homem olhou para mim e gargalhou, dizendo para eu voltar para a vila da onde havia saído. Senti vontade de chutar as bolas do troglodita.
Não sou do tipo que desiste fácil, então me escondi numa moita perto da entrada e esperei até que algum carro chegasse, o que, para minha sorte, não demorou mais do que vinte minutos. Quando o carro parou na entrada, o portão começou a abrir e eu me esgueirei para dentro da propriedade. Segui por um caminho protegido por árvores e moitas até alcançar a entrada da mansão. O carro parou em frente às escadarias e um homem bem-vestido e apessoado, de longos cabelos ruivos amarrados rigidamente às costas saiu dele. Foi quando eu espirrei escandalosamente – sou alérgico ao pólen, e havia me escondido bem atrás de uma moita cheia de flores.
“O que é isso?” Ouvi a voz fria.
Certo. Meu plano acabava aí. O que eu faria agora? Pularia do meu esconderijo e diria ‘Surpresa!’?
É. Foi o que eu fiz. Ou mais ou menos isso.
Saí de trás da moita e corri até estar cara a cara com o ruivo. Ele parecia um lorde, e ainda segurava uma espécie de bengala, com uma pequena bola de metal cravejada de joias na ponta.
“Olá.” Falei simpático. “Você é Desmond S. Chavalier?”
“Pois não.” Ele disse, encarando-me em dúvida. “Este seria eu, sim.”
Abri um imenso sorriso.
“Eu quero trabalhar para você!” Falei numa exclamação ansiosa. Desmond ergueu as sobrancelhas e me olhou de cima abaixo. Eu estava sujo, pobremente vestido e, reparei no reflexo do visor do carro, com uma mancha de óleo no rosto. Limpei-a rapidamente.
“Alguém tire esse rapaz daqui.” Desmond falou, virando-se em direção às escadas de entrada. Um homem veio me segurar para me levar para fora, mas eu o contornei rápido e alcancei Desmond.
“Não, por favor! Você não está entendendo, eu preciso do dinheiro! E eu sou bom de cama, todo mundo com quem eu já transei me garantiu isso!” Isso era uma bela mentira. Eu só havia transado com três garotos diferentes até aquele momento, e eles não haviam salientado nada sobre meu desempenho na cama. “Eu posso valer vinte mil!”
Desmond parou no meio das escadas e me olhou novamente.
“Vinte mil?” Ele afastou meus cabelos da testa e seu olhar frio permaneceu no meu rosto por vários minutos, mas eu o encarei sem desviar o olhar. “Acha mesmo que é tão bom assim?”
“Acho.” Falei convicto. Eu não tinha ideia de onde estava me metendo.
Sem mudar a expressão, Desmond pegou meu braço e começou a me arrastar com ele.
“Vamos ver o que pode fazer.” Entramos na mansão.
Era um lugar incrível, ricamente decorado, com pinturas nas paredes e várias salas, cada uma delas com um fim diferente. Desmond me levou até o que parecia ser seu escritório, carregando-me pelo braço sob o olhar de algumas outras pessoas ali dentro – todas extremamente bonitas. Assim que entramos no cômodo de móveis escuros, em mogno, Desmond tirou seu casaco e o jogou sobre um divã perto da janela, que mostrava um jardim de filmes de romance – caminhos de pedras, arbustos verdes nos mais diversos formatos, uma fonte.
“Você pode tirar suas roupas.” Ele ordenou, arrancando-me de minha observação. Arregalei os olhos, permanecendo parado, olhando-o em choque. “O que foi? Se quer se prostituir, tirar as roupas não deveria ser um pedido tão surpreendente. Terá de fazer muito isso.”
“Eu sei disso.” Resmunguei, irritado. Tirei a camisa e as calças depois dos tênis, e então abaixei as cuecas, sob o olhar frio e sem emoção de Desmond. Ele não demonstrou nada, nem aprovação, nem rejeição pelo que via.
Estremeci quando ele se aproximou e me contornou, seu olhar me analisando criticamente.
“Você ao menos poderia ter tomado um banho antes de vir até aqui.” Ele recriminou segurando meu pulso e erguendo minha mão suja de frentista.
Eu mordi o lábio inferior, ciente de que ele tinha razão. Fiquei tão ansioso com a ideia de ganhar uma grana vultosa por mês, que nem pensei direito no que estava fazendo ao ir até ali. Acho que só entendi de verdade no que estava me metendo quando senti a mão dele em meu pescoço, e então em meu ombro, deixando-me arrepiado.
“Hm. Responde bem ao toque. Os clientes gostam disso.” Ele falou, passando suavemente as pontas dos dedos pelos pelinhos quase imperceptivelmente arrepiados em minha nuca. “Então não é mais virgem? Com quem fez: garoto ou garota?”
“Garotos.” Tremi enquanto ele descia a mão. “Só três.” Admiti. “Mas eles adoraram!”
“Passivo ou ativo?” Ele quis saber, com sua mão já tocando minha bunda, apertando em cheio minha nádega. Eu não acreditei que estava me submetendo a esse tipo de entrevista de emprego. E o pior é que eu estava ficando excitado.
“Ativo... com os três.”
Isso pareceu surpreendê-lo. Ele deslizou os dedos longos por entre meus glúteos e enfiou um em mim. Eu gemi e tentei me afastar, mas ele me segurou no lugar. Colocou um dedo, e depois o outro, e apertou bruscamente minha próstata, parecendo saber o local exato dela. Eu levei as mãos à boca para impedir de gemer, mas até isso ele vetou. Na verdade, parecia justamente querer me ouvir gemendo. E assim que ele ouviu o que queria, retirou os dedos e os limpou com um paninho que tinha no bolso, para depois jogar o pano no lixo.
Parou bem à minha frente.
“Quantos anos você tem?”
“Erm... dezoito?”
“A verdade agora.” Ele exigiu.
Suspirei, deixando os ombros caírem.
“Quinze.”
“Alguma DST?”
“Não! Eu sempre me cuidei!” Garanti, e era verdade. Eu estava limpo.
"Escolaridade? Estudos?"
"Estou cursando o colégio Farlen River. Eu gosto bastante de ler e me manter informado. Não sou um pobretão analfabeto." Disse, convicto. Eu era apenas pobretão.
Desmond me encarou por um momento, ilegível, provavelmente pensando que precisava me testar quanto a isso. E ele realmente testou, mais tarde. Então por fim, perguntou:
“E seu nome?”
“Andreas Deres...”
“Muito bem, Andreas.” Desmond se afastou um pouco, indo se servir de conhaque, ou algo do tipo. “Você é muito bonito, tem um corpo atraente, um dos mais atraentes que já vi para um garoto, e a idade é de menos. Eu tenho colaboração de muitos juízes e gente da polícia para manter meu negócio.” Ele bebeu calmamente. “Se você quer mesmo esse emprego, ele pode ser seu, desde que passe pelo teste.”
“Qual teste?” Perguntei ansioso.
“Eu sou o teste. Se você me agradar, é porque tem condições de trabalhar aqui.” Desmond falou, abaixando o copo e me olhando intensamente. Pisquei, aturdido, até digerir suas palavras.
“Transar com você?”
Ele não respondeu, mas ficou claro que era isso. Ele se apoiou a mesa do escritório e ficou me olhando, sério, seco, sem nada dizer. Estava testando minha segurança e iniciativa. Meu coração disparou, mas obriguei minhas pernas a me levarem até ele. Ele continuou mortalmente sério enquanto eu desabotoava sua camiseta social e tirava seu cinto. Ergui o rosto e vi seus olhos azul-claros sem brilho cravados em mim, e me senti completamente sem jeito. Respirei fundo e voltei a me concentrar apenas no que precisava fazer.
Me ajoelhei na frente dele e segurei seu membro, que já estava meio duro – algo que me deixou um pouco mais confiante. Bombeei um pouco com a mão, enrijecendo-o mais, nervoso ao reparar no tamanho e imaginar aquilo ali dentro de mim, pois era óbvio que eu não seria o ativo naquele pequeno teste. Coloquei na boca e comecei a chupar, tentando colocar o mais fundo que pude.
Desmond não fez nada. Não moveu o quadril, não segurou meus cabelos, nem emitiu nenhum som. Era como se aquilo não o afetasse em nada. Comecei a me desesperar, chupando com mais velocidade e pressão, segurando seu pênis grosso pela base e girando a mão ao redor dele, estocando junto com a minha boca, tentando arrancar alguma reação de Desmond. Eu queria passar no teste.
Antes que eu conseguisse fazê-lo gozar, ele me puxou, encarando-me com a expressão fechada.
“Isso qualquer garoto de esquina faz, Andreas. Terá de fazer melhor do que isso se quiser trabalhar aqui e não para algum cafetão de baixo nível que vai te bater por qualquer coisa e te entregar nas mãos de homens que não vão se importar de te fazer sangrar e chorar enquanto te comem.” Desmond me soltou, quase me fazendo cair no chão. Eu entrei em desespero, sem saber o que fazer para agradá-lo.
‘Vamos lá, Andreas. Você pode fazer um homem desses gozar.’ Pensei.
Segurei a mão dele e o levei até o divã, empurrando-o contra o estofado macio, deitando-o lentamente enquanto subia em cima dele. Comecei a ondular o corpo por sobre o dele, com minhas mãos apoiadas nos lados da cabeça dele. Encarei-o diretamente nos olhos, desafiando-o enquanto meu pênis esfregava-se ao dele pelo movimento ondulado do meu quadril. Segurei os dois juntos e comecei a gemer, aproximando minha boca da dele, meus olhos ainda presos ao olhar gelado do homem.
As mãos antes inertes dele subiram pelas minhas coxas, e eu ofeguei contra sua boca, ondulando meu quadril mais lenta e sensualmente enquanto as mãos grandes subiam pelas minhas costas. Uma delas enganchou-se em meus cabelos, arrancando-me uma careta de dor e um gemido baixo, e ele puxou meu rosto, já abocanhando meus lábios em um beijo feroz, que tirou todo meu fôlego. Tentei corresponder com urgência, engalfinhando minha língua na dele, não o deixando me dominar. Mas quando ele usou a outra mão para tocar a pele sensível entre meus glúteos, eu cedi à carícia.
Tirei a boca da dele, gemendo e tentando puxar o ar com dificuldade. Seus lábios desceram ao meu pescoço, arrepiando-me inteiro com os leves arranhões de seus dentes. Eu acabei aumentando o ritmo contra seu pênis, sentindo uma vontade louca de me liberar e fazê-lo gozar junto comigo. Mas então ele me segurou pelo quadril, impedindo-me.
“Isso é o suficiente.” Ele me empurrou gentilmente e se levantou. Eu permaneci no divã, aturdido, excitado e confuso enquanto ele fechava as calças e se afastava. “Recoloque suas roupas. Você está contratado.”
“Mas...”
“Eu não transo com menores de idade.” Ele falou e se sentou na poltrona preta e confortável atrás da mesa, usando um álcool gel num vidrinho para limpar as mãos. “Apenas os vendo. Agora, se arrume. Vou lhe explicar tudo que precisa saber para trabalhar aqui.”
Trêmulo e confuso, eu catei minhas roupas e me vesti rapidamente. Desmond demorou mais de uma hora para me explicar tudo, mas quando eu saí dali, eu estava empregado em um lugar que me pagaria dez mil por mês, fixo, a princípio, sem contar os bônus que poderia ganhar se agradasse determinados clientes mais importantes. Era melhor do que eu esperava.
E eu não me arrependi de ter procurado Desmond. Ele era frio, calculista e difícil de agradar, mas era justo, e realmente cuidava daqueles que trabalhavam para ele. Ele tinha muito poder e influência entre as pessoas importantes e poderosas, e não vivia apenas da prostituição, mas eu não sabia em o que mais ele era envolvido, e nunca me importei em perguntar. Essas coisas é melhor não saber. Só havia uma coisa que me incomodava sobre ele: Desmond nunca quis terminar o que havíamos começado. Eu já havia tentado provocá-lo, mas não conseguia arrancar-lhe nenhuma reação. Isso feria meu orgulho, e às vezes brigávamos por isso.
Desmond era poderoso, inteligente, elegante e frio. Uma combinação que o deixava terrivelmente charmoso e irresistível, mesmo com seus já quase quarenta anos. Toda vez que eu estava com ele, sentia calafrios e vontade que ele exigisse outro teste. Mas era inútil. Ele nunca mais havia me tocado desde então, e não parecia sentir vontade. Mas era até melhor, eu gostava de estar com ele por causa disso. Se ele realizasse minhas fantasias, toda a graça iria para o espaço. De certa forma, eu me sentia seguro perto dele.
Eu me arrumei para ir para a Casa das Máscaras antes que David aparecesse no dormitório. Eu sabia que eventualmente ele apareceria no bordel, assim que descobrisse que as portas estavam abertas de novo. Eu esperava que isso demorasse. Eu havia gostado de David, e seria meio estranho ele vir a Casa das Máscaras, transar comigo, e depois eu ter que vê-lo todos os dias. Eu não estava acostumado a isso. Eu sempre transava e nunca mais via o cliente, ou sequer via seu rosto. A exceção dos poucos clientes que eu tinha por fora – cerca de cinco, mas apenas dois mais frequentes, Louis e Frank, o homem que perdera o esposo.
Quando eu estava saindo do dormitório, Christian apareceu na minha frente.
“Eu vou colocar o seu nome no trabalho, mas com uma condição.” Ele disse, corando.
“O que foi?” Perguntei, franzindo a testa.
“Você... você vai ter de... Sair comigo esse final de semana.” Ele falou meio gaguejando, abaixando o olhar.
Eu o encarei incrédulo, antes de abrir um sorriso. Não havia percebido que ele era gay, apesar do jeito fofo.
“Sério?”
“Vai ter uma exposição de cachorros... minha mãe que organizou. É com cachorros de rua, sabe. Uma ONG que ajuda os bichinhos. Seria legal se fôssemos juntos, é num parque, haverá mais coisas para se fazer também...” Ele falou acanhado, mordendo o lábio. Eu senti vontade de segurar o rosto dele e beijá-lo ali mesmo, tão adorável ele era, mas isso provavelmente o assustaria.
“Claro, Chris. Vai ser legal.” Garanti. Ele ergueu o olhar e me encarou com um sorriso radiante. Aí se despediu e meio que saiu correndo, como uma colegial envergonhada. Eu ri, balançando a cabeça. A verdade é que eu tinha uma queda enorme por garotos assim, fofinhos. Talvez porque os grandões sempre me vissem exatamente dessa forma. Só que eu não sou fofo. Posso ser, se o cliente quiser, mas... No fundo, eu devo ser o garoto mais bagaceiro e safado dessa universidade. Não que eu veja algum mal nisso.
Peguei um táxi e fui até a Casa das Máscaras. Agora eu era bem recepcionado pelo porteiro e as portas grandes e duplas da entrada se abriam para mim como se eu fosse um rei. Quando entrei no salão principal, onde geralmente o grosso das pessoas ficava, até para ver as apresentações dos acompanhantes em um palco, e participar dos leilões, encontrei três colegas de trabalho.
Colton Hartel, um moreno de olhos verdes que tinha um corpo bronzeado e esbelto muito sexy. Jessica Guerra, uma ruiva com o rosto repleto de sardas, lábios grossos e vermelhos e um corpo de curvas sinuosas. E por fim, Mieko Taekema, uma oriental de cabelos e olhos negros, rosto arredondado e seios fartos. Ainda hoje eu me impressionava em como todos naquele lugar eram incrivelmente atraentes.
“Adônis!” Mieko, cujo apelido ali era Lótus, exclamou ao me ver. “Você ainda não está arrumado! Hoje a casa vai abrir mais cedo!”
“Ele está sempre atrasado.” Jessica desprezou, balançando a cabeça.
“Agora eu estou na faculdade. Sou um rapaz compromissado.” Falei e, assim que estava mais perto do sofá onde eles estavam jogados, Colton me puxou para seu colo, já me segurando possessivamente.
“Olá, gostosura. Sentiu minha falta?” Ele perguntou, lambendo meu pescoço. Eu ri.
“Não mesmo.” O empurrei e ele riu também. Colton adorava implicar, mas nós ficávamos na base da amizade.
“Você deveria ter chegado mais cedo.” Ele reclamou. “Estávamos aqui colocando as fofocas em dia. Parece que a Mieko arranjou um namorado. Ele só não sabe que ela trabalha aqui.”
“Ah, traz ele aqui um dia. Aposto que ele vai adorar.” Zombei, e acabei levando um tapa merecido.
“Vai, Andreas. Conta as novidades. Como é a faculdade? Algum cara bonitinho?” Jessica apoiou o queixo nos punhos fechados e piscou os cílios para mim.
“É, conta aí o que você andou aprontando.” Colton me empurrou com o ombro.
“Bem. Meu colega de quarto é um dos caras com quem transei aqui no bordel.” Falei, arrancando exclamações de incredulidade dos três. “De alguma forma eu acabei transando com um amigo dele – que é bem legal por sinal – na frente dele, enquanto o chupava, e ainda ganhei uma grana gorda por isso.” Outras exclamações. “E hoje antes de vir um colega todo bonitinho me convidou para sair no final de semana, em troca de colocar meu nome em um trabalho. As aulas são bem interessantes também, um dos professores já deu em cima de mim.”
“Sua vida é sempre a mais animada.” Mieko balançou a cabeça. “Será que só comigo nunca acontece nada de emocionante?” Reclamou.
Nós ficamos mais um tempo conversando até outra acompanhante aparecer e me informar que Desmond queria falar comigo no escritório dele. Jessica e Mieko resolveram continuar a ensaiar a apresentação da noite junto com Colton, e eu fui ver o que o chefe queria.
“Entre, Andreas.” Desmond falou quando bati na porta.
“O que foi?” Perguntei, indo me sentar na cadeira em frente à mesa do escritório. Ele estava sentado em sua poltrona enorme. Eu morria de curiosidade de experimentar sentar nela também, mas ele provavelmente não ficaria muito feliz com isso.
“Hoje você vai se deitar com um homem de extrema importância. Preciso que o agrade. Chama-se Julian Lasmanis. Tenho negócios pendentes com ele, e preciso que você o convença de que seguir em frente com eles será muito lucrativo.” Desmond falou, sério.
“Sem problemas.” Eu falei. “Você sabe que eu sou bom em agradar. Ou melhor, não sabe, já que nunca quis experimentar...” Eu sorri o mais inocente possível quando ele me encarou daquele jeito frio e seco dele, mas com um rápido brilho nos olhos azuis.
“Vá se arrumar, Andreas. Esteja impecável hoje.” Ele pediu.
Eu me levantei, saí dali e fui ficar impecável.
XxX
Eu agradei ao tal cliente, o que foi bem fácil. O homem primeiro quis conversar, e como eu sempre tive facilidade para manter quase todos os tipos de conversa, ele gostou de mim e quis ir adiante. Julian era dócil na cama, e nem sequer tentou tirar minha máscara. Beijou todo meu corpo e disse que eu era o garoto mais lindo que já havia visto na vida, mesmo com a máscara. Banquei o inocente com ele, pois vi que ele se excitava quando eu parecia tímido em tocá-lo. O mais interessante foi que ele era alto e até gostoso para um velhote, mas quis ser o passivo. Foi bem tranquilo mesmo. Não a forma que eu o comi, claro, caras assim gostam de um pau bem enfiado na bunda. Mas você me entendeu.
Quando saí do quarto dele, ele havia me garantido que continuaria os negócios com Desmond. Eu voltei a caminhar pela casa e fui até o salão principal, ainda a tempo de assistir a algumas apresentações e danças eróticas. A maioria das pessoas ali já havia tirado as máscaras, a exceção de quem realmente trabalhava na casa. Eu me apoiei ao balcão e suspirei, pela primeira vez realmente cansado. E eu ainda teria aula no dia seguinte.
“Andreas?”
Eu me sobressaltei ao escutar meu nome. Me virei e vi que era o David, sem máscara.
“Não use meu nome aqui, idiota!” Rosnei.
“Desculpe.” Ele parou próximo a mim. “Estava te procurando.”
“Eu estava com um cliente importante. Dime, poderia me conseguir uma bebida bem forte?” Perguntei ao homem que atendia no balcão.
“Adônis, você sabe que o chefe não gosta que vocês bebam demais.”
“Eu já terminei pela noite, Dime. Por favor, estou realmente precisando.” Pedi esgotado. Dime me olhou avaliativamente, mas acabou me servindo um drinque. David pediu um também.
“Está tudo bem?” Ele perguntou quando virei a bebida de uma única vez.
“Sim. Tudo ótimo.” Não menti. Desmond ficaria satisfeito comigo, e eu provavelmente ganharia um ‘trocado’ extra aquele mês. “Não encontrou ninguém para você hoje?” O olhei de esguelha com um sorriso torto. Ele se aproximou e eu estremeci quando passou os braços pela minha cintura, abraçando-me por trás. Eu não me lembrava de ter ficado tão arrepiado com um beijo na nuca, e isso me surpreendeu. Suspirei, inclinando a cabeça e deixando que ele percorresse meu pescoço com os lábios quentes.
“Encontrei agora.” David sussurrou perto do meu ouvido. Eu derreti com os toques dele, era difícil resistir a ele. David era lindo, a começar por aí. Seu olhar parecia queimar e ele me segurava de uma maneira possessiva que me tirava as forças. O problema é que eu já estava terrivelmente cansado e sem condições de transar de novo.
“David...” Chamei. “Sério, eu estou podre.” Girei o banco e fiquei de frente para ele, acomodando-o entre as minhas pernas, e deslizei as mãos por seu peito. “Eu posso te dar prazer, mas não tem como fazermos tudo hoje.” Eu teria de trabalhar no final de semana, oras.
“’Bora achar um quarto, então.” Sorriu malicioso, com as mãos ainda acariciando as laterais do meu corpo. Eu me impulsionei para frente e o abracei, ao mesmo tempo em que enlaçava a cintura dele com as pernas.
“Pode ir atrás de um. Eu vou ficar aqui lambendo teu pescoço pra já ir te deixando animadinho...” Murmurei rouco, começando a lamber a pele ligeiramente salgada e de um aroma amadeirado do pescoço dele. Eu adoro cheiro de macho. Muito melhor do que aqueles perfuminhos enjoativos das garotas.
“Como se eu precisasse disso. Só te olhar para ti eu já tenho que me controlar para não ficar duro.” David me segurou pela bunda, apertando meus glúteos com gula e saindo do salão escurecido comigo dependurado em seu corpo. Eu ri contra a pele dele, sentindo que os pelinhos da nuca se arrepiavam.
“Ah, você é tão gostoso... Só por isso aguento até o final da noite.” Ronronei, mordiscando o lóbulo da orelha dele. Ser carregado daquele jeito já estava me dando uma preguiça, mas as mãos grandes apertando minha bunda me ajudavam a me manter acordado.
“Só por que eu sou gostoso?” David perguntou, largando-me no chão assim que entramos num corredor, o que me arrancou um muxoxo. Eu não estava a fim de andar. Só que antes que eu pudesse reclamar, ele passou um braço pelas minhas costas e outro pelas minhas pernas e me ergueu do chão para o colo dele, agora na posição ‘recém-casados’. “Se você continuasse sussurrando e gemendo no meu pescoço, eu acabaria arrancando a tua roupa e te comendo aqui mesmo no corredor.” Explicou o ato.
Eu ri, deixando minha cabeça pender para trás, e minha mão escorregar para o meio das pernas dele.
“Você é tão necessitado...” O olhei com um sorriso safado. “Adoro isso.”
David quase me deixou cair pelo toque súbito e eu gargalhei cheio de diversão. Estava cansado e com sono, normal que eu começasse a agir feito um bêbado. Continuei a tocá-lo, até que ele soltasse um gemido indecente no meio do corredor, bem quando dois homens e uma garota com a máscara estavam passando por nós. David sorriu sem-graça enquanto eu apertava o volume evidente sob sua calça jeans.
“Você me provoca desse jeito, e ainda me diz que não vai poder rolar penetração...” Ele disse exasperado, voltando a me largar no chão e me prensando na parede antes que eu pudesse retrucar. Já estávamos em um corredor de quartos, mas ele parecia incapaz de esperar que entrássemos em um. Ofeguei com aquele corpo másculo pressionando-se no meu, a ereção evidente contra o meu ventre. De imediato meu corpo acendeu e eu quis mais do que tudo que ele arrancasse minhas roupas e desse um trato em mim.
Controle-se! Você ainda tem todo o final de semana pela frente! Meu lado responsável alertou. Desmond me mataria se eu ficasse acabado logo na primeira noite que a Casa das Máscaras reabria. ‘Tá certo que eu já tinha um fôlego que poucos tinham para sexo, mas eu também não era uma máquina de dar a bunda.
“Não te preocupa que eu sei como te fazer gozar bem gostoso sem precisar rolar até o fim.” Murmurei contra a boca do David.
Sempre desesperado, ele arrancou a minha máscara, jogando-a longe e desceu a boca contra a minha, em um beijo carregado de sensualidade e afobação. Gemi libidinoso enquanto as mãos dele desciam por trás das minhas coxas e me erguiam novamente, agora com as minhas costas pressionadas contra a parede fria. O choque térmico causado pelo corpo quente do David e a parede gelada me causava arrepios, e eu pensava em como gostava da maneira que ele beijava, como se minha boca fosse sua perdição e tivesse o melhor gosto do mundo.
“Pelo amor de Deus, vamos logo para um quarto.” Eu falei já duro também, querendo sentir o corpo dele como veio ao mundo contra o meu. Merda. Eu queria ser fodido naquele minuto. Talvez eu fosse ninfomaníaco.
David me apertou em seus braços, quase me sufocando e tentou a primeira porta do corredor. Felizmente o quarto estava destrancado e vazio e ele mal fechou a porta e já voltou a me agarrar, lutando para arrancar minhas roupas.
“Esperei a semana inteira por isso... Não, esperei desde aquela primeira vez.” Ele disse, abrindo o zíper da minha calça enquanto beijava o meu pescoço de uma maneira que eu sabia que deixaria marcas. Isso não era bom. Os clientes não gostam de acompanhantes muito marcados.
“David... Vê se maneira nesses chupões.” Avisei. É óbvio que ele nem prestou atenção no que eu estava dizendo, então tomei certo controle da situação: agarrei o pênis dele sobre a calça e o empurrei em direção à cama. Aí ele obedeceu rapidinho, com a expressão perdida e paralisada entre o prazer e a tensão de que eu arrancasse o amiguinho dele fora. Até parece que eu faria isso. Jamais negaria à humanidade a existência de um pau como o dele.
Quando o David caiu sentado na cama, abri as calças dele e coloquei o membro já bem rígido para fora. Uma mão trêmula agarrou meus cabelos quando comecei a deslizar a língua por toda a extensão tesa, até chegar à ponta e brincar com a glande, umedecendo-a e circulando-a lentamente, meus olhos voltados para os dele. Ver a expressão de prazer do David e seu tórax subindo e descendo pela respiração alterada me incentivou a colocar todo aquele volume na boca. Ou quase todo, era grande demais para caber inteiro.
“Meu Deus, Andreas...” David murmurou e, segurando com mais força meus cabelos, me empurrou mais fundo contra seu pênis, ditando o ritmo. Gemi obscenamente enquanto o chupava, porque sabia que ele ficava ainda mais duro quando eu gemia feito uma putinha ansiosa.
Quando ele gozou, jogando a cabeça para trás com uma exclamação rouca, eu me ergui e me sentei no colo dele, lambendo os lábios para recolher o resto de porra que havia ali. David deixou as costas caírem contra o colchão, mas rapidamente me segurou e inverteu as posições, me levando mais para o centro da cama.
“David...” Chamei, quando ele começou a morder meu pescoço e afastar minhas pernas. Eu ri. O filho da puta já estava duro de novo. “Você se lembra quando eu disse que nós não íamos...”
Relembrá-lo foi impossível. Minha frase se perdeu em um ofego surpreso quando ele me virou abruptamente e ergueu meu quadril, para então se transformar num gemido lânguido quando ele afundou a língua entre minhas nádegas, as apertando furiosamente com as mãos.
“Não... Isso... David, eu que tenho que te dar prazer...” Gemi perdendo as forças nos braços, tremendo ao ter aquela língua quente fodendo meu ânus. Ele apertou mais minha bunda como se me mandasse calar a boca.
“Eu gosto de te ouvir gemendo por minha causa.” Ele falou malicioso entre uma lambida e outra. Eu já estava praticamente gritando ao mesmo tempo em que me empurrava contra a boca dele. “Gosto de pensar que você geme mais comigo do que com os outros...”
“Hum...” Gemi mordendo os lábios. Não afirmei, nem desmenti. Não era como se eu ficasse contando quantos gemidos eu dava a cada vez que fodia com algum cliente. “Você faz isso muito bem.” Concedi, ofegante. “Mas... Isso não vale. Desse jeito eu vou acabar querendo que você me foda direito... Bem forte, com esse teu pau maravilhoso...”
Gemi, soltando o ar, quando ele me puxou pelos cabelos e grudou minhas costas ao tórax definido dele.
“E você quer que eu me controle, falando essas coisas nesse tom que pede para eu te comer de todas as maneiras possíveis?” Ele perguntou contra meu ouvido, sua voz cheia de desejo, cru e violento. Seu falo pulsava pronto para me penetrar, e eu me esfreguei contra ele no momento em que a mão dele começou a acariciar meu pênis. Meu corpo ardia cheio de tesão; com ele não era fingimento. Era realmente vibrante sentir seu corpo másculo contra o meu. Eram poucos os clientes que não me excitavam, mas com David... Eu poderia transar com ele todo o dia, sem cobrar, se eu pudesse me dar a esse luxo.
“Não tenho jeito.” Murmurei, mais para mim mesmo. “Desmond vai me matar se eu não estiver inteiro para trabalhar amanhã...” É claro que o David mal estava ouvindo o que eu falava. Ele estava mais ocupado em beijar e roçar os caninos no meu ombro e nuca, me masturbar e ficar me provocando com aquele pau duro roçando na minha bunda.
“Você é tão lindo e gostoso...” Ele falou, dando uma mordida mais forte no meu corpo e apertando mais minha ereção. Soltei um gemido agudo e deixei minha cabeça cair contra o ombro dele. “Sempre que eu te olho e estou perto de ti, sinto uma vontade imensa de te beijar e tocar, sentir teu calor. Eu falo a verdade quando digo que nunca senti isso por ninguém antes...”
“Porra, David. Não é hora para poesias.” Reclamei, um tanto incomodado com aquilo. Não exatamente com as palavras dele, mas com aquele tom cheio de paixão. Meu coração começou a bater tão forte que me assustei, assim como meu corpo queimou de dentro para fora. Cheguei a tentar me afastar, um pouco assustado com as reações do meu corpo, mas ele me segurou e virou para ele.
“Você chama isso de poesia?” Ele riu, tocando meu rosto, ao mesmo tempo em que agarrava um de meus glúteos e forçava meu quadril contra o dele, nossas ereções juntas. “Parece que você nunca experimentou um pouco de romantismo durante o sexo. Aliás, acho que já trepou bastante nesses últimos anos, mas acredito que nunca fez isso de uma maneira mais... íntima.”
“Íntima? Mas que porra, e desde quando sexo não é algo íntimo?” Perguntei, enquanto ele ia me empurrando e deitando contra o colchão, deliberadamente lento, aqueles olhos verdes presos aos meus. A maneira como me olhava me deixou sem reação. Nem reclamei quando ele pegou uma camisinha e a vestiu, tampouco tentei impedi-lo quando se deitou sobre meu corpo e, ainda me encarando, afastou e ergueu as minhas pernas, e me penetrou numa única e maravilhosa estocada.
“Você não está entendendo o que estou querendo dizer...” Murmurou no meu ouvido, e estocou de novo. Abri os lábios em um grito mudo, arqueando as costas e afundando as unhas nas costas dele.
“Estou entendendo que você fala demais durante o sexo...” Retruquei, rouco. David riu, e eu o olhei através de pálpebras semi-abertas, vendo seu rosto transparecer perfeitamente o prazer que sentia em se afundar em mim e começar a me foder com estocadas barulhentas, o choque de nossos corpos reverberando pelo quarto.
O agarrei pelos cabelos e comecei a mover o quadril, querendo senti-lo mais dentro de mim.
“David!” Gritei, fechando os olhos e gemendo alto quando ele atingiu minha próstata. Ele logo entendeu o que havia acertado em cheio e passou a se mover mais rápido, atingindo aquele ponto com uma fúria apaixonada. “Ah... meu Deus... David...!” Comecei a gritar um monte de baixarias, enquanto gemia obsceno até para meus próprios ouvidos. David arfava e gemia rouco, tornando o cenário erótico a ponto de eu querer continuar duro pelo resto da minha vida.
Em algum ponto David se ajoelhou novamente e me levou com ele. Eu o abracei já grudando minha boca na dele, querendo um beijo tão selvagem quanto a maneira como ele tomava meu corpo, mas ele me impediu. Segurou meus cabelos, puxando-os para trás, deixando meus lábios entreabertos à sua mercê. Ele deslizou a língua sensualmente por eles, ao mesmo tempo em que sua outra mão guiava meu quadril, a rebolar lentamente sobre seu pênis hirto. Minha próstata continuava a ser esmagada e eu quase chorava, soluçando de prazer enquanto ele conservava o aperto doloroso em meus cabelos e explorava minha boca, mantendo-se inteiramente no controle.
Aquele lado dominador dele me deixava ainda mais excitado, me conduzia como se eu fosse somente e completamente dele. Eu tinha certeza de que meu quadril iria ficar com um roxo enorme pela força que ele usava para me puxar contra sua ereção insatisfeita. Os lábios dele deslizaram pelo meu maxilar, até minha orelha, onde ele enfiou a língua, causando-me um arrepio.
“Andreas...?” Ele sussurrou, numa espécie de chamado. Eu soltei um gemido que era suposto ser um incentivo para que ele continuasse. “Acho que estou apaixonado por você...”
Eu parei. Minhas mãos agiram sozinhas e eu o empurrei pelos ombros, afastando-o um pouco de mim. Meus olhos arregalados o fitaram em espanto. Meu coração parecia querer sair pela boca. Ele sorriu. O bastardo sorriu como se soubesse o efeito sobre mim do que havia acabado de dizer, mesmo que suas bochechas estivessem um tanto coradas. Corado! O que ele queria, me matar? Eu adorava homens corados, mesmo quando estavam corados apenas pelo esforço da putaria. Quis mandá-lo à merda, mas David girou o corpo, me prensando de novo contra a cama.
Na primeira estocada violenta, eu gritei, esquecendo momentaneamente o que ele havia dito. Me abracei a ele, meu corpo sacudindo a cada investida que ele dava. Segurava minha coxa e a apertava como se quisesse arrancar um pedaço, lambia e mordia meu pescoço até eu querer gritar para que parasse, me masturbava no mesmo ritmo com que entrava e saía. Estava me deixando louco, me levando a um orgasmo insano que poderia arrebentar-me por dentro.
Antes que terminasse, David se ergueu da cama, me levando junto e, quando percebi, minhas costas batiam contra a parede, as cortinas aveludadas da janela grande acariciando minhas costas. Envolvi fortemente minhas pernas ao redor do quadril dele, queimando pela maneira possessiva com que me possuía, me pressionando contra a parede a cada movimento viril de seu quadril. Eu já mal conseguia respirar, já estava gemendo aos berros e ansiando ardentemente pelo orgasmo. Meu corpo não estava aguentando todo o calor, minha mente girava e tudo que eu queria era alívio para aquela sensação devastadora.
David fodia como ninguém.
Me toquei com a mão trêmula, acompanhando os sacolejos do meu corpo, e fantasiei que meu sêmen atingiria o teto quando eu ejaculasse, tal foi a intensidade do meu orgasmo. Isso não aconteceu, é claro. Mas gosto de pensar que foi quase. David gozou logo depois, com um gemido grave perto do meu ouvido. Eu o abracei forte, achando que ele iria despencar, mas ele me sustentou bravamente, seu rosto afundado em meu pescoço, deixando a respiração alterada lançar cócegas suaves na minha pele úmida de suor.
“Você acabou comigo.” Murmurei manhoso, roçando os dedos na nuca dele. “Eu devia estar brabo com você por ferrar com meu final de semana de trabalho. É óbvio que não vou conseguir trabalhar por uns dias, depois disso...”
“Que bom.” Ele falou, erguendo o rosto com um sorriso travesso. O encarei indignado enquanto ele me soltava. Assim que meus pés tocaram o chão, minhas pernas cederam e ele precisou me segurar, abraçando-me pela cintura. Riu-se. “Agora você é meu por todo final de semana...”
“Você vai pagar?” Perguntei, erguendo a sobrancelha, estremecendo com a cheirada no cangote que recebi.
“Você vai cobrar?” David rebateu, mordiscando minha orelha.
“Depende do que você vai querer fazer comigo...” Ronronei e me esfreguei no corpo dele, feito um gato frente às carícias do dono. David me apertou com os braços bonitos e malhados e cheirou novamente meu pescoço, como um viciado em cocaína.
“É melhor você parar de me provocar com esse jeitinho sexy de falar e se esfregar em mim, se não estiver preparado para uma segunda rodada... Ainda não acabei com você por hoje.” Ele disse, quase cruel, me levando de volta para a cama.
Meu corpo ficou rígido e eu tentei olhá-lo, alarmado.
“O quê?!” Perguntei, incrédulo. Ele começou a me deitar sobre o colchão e subir em cima de mim, me aprisionando a fim de impedir qualquer tentativa de fuga. Me debati, tentando escapar. “David, não... Eu ‘to podre! Me solta! Você já gozou duas vezes, seu animal insaciável! Para, eu não consigo mais...!”
Eu fiquei menos de um minuto tentando pará-lo, mas quando ele voltou a me beijar, firme, mas de uma maneira sensualmente lenta e carinhosa, eu acabei me rendendo. Ficamos uma meia hora nos beijando e tocando, antes que partíssemos de fato para uma segunda rodada.
Eu realmente não tomo jeito. Concluí.
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