A Casa Ao Lado
1 Capítulo 1
Chega um momento de sua vida que você para e pensa "O que é que eu tô fazendo?", Pois é isso acontece com todos, menos comigo... Sou Emily Bittencourt, sou branca pois nunca pego sol, tenho olhos castanhos e cabelos negros enrolados, tenho 16 anos, moro em Turim na Italia e nunca sai de casa, ou pelo menos não que eu me lembre, fui diagnosticada com uma doença rara que basicamente que faz ter alergia a tudo, ou seja, não posso sair no sol pois minha pele é sensível, não posso correr pois fico cansada, não posso ficar em locais públicos porque a Sra. Bittencourt acha que posso pegar alguma bactéria,enfim,sou basicamente uma garota doente de 16 anos que vive presa dentro de casa, não podendo fazer nada divertido, nem eu sei o nome da doença tão rara que é.
Tudo começou quando eu completei meus 5 aninhos, era bem pequena e cheia de vida, adorava o inverno, e ainda amo porém agora só posso observar... Fiquei com alguns sintomas com meus 4 anos mas era bem pouco e mal dava para ser notado, apenas tinha uma gripe medonha que nunca acabava e muitas vezes ficava com febre, porém, os médicos diziam que era por causa da época do ano que estava bem fria... Eu e meus pais adoravámos brincar na neve, meu pai era empresario e minha mãe dona de casa, meu pai era moreno dos olhos escuros assim como eu, e minha mãe tinha o cabelo castanho claro com os olhos cor de mel. No dia 14 de fevereiro, estava nevando e estava tudo tao lindo, aproveitei e fui brincar na neve com meus pais como sempre fazíamos, só que era especial, era meu aniversario de 5 anos, estava tudo indo tão bem, brincando na neve com o papai e a mamãe não parava de tirar fotos, em todos os momentos era um click, mal sabiam o que iria acontecer, num piscar de olhos eu desmaiei na neve e só acordei no hospital já numa cama com soro na mão, meus pais ficaram bem assustados e me levaram desesperados, e foi ai que fui diagnosticada com essa terrível doença que não me permite sair de casa... a parti daí meus pais começaram a discutir sobre como iria ser daqui pra frente, as brigas ficaram cada vez mais frequentes até que meu pai decidiu ir embora, meu deu um beijo de manhã bem cedinho, disse que me amava e partiu, até hoje nunca mais recebi noticias dele, mamãe também não gosta de tocar no assunto, geralmente ela fica triste se sentindo magoada, então não pergunto nada.
Minha mãe ficou cada vez mais cuidadosa comigo, até que percebi que estava na mesma rotina de sempre e que só tinha minha mãe agora, todos os dias a mesma coisa... Minha melhor amiga é minha enfermeira sofia, uma mulher de 25 anos, loira dos olhos verdes, sempre digo pra ela tentar ser modelo, ela é uma ótima pessoa, humilde e caridosa, sempre com seu bom humor tentando me fazer rir e me contando as fofocas da vizinhança, nos adoramos jogar uno juntas, eu sempre venço. As vezes sinto falta de ter amigos, sinto falta de estudar e ir pra escola todos os dias andando, sentir o ar fresco do lado de fora, sempre quando esta nevando fico me imaginando na neve, imaginando o quanto deve ser bom fazer bonecos de neve e até guerras de bolas de neve... ter amigos. Também me imagino na primavera, como deve ser bom sair correndo e ver as folhas voando, sair com os amigos e tomar banho no lago, passear no shopping, fazer bagunça, ter uma vida normal e ter pessoas da minha idade pra conversa, até mesmo de ter alguém como um namorado. Meu único passatempo quando não estou jogando uno é ficar no notebook ou ficar deitada no chão da área, o teto é de vidro então consigo ver tudo, as folhas caindo, o céu, a neve... Também gosto de ler mas ficar no notebook é melhor, tento me comunicar com as pessoas, tenho até um amigo virtual porém faz um tempo que não conversamos. Só posso ficar no computador nos finais de semana pois minha mãe acha que vou ficar viciada, porém depois de muito tempo observando e acordando cedo, percebi que minha mãe sai todos os dias de 6 da manhã para caminhar ir no mercado e só volta de de 8, então eu fico nesse meio tempo aproveitando, também percebi que ela sempre vai dormi de nove da noite, no máximo dez, então quando ela me dá boa noite, eu fico usando o notebook pra ver se acho algo interessante ou fico assistindo pretty little liars.
Ouço passos vindo em direção ao meu quarto
-Emily? acordada a essa hora num dia de sábado? que milagre é esse?- Disse minha louca, sofia.
-Tô procurando algo interessante no youtube, tem alguma sugestão?- Me virei para sofia para vê-la.
-Sua mãe vai adorar saber que está no seu notebook a essa hora, não sou muito ligada nessas coisas sabe?- Disse sofia dando um leve sorrisinho de lado.
-Sei, Ela só vai saber se alguém comentar algo pra ela, e como eu sei que só tem nos duas aqui neste quarto e eu não estou fazendo nada demais, não vejo necessidade de preocupar minha mãe com besteiras.- Me virei pra sofia sorrindo.
Basicamente meu dia é isso, ficar passeando pela casa, conversando com sofia, e tentando não preocupar minha mãe, pois imagino o quanto deve ser duro e ruim ter uma filha doente e não poder fazer nada para ajudar, a unica opção dela é me deixar em casa trancada, pois assim pode evitar que eu fique cada vez pior.
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