Notas iniciais
Atrasei de novo. Sorry. Não ficou um capitulo tão longo quanto eu queria. Desculpem de novo. Capitulo escrito em conjunto com a minha coautora. Estamos cheias de ideias novas pra seguir em frente. Espero review

P.O.V Elizabeth

Zoey nasceu exatamente onze meses antes de mim. Mamãe sempre fala da surpresa que foi descobrir que estava grávida de novo tão rápido!
Desde quando a gente era criança, sempre fui mais racional que Zoey. Eu agia com a mente, e ela com o coração. Sempre era emotiva e chorava por tudo, era amável, manipulável e completamente ingênua. Acreditava em toda as mentiras que as crianças maldosas contavam. Cabia a mim protege-la de todos. Parecia até que eu era a mais velha. Zoo sofria calada, ela nunca reclamava. Ela era duas pessoas totalmente diferentes: em casa era normal. Conversava, ria, brincava, contava historias, dançava comigo e era uma alegria vê-la assim. Mas na escola, era estranhamente quieta. Não tinha amigos, não se comunicava com os professores e passava o intervalo todo sentada na mesa comigo e com os meus amigos, mas nunca dizia nada. Quando falavam com ela, e se falavam com ela, a resposta era só um murmurio educado.
Eu a conhecia muito bem. Era uma espécie de melhor amiga dela. Ás vezes a gente conversava sobre música, livros, filmes, mas o assunto nunca se estendia até a escola. Sabia que ela odiava estar lá, não era preciso ser um gênio pra saber.
Uma vez, falei com a mamãe sobre a Zoey. Ela me disse para não me preocupar e que isso era normal, mas pude perceber nos seus olhos um rastro de preocupação. Achei melhor esquecer do assunto. Mamãe já tinha seus próprios problemas. Isso fora na época que o papai perdera o emprego. Eu tinha treze anos.
Se havia alguém que não tinha engolido essa história de corrida noturna, esse alguém era eu. O modo como ela agiu foi tão estranho. Apesar de tudo, Zoey não costuma mentir pra mim, nem para mamãe. E ao mesmo tempo em que eu queria respeitar seu espaço, sem pressioná-la e tudo o mais, eu queria muito ajuda-la se esta estivesse com problemas, como sempre fiz.
Depois da nossa conversa, sai do quarto decidida a averiguar o problema. Calcei minhas galochas e o casado, atravessei o portal da cozinha e segui até a entrada do jardim.


•••


Já é o meio da manhã. O sol esta fraco e uma neblina leve cobre o caminho do jardim. Esperei mamãe acordar e saí de casa. Como poderia ficar parada depois de tudo que Zoey dissera?
A trilha do jardim é completamente nova pra mim. Presto atenção em cada árvore, em cada som e penso que provavelmente vou querer voltar e explorar cada canto.
Avisto a casa antes de sair da trilha de pedra. Ela é enorme como disse Zoey, mas não parece abandonada e nem destruída. Os vitrais das janelas parecem novos. A grama esta recém cortada, exalando o cheiro característico. A entrada da casa esta limpa e a pintura renovada.
Chego perto de um muro quebrado com um portão de ferro e abro-o. Sinto um vento frio atravessar meu corpo. Me dirijo devagar até a porta de entrada. A casa parece vazia, as janelas estão fechadas e o silêncio é esmagador. Consigo ouvir minha respiração e a pressão do meu sangue sendo bombeado. Respiro fundo e toco a companhia perto da porta e espero. Nada. Tento mais algumas vezes. Nada de novo. Quando resolvo desistir, ouço passos que parecem vir de um corredor. A porta abre e uma mulher aparece. Seu rosto é severo. Sobrancelhas juntas e lábios cerrados. Sua roupa é elegante. Uma saia justa até os joelhos, uma blusa branca de botões e detalhes em renda. Os cabelos negros presos em um coque apertado na cabeça.


– O que você quer?


Definitivamente, esse não é um bom começo, penso. A verdade é que eu não sei o real motivo de estar aqui. Só consigo pensar em Zoey. Decido estampar um sorriso no rosto e ativar meu melhor modo de simpatia.


– Bom dia! Eu sou sua vizinha, nos mudamos faz pouco tempo e não achávamos que tínhamos vizinhos. Sou Elizabeth Likens, prazer.


A mulher me olha se cima a baixo com uma cara que aparenta certo desprezo.


–Bom dia — diz seca — Sra. Van Fossan — estendo a mão para cumprimentá-la, mas ela ignora meu gesto.
Pigarreio.


– Soube que a senhora tem uma filha... Hum... é... ela se encontra?


A Mulher me olha de baixo a cima novamente,avaliando-me e considerando se eu seria merecedora sua confiança. Por fim, um sorriso frio que mais parece uma careta surge no seu rosto duro.


– Sim, Valentine. Acho que ela comentou algo sobre a senhorita.


Coro. Sei que ela não fala de mim, mas de Zoey. Decido continuar no jogo.


– Me desculpe, senhora pelo outro dia. Achei que a casa estava vazia — dou um sorriso forçado — eu vim aqui justamente para acabar com o mal entendido — invento — Posso falar com Valentine?

O sorriso da mulher se alarga um pouco num sorriso maldoso.


– Bem, já que você está aqui... — diz presunçosa — Entre — ela me convida

.
E é isso. Ela se vira e é tragada pelo corredor escuro. Engulo em seco e a sigo. Algo dentro de mim emite um sinal insistente de alerta, com várias bips e alarmes, mas eu ignoro. A Sra. Van Fossan segue pelo longo corredor mal iluminado sem dizer nada, até que para em frete a uma porta no lado esquerdo da parede. Ela me olha na penumbra e abre a porta.
Há luz emanando lá de dentro. Uma luz amarelada, como a de uma lareira. Ela entra e eu a sigo. A sala é uma biblioteca. Prateleiras de livros cobrem todas as paredes. Estofados de todos os tipos se espalham pelo centro da sala, cada uma com uma luminária de guarda. A um canto, em cima de uma mesa, se encontra um gramofone antigo, que emana uma música agradável e lenta. Uma garota lê perto da lareira. Ela parece não notar a nossa presença.


–Valentine — ela chama sem elevar muito a voz. A sra. Van Fossan não parece ser o tipo de mulher de fazer escândalo. Tanto seu tom de voz quanto sua expressão severa impõem respeito.
A garota se vira e nos olha.


– Pois não?


– Acredito que essa seja a garota da qual me falou.


Ela me examina por alguns segundos, depois se levanta com um sorriso
ensaiado. Seu nariz tem a ponta avermelhada como o de quem chorou a noite inteira, mas seus olhos transmitem uma confiança impassível que me coloca em dúvida se ela seria capaz de fazê-lo.
Valentine usa um vestido aveludado, preto e um tanto antiquado, com mangas três quartos e sem decote, tão longo que torna impossível ver sequer um sinal de seus pés. Seus cabelos estão soltos e ligeiramente desgrenhados lhe caem sobre os ombros.

– Ah, sim — mente ela — Bom vê-la novamente, senhorita.


Ela se dirige até nós. Sinto um aperto na boca do estômago. Ela me causa arrepios. Mas ela não conta a verdade a mãe, o que não sei considerar sendo ou não um bom sinal.


– Mamãe, a senhora poderia nos dar licença? — pede.


A Sra. Van Fossan encara a filha que sustenta seu olhar. Tenho que confessar: a garota mente bem. Eu nunca conseguiria fazer isso com a minha mãe. Por fim, a mulher dá um aceno de cabeça e sai da sala, me deixando a sós com a inegavelmente assustadora Valentine Van Fossan.


...


P.O.V Zoey


Pego meu casaco e me enfio nele num segundo. Sei que ainda estou de pijama, mas é muito tarde pra me vestir. Calço as botas e corro para o jardim. Atravesso o caminho de pedras rapidamente, correndo sem parar.
Não posso evitar que meu subconsciente alimente minhas esperanças de que ela ainda esteja na trilha, mesmo minha parte racional tendo a certeza de que não.
Sigo em frente até o muro e o desespero enche meu peito quando não avisto Liz em lugar algum. Engulo em seco. Algo está mito errado.
A casa não é nada do que me lembro. Sem vidros quebrados e mato alto. Sem qualquer resquício do aspecto abandonado de antes. Como ela poderia ter mudado do dia para noite?
Pergunto-me se estou no lugar certo, mas ao olhar para baixo e notar que minhas mãos estão agarradas no portão de ferro decadente, não tenho dúvidas.
Forço-me a empurrá-lo e corro um tanto cambaleante até a porta, que se abre antes que eu tenha tempo de alcançar a campainha.
Olhos incrivelmente escuros me encaram. Meu coração dispara instantaneamente e minhas pernas fraquejam como que feitas de gelatina. Caleb esta na porta, me encarando.


– Você não deveria estar aqui, senhorita Likens — diz ele, que assim como a casa, não se parece com o mesmo.


– Bom saber o quanto sou bem recebida por aqui. Dá próxima vez que visitar meu jardim de madrugada irei me lembrar disso — forço um sorriso enquanto tento me esgueirar por ele e entrar na casa, mas ele me barra.


– Venha, eu posso te acompanhar até sua casa — Caleb me pega pelo braço e começa a me guiar para longe da casa enquanto ele fecha a porta atrás de si

Desvencilho-me dele com rispidez.

– Eu não vou para lugar algum sem minha irmã — protesto cruzando os braços.


Ele lança o olhar para uma das janelas do andar superior e pondera por alguns segundos.
– Ela vai ficar bem — ele me conforta meio sem jeito com uns tapinhas no ombro — Mas a senhorita precisa mesmo me acompanhar.


– Que parte do "eu não vou para lugar nenhum sem a minha irmã'' você não entendeu?! — exclamo batendo os pés enquanto tento forçar a maçaneta sem sucesso algum — Abra essa droga antes que eu quebre seu nariz.


Ele balança a cabeça e olha receoso para a casa.


– A senhorita não está me deixando nenhuma alternativa — ele morde o lábio inferior — Por favor, senhorita Likens...


Balanço a cabeça em negativa. Ele respira fundo antes de me botar em seu ombro como um saco de batatas.
Perplexa demais para sequer protestar, deixo que ele me carregue até mais ou menos a metade de seu jardim antes de eu conseguir processar o que acabou de acontecer e começar a espernear e gritar pra ele me soltar, mas ele nem parece ouvir meus protestos.

– Me põe no chão agora, Caleb!

Ele continua pela trilha sem dizer uma só palavra enquanto eu me debato. Não demora muito e avisto a minha casa. Ele para e me põe no chão. Tento correr assim que desço, mas ele me segura pelos ombros e me olha nos olhos.

O brilho negro retido nos globos oculares parecem dançar hipinoticamente. Ele fala e sua voz sai suave, quase um sussurro.

– Bem senhorita, espero que essa seja a ultima vez que eu tenha que acompanha-la até a porta de casa.

Tento desviar o olhar, mas não consigo. Penso em Liz e algo se acende dentro de mim. Algo muito parecido com preocupação. não consigo me lembrar do que eu deveria fazer,meus pensamentos estão completamente confusos. Ela esta na casa, eu me lembro disso. Me solte! — digo com a maior convicção que aqueles olhos negros me permitem ter — Liz! Tenho que tirar ela de la agora!

Ele da um sorriso despreocupado e me solta sem relutar.

–Tem certeza disso, senhorita Likens?

Tento responder, mas meu cérebro caio em letargia. Os olhos de Caleb são a unica coisa em que consigo pensar.

O que esta acontecendo? Tento me concentrar, mas não consigo. sinto todos os meus pensamentos se apagando pouco a pouco. Caleb ainda estampado um sorriso torto nos lábios.

– Eu não sei... — consigo responder.

– Entendo perfeitamente. Agora, aonde você gostaria de estar nesse momento? — pergunta.

A resposta não me vem e um silencio perdura.

– Esta um belo dia, não?

Não respondo novamente. Seu sorriso aumenta.

– Ótimo. A senhorita parece estar com sono... Não seria bom estar no meio de sua cobertas, na sua cama nesse exato momento? — ele diz com a voz calma e sonora. Quase uma canção de ninar.

A simples menção da palavra sono me faz querer dormir. Percebo minhas palpebradas pesada, Meu corpo amolece e sinto uma vontade incontrolável de fechar os olhos. E é isso que eu faço. Sinto meu corpo ser carregado e ouço a voz rouca de Caleb me dizendo que tudo vai ficar bem. Em seguida desmaio.

Notas finais
Esse final ficou um pouco confuso. Esperem o próximo capitulo ;) O que acharam? Respondam no review. bjsssss