A Carta do Viajante.
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Só leiam.
Divirtam-se.
3839, eu presumo.
Estou em plena guerra. Mas não sei qual é. Décima terceira? Décima quarta? Perdi as contas. O barulho de canhões e metralhadoras atirando em conjunto é muito alto. Bem, só sei que desde que cheguei aqui não consegui mais sair porque o jato se espatifou na terra seca, onde no século XXI seria o oceano Índico, e não consegui mais concertar. Sim, todos me disseram que era uma aventura arriscada, que eu poderia perder a minha vida, mas como na época eu estava com um probleminha de depressão pensei que se morresse seria como um “tanto faz”. Me disseram também que apenas loucos faziam este tipo de viagem, mas eu queria arriscar. Queria sentir a sensação de quebrar a barreira do som e viver experiências novas. 2017 foi um ano horrível na minha vida, e queria sentir o prazer de sair daquele inferno. Mas acabei parando em outro.
Eu não consegui me comunicar aqui. Mesmo com toda tecnologia incrível, as pessoas não falam entre si. Parece até que falam russo, mas russo seria mais fácil de entender. Parece um código, cheio de traços e, aparentemente, números. O que faria sentido, já que estão em guerra, mas as pessoas andam por aí como se nada estivesse acontecendo. As roupas são de puro chumbo e as pessoas andam com máscaras como se estivessem gripadas. Também são todas carecas, o que parece que a população mundial sofre de câncer.
Bem, eu estou vivendo aqui a aproximadamente dois meses. Os dias passam muito rápido, e aos poucos estou aprendendo os códigos. O meu melhor amigo que também quis se arriscar nesta viagem, morreu no meio da jornada porque era alérgico a poeira e o que bem tem por aqui é poeira. Eu sei que foi uma morte estúpida, não queria que ele morresse daquela forma. Os humanos daqui estão acostumados com a poeira em excesso. Parece que são mais evoluídos do que os seres humanos do século XXI. Conseguem viver em situações precárias. Um humano destes na minha época iria viver uns 500 anos. Até onde eu percebi, este pessoal vive até, em média, 190 anos.
Esses dias, enquanto estava explorando uma vila, peguei um pequeno ventilador portátil que achei nos escombros do jato e o liguei. Estava morrendo de calor. Apareceu uma menininha na minha frente, e eu supus que ela estivesse me pedindo para segui-la. Ela me fez entrar numa pequena casa de puro ferro e me fez entrar no banheiro. Fez um gesto para eu tomar um banho. Eu achei muito estranho a atitude dela, mas como estava me afogando no meu próprio suor, tirei a minha roupa e só foi eu colocar o meu pé embaixo do que seria um chuveiro, um líquido azul forte saiu, me refrescando. Aquilo não era água natural. Era... Como uma água artificial. As pessoas não sabem o que é água. Enquanto o líquido batia na minha nuca, fiquei pensando na reação daquela garotinha quando eu mostrasse a minha garrafa com água de verdade dentro. Quando saí do banho, um vento fresco super potente saiu da parede e fui automaticamente secado. Tinha uma roupa de puro chumbo na pia. Fui obrigado a vestir. A garotinha tinha jogado as minhas roupas no triturador de lixo. Admito que estava errado ao pensar que vestir chumbo era desconfortável. Por incrível que pareça, por dentro da roupa há um tecido que te aquece quando está frio e te refresca quando está calor. Nunca me senti tão confortável.
Quando voltei para a sala, a garotinha estava conversando com amigos virtuais. Achei incrível que ela podia tocar neles, como se o pedaço de vidro no qual segurava fosse como um pequeno portal.
Mas bem, o ponto que eu quero chegar é que a garotinha na verdade era uma mulher de 23 anos e é com ela que eu moro até hoje. Ela que me ensina a falar. Tentei explicar à ela a minha história, e de acordo com ela, viagens no tempo são muito frequentes. Ela também disse que é a primeira pessoa com quem conversou pessoalmente de verdade, sem contar com os seus pais. A tecnologia faz com que as pessoas se sentissem isoladas, cada um vivendo em sua casa de ferro. As guerras acontecem por causa da água de verdade, que resta apenas quatro rios de água doce e a metade do oceano Atlântico e 1/3 do Pacífico no mundo inteiro. A moça também ficou fascinada com o meu cabelo cacheado castanho. Dissera que queria ter um também, igual ao das pessoas do século passado.
Esta história foi enviada por um anônimo do futuro e chegou no ano de 2018, um mês antes da terceira guerra mundial, mais conhecida como a A Grande Guerra dos Cogumelos. Ela durou metade de um século. Depois disto, o mundo nunca mais foi o mesmo.
Notas finais
A Grande Guerra do Cogumelos se chama assim porque tipo... Foram bombas atômicas.
Xablau.
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Até algum dia >:3
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