Notas iniciais
Os dois capítulos estão divididos em dois pontos de vista. Hinata/Naruto.

Bem espero que gostem. Bjss
;D

Há muito tempo não se via tanta comoção aqui na cidade de Konoha, essa geração nunca entrou em contato com a guerra a única coisa sabiamos sobre esta, era história ensinada no colégio e para uma minoria relatos contados pelos avós, porém nada havia nos preparado para esse momento. A despedida. Ver vários amigos partirem sabendo que poucos retornariam é um sentimento horrível, saber que estes abraços distribuídos podem ser os últimos.

Impactados por esse sentimento barroco de viver o dia como se fosse o último, a grande maioria fez o que sempre teve vontade de fazer. Muitos compraram o que sempre desejaram, fizeram as pazes com quem haviam brigado, declaram-se para suas paixões secretas e houve vários casamentos. Sendo que este último, o que mais me chocou foi o fato da minha melhor amiga ter se casado com meu primo.

Sempre foi nótorio o sentimento dos dois, mas ainda não consigo acreditar que eles se casaram, mesmo formando um casal tão fofo. Todavia, é de cortar o coração ver os dois se despedirem, Tenten era durona continha as lágrimas para transmitir confiança para o recém marido, em toda a minha vida nunca vi Neji temeroso. Eles sussuravam confissões, declarações e outras coisas que eu preferiria não ter escutado.

O pátio estava dividivo em seis, cada um representava um batalhão ao qual os soldados seriam enviados. Ele deve estar no terceiro batalhão, infelizmente o sentimento de carpe diem não foi tão forte em mim. Mesmo sabendo que talvez nunca mais voltarei a vê-lo, não consegui me despedir, dizer que a muito tempo nutria uma paixão secreta por ele, que indiretamente ele me transformara em uma pessoa melhor e mais confiante, ou adimirar aquele sorriso o qual me deixa sem reação ou simplesmente dizer que o amo. A vergonha falou mais alto.

Se eu saísse dali correndo ainda poderia conseguir vê-lo e quem sabe me jogar em seus braços, beijar-lhe até perder o fôlego como nos filmes, mas nada fiz, por que certamente ao invés de me jogar em seus braços eu ficaria paralizada em sua frente gagejando sem conseguir terminar uma curta e simples frase. Constrangedor, muito constrangedor.

A corneta tocou.

Agora era sério, todos os soldados davam suas últimas despedidas e seguiam para os caminhões.

-- Não vai me abraçar? – perguntou Neji abrindo os braços.

-- Claro que vou. – fui a encontro dos seus braços, ele me apertou forte não pude deixar de retribuir, meu primo, meu cúmplice, meu amigo e agora estava partindo para uma jornada sem volta certa. Engoli o choro, mas as lágrimas saíram.

-- Ei. – ele limpou meu rosto – Vai ficar tudo bem. – o olhei descrente, ele me abraçou de novo – Eu preciso que você me ajude, cuide da Tenten, ela é o meu bem mais precioso – sussurou.

-- Claro. – respondi.

Ele deu um último beijo em Tenten e partiu, me juntei a minha amiga que me abraçou. Quando anunciaram o nome dele, numa espécie de chamada ela começou a gritar.

-- LINDO!!! GOSTOSO!

-- Para, menina. – disse a puxando pra traz.

-- Não falei nenhuma mentira, o que é verdade precisa ser louvado. – disse me empurrando para as divisões anteriores – Corre menina que talvez dê tempo de você conseguir falar com ele.

Fomos correndo para divisão três, mas ele já estava dentro do caminhão indo para longe. Caso ele tenha me visto, apenas viu uma garota ofegante, inclinada tentando puxar mais ar. O que não teria sido uma boa visão. Os portões se fecharam e por um momento posso jurar que todos ficaram em silêncio. Tenten estava sentada observando a aliança, rodando-a.

-- Posso ir para sua casa hoje? – perguntei a despertando do transe.

-- Seria ótimo. – ela me olhou, não tinha mais ninguém para tranquilizar e finalmente as lágrimas caíram.De repente haviam duas garotas chorando no pátio, na inútil tentativa de consolar um a outra.

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Conceituar guerra é muito diferente de vivê-la, já se passaram quase três semana desde que chegamos ao batalhão, ainda não entramos em campo de batalha, mas os resultados da guerra já chegaram até nós e ninguém tava preparado pro que viu. Aqui não há tempo de se preparar, ou você está preparado ou morre e para gente descobrir isso, demorou um tempo.

As primeiras noites foram só cantorias, bando de ingênuos que acreditavam que essa guerra ia acabar da noite pro dia e estaríamos em casa para o natal, foi então que o primeiro choque veio. Tivemos que ir buscar os corpos da infantaria dentre eles muitos eram conhecidos nossos. Aquela noite cantamos em homenagens aos que se foram.

Levamos os corpos para o batalhão sete, na volta fomos atacados. Ninguém saiba ao certo o que fazer, atirei as cegas. Shikamaru, capitão do nosso batalhão, ordenou que recuássemos tropecei em alguma coisa, foi tudo tão rápido que quando percebi estava caído ao lado de Senju. Ele tremia e sangrava larguei o rifle e me ajoelhei ao seu lado, não sabia o que fazer, tentei parar o sangramento, mas não deu certo.

A tropa inimiga avançava. Eles não podiam pegar Senju seria o fim do colega, mas ele era pesado demais para que eu conseguisse arrasta-lo comigo, seus olhos refletiam o medo.

--Você vai ficar bem cara. – tentei tranquiliza-lo.

-- Vai... embora. – ele disse com dificuldade, afastou minhas mãos.

Não podia deixa-lo, mas as tropas se aproximavam, podia ver a infantaria inimiga chegando. Não avistei mais ninguém do batalhão, então era esse o fim, fechei os olhos. Escutei uma explosão a uns cem metros e alguém me puxou para longe.

-- Corre seu idiota! – disse Shikamaru me empurrando.

-- Mas o Senju...

-- Ele morreu e se você não correr nós também morremos. – ele me empurrou com mais força.

-- Não, eu tenho certeza que ele está... – me virei e outra explosão ocorreu nos impulsionando para distante, o lugar onde Senju se encontrava estava em chamas.

-- Morto. – Shikamaru completou.

Ficamos escondidos em uma caverna distante da linha de tiroteio, quase todo batalhão estava lá. Ao escurecer conseguimos seguir para o acampamento, ninguém falava nada. O silêncio foi interrompido com Shikamaru esmurrando a mesa.

-- Estamos em guerra seus idiotas! A qualquer momento podemos ser mortos, não temos tempo para ver o inimigo se aproximar, muito menos ficar parados esperando a morte. Milhares de pessoas contam com vocês! Fiquei responsável por este batalhão e pretendo levar todos você de volta para casa, mas não posso fazer isso se vocês continuarem a se comportar como um bando de covardes! Espero que vocês finalmente tenham acordado, isso daqui não é um jogo de video game e seus amigos estam mortos por causa disso. – ele se retirou.

Todos estávamos abalados, o único que se mostrava mais controlado era Sasuke, mas ele nunca demonstrava emoção. Essa noite não houve cantorias, apenas o coro de preces rogando por proteção.

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Já passaram-se um mês desde que eles partiram. Ficamos cerca de três semanas sem nenhuma informação sobre os novos soldados, os noticiários relatavam novos conflitos e ao final de todo dia revelavam o números de mortos, era a parte mais tensa do dia, orávamos para que nenhum nome da lista fosse algum familiar ou amigo, nesses momentos eu e Tenten sempre estávamos juntas e suspirávamos aliviadas ao final de cada noticiário.

-- Eu vou ao quartel ver eles tem alguma informação nova, quer ir? – Tenten me perguntou.

-- Claro.

O quartel estava empesteado de mulheres, me perguntei por que tanto alvoroço, será que todas queriam saber mais informações da guerra? Creio que não, o mais curioso era que todas estavam com papéis em mãos. Escutei algumas meninas comentarem sobrem qual soldados adotariam, fiquei ainda mais confusa.

-- O que é adotar um soldado? – perguntei, mas Tenten não estava mais ao meu lado.

A encontrei conversando animadamente com um cara, acho que finalmente teríamos boas notícias.

-- Eles estão bem. – me contou – Parece que houve apenas um confronto, mas está tudo bem.- disse sorrindo.

-- Ainda bem . Por isso que aqui tá tão cheio?

-- Não, eles vão começar a recolher cartas para os soldados. A maioria aqui deve querer adotar algum soldado. – a olhei confusa – Adotar, elas escolhem algum soldado e ficam mandando cartas pra ele e isso minha querida amida é a sua chance.

Finalmente algo a meu favor, sempre fui péssima na oratória, mas na escrita sou ótima, pelos tinha que ser boa em alguma coisa. Não podia me identificar na carta, mais um ponto a meu favor, mas o que escrever para alguém que esta lutando?!

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Acabamos de recolher mais corpos da infantaria do quinto batalhão, as tropas inimigas estavam avançado disparadamente. Todo os locais estratégicos que tentávamos invadir eles estavam de tocaia, nenhuma infantaria havia resistido aos confrontos até agora. Para a desgraça do batalhão três, fomos escalados para o pelotão da próxima infantaria.

Me apertei mais no cobertor para que ninguém percebesse o quanto que eu tremia. Isso é um inferno, não consigo dormir sem pensar nos amigos que se foram, nas vidas a qual tive que tirar, da expressão dos seus olhos quando sentiam que a morte estava chegando. Pensava na vida que eles perderam por minha causa, devido a essa maldita guerra.

-- Soldados! – chamou Shikamaru, todos bateram continência – Finalmente uma boa notícia, conseguimos tomar o forte norte e daqui há algumas semanas nós juntamente com o sexto batalhão vamos para lá, visando a conquista de outro forte. – não era surpresa ninguém comemorar, mas mesmo assim Shikamaru demonstrava alegria – E agora as notícias boas, os mensageiros trouxeram nossas cartas. — o alvoroço começou dentro do acampamento.

-- Não sei pra que a animação, essas cartas só servem para nos lembrar o quão ruim é estar aqui. – disse a mim mesmo, mas o capitão ouviu.

-- Então prefere não ler as suas? – perguntou Shikamaru.

-- Tanto faz. – dei dei ombros, ele jogou uma carta em cima do meu cobertor.

Não fui o único a não abrir as cartas, Sasuke também as ignorou ultimamente ele vem estado bem distante. Tentei dormir,mas como toda noite não consegui o que me mantém em pé são os poucos cochilos da madrugada. Uma pouca iluminação vinda da lamparina mostrava que a maioria estava dormindo, de novo a tremedeira me aflingia, puxei o cobertor para mais perto e carta escorregou para frente do saco de dormir.

O papel estava sujo e um tanto amassado, imagino o que ele deve ter sofrido para chegar até aqui, resolvir abrir a carta.

“Caro Naruto,

As vezes me pergunto o por que dessa guerra? E sinceramente nada me vem a mente e ninguém sabe me responder essa pergunta sem dizer algo extremamente egoísta,o noticiário não nos conta isso apenas nos informa aqueles que se foram,muitos eram meus amigos, mas o que mais me perturba é que eu vejo apenas o nome,mas você os corpos. Acho que eu morreria aos poucos tendo que presenciar isso e provavelmente você se sente assim, sabendo que não pode ajudar todos mesmo querendo. Sei que quando está tudo um completo caos é difícil quase impossível achar alguma esperança para se segurar, mas uma vez um garoto me disse ‘Eu continuar lutando, me tornando mais forte do era ontem por que este é o meu jeito de viver’ Na época eu não entendi direito, mas eu conseguir entender que a questão é você não desistir e continuar tentando. Por favor não esqueça de quem você, por que eu nunca vou esquecer. Até depois da mais turbulenta tempestade vem o sol.

Atenciosamente, “

Aquela frase era minha, mas não conseguia lembrar a quem poderia ter falado em especial. Essa pessoa não sabe o fala, pode tentar me compreender, mas nunca saberá o que é estar aqui. Queria saber o por que desta guerra? Com toda descrição mostraria o que é. Procurei algum pedaço de papel para escrever, mas apenas o capitão tinha.

-- As cartas não eram algo inútil Naruto? – Shikamaru me perguntou.

-- Continuam sendo, mas pelo menos servem de registro do inferno que é aqui.

Não preocupei com a ortografia, apenas contei-lhe sobre o que era viver ali, disse-lhe sobre a primeira vez que um colega havia sido morto e não pude fazer nada, conte-lhe sobre como as pessoas se tornam diferentes quando possuem uma arma de fogo, sobre quando tirei a vida de um cara que eu nem conhecia simplesmente por terem me mandado fazer isso. Disse tudo que eu vinha reprimindo, sem restrições, apenas a verdade.

Escrevi aquela carta na intenção de deixar a minha opinião registrada e não de receber uma resposta, mas lá veio ela na outra demanda. Descobrir que era uma garota a pessoa com quem correspondia, por um tempo me senti culpado por ter escrito aquilo para ela, mas ela queria a verdade. Esta nem sempre é bela.

Ficamos nesse debate por um longo período, cheguei a contar-lhe meus temores sobre a guerra, ela me respondia contando os delas sempre querendo me mostrar o lado bom de tudo. Após um tempo estava mais íntimo com essa garota do que com qualquer outra pessoa, tinha ciúmes de suas cartas e ansiava pelo dia que elas chegariam.

Estávamos no forte do norte, ou seja sem cartas por um longo período, mas era muito bom ver rostos conhecidos de novo, até animador. Já conseguia sonhar com o fim da guerra e pela primeira vez em muito tempo cantamos naquela noite.

-- Soldado! – disse Shikamaru, todos bateram continência – É muito bom estarmos reunido novamente com velhos amigos, mas não se esqueçam a meia-noite faremos o ataque. Estejam preparados.

A cantoria acabou, mas ainda ficamos conversando por um tempo. No meu surto de insônia diário subi para o posto de vigilância, o céu estava lindo todo estrelado e a lua, meu Deus, que linda. Tateei a farda em busca da última carta que tinha recebido, já se tornara um vício terrível toda noite tinha ler, queria encontrar alguma pista, algo que tivesse passado pra traz para conseguir identificar a garota.

Nada, nenhuma pista. Como era possível alguém saber tanto de mim e eu não saber quem é, como não pude perceber esse alguém. Agora só os céus poderiam me responder e de fato lá estava a resposta, na verdade a lua me revelou. Aqueles olhos perolados eram difíceis de esquecer, só sendo um idiota pra não perceber antes, era Hinata o tempo todo.

-- Deveria estar repousando Naruto, a meia-noite se aproxima. – disse Shikamaru se aproximando.

-- É exatamente isso que não me deixa dormir, capitão. – ele parou a meu lado, olhou curioso para minhas mãos.

-- Cartas? – perguntou um tanto zombeiro, eu apenas sorri – Se tudo der certo hoje, estaremos mais próximos de voltar para quem nos escreve.- ele respirou fundo.

-- Como a Temari está? Gaara não é desse batalhão? – o capitão suspirou.

-- Sim, ele era. – disse Shikamaru cabisbaixo.

-- Puta merda! – limpei o rosto – Ela já sabe?

-- Não sei, mas é só uma questão de tempo pra ela descobrir. – ele encarou o céu – Ele era só um garoto. Neji disse que foram pegos numa emboscada, ele não resistiu.- confortei-o com alguns tapas amistosos.

-- Caramba. O Neji é o capitão desse batalhão? – perguntei confuso. Vi o capitão e ele não era nada parecido com o Neji que eu me lembrava a não ser os olhos, então Shikamaru sorriu e pude ver que ele estava tão surpreso quanto eu.

-- Quase não dá para perceber por causa do cabelo, ou melhor pela falta dele. — gargalhamos feito crianças até a corneta soar – Prepare-se soldado, o ataque começa agora.

Notas finais
^^
Se você chegou até aqui, parabéns!!!
Obrigado por ter lido e até o próximo capítulo.

;D