A Carta
1 Adeus meu amor!
Lugar nenhum, 07 de junho de 1980
Olá meu amor,
Espero que esta carta não tenha chegado muito tarde até você, não sabe o quanto sinto sua falta, por aqui as coisas estão muito bem, quer dizer, não tão bem assim, mas dá para levar, desse lado não há você, mas fiquei muito feliz de poder te escrever esta carta.
Desde o dia em que parti, minha vida sem você ao meu lado tem sido cada vez mais difícil, todo dia é uma guerra para sair do meu aposento e enfrentar meus afazeres do dia a dia, como sinto sua falta.
Suponho que não saiba como é aqui, é um lugar triste, quanto mais tento contemplá-lo mais ele me deixa triste, não por você, mas pelo lugar mesmo. Quando estava para fazer a travessia eu imaginei como seria este lugar, com muitas cerejeiras com suas pétalas caindo, como se fosse um sonho sabe. Mas a realidade é bem diferente, não há cerejeiras com pétalas caindo, mas há um prédio enormemente gigantesco.
Assim que entrei no prédio fui levada para um quarto. E fiquei lá por um bom tempo, foi quando uma mulher entrou e me disse quais seriam meus afazeres. Sinceramente, eu preferiria ter ficado no quarto para sempre.
Mas enfim. Eu quero que saiba que eu te amo muito, muito mesmo, não posso escrever muitas coisas sobre este lugar, nem entrar em muitos detalhes, pois seria castigada. Saiba que até este momento estou bem, não se preocupe comigo meu amor, não chore mais por mim. Estou quebrando uma regra muito grave para poder escrever esta carta para você.
Por favor, não tente me procurar, pois você sabe onde estou, não posso falar mais nada a respeito. Não se esqueça de mim, quero que seja feliz, que encontre outro alguém que te ame tanto quanto eu te amo...
E com esta carta eu encerro a minha despedida, pois do outro lado não há mais como nos comunicar, esta é a última carta que vou enviar.
Com amor e muita saudade, sua falecida esposa,
Marta...
Notas finais
Beijos Beijos
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