A Carta...
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Notas iniciais
Querido Shaka...
Se você está lendo essa carta é porque eu me encontro bem longe e Aldebaran mesmo contrariado entregou a carta.
Decidi sair novamente do Santuário, mas agora os meus motivos são um pouco egoístas, sinto muito por fazer isso, mas já que a terra se encontra em paz, quero também encontrar a minha paz.
Talvez eu volte para Jamiel ou vá visitar meu mestre Shion que se encontra nos Cinco Picos Antigos de Rozan junto com seu amado Dohko. Fico muito feliz que depois de mais de 200 anos meu mestre e Dohko possam desfrutar do amor que sentem um pelo outro.
Falando em amor, esse é o motivo que me faz escrever essa carta e ir embora.
Tenho que te confessar uma coisa: EU TE AMO! Sim, eu te amo, te amo com toda força, te amo tanto que nem sei explicar, mas não dizem que o amor é isso, sentir e não saber explicar.
Quero que essa confissão não mude a amizade entre nós, apesar que já não somos amigos já um certo tempo, mas eu fiz o que Aldebaran me aconselhou, que você soubesse o que sinto e entendesse o que eu fiz. Não foi bem exatamente como o grandão tinha me aconselhado, mas não teria coragem de fazer pessoalmente, não suportaria ver em seus lindos olhos azuis, meu amor não ser correspondido.
Sei que seu amor e coração pertencem a outro cavaleiro, ao mais belo entre todos. E desejo de todo coração que vocês sejam felizes, que Afrodite te faça muito feliz, que o homem que você escolheu te dê todo o amor que eu queria te dar.
Venho também através dessa carta te pedir perdão, me desculpar pelo que eu fiz, novamente num ato covarde de não te pedir desculpas olhando em seus olhos.
Ainda me dói as palavras que você disse aquele dia, que eu queria acabar com a sua felicidade, que eu estava com inveja de Afrodite por ser o cavaleiro mais belo, que eu não sabia o que era amor e por isso queria acabar com o namoro de vocês.
Sim, fui errado ao não buscar a veracidade dos fatos, ouvir o boato e acusar Afrodite de estar com você para causar ciúmes no Máscara da Morte.
Peço que você entenda meus motivos, eu não suportava ver você com ele, o ciúme me cegou, então quando ouvi aquilo, tive que te contar, quem sabia assim você me notasse e me visse mais do que como amigo. Mas o que aconteceu foi pior, não ganhei seu amor e ainda perdi sua amizade. Não procurei mais saber, mas torci para que tudo fosse boato, não queria ver você com o coração partido e eu quase causei isso contando um boato que eu tinha escutado, felizmente vocês estão juntos e nada foi abalado.
E respondendo ao que você me acusou naquela briga. Não, eu não queria acabar com sua felicidade, eu queria ser a sua felicidade. Eu não tinha inveja de Afrodite por ser o cavaleiro mais belo, eu tinha inveja dele por ele ter seu amor, por ele ter conseguido conquistar seu coração. E eu sei, sei o que é amar, sei que amar é colocar a pessoa que amamos acima da nossa felicidade e por te amar quero que você seja feliz ao lado de Afrodite.
Por isso vou embora, mas não quero que você se sinta culpado pela minha partida, pois irei voltar.
Não sei quando tempo ficarei longe, mas primeiro tenho que aprender a te amar sem ter você pra mim, primeiro tenho que me acostumar que você jamais será meu, preciso desse tempo para acalmar meu coração, que esse amor que sinto não me cause dor, pois sei que nunca deixarei de te amar.
O que mais quero é que você seja feliz, que ame e seja amado, que Afrodite te ame e te faça feliz, assim como eu queria poder fazer.
Meu amor, me prometa que agora que a terra está em paz, que você abra os olhos e veja toda a beleza do mundo, que as pessoas possam ver a beleza dos seus olhos, que em seus olhos quero que sempre tenha um brilho de amor e felicidade.
Saiba que sempre poderá contar comigo para o que precisar, porém por um momento irei me ausentar, mas logo nos encontraremos de novo.
Desculpe se me prolonguei demais na carta e se fui muito repetitivo, mas queria contar tudo o que estava preso em meu peito.
Em breve nos veremos...
Até logo...
Do para sempre seu...
Mu
xxXxx
As marcas das dobras do papel daquela carta eram bem fortes, assim como várias marcas de lágrimas espalhadas pela folha. Quantas vezes já tinha sido lida, não tinha nem ideia, umas milhares de vezes, se fechasse os olhos, as palavras da carta viriam normalmente.
Infelizmente não pode cumprir e prometer o que o ariano havia pedido, não mantinha os olhos abertos, não conseguia ver a beleza sem o ariano ali, muito menos quando abertos não era encontrado brilho de amor e felicidade, apenas um olhar sem brilho e triste.
Quando leu a carta pela primeira vez, fazia um dia que Shaka tinha terminado com Afrodite, os boatos não tinham sido mentira, o pisciano tinha o usado para fazer ciúmes em Máscara, Shaka tinha chorado a noite inteira, mas na manhã tinha acordado bem, pensou que iria sofrer mais e agradeceu a Buda por já nem se importar com o término. Iria seguir sua vida e a primeira coisa que tinha que fazer era pedir desculpa a Mu, seu amigo o tinha alertado, sempre quis o proteger e ele tinha falado tantas coisas que o magoaram.
Quando ia descer para casa de Áries, Aldebaran entrou na casa de Virgem e entregou a carta para Shaka, que achou estranho ver o taurino tão sério, antes de sair da casa de Virgem, Aldebaran falou ao guardião da casa para enxergar o amor que ele sempre teve, mas a beleza o havia cegado de enxergar o amor verdadeiro que sempre sentiu e sempre foi correspondido, naquele momento Shaka não compreendeu o que o amigo queria dizer com aquelas palavras.
Shaka abriu o envelope e reconheceu a letra de Mu, tão bonita e desenhada, seu coração bateu tão forte que Shaka se perguntava se o santuário poderia ouvir, saber que Mu o amava tinha despertado algo nele que talvez sempre estivesse lá, só estava adormecido, desceu até a casa de Áries, com a intenção de encontrar seu guardião lá, mas como mesmo dizia na carta que já se encontrava longe, Shaka se sentiu desesperado, estava brigado com o ariano, porém ele estava por perto, sempre se viam, apesar de não se falarem por receio do ariano e por orgulho do virginiano, mas ele estava ali perto.
Shaka ficou horas na casa de Áries pensando e revivendo todos os momento que passaram juntos, desde o começo dos treinamento até as grandes batalhas, lembrou até de um quase beijo que deu no ariano, onde um distraído tibetano caiu e puxou o indiano consigo, suas bocas ficaram tão próximas que suas respiração se mesclavam, só não concluíram o ato porque escutaram a voz de Milo conversando com Camus. Naquele instante Shaka sentiu uma vontade enorme de saber como seria o gosto do beijo do ariano, então lembrou do jeito do Mu, de cada detalhe do seu rosto, do seu sorriso, dos seus carinhos, ficou pensando tanto em Mu que quando percebeu já era noite, mas com Mu sempre tinha sido assim, nem via as horas passar e o mundo lá fora parecia não existir.
Foi aí que caiu a ficha, realmente entendeu o que Aldebaran tinha falado, sempre amou Mu, mas a beleza de Afrodite o cegou, pois quando estava com Afrodite sempre lembrava do ariano, mas quando estava com Mu esquecia que existia um mundo além deles. Ao concluir que também amava Mu, seu coração foi inundado por uma felicidade plena, correu até a segunda casa para falar e agradecer Aldebaran de ter aberto seus olhos, pediu ajuda para o taurino para descobrir para onde Mu tinha ido.
Mas sua felicidade tinha sido devorada por uma dor intensa, uma dor que o machuca até hoje, sentiu seu coração doer e um cosmo se extinguir, sentiu a dor de perder quem se ama, de ter tido seu amor o tempo todo perto e quando descobriu era tarde demais, o pior era saber que seu amado morreu sem saber que era correspondido.
Mu tinha ido para China num voo reservado pela senhorita Saori, a jovem Athena achava que agora que a terra se encontrava em paz, os cavaleiros vivessem como pessoas normais, evitando usar seus cosmos. Houve um problema técnico no avião que Mu estava, o piloto não conseguia controlar e o avião iria bater, para as pessoas tinha sido um milagre que Kiki estivesse vivo, mas ele contou que Mu tentou usar sua telecinese para que o avião não se chocasse, conseguiu salvar Kiki o teletransportando do avião ao mesmo tempo que tentava controlar o avião, tentou fazer o mesmo procedimento para salvar o piloto, mas na hora que ajudava o piloto o avião explodiu antes mesmo de se chocar em uma montanha, tirando a vida do piloto e de Mu.
Já tinha se passado quatro anos da morte de Mu, mas toda noite Shaka descia até a primeira casa, levava a carta consigo e ficava observando a constelação de Áries, pedindo a Buda que não demorasse para se juntar ao seu amor...
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