Notas iniciais
Bem vinda(o) à Black Destiny, ou bem vinda(o) de volta se já é marinheira (ou pirata?) desse navio!

Boa leitura ;)


I can’t see your star
(Eu não posso ver a sua estrela)

I can’t see your star
(Eu não posso ver a sua estrela)


How can the darkness feel so wrong?
(Como pode a escuridão parecer tão errada?)


Your Star, Evanescence.

20 de junho de 1996, Fronteira.


Remus Lupin soube que aquela era a coisa mais difícil que teria de fazer em sua vida no minuto em que olhou para os rostos das duas garotas à sua frente.

Se transformar em lobisomem todos os meses. Lutar em uma guerra e acreditar que tudo estava acabado, para então ter de lutar em uma segunda. Encarar a morte de dois dos seus melhores amigos na flor da juventude. Perder o seu último grande amigo… irmão, na mesma guerra que já levara tudo de bom que alguma dia tivera… por quantas vezes, especialmente nos últimos tempos, ele acreditara que não suportaria o dia seguinte? E contra todas as expectativas, ali estava, ainda de pé, ainda respirando. Se forçando a olhar para os rostos ansiosos das garotas que aprendera a amar como família e saber que ele seria o responsável por lhes causar uma enorme, enorme dor.

Pais não eram supostos a morrer enquanto seus filhos ainda precisavam deles.

— Moony! — A mais nova das duas veio lhe abraçar, achando o seu caminho entre os obstáculos da sala; caldeirões de vários tamanhos, o menor deles capaz de abrigar um bebê elefante. — Eu não acreditei quando você disse que vinha, quero dizer, você não devia, não é, e a Bevy achou que você estava numa missão…

Remus não lhe respondeu mesmo quando passou os braços em torno da afilhada. Ele estava olhando para a outra, a mais velha. Bervely não se movera de sua ocupação (diante de um dos caldeirões, com uma grande concha dourada na mão e uma pipeta na outra) a não ser para encará-lo, mas o jeito com que o olhava… uma pergunta no fundo de seus olhos, que eram do pai e da mãe ao mesmo tempo.

Uma pergunta e um medo profundo da resposta.

Como ele poderia sequer…?

— Eu tenho uma notícia. — Começou, como tinha treinado em sua cabeça mil vezes durante o caminho até o Instituto Flamel. — Achei que deveria vir pessoalmente dizer a vocês.

Enquanto Anne franziu o rosto, preocupada, o olhar da mais velha se agravou. A palidez de seu rosto se acentuou com o medo.

— Ele foi pego? Os dementadores o pegaram? — perguntou num fio de voz.

Remus negou com a cabeça. Assistiu a jovem alquimista apresentar um alívio furtivo, que ela dispensou rapidamente. Afinal, porque mais ele teria atravessado o país para vê-las? Remus não fora ao Instituto nem uma vez naqueles quase dois anos em que tinham se mudado. Algo terrível precisava ter acontecido.

— Ele foi preso então? Os aurores…? Se ele voltou para a prisão…

— Jesus, Moony! — Anne reclamou, começando a ficar impaciente, o brilho prateado incomum dos seus olhos parecendo se intensificar — Desembucha, o que foi que aconteceu?

Ele fechou seus olhos. Já dera notícias ruins antes… Em momentos como aqueles, Remus era tomado pela certeza de que qualquer sistema que regia o curso do mundo simplesmente não se baseava em noções de justiça.

— Houve um confronto no Ministério da Magia há alguns dias e a Ordem esteve presente para defender Harry Potter e outros estudantes de um grupo de comensais. — ouviu sua voz narrar, abafada.

— Nós vimos isso no jornal! — Anne exclamou — Eles capturaram os comensais, não foi? E o Ministro finalmente reconheceu o retorno de Você-Sabe-Quem, mas então porque você teve que vir aqui…?

Atrás dela, Bervely continuava em silencio, os olhos se abrindo em um desespero oceânico enquanto adivinhava a noticia no rosto do lobisomem antes que ele conseguisse despejá-la por seus lábios.

— Eles não capturaram todos, Bellatrix Lestrange conseguiu escapar. Ela estava duelando com Sirius no Departamento de Mistérios, então houve um acidente, eu acho, e ele — Remus deu um suspiro pesado, insustentável — Ele caiu através do véu da morte, e… eu sinto muito, meninas. Sirius se foi.

(Continua…)

Notas finais
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