A Canção do Destino

1 Os primeiros versos


Notas iniciais

Era pra ser uma história simples com apenas um capítulo, mas ai eu acabei me empolgando,...e é isso, espero que gostem.

Era mais uma noite, mais uma melancolia, mais um erro...

As lágrimas simplesmente saiam e eu as segurava com a gola da minha camisa, era inútil, a música alta me machucava nos fones de ouvido, não porque o volume estava altíssimo, mas porque a melodia me fazia chorar. Pela ultima vez você havia sussurrado a nossa música e essa foi a mais gentil e a mais querida.

Naquela noite eu não pude dormir, as lembranças vinham freqüentemente e em devaneios eu me martirizava, “Droga, eu sou um menino” dizia a mim mesmo ao enxotar as lágrimas, no dia seguinte tudo que eu pensava era sobre “ele” e assim continuou durante um ano.

Agora eu penso que deveria pedir desculpas a ele, por nunca ter percebido que eu já havia me apaixonado por outra pessoa.

nal saranghanda haenohko — Você me disse que me amava

dodaechae eodiro ddeonangeoya narul beorigo — Onde você foi me deixando para trás?

jameun nae du songgajido uri yaksogkkajido - Minhas duas mãos que você segurou enquanto me prometia

na beorigo kkaebeorigo eoddeohkae ddeona — Como você pôde me deixar e quebrar nossa promessa?

...

8 de Março de 2001

O tédio das aulas continuava, já não agüentava mais acordar cedo e ouvir os professores explicando de forma lenta cada assunto (talvez eu simplesmente não quisesse mais viver) de vinte e cinco alunos, cinco dormiam e vinte passavam o tempo conversando ou bisbilhotando um Ipod de ultima geração, não havia mais músicas boas, todos haviam se acomodado com a voz “dele” e no ano que ele se foi, foi o ano que a música deixou de existir tanto para essa escola quanto para mim.

O barulho da porta abrindo fez com que os alunos curiosos observassem, meus pensamentos estavam longe ao fitar pela janela as pessoas que iam e viam de mãos dadas, e não havia a mínima importância ver quem estava diante a porta, eu estava vivendo por viver.

- Com licença turma, esse é Kaede Nakamura, dêem as boas vindas ao seu novo companheiro de classe. – disse o professor embaraçado e eufórico, mesmo não olhando pra ele eu conseguia saber muito bem a expressão do rosto dele, um sorriso estampado no rosto avermelhado e a mão direita coçando a careca como se não soubesse o que dizer.

Eu me virei para ter certeza, eu sempre estava certo, mas aquela foi a única vez que eu errei. O Sr. Yamada não estava com um sorriso e nem se coçando, na verdade ele estava petrificado, como se tivesse visto um fantasma, ao acompanhar o olhar penetrante do professor eu percebi que o fato era que eu havia visto um fantasma.

“Yuki” era o que minha mente sussurrava repetitivamente em desespero, olhos verdes escuros e brilhantes me encaravam e logo eu já estava preso neles.

- Sente-se Sr. Nakamura, há uma cadeira vazia atrás do Sr.Sakamoto. – disse o professor apontando para algum lugar que eu não dava a mínima, foi só quando ele pegou o livro e voltou a lousa e a seu discurso sonolento que eu descobri que o menino vinha em minha direção.

O local atrás de mim era justamente onde “ele” sentava, onde “ele” cantava e me amava. Em quinze segundos as pessoas o encaravam de forma pasma, o professor continuava com a aula exaustiva, o seu rosto tão pálido como o meu, o estado de choque me pegou de surpresa. Quando ele se aproximou foi quando eu o diferenciei, o rosto branco e os olhos verdes eram a única semelhança que ele tinha com Yuki, o cabelo preto até os ombros e os detalhes do rosto era mais fino que Yuki, mas de certa forma eu ainda enxergava o meu cantor nele.

Mesmo as horas se passando e a realidade se voltada, eu ainda não conseguia recuperar o ar despreocupado que eu tinha, na verdade o fato dele estar atrás de mim fez com que a tensão ficasse cada fez maior. “O que ele estava fazendo?” “Para onde ele estava olhando?” “Será que ele consegue perceber a minha respiração acelerada?” essas eram algumas de várias outras perguntas que eu me repetia mentalmente, o coração martelava mil vezes mais a cada segundo, e todo o conforto de esperar a morte se dissipou, eu não descansaria até saber quem era ele.

Quando o sino tocou para o fim da aula foi a minha chance, agora eu o estava encarando-o de frente, os olhos verdes cintilaram reprimindo um sorriso que aos poucos se mostrava de forma tímida, meu corpo paralisou e de repente eu não conseguia mais falar com a determinação de antes.

- Oi. – disse a voz suave dele ao ver que eu não o respondia, o estado de choque passou, mas ele chegou com o rosto muito perto e minha mente foi a mil. – Você ta bem? Ta ficando vermelho, ta com febre? – ele encostou sua testa na minha e eu senti toda minha raiva virar um embaraço completo, certamente havia algo estranho, meu coração não parava e minha orelha não parava de queimar de vergonha.

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Eu sabia que ele era um problema, na verdade, ele sempre foi, quando ele encostou seu rosto branco no meu pardo eu pude sentir tudo nele, o aroma suave do perfume masculino, cada fio dos cabelos pretos e o cheiro único, a maciez das mãos que envolviam meu rosto, os olhos verdes, gentis e inocentes, logo eu não havia agüentado e quando percebi já estava em uma cama de hospital.

- O que aconteceu? – perguntei a mim mesmo, agora já estando acordado, minha mente voava a mil, e cada tentativa de lembrar algo fazia com que ela dilata-se.

- Você desmaiou e eu lhe carreguei ate aqui. – disse Kaede, cujo eu ate então não havia percebido, a voz desanimada dele me pegou desprevenido, ele não me olhava diretamente, apenas fitava a janela como se nem estivesse naquela sala.

- Não precisava se preo... – eu fui interrompido pelo olhar lacrimejante de Kaede, os olhos vermelhos e as lágrimas que ainda escorriam, eu me surpreendi com a aflição daquele rosto.

- Como não preciso me preocupar? Primeiro você começa a ficar vermelho do nada, depois você desmaia bem na minha frente, e ainda vem me dizer que eu não precisava ficar preocupado?! – a autoridade dele se misturava com a melancolia e logo eu estava de cabeça baixa, “Afinal o que há comigo?” ”Eu nunca baixei a cabeça pra ninguém!” me alto critiquei nos meus pensamentos.

Eu senti seus dedos macios em meu queixo, puxando-o para cima, não havia percebido que ele havia saído da cadeira ao lado e agora se estendia sobre mim na cama do hospital, eu senti o calor da respiração dele me queimar, os olhos verdes quase me fazer chorar e meus olhos pairar na boca perfeita dele.

- Me diga uma coisa Akira. – a voz dele era suplicante, os dedos apoiando meu queixo. – O que eu tenho que fazer pra apagar “ele” da sua mente? – algo estava realmente estranho, quando ele disse sobre “ele” meu coração quase pulou, era como se eu quisesse que ele não soubesse de Yuki.

- De quem você ta falando? – as palavras saiam como um peso para mim.

- Do seu ex-namorado. Yuki. – ...algo ali mudou, eu já não sentia mais uma raiva ou aflição, não que eu senti-se isso antes por Kaede, mas quando ele pronunciou o nome do meu vocalista, algo em mim emergiu como vergonha, como se eu estivesse traindo Yuki.

- Eu não quero falar dele.

- Ele o abandonou não foi? Eu ouvi os rumores. Você se declarou e ele sumiu sem dar noticias.-ele me atiçava, fazia de Yuki o vilão e eu a vitima.

- Essa história não te interessa. – eu disse em voz alta ao tentar empurrar seu corpo de perto de mim, ele agora estava tão próximo que eu podia sentir cada batida cardíaca de seu coração.

- Muito pelo contrário. – finalmente ele me agarrou envolveu suas mãos em torno do meu rosto e a puxou para perto do dele, aos beijos ele sussurrava – Eu te amo.

Não pensei muito no momento, foi tudo muito rápido e inesperado, eu o desconhecia completamente, pelo menos isso era o que eu pensava no começo, mas, sabe, ate hoje eu sinto uma dor no peito quando penso em Yuki. E naquele começo, na cama de hospital, aos beijos e a declaração surpresa de Kaede, eu ouvi a mesma música, mas o estranho era que a letra era um pouco diferente.

Notas finais

Espero que tenha gostado, se gostou comente, se não comente tbm que na prox. eu melhoro ok! - no prox. capitulo vem a resposta de Akira para a declaração de Kaede.

Mata ne.