O telefone tocou assim que fechei a porta da sala de aula. Equilibrei as coisas que carregava só em uma mão para poder pegar o celular no bolso da calça.

— Alô. – falei, recostada na porta fechada para não cair.

— Boa tarde, eu preciso falar com a senhorita Aurora Mitchel. – a voz era polida, uma mulher extremamente educada.

— É ela.

— Senhorita, eu preciso conversar com você, sobre a sua meia-irmã.

Senti um frio na barriga. Eu tinha uma meia irmã que quase nunca via, ela era filha do meu pai já falecido, e eu tinha sido criada pela minha mãe e o novo marido dela, que era mais meu pai do que aquele que tinha me gerado.

Durante os próximos 10 minutos, eu ouvi sobre a minha irmã ter sido presa por tráfico de drogas e roubos, junto com o namorado. O mais surpreendente é que na casa onde foram presos, encontraram duas crianças, uma muito doente, e eu, como parente mais próximo, "herdava" as duas.

Meu coração palpitava tanto que eu temia que a assistente social que falava comigo pelo telefone ouvisse. Precisei largar as minhas coisas no chão e sentar ali mesmo.

— Me desculpe, senhora, mas acredito que eu não seja a pessoa mais indicada para cuidar de duas crianças. – ouvi seu suspiro profundo, cansado, antes de me responder.

— Eu entendo, mas necessito que compareça ao hospital onde uma das crianças está internada, para abrir mão da tutela e ambas serem encaminhadas para o estado.

Estado. Eu tinha noção do que aquilo significava, as crianças iam parar em um orfanato até aparecer algum casal bom o suficiente para adotar os dois, sem separá-los. Minha cabeça latejou, eu sabia que isso não ia acontecer. ninguém quer duas crianças crescidas, na verdade, eu nem sabia que Clarissa tinha filhos, eu não sabia nada sobre a minha irmã ou essas crianças.

Mas o que eu podia fazer?

— Senhorita? – ouvi pelo telefone.

— Oi, me desculpe.

— Você precisa vir.

— Tudo bem, estou a caminho.

...

Dirigi por 15 minutos até o hospital, pensando em todas as possibilidades que apareciam na minha cabeça. Ficar com as crianças, não ficar. As consequências de cada escolha.

Minha meia irmã era mais velha que eu, e nunca tinha sido conhecida pela sua inteligência, ela sempre foi impulsiva, e nas duas vezes em que nos vimos ao longo da vida, ela tinha sido irônica e mal educada, insinuando que era a garota mimada que tinha uma família perfeita.

Não era totalmente verdade.

Estacionei de qualquer jeito, tremendo dos pés a cabeça. Cheguei até a recepção do hospital e disse que precisava falar com Laura Thomas.

— Ala pediátrica, ela te espera lá.

Fui de elevador até o 4º andar e assim que porta foi aberto, uma ruiva alta e magra me esperava em pé, sentada ao lado dela estava uma menina, ela não tinha mais que 6 anos, era muito pequena e magra, as bochechas estavam marcada com lágrimas e as roupas nitidamente sujas, o cabelo era cacheado, loiro escuro mas também estava sujo.

Eu não consegui tirar os olhos dela, nem mesmo para cumprimentar a assistente social.

— Boa tarde. – disse, ainda tremula.

— Srta. Mitchel. – ela me ofereceu a mão. Aceitei. – Obrigada por ter vindo rápido, enquanto esperava, organizei os papéis para que assinasse, eu trouxe cópias das duas situações, para não haver mais transtornos. – ela parecia ser gentil, mas estava tratando tudo de uma forma tão direta.

Acredito que tenha visto minha expressão de puro susto, pois parou e sorriu para mim.

— Me desculpe, mas estou acostumada com esse tipo de situação. Você gostaria de conhecer as meninas?

— São duas meninas?

— Sim, gêmeas de 5 anos. Esta aqui é Sara. – eu olhei novamente para a menina assustada ao lado dela, frágil e suja.

— Oi, Sara. – sussurrei.

— Oi. – me disse, acanhada. – Eu conheço você. – quis perguntar como ela me conhecia, mas preferi não falar nada.

— Você é linda, sabia? – ela sorriu tímida, quase escondendo o rosto nos cabelos.

— A minha irmã vai morrer? – fiquem sem palavras, só toquei na mãozinha magra dela, com marcas de sujeira.

— Não, querida. — Laura tomou a frente. – Ela está bem, só um pouquinho fraca, nós vamos embora assim que essa moça assinar alguns papéis pra mim.

Ela olhou pra mim, agora era a hora. Laura me estendeu uma parta azul e uma caneta.

— Você assina, abrindo a mão dos seus direitos, e pronto.

— E elas vão pra onde? – perguntei, respirando pesado.

— Vão para uma casa de crianças. – arregalou os olhos, para não falar orfanato na frente de Sara. – Até encontrarmos um lar temporário.

Assenti, recusando a pasta que ela me estendia, e sem pensar direito, fiz a maior loucura da minha vida.

— Onde eu assino para levá-las para casa?

Notas finais
Obrigada por terem chegado até aqui, é realmente importante pra mim. acompanhem esse e outras histórias minhas lá no wattpad, os capítulos lá são postados mais cedo.

https://www.wattpad.com/361761356-a-caminho-do-amor-cap%C3%ADtulo-1
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.