A Caminho do Amor
22 Capítulo 22- Revelando o segredo
Notas iniciais
Não ia contar ao Tiago sobre a minha decisão. Queria que fosse surpresa. Ele vai ficar contente. Enfim, sexta chegou. Estava querendo saber se teria o pequeno grupo na casa do Tiago. Queria passar cada minuto do meu dia com Tiago. Eu estava doida para pedi-lo para cantar para mim, mas estava com uma certa vergonha de pedir...
Recebi uma mensagem de Tiago e ele dissera que me esperaria no portão do prédio às 6 horas e 40 minutos. Amava ir com ele até à escola. Logo eu lembrei que teria que perguntar a ele sobre as preocupações dele, afinal não fora ele que falou para eu não me preocupar com coisas passageiras? Vai ver ele estava preocupado com as provas da semana seguinte.
—Bom dia, pai e mãe!- Eu falei, chegando a cozinha.- João e Susan acordaram cedo hoje, não?- Eu reparei, pois eles estavam conversando com meus pais na cozinha.
—Nós vamos hoje, Gabi.- Meu irmão falou para mim.
Tinha me esquecido que eles iriam embora. Tantas novidades.
—Sério?- Eu perguntei, querendo aproveita-los mais.- Passou muito rápido.
—Realmente, Gabi.- Susan falava, com seu sotaque inglês.- Vou sentir saudades.- Ela veio me abraçar.- Voltaremos em breve.
—Vocês vão agora?- Eu perguntei.
—Vamos. Temos que resolver tantas coisas, mas queremos tirar hoje para descansar. A viagem será longa até a capital.- Meu irmão falou.
Fui até ele e dei um abraço forte, ele retribuiu. Sussurrei ao ouvido dele para sempre me manter informada quanto a vida dele. Sempre ligar para mim, já que ele não é mais aquele irmão chato.
**
Tiago estava já no portão me esperando.
—Bom dia, minha flor.- Ele me deu um selinho.
—Bom dia, gatinho.- Retribui o selinho.
—Eu quero sair com você hoje. O que acha?- Tiago me perguntou.
—Um encontro? Primeira vez!- Falei mais entusiasmada que qualquer um e dei um beijo na bochecha dele.
—Eu vi o seu irmão pegando um táxi. Ele já vai?- Tiago me perguntou.
—Ele voltará agora para Oxford. Sentirei muitas saudades deles. São ótimas pessoas.- Comentei, fechando o portão.- Vamos logo, não quero chegar atrasada na escola.
—Nem me fale. Estava com grandes dificuldades para levantar da cama. Ainda mais neste frio.- Tiago me da a mão e eu aceito, estava me acostumando com a ideia.- Espero que seu irmão e a namorada dele cheguem bem lá.
—Se Deus quiser.
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—Droga!- Reclamei, saindo da sala.- Droga mil vezes!
Tiago estava lá fora esperando todos terminarem o teste surpresa de Matemática.
—O que foi?- Ele veio para perto de mim, com uma cara sapeca.
—Não me olhe assim!- Eu falei muito zangada.- Teste surpresa hoje? O que ela estava pensando?
—Ela dá testes quando estamos perto da semana de provas. Ela nos ajuda muito com esses testes.- Ele percebeu a minha preocupação.- Você não foi bem?
—Não sei bem. Na minha antiga escola eu sempre me saia mal quando tinha teste surpresa.- Bufei.- Eu fiz todas as questões, mas não tenho certeza se cheguei nas conclusões certas.
—Relaxa. Não precisa ficar assim.- Tiago veio mais perto e me abraçou.- Eu te amo.
Meu coração batera tão rápido que eu pensei que ia vomita-lo. Minhas bochechas pegaram fogo com aquela nova declaração. Nenhum menino antes dissera para mim algo tão bonito. Eu me afastei um pouco dele, olhando a cara de surpresa dele.
—E-eu...não quis te deixar constrangida.- Ele gaguejou.
—Não me deixou.- Eu dei um selinho demorado como agradecimento.
**
Na volta para casa Tiago me acalmou. Ele dissera que eu precisava descansar e parar uma pouco de pensar no teste e nas provas. Se eu tivesse o cérebro dele, até que ia.
—Vamos sair para passear em volta da lagoa?- Ele me perguntou.
—Pode ser.- Eu respondi.- Aproveito e arranco o seu cérebro e implanto na minha cabeça e ele riu.
—Ótimo. Se for te fazer feliz, eu deixo.
—Bobo.
—Pode ser às 16 horas?- Ele olhou para mim, estávamos perto de casa.
—Pode.
—Vamos de táxi, beleza? Eu ainda não tenho carta de motorista.
—Sem problemas.
**
Consegui fazer uns exercícios de Matemática para ver se garantiria uma nota boa na prova. Porque, para mim, o teste havia sido um desastre total. Imaginava a professora tendo o prazer de me entregar o zero.
Antes de me arrumar, eu ouvi Tiago conversar com meus pais. Aliás, ele escolhera uma data boa, pois meu irmão não estava na casa de nossos pais. Eu estava pronta e meus pais pareciam satisfeito quanto ao Tiago.
Minha mãe disse que o Tiago era para casar. Meu pai disse que ainda iria encontrar defeito nele. Eu apenas ria por dentro.
Quando descíamos, Tiago parecia muito nervoso. Algo realmente estava o preocupando.
—Tiago, aconteceu alguma coisa?- Perguntei a ele.
—Hã?- Ele olhou para mim.- Estou um pouco preocupado, mas nada para, ahn, se preocupar.- Ele olhou para mim.- Olha, o táxi chegou.
Fomos até o táxi, Tiago abriu a porta para mim, entrou e disse o local para onde fomos e o motorista levou o táxi em rumo ao lago. O relógio marcava exatamente 16 horas. Eu sentia o cheiro do perfume do Tiago: algo suave e doce, parecia com ele. Estava tão feliz por estar ao lado dele e tentei esquecer as minhas preocupações e aproveitar ao máximo o momento. Infelizmente, Tiago não parecia fazer o mesmo. Ele estava totalmente preocupado e tenso, não me olhava e parecia inquieto.
O que será que está havendo com ele, pensei.
O rádio tocava uma música tão bonita, que até coloquei a mão minha sobre a mão dele. Ele olhou para mim e sorriu, foi um sorriso de preocupação. Dei um sorriso mais alegre e mais sincero que pude dar naquele momento. Comecei ir mais perto dele e beijei a bochecha rosinha dele.
—Tudo vai ficar bem.- Eu disse a ele.- Se quiser me contar, pode, mas não se sinta obrigado.
—Eu vou te contar, mas não agora.- Ele virou-se rapidamente para mim e depois voltou a atenção lá para fora.
—Tudo bem.- Eu voltei para o meu lado do banco.
Alguns segundos mais tarde, o táxi parou perto da lagoa e o motorista falou o preço. Tiago o pagou errado e o homem falou que faltava ainda alguns reais. Tiago estava muito estranho aquela tarde linda.
O clima estava frio e o céu azul. Quando sai do táxi tive que arrumar o meu cachecol e esperava Tiago chegar. Cruzamos os braços e apoiei a minha cabeça em seu ombro. Estava relaxada e sentia o vento frio bater em meu rosto e fazer com que eu sentisse o cheiro dele.
—Você me trouxe aqui para quê?- Eu perguntei, depois de alguns minutos de caminhada.
—Para te contar uma coisa.- Ele respondeu, virando a cabeça para o outro lado, impedindo de ver seu rosto.
—Pode me contar.
—Eu não irei fazer faculdade.- Não acreditei na hora que isso era o que estava deixando-o preocupado.
—Tiago, por mim, tudo bem. Mas eu acho um desperdício não fazer com um cérebro desses.- Eu sorri para ele.- Você é capaz de fazer qualquer coisa, e sabe disso.- Ele parou em minha frente.- É isso que anda preocupado? O nosso futuro pode ser difícil, mas damos um jeito...
—Não é isso.- Tiago me cortou, com lágrimas nos olhos.- Estou doente.
—Vamos a um hospital. Não precisava me levar aqui.- Falei preocupada.
—Não, não é isso. Você não entendeu. Eu estou doente.- Uma lágrima escorre na bochecha rosinha dele e seus olhos ficam marejados.- Eu tenho Doença de Pompe.
—Hã?- Eu perguntei, sem saber que doença é essa.
—Esta doença é genética e se resume em fraqueza muscular.- Tiago enxugou suas lágrimas.- Faz um ano que convivo com a doença e não respondo mais ao tratamento. Por mais que seja a falta de uma enzima, meu organismo não reconhece mais ela.- Tiago caiu em um choro silencioso.
—Você só pode estra brincando. Você não tem nada, é saudável.- Eu falei um pouco mais alto que o normal, com olhos cheios de lágrimas.
—O médico disse para eu viver normalmente, ele não sabe até quando eu posso viver.- Tiago avisou.- E eu estava fazendo isto, até você chegar.
—O que?- Comecei a chorar muito.- Isso não está acontecendo, meu Deus.
—Não há motivos para ficar bravo com Deus.
Eu sai correndo daquele lugar. O mais rápido que pude ir. Queria que nada disso estivesse acontecendo com a primeira pessoa que amei de verdade. Minha cabeça parecia que ia explodir e muitas lágrimas saíram dos meus olhos.
Peguei o primeiro ônibus que vi parado. Por mais que parecia errado deixar o Tiago para trás, eu precisava de tempo. Organizar as ideias. E ele também não fora nada gentil ter deixado a nossa relação ir longe. Talvez eu não tivesse ter deixado.
Cheguei em casa e fui direto para o meu quarto e fechei a porta. Minha mãe bateu na porta e entrou.
—O que foi, Gabi?- Ela sentou-se na minha cama.
—Tiago.- Eu limpei as lágrimas e tirei o casaco e o cachecol.
—O que tem ele? Tentou se aproveitar de você?
—Não, mãe! Ele tem uma doença.
—Oh, filha.- Minha mãe fez com que eu deitasse a minha cabeça em seu ombro.- Qual que é?
—Uma doença chamada Pompe. Eu não sei bem como é, mas é uma doença genética e causa fraqueza muscular.
—Meu Deus. Sério?
—Sim.
—Isso é muito sério. O coração dele poderá parar. Ele te levou até aqui?
—Não eu sai correndo de lá e eu sei, sou uma egoísta.
—Calma, filha, tudo vai passar. Você não fez por mal. Ele não fez por mal também.- Ela fez com que eu olhasse para ela.- As vezes, o amor nos faz coisas doidas, escolhas erradas e coisas que não entendemos. Mas ele é gentil, doce e meigo. Tiago não foi uma escolha errada, mas você e ele têm tempos diferentes. Acalme-se e recomponha-se.
—Obrigada, mãe.- Eu falei.- Eu preciso de um tempo sozinha.
—Claro que precisa. Vou te deixar.
Mãe saiu do quarto e fiquei sozinha. A escuridão foi a minha companhia por um tempo.
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