A Caminho do Amor
20 Capítulo 20- P.o.v do Tiago
Notas iniciais
Eu assustei quando liguei para Gabriela e ela ficou brava. Foi no domingo passado. Parecia realmente enfurecida com alguma coisa. Mas tudo acabou bem no final: ela aceitou o meu convite para peça. Com certeza, ela foi uma das melhores escolhas e se encaixava muito bem na personagem.
Quando falei que era necessário encontrarmos na garagem, eu não sabia se ela aceitaria, mas aceitou. Eu queria mesmo é vê-la. Ouvir a sua voz. Sentir o seu cheiro. Estava doido para beijá-la e ficar o tempo todo com a sua companhia, sem me importar com o mundo. Deram-me arrepios quando ela começou a aproximar-se de mim e eu não sabia bem o que fazer. Fiquei muito mais relaxado quando eu estava com ela e não gostei de ser atrapalhado pelo vizinho do último andar. Então, foi aqui que decidi: quando ficarmos sozinhos, eu a beijarei. Precisava disto para ter certeza de que todos estavam enganados quanto a minha escolha sexual. Mas de jeito nenhum ela seria usada como cobaia!
Quando cheguei atrasado na escola, por acordar tarde, fiquei impressionado como a secretaria estava cheio de alunos que chegaram atrasados. Francamente, eu fico muito desmotivado quando o ano está chegando ao fim. Enfim, fui esperar na biblioteca o sinal da segunda aula tocar. Deparei-me com a Gabi beijando o André! Não tenho nada contra ele, mas eu realmente fiquei surpreso com aquele beijo. O que seria aquilo na garagem? Está certo que não nos conhecíamos bem e ela é popular e tal, mas não achava ela uma menina que gostava de experimentar muitos meninos por vez. Não condizia com ela. Eu realmente fiquei chateado com aqueles folhetos, diziam muitas coisas ruins e não gosto de pensar naquilo. Foi posto o que era pensado por muitos ali e eu sabia que era Laura, porque a menina não gostava de mim.
Laura me pedira em namoro e eu recusei, achei que não estava preparado para encarar um relacionamento sério. Desde então ela vem me perseguindo em todos os lugares. Fico cheio disso tudo e já cheguei a elogiar, mas ela não estava nem ai.
Eu não brigo, não bato nas pessoas, porque acho que violência não faz a pessoa ficar “melhor”. Mas se for muito necessário, baterei (nível difícil de chegar). Então, André veio para cima de mim e eu não queria que a Gabi estivesse lá e não queria machuca-lo. Eu falei para ela que erámos amigos, porque eu não queria que deixasse um menino que a faria feliz. Não queria deixa-la magoada. Senti-me muito triste e eu não queria conversar com ninguém, nem mesmo com ela.
Quando ela me mandou aquelas mensagens, eu tinha acabado de estudar e estava muito mal. Estava me sentindo um lixo. E meu coração parecia que ia saltar da minha boca quando ela disse que gosta de mim. Minhas bochechas coraram e respirei fundo. Depois, parecia, apenas, que ela queria me fazer sentir bem. Queria fugir e deixar tudo para trás.
Eu fora fazer compras com a minha mãe e sempre me dava sono nos mercados. Qualquer que fosse.
Estava decidido que eu iria faltar o próximo dia, não queria sair do meu quarto, mas com a mãe que eu tenho, ela não ia deixar. Aproveitei e fiz a ficha de cada personagem e enviei para Gabi. Gostei muito dela ter me convidado para estudar juntamente com ela. Prometia ser uma tarde ótima.
Não queria ficar sozinho com ela, mas como seu irmão estava lá, ficou muito melhor. Mas eu não deixaria de beijá-la. E foi isto que aconteceu: um beijo incrível e esperava que ela gostasse. Agradeço por aquele lanche incrível com a família dela. Eles são muitos engraçados e a comida estava ótima.
Conversei com a minha mãe sobre o beijo, mas ela não gostou da notícia. Nós sabíamos o que isto implicava, tanto para mim quanto para a Gabriela.
—Tiago, você sabe o que isso significa?- Minha mãe sentou-se na minha cama.- Você avisou a ela? Deus, o que vamos fazer? Você está louco?
—Calma, mãe.- Eu disse, colocando a mão na testa.- Eu não disse nada ainda, nós nos beijamos e não estamos para casar. Calma ai! Eu avisarei a ela!
—Por que está fazendo isso? Quer deixar mais gente triste? Você é muito irresponsável e imaturo!- Mãe se levantou e estava visivelmente chateada. Não gostaria de ter feito isso.- Arrume um jeito de não deixa-la na mão. Boa noite.- Ela virou-se e saiu do meu quarto.
Não poderia avisa-la ainda. Precisava contar para ela, então, com certeza, afastaria de mim.
Quando eu a vi descendo para ir à escola, eu não sabia bem se esperava ou não, então decidi espera-la. Ela ficou muito tímida quando eu peguei a mão dela e isto foi meio que um estímulo. Não sabia se estava indo longe demais ou o quê. Parei de pensar um pouco e fiquei admirando a beldade ao meu lado. Eu nunca pensei em beijar uma menina tão linda daquelas. Ela é incrivelmente legal, bondosa e engraçada. Uma menina com conteúdo.
Estava decidido a falar com ela na quarta, depois de sair com ela e pensar no que falar, sem deixa-la triste e aproveitar para ficar algumas horas com ela. Não fiz isto. Apenas deixei o momento se levar e nos beijamos. Foi um beijo incrível, nunca mais queria sair dele. Mas para não deixar esquentar muito e nos levar para um patamar mais alto, precisei parar. Nunca queríamos fazer ali, mas não queria parecer um sedento por sexo. Então paramos.
Seu olhar pedia mais e mais e eu queria continuar lá. Estou completo! Nunca me senti assim. Quando estou com ela o meu coração acelera tanto e os meus sentidos ficam tão vívidos. E a Gabi está me ajudando com a minha depressão e a minha baixa autoestima. Sinto-me vivo.
Hoje, quinta, um dia cheio. Escola, arrumar o meu quarto, deveres e ensaio. Deus na frente sempre. Acordei bem cedo e aproveitei para deixar tudo preparado para a limpeza do quarto e tomei café e desci para esperar a Gabi. Eu não ia incomodar ninguém da casa dela. Já imaginou? Um menino batendo na porta e acordar os pais da garota que ele está afim...Grande genro.
Gabriela sempre me deixa calmo e relaxado perante a família dela. E deu para perceber, mais tarde, que ela não é o tipo de menina que não se importa com os outros (estou parecendo tão apaixonado).
Quando cheguei em casa, já sabia o que me esperava: almoço, louças e quarto para limpar. Fiz isso tudo antes das 15 horas e tomei um banho muito rápido, pronto para a ver. Estava linda: cabelo solto, um sorriso incrível, uma camiseta para o clima quente e uma calça jeans. Quando estava arrumando meu quarto, recebi que o ensaio estava confirmado na igreja. Eu nunca dirigir uma peça antes e não vou dirigir agora, fui responsável por algumas coisas, mas que é responsável é a Carla.
Carla é uma mulher com seus 35 anos, alta, muito magra, tem uma voz muito bonita e grossa (para mim, uma das mulheres com a voz mais bonita da igreja local), cabelos negros e olhos negros. Sua boca é fina e ela não tem uma beleza de modelo, mas seu caráter e personalidade a deixam linda. Uma mulher muito madura, brincalhona e doce. Com a paciência dela, ela teria que ser a diretora.
Gabriela e eu fomos a pé e chegamos lá, em torno das 15 horas e 17 minutos. Todos já estavam lá dentro e os ventiladores estavam ligados. Gabi pareceu estar ansiosa, então eu acalmei-a e fomos ensaiar. Tudo ocorreu bem. E, para mim, Gabriela sabe atuar muito bem. Quando precisa fazer alguma expressão ou alguma coisa, ela consegue fazer com precisão. Ela é incrível.
Depois, despedimos de todos e fomos para casa.
—Você sabia que atua muito bem?- Perguntei a ela.
—Mentir é feio, Tiago.- Gabi respondeu, sorrindo para mim. O meu mundo parou.- Mas obrigada. Você atua bem também.
Eu rio para ela e ela sorri para mim. Nós nos beijamos na rua, mas eu não ia dar uns amassos nela igual aqueles casais de jovens desmiolados que ficam nos postes se beijando. Mas foi precisamente calmo e doce. Eu senti o hálito de menta dela e o cheiro doce do perfume dela e do cabelo.
—Eu quero cantar uma música com você.- Comentei.
—Hã?- Ela olhou para mim, desconfiada.- Tipo, um dueto?
—Sim. Um dueto.- Nós paramos.
—Você já me ouviu cantar?- Ela me perguntou.
—Sim.
—Quando?- Gabi olhou para mim surpreendida.
—Você canta quando toma banho. Dá para te ouvir do meu banheiro.- Eu rio.- Eu faço o mesmo.
—Então é você?- Ela riu.- Sabia! Cantamos uma vez juntos, não foi?
—Isso ai nunca aconteceu.- Eu olhei para ela sem lembrar disso.- Temos outros vizinhos que cantam. Talvez você cantou com o Leandro, o vizinho do 103.- Dou risadas da cara dela.
—Pelo menos sabemos a mesma música.- Gabi comentou.- Eu preciso do quê?
—Para cantar aqui, você precisa de batizar.
—Batizar? Mas eu batizei já. Meus pais eram católicos.
—Você sabe de mais coisas da Bíblia neste momento. Sabe dos mandamentos e leis de Deus. Então, você pecou, sem saber, e agora que sabe, você precisa rebatizar. Para renascer de novo, sabe? Ser uma nova criatura, pois você será perdoada de todos os pecados.- Eu olhei para a cara dela.- Quando foi batizada, era um bebê, certo?
—Sim.
—E você sabe que bebês não tem consciência de nada, não sabe?
—Sim.
—Então, do quê você foi perdoada?- Voltamos a andar.
—De nada.
—E agora você já tem consciência, não tem? Do que é certo e errado.
—Tenho.
—Você pode batizar de novo, para ser nova criatura. Ter a sua segunda chance. Deus é de segundas chances.
—Vou pensar.
—Pense, por favor.
Continuamos a caminhada até a nossa casa. Gabi parecia pensativa. Tomara que eu não a deixei traumatizada. Dei um selinho nela e ela retribuiu. E, então, a culpa voltou para meus ombros: terei que contar a ela sobre isto que eu tenho. Não posso fazer isto com ela. É o meu papel com cristão.
Fale com o autor