A Caminho do Amor

18 Capítulo 18- As coisas começam a melhorar


Notas iniciais
Postei este capítulo rapidinho, não? Comentários por favor!! ótima leitura.

Chegamos na escola, de mãos dadas, dando bom dia para todos. Os professores sorriam para nós e a professora de História, Aninha, a mais doida dos doidos, disse que estamos formando um lindo casal. As vezes, ela parece ser normal.

Chegando na classe, deixando de lado o quê todos, possivelmente, iriam pensar de nós, sentamos um ao lado do outro. Eu sorri para ele e ele para mim. Fiquei mais calma, sendo que não sabia do porquê de estar ansiosa daquele jeito (estava feliz). Laura e sua gangue deram uma encarada e cochicharam e as “amiguinhas” de Tiago deram um sorrisinho amarelo. Eu ergui a cabeça e segui o meu caminho. Não dei bola para ninguém de lá. Thiago parecia feliz e isto é o que importava.

Uma dúvida recorreu na minha cabeça: será que o Tiago não estava me usando para provar que não era gay? Não sei bem...bem, espero que não. Assistimos todas as aulas de quarta e, nas horas vagas, lia o livrinho que o Tiago me emprestara. Ele me ajudou, dando dicas de como decorar as falas. Ele tinha decoradas todas. Não somente as dele, mas de todos os personagens. Perguntei se era ele o diretor da peça, mas ele disse que não. Será uma outra pessoa, uma de fora. Percebi que ele não queria falar sobre o diretor, então voltamos para peça.

Como ele mandou-me uma mensagem falando que será amanhã o ensaio da peça (que até então era terça), comecei a tentar a decorar as falas. E ainda tinha que me lembrar das provas...Deus, que semana cheia.

**

Depois das aulas, fui embora com Tiago, sem ninguém enchendo o nosso saco e feliz. Feliz e com tarefas.

—Hoje terá culto. Você vai?- Tiago perguntou-me, dando um sorriso labial.

—Bem, eu me esqueci completamente disso. Estou um pouco preocupada com as provas na semana que vem.- Respondi, colocando o meu cabelo atrás da minha orelha.- Talvez não dê.

—Relaxa, qualquer coisa eu te ajudo nas tarefas e nos estudos. Vamos lá!- Ele disse numa empolgação.- Não precisa se preocupar com essas coisas. Há muitas coisas melhores para se preocupar.

—Eu odiaria pegar recuperação, sabe?- Falei sem pensar.

—Olhe bem.- Tiago começou a falar como se fosse experiente e de uma forma calma.- A escola te dá várias chances de recuperar a sua nota: recuperações e testes. Eles inventaram isso para alunos que passassem por dificuldades ou não tivessem muito tempo para as provas. Com o passar do tempo, as coisas começaram a ser uma disputa intelectual: quem pegar recuperação ou for reprovado, é tachado de burro. O que não é bem assim sempre. Na maioria dos casos de recuperação ou reprovação é por causa da irresponsabilidade do aluno e falta de comprometimento do mesmo.- Ele abaixou o dedo depois de explicar tudo.- Entende?- Ele parecia contra a disputa intelectual.- Muitas pessoas têm problemas com a exclusão intelectual. Além do mais, as maiorias das disputas de notas rebaixa o outro componente. Então, por que a humanidade se autodestrói? Deveríamos viver bem um com os outros e não nessa guerra para ver quem é melhor.

—Entendi.- Dou um sorriso para ele e parece que ele se desconcerta um pouco.- Desse modo, eu vou. Mas não tem como eu ir de carro: meu pai trabalha.

—Sem problemas. Dou uma carona.- Ele sorri.

—Você expressa bem o ponto de vista sua.- Comento.

**

Arrumei-me para ir à igreja. Soltei meus cabelos e coloquei um vestido amarelo-claro com rendas nas bordas. Passei pó de arroz e soltei os meus cabelos e alisei-os mais ainda. Coloquei brincos pequenos e um batom rosinha. O vestido era dois dedos abaixo do joelho, então não serei tachada de mulher que ganha a vida facilmente. Eu não acho que saia ou vestido um POUCO acima do joelho seja muito curto, mas aquelas que tem palmas e vários dedos de distância do joelho é ser “calorenta” demais. Tem menina que coloca a saia ou vestido até o umbigo...não entendo do porquê se vestir então.

Esperei o Tiago vir e bater na minha porta. Fique tranquilo: pedi permissão aos meus pais. Eles deixaram e ficaram surpresos por eu sair para igreja. Esperei por uns cinco minutos e ouço alguém batendo na porta e corri até ela, abrindo, toda feliz.

—Oi, Gabi. Vamos?- Ele me perguntou, dando um grande sorriso lindo.- Você está linda.

—O-obrigada. Você está muito bonito.- Minhas bochechas pegam fogo e provavelmente Tiago percebe.

—Vou te acompanhar até o carro.- Ele se virou e abre o braço, para que eu passe o meu por aquela abertura. Ele dá aquele sorriso aberto e lindo.

Vou até ele e passo meus braços. Falei um “tchau” para minha mãe e para meu pai e eles dão um aceno de volta.

—Se comporta!- Meu irmão falou e eu fechei a porta da casa.

Descemos as escadas e os pais de Tiago estavam lá. Cumprimentei todos e a mãe dele eu dei um beijo na bochecha e ela me deu outro.

**

Chegando lá eu cumprimento as pessoas que vieram apertar a minha mão ou me abraçar. Tiago senta ao meu lado, em um banco da fileira da direita do templo da igreja. Os pais deles ficaram sentados no último banco da mesma fileira nossa.

—Parece que quem estava na escala não pôde vir hoje.- Tiago comenta.- Vou ter que cantar de novo. Um louvor especial.

—Por que? Não tem outra pessoa?- Perguntei, ingênua.

—Tem, mas eu gosto de cantar.- Tiago vira-se para mim e dá um sorrisinho malicioso.- Você não gosta de me ouvir cantar?

—Eu?- Eu percebi a jogada dele. Seu cheiro gostoso estava me dando uma distraída.- Apenas quero que você fique aqui comigo.- Dei um sorrisinho malicioso de volta.

—Entendi.- Ele ficou um pouco desconfortável.- Se eu não cantar, não terá outro agora. Não gosto de dar para trás e, aliás, o culto começará daqui cinquenta segundos.

—Tiago, seu bobo, pode cantar.- Comentei, dando um sorriso.- Não me sentirei sozinha e estamos na igreja, na casa de Deus. Por que ficarei sozinha?

—Você está certa, Gabi.- Ele comentou e sorriu para mim.

O culto começou cantamos uns louvores e, antes da pregação, o Tiago cantou uma música muito bonita:

“Se você já não pode ver

Por de trás dessas lágrimas

Se você já perdeu a fé

E o que tem já não satisfaz

Há alguém bem ai

A espera de um pedido seu

Há alguém a ouvir

À distância de uma oração.

Quando tudo desabar

E o medo encontrar

Há alguém

Quando as portas se fecharem

Quando todos o deixarem

Há alguém.

Há alguém

Que ao amanhecer

Cala o mundo

Pra ouvir sua voz

Há alguém

Que conhece bem

Cada noite

Que o encontra sós

Ele tem muito mais

Suficiente pra quem mais perdeu

Tudo novo ele faz

Mesmo antes de um pedido seu.

Quando tudo desabar

E o medo encontrar

Há alguém

Quando as portas se fecharem

Quando todos o deixarem

Há alguém

Mesmo que seus olhos

Não encontrem nada além

Há um Deus bem perto

Você não está só.

E o medo encontrar

Há alguém.

Quando as portas se fecharem

Quando todos o deixarem

Há alguém.”

A música acabou e olhei para o Tiago. Essa música me tocou o meu coração. Realmente Deus é tudo que eu preciso...quero revelar o Seu amor pelo mundo.

Tiago desceu e me deu um sorriso tímido, o qual achei muito fofo. Estava sentindo algo mais por ele, só não sabia exatamente o quê.

**

Quando o culto acabou Tiago me levou até a porta da minha casa e eu despedi de seus pais.

—Você canta muito bem.- Comentei para ele.

—Muito obrigado.- Ele se aproxima mais.- Você é uma ótima pessoa.

—Você que é.- E realmente é: uma pessoa cariosa e bondosa.- Sua voz me acalma.- Comentei sem perceber.- Temos um dia longo amanhã...

Tiago passa as mãos pela minha nuca e veio mais perto, mais perto e mais perto. Sinto o toque da sua outra mão na minha cintura e me puxando para perto dele. Acabei me rendendo e nos beijamos. Ele começou dando selinhos e depois abri a minha boca e ele passou sua língua na minha e eu deixava ele fazer o serviço. Comecei a quere mais e mais. Sentia-me muito bem e comecei a passar a mão na nuca dele, começando a ficar sem fôlego, mas não queria parar. Nunca.

—Gabi, temos que parar.- Tiago parou o beijo. E se afastou.- Bem, foi muito bom ter você como companhia.

—Você tem um ótimo fôlego.- Comentei.- Como que consegue?

—Notas constantes necessitam de um bom fôlego.- Ele respondeu. Ele viu a minha cara de interrogação.- Na hora de cantar. Como a música de hoje precisou de uma nota constante, eu precisei de muito ar. Treino e treino para não perder o fôlego, senão eu perco a música.

—Ah, sim. Entendi.- Respondi.

Abri a porta do apartamento e entrei.

—Até mais.- Tiago cumprimentou, mas percebi que ele queria mais.

—Até. Boa noite!- Respondi, fechando a porta. Coloquei meus ouvidos e não ouvi barulho de movimento, então abro-a e Tiago se surpreende.- Bobo.- Dei um beijo nele e nos separamos rapidamente.- Agora tenho que ir.

—Boa noite.- Ele respondeu.

Notas finais
Música cantada pelo Tiago: https://www.youtube.com/watch?v=AWbXPaBGjDI Alguém- Laura Morena.