A Caixa de Sofia
17 Boneca Sofia
Ela tinha longos cabelos castanhos, olhos de mesma cor e um vestidinho rosa, com babados brancos e um grande laço com uma margarida no centro. Essa bonequinha tão pequena, mas tão parecida consigo mesma, era com quem treinava as falas de todos os papéis que chegava a adquirir desde o Robin Hood. Mas não faria isso pela primeira vez, pois conseguira seu primeiro trabalho como profissional. Era impossível não justapor uma enxurrada de sentimentos conflitantes: Será que perderia o jeito por deixar de fazer algo que fazia costumeiramente? Não. Os últimos anos fizeram com que crescesse o bastante para não depender de nenhum ritual. Mas não sabia o que fazer com a boneca Sofia, pois não queria jogá-la fora ou doá-la para alguém que não teria o mesmo apreço. Acabou por guardá-la dentro da caixa de lembranças.
– Dramático, hein? – Pensou alto. – Espero que você não volte para me assombrar nem nada assim.
Ergueu a caixa com ambas as mãos e sentiu parte da poeira que se acumulara sobre a antes tão linda tinta rosa. Mas, para Sofia, o peso e cada sinal de desgaste apresentado por ela representava uma parte importante de sua vida, da qual nunca se esqueceria.
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