Notas iniciais
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Os órfãos perplexos com a imagem do ser que viam em sua frente, não conseguiam falar, muito menos correr. João tomando a frente grita para eles: — Corrammmm!! Porém, João foi o único que correu, sem perceber que os amigos ficaram parados observando o monstro, que pela feição clamava por uma bela carnificina, João, que estava a uma bela distancia dos amigos, não acreditou que eles não haviam seguido-o. Calíope correu para a cantina do orfanato e disse a João, “Pelo que vejo, iremos precisar de armas”. Adentrou a escuridão da Cantina e sumiu por lá.

O minotauro tomava velocidade para alcançar os garotos. O animal disparou em direção a eles, quebrando todas as mesas do refeitório, daria para imaginar o barulho estrondoso, daquelas grandes mesas, tornando-se apenas pedaços estraçalhados de madeira. Os outros órfãos ouviam o barulho, porém obedeciam a ordem da diretora do orfanato, para não saírem dos quartos. O animal tinha uma feição tão horrenda, que qualquer um que continuasse olhando para aquela criatura, teria pesadelos para a vida toda. Giulia saindo do transe percebeu o quanto estariam ferrados se não saíssem daquele lugar, gritando o nome dos amigos desesperada, puxando seus braços para fora da linha de impacto, porém nada que Giulia fazia resultava em algum efeito, os amigos continuavam paralisados pelo que viam, o animal estava chegando cada vez mais perto. João gritava o nome de Giulia freneticamente, porém a garota fingia não ouvir, e então varias lembranças passaram em sua cabeça: O dia em que chegou no orfanato, e um pequeno grupo de órfãos recebeu-a com um imenso carinho e afeto, as conversas que a faziam esquecer da morte da mãe, as risadas que estes lhe concediam a todo o momento, e a grande união que eles tinham. Giulia lembrava-se a todo o momento da frase que Augusto dissera a ela, quando ela tinha pesadelos que não conseguia entender: “Nós somos uma família agora, e você poder ter certeza, isso nunca vai acabar, família protege família”. Giulia com lagrimas nos olhos abraçou os amigos e disse à João: — Não vou perdê-los, eles são minha família agora, prefiro morrer com eles, a viver com a ausência deles. Giulia concretizando suas palavras fechou os olhos esperando pela morte certa, e em sua cabeça dizia: “Mamãe, finalmente irei te encontrar”. O Animal estava a poucos metros do grupo de amigos, João sem reação, lembrou que seu dever era protegê-los. Correu em direção aos garotos e a frente deles e disse: Se alguém tem que se sacrificar por vocês, esse alguém sou eu. O monstro finalmente estava a alguns centímetros de atingir os amigos, então João finalmente fechou os olhos, e pediu para que Pã o perdoasse, por não ter cumprido sua missão de proteger seus amigos. Deu a mão para a Giulia e se encolheu pedindo, para que fosse uma morte rápida. Augusto saindo do transe esticou as mãos a frente e fechou os olhos, percebendo que nada ajudaria naquela hora, somente pediu proteção.

Passaram-se alguns minutos, e nada. Realmente nada havia acontecido. João achava que haviam atendido a seu pedido de uma morte que não fosse dolorida. Giulia e Augusto com medo ainda não abriram os olhos. Finalmente Mariana, David e Rafael, haviam saído do transe e ficaram estupefatos com o que viam. Uma parede, ou escudo, brilhoso protegia-os do minotauro, que avançava fortemente nessa proteção, porém nada acontecia, Rafael percebeu que uma luz amarelada, que parecia muito mais, pequenos raios, que saiam das mãos de Augusto e formavam a “barreira protetória”, finalmente David chamou os amigos: — Gente, gente, disse ele dando pequenos saltos de alegria e balançando os amigos. Rapidamente João, Augusto e Giulia abriram os olhos e ficaram também estupefatos com o que viam, principalmente Augusto, qual saiam de suas mãos pequenos raios, que faziam suas palmas da mão formigarem. João soltou um berro de bode, e todos ficaram, com uma feição de estranheza/duvida, porém ignoraram aquilo e voltaram-se a parede que os protegia, Mariana indagou: Mas, gente o que é isso ? Enquanto observava as investidas do monstro no escudo. David disse: Um Minotauro, eu vi um desses em meu livro de Mitologia, mas não achava que fossem reais, e ainda acho que estou sonhando. Afirmou maravilhado, mas ainda assustado com o que via. Correto David, e infelizmente, não, isto não é um sonho, antes fosse. Disse João ao amigo. Giulia tomou a frente e tocou a barreira, contudo arrependeu-se de ter feito aquilo, um choque poderoso a lançou a metros de distancia, quando aterrissou, gritou: Aí, isso doeu, Okay? Rafael correu em sua direção e ajudo a amiga a levantar, que limpando as calças disse, um pequeno e singelo: Obrigado.

Calíope voltara, e ficou boquiaberta com o que via, cinco adolescentes, protegidos por uma barreira, que repelia o minotauro, que a cada minuto pegava mais velocidade e atingia mais forte a barreira. Augusto com um tom fraco disse: Não sei por quanto tempo, vou continuar, sei lá, projetando isso. Calíope veio correndo com seu baú sem ser percebida, chegou do lado dos garotos e anunciou em voz alta: PEGUEM AS ARMAS! Todos se assustaram, principalmente Mariana que pulou nos braços de David, que naquele momento não demonstrou, que havia adorado aquilo, alias que garoto não gostaria que uma garota loira, pulasse amedrontada em seu colo, e ficasse juntinho a ele. Entretanto aquilo não serviria de nada, naquela situação. Augusto gritou de dor, e seus músculos clamavam para que parasse, apesar disso continuou, gritou: Vão logo! Todos se organizaram ao redor do baú, que estava aberto e lotado dos mais belos equipamentos, que qualquer gladiador almejaria por uma vida inteira. Rafael em um ímpeto impulso disse: Armamento grego. Todos o olharam com uma cara de duvida e ele diz: Não me perguntem como sei disso, pois não sei. Giulia pegou um machado negro, que era muito grande para sua estatura mediana, Mariana agarrou uma corrente de espinhos metálicos, Rafael uma espada de cor azulada, pequena, porem logo após pega-la a arma cresceu em suas mãos e dobrou de tamanho, David escolheu outra espada, porém essa era de um azul marinho incrível, como Rafael, seu toque na espada também fez com que essa aumentasse de tamanho. João agarrou algumas bolas metálicas, e Calíope um arco e flecha, finalmente o grupo estava formado e bem equipado. Armaram um plano entre si e voltaram-se a barreira, que estava quase rachada e Augusto de joelhos com os olhos amarelados, como um próprio raio. O Minotauro desta vez pegou uma velocidade enorme, e veio feito um trem com seus chifres apontados para a parede. BOOMMMM. A parede explode e derruba a todos, e repele o minotauro para alguns metros de distância, que ficou meio desnorteado e no chão. Todos observam o corpo de Augusto caído e seus olhos estatelados com faíscas eletrizantes pulando para fora, correram em direção ao corpo e levantaram o amigo, que estava totalmente elétrico, dando choques em todos, todavia os amigos ainda ajudaram-no ignorando a dor que sentiam dos choques. Finalmente acabaram de colocar o amigo encostado em uma parede de um pequeno armazém, voltaram-se para o minotauro, que estava se levantando vagarosamente.

Tomaram suas respectivas posições e esperaram o monstro se levantar, todos ainda assustados, por nunca terem visto um monstro, muito menos um animal daquele porte. O monstro levantou-se e nem pouco, esperou e já foi em direção aos garotos. Contudo estes desviaram-se do ataque e o animal, que cravou seus chifres na parede, Todos correram assustados, e Giulia em um súbito pensamento, lembra-se finalmente do que matou sua mãe. “Na noite em que tudo aconteceu, a mãe havia a botado para dormir mais cedo, e disse: Mamãe te ama, durma bem filha. Já venho lhe contar uma história. A mãe ligou o abajur de lobo, que refletia na parede vários lobinhos correndo pela floresta, Giulia com seus 7 anos, observava sorrindo aquela bela imagem, até que um forte estrondo mexeu a imagem e assustou a pequena garota, Giulia agarrando-se a seu pequeno cobertor roxo, vai até a porta, e a abre. – Mamãe, estou com medo! Disse a pequena garota, antes de vir uma cena que nunca sairia de sua cabeça, sua mãe apoiada na parede da sala, enquanto um enorme touro ia em direção a ela. A mãe de Giulia corre e o touro prende seu chifre na parede, rapidamente o retira, no mesmo instante a mãe avista a filha e corre para protegê-la, o touro pegando velocidade corre até as duas, e a mãe da garota a empurra para longe e entra na frente do animal, que sem hesitar corre e enfia o chifre em sua barriga, o sangue começa a escorrer, Giulia chorando, ouve a ultima fala da mãe que com o sangue escorrendo de sua boca diz: Eu....te..a..mo filha. Orando por dentro a mãe da garota pede que a protejam. No mesmo instante, sombras negras saem do chão e puxam a garota para baixo, que nem tempo de gritar “mamãe” teve.” E agora tudo fazia sentido, aquele mesmo touro que havia matado sua mãe, era aquele monstro que estava tentando matar a ela e a seus amigos. Uma raiva havia tomado seu corpo. O minotauro havia se soltado da parede, e corria em direção a garota, que corria em direção ao monstro, todos ficaram perplexos com a cena. Giulia começou a ficar cada vez mais leve, até que percebeu que seus membros estavam se transformando em fumaça negra, estava sumindo, até que Giulia sumiu por inteira, todos ficaram confusos, até mesmo o minotauro, de repente as mesmas fumaças em que Giulia havia se transformado, estava reaparecendo, porém em cima da cabeça do minotauro. PUFFFFF.

Giulia aparece em cima da cabeça do minotauro, que angustiado começa a tentar atingir a garota com um pedaço de madeira, de uma mesa quebrada próxima, porém como uma verdadeira sombra, toda vez que o pedaço de madeira ia atingi-la, ela se transformava em fumaça, todos rapidamente se reorganizaram, e ficaram em volta do touro, Mariana correu com sua corrente de espinhos. E lançou-a sobre o pescoço do animal que em um grunhido de dor tenta retirá-la, porém sem efeito, pois os espinhos cravaram-se profundamente em seu pescoço, Mariana puxava as correntes com mais força. Calíope rapidamente prepara suas flechas. VUSHHHHHHHH, uma flecha rapidamente vai à direção do minotauro e atinge-o no tornozelo. O Animal grunhia, e cai de joelhos, Rafael e David vêm por trás de Mariana e chutam as costas do monstro que cai “de barriga”, e no mesmo instante sobem em cima do animal, e fincam suas espadas na mão do monstro, que mexe sua cabeça desorientada, João lança uma de suas bolas metálicas na cabeça do monstro que finalmente para de se mexer, contudo ainda vivo, Giulia com toda sua raiva e ódio, levanta o Machado e desce-o na cabeça do monstro com toda sua força. BUMMMMM. O monstro explode em um pó amarelado, que não tinha cheiro.

Por favor, me diz que ele finalmente morreu!? Diz Rafael a todos. João apoiando-se em suas “pernas”. Disse: Sim, ele está morto. Todos largaram suas armas e foram em direção ao corpo de Augusto. Que já consciente, perguntava se todos estavam bem, todos responderam que sim. Calíope ouviu um barulho, e então virou-se para a escada e levou uma enorme surpresa. Todos os outros órfãos estavam em pé parados na escada com os olhos estatelados. Mariana andou em frente aos órfãos e disse alto, para todos ouvirem: — Vocês não viram nada aqui. Todos repetiram que não haviam vido nada. – Agora vão para suas respectivas camas, e durmam até amanhã. Ninguém percebeu, mas o corpo de Mariana estava envolto por uma aura roxa, que reluzia um grande poder. Todos os órfãos a obedeceram e subiram como um exército para seus quartos. Mariana voltou-se aos amigos que boquiabertos, iam falar, mas Mariana disse: Não me perguntem como faço isso, realmente eu não sei. Todos disseram “ok”, porém perguntas ainda assolavam a mente de todos. Quem realmente eles eram? De onde vieram? Como faziam aquelas coisas? Rafael, que não aguentava mais esperar pela resposta, pergunta: Já chega, vocês – João e Calíope — me devem uma explicação sobre isso! Calíope olhou para o amigo João, e fez um sinal que sim com a cabeça. João retirou sua calça, e então, mostrou seu belo par de cascos. Todos ficaram surpresos. Mariana desmaiou, David foi ao socorro da garota, e Augusto perguntou: Você tem pernas de cabra? João nervoso respondeu: Não, de bode no caso. Sou um sátiro! Todos na mesma hora disseram: Um o quê? – Um sátiro, metade humano, metade bode. Sou protetor de vocês semideuses. Novamente todos disseram na mesma hora: — Semi oque? João explicou: Semideuses, filho dos deuses olimpianos, seus pais, no caso do Augusto, Giulia, Rafael e David, e sua mãe, no caso de Mariana.- Nós vamos explicar tudo, quando chegarmos no acampamento.- Que acampamento ? perguntou David. – Um acampamento para pessoas como vocês. Um acampamento, ou refúgio, para semideuses. No mesmo instante do lado de fora, ouviram trotes de cavalo, e então finalmente Calíope disse: — Nossa carona chegou!

Notas finais
Espero que tenham gostado..
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.