A Caçadora E O Vampiro

20 A viagem (Parte II)


Notas iniciais
Oi amores!!! Acabei de dar os toques finais neste capítulo e já estou postando ele para vocês!!!

Não sei quando vou poder postar de novo, meu computador está com problemas, tive que pegar o da minha mãe para poder postar hoje, espero que não demore muito para consertar...

Tenho uma notícia para vocês sobre a fic, não sei se vocês vão achar uma notícia feliz ou triste (espero realmente que achem a notícia triste hahaha), mas só vou contar nas notas finais (para não atrapalhar a leitura hahaha)

Espero que gostem, escrevi este capítulo com muito carinho para vocês...

Boa leitura!!!

POV Mike

Já era de noite quando chegamos ao pequeno vilarejo todo circundado por altas montanhas e que era cortado por um riacho de águas azuis e cristalinas. As casas de estilo vitoriano eram em sua maioria pintadas de branco ou azul, com jardins floridos e bem cuidados a enfeitar todos os cantos daquele lugar. Por que as coisas sobrenaturais sempre estão em cidades tão pequenas?, me perguntei, sem conseguir pensar em uma resposta por causa do sono que me consumia.

Laureen me puxava pela mão em direção a uma casa azul, estava com tanto sono que estava ficando muito difícil fazer com que minhas pernas obedecessem, ela estava ficando sem paciência e parecia prestes a me carregar para dentro da casa, mas não o fez, eu acho. Não tenho muita certeza sobre o que aconteceu depois de entrarmos na casa. Era como se tudo que tivesse ocorrido entre este momento e o meu despertar fosse um grande mistério esperando para ser desvendado, apesar de achar que Laureen tinha algo haver com isso.

Não me lembro de como fui parar naquele quarto, mas quando acordei estava deitado em uma cama de casal não muito confortável, enrolado em um grosso edredom ainda com as roupas do dia anterior. Uma luminosidade precária conseguia transpassar a janela de madeira pintada de branco e a fina cortina de tecido, fazendo o quarto todo adquirir uma coloração levemente alaranjada.

***

“Bom dia, Bela Adormecida” falou Laureen, rindo enquanto eu me juntava a ela para o café da manhã.

“Bom dia” respondi, indo direto para a mesa onde estavam as comidas. Pães, bolos, tortas, biscoitos... e tudo caseiro, era sempre bom comer coisas feitas em casa e não compradas no mercado, mas com a vida que levava estava cada vez mais difícil de conseguir comer este tipo de alimento.

Voltei para a mesa com meu prato transbordando com um pouco de tudo que havia na mesa. Laureen ficou me olhando como se parecesse que eu não comia há anos.

“Não vai comer nada?” perguntei, querendo que ela parasse de olhar meu prato com tanta frequência.

“Não, já comi” respondeu, mas não consegui distinguir se ela estava se referindo a uma refeição para humanos ou para vampiros. Como tinha algumas pessoas por perto, não entrei em detalhes, apenas aceitei sua resposta e voltei a prestar atenção em meu prato, desejando internamente que tivesse sido uma refeição para vampiros, não sabia quanto tempo demoraria até que ela pudesse se alimentar novamente e não queria ter que matá-la para sobreviver a sua sede. “Enquanto você dormia, eu fiz algumas pesquisas”

“Como você conseguiu fazer pesquisas de madrugada? A maioria das pessoas dorme nesse horário” falei sarcástico, mas meu tom de voz não a abalou.

“Digamos que, em uma cidade tão pequena, invadir uma biblioteca é algo muito fácil, nem chega a ser emocionante fazer isso” ela deu de ombros.

“E descobriu alguma coisa?”

“Não muitas. Os livros que tinham lá não ajudaram em nada. Eram apenas enciclopédias e livros de leitura, nada sobre a história local nem nada do tipo. Mas a coleção de jornais deles é espetacular. Eles têm todas as edições já impressas do jornal local, tem até mesmo alguns escritos a mão que relatavam os acontecimentos da época quando ainda não havia sido inventada a gráfica”

“E o que você descobriu?” a interrompi, ela parecia disposta a continuar comentando sobre o ótimo acervo de jornais que havia encontrado e não estava disposto a ouvir tudo isso. Ela pareceu ligeiramente incomodada com minha atitude, mas fingi não ter reparado, tentando parecer concentrado em meu desjejum.

“Bem, eu encontrei alguns dados que podem nos levar ao lugar que temos que procurar, mas não tenho certeza de que seja o local exato, são apenas palpites” falou, enquanto tirava algumas folhas de papéis roubadas da coleção de jornais da biblioteca municipal.

“Roubo é crime sabia?” falei brincando, olhando para as folhas do jornal. Ela as dispôs sobre a mesa apontando para algumas fotos específicas ignorando meu comentário anterior “Dizem que antigamente havia muitas perseguições a bruxas, muitas pessoas eram condenadas a fogueira ou afogamento por causa de algumas ações suspeitas, por mais irrelevantes que fossem. A maioria destas pessoas era inocente, pessoas que não tiveram sorte nesta vida e foram condenadas injustamente.

“Mas houve um caso que deixou a cidade em estado de alerta. Isso foi em 1936.” ela apontou para mais uma foto em preto e branco onde se podia ver um homem, trajando roupas simples que indicavam que trabalhava no campo. Seu rosto parecia debochar dos cidadãos enquanto estes acendiam uma pilha de lenhas que estava posicionada sob seus pés. “Muitas pessoas que presenciaram esta cena afirmaram tê-lo visto vagando pelas ruas em busca de vingança depois de ser queimado, outras afirmam que ele não morreu na fogueira naquela noite, mas todos acreditavam que ele era realmente um bruxo, que eles haviam finalmente acusado alguém que não era inocente.

“Este outro jornal fala sobre as investigações acerca da moradia deste suposto bruxo. Diz que ele morava no meio da floresta, em uma caverna incrustada em uma das montanhas que cercam o vilarejo até hoje. Os cidadãos colocaram fogo em tudo que o homem possuía e isolou o lugar para que nenhuma magia negra remanescente pudesse escapar e causar algum dano a sociedade da época. No entanto não fala nada sobre como chegar a essa caverna, nem mesmo qual direção tomar para poder chegar lá, provavelmente para que as pessoas não procurassem o local. E é nessa parte que as coisas começam a complicar. Não faço ideia de por onde começar. Tentei conversar com algumas pessoas sobre o assunto, mas todas elas falaram que isso era apenas uma história antiga que manchava o nome da cidade – por terem matado tantas pessoas inocentes em suas falhas tentativas de achar criaturas sobrenaturais que nunca existiram sob o ponto de vista deles. Essa tal caverna, segundo essas pessoas, nunca foi encontrada, mais uma razão para não acreditarem na história, o que não nos ajuda em nada, continuamos no zero. A única coisa que acho que pode nos ajudar é essa foto, acho que vi algo parecido com isso enquanto vínhamos para cá ontem de noite” a foto mostrava um grupo de cidadãos segurando tochas caminhando por uma trilha marcada por duas árvores altas e que tinham seus galhos entrelaçados formando uma espécie de portal. Não havia reparado nisso durante viagem, mas provavelmente era porque passei a maior parte da viagem dormindo.

“Talvez se fizermos mais algumas pesquisas...” sugeri, mas não pude nem concluir meu pensamento já que Laureen me interrompeu logo que essas palavras saíram de minha boca.

“Não adianta, já procurei em tudo que pude pensar e não encontrei nada, fazer mais pesquisas só iria nos atrasar ainda mais, temos que voltar para casa amanhã de manhã.”

“Então continuamos no escuro quanto a tudo isso” concluí seus pensamentos. Ela estava certa, não tínhamos tempo para pesquisas e divagações, precisávamos de algo mais concreto, nosso tempo era escasso e não podíamos voltar para casa sem aquele cálice de pedra estranho e tão importante para D. “O que vamos fazer?”

“Estava pensando em ligar para a Alice, ver se ela consegue descobrir mais alguma coisa que possa nos ajudar, mas não podemos confiar muito nisso, porque se ela não conseguir descobrir nada, vamos ter que arranjar um plano B.”

“Alguma ideia para esse plano B?”

“Por enquanto nada, estava torcendo para que você pensasse em algo, já que fiz todo o trabalho até agora” ela não falava sério, mas ainda assim me senti mal ao ouvi-la alegando tal coisa, eu era humano, tinha que atender minhas necessidades quando as mesmas surgiam, como por exemplo ter uma boa noite de sono quando não se está mais aguentando ao menos manter as pálpebras abertas.

“E seu trabalho foi inútil, continuamos sabendo tanto quanto antes” ela parecia ter se ofendido, mas não estava com humor para isso. Terminei de comer o que estava no prato e me levantei, indo em direção ao meu quarto.

Joguei-me na cama fitando o teto e pensando nesta busca. Laureen não sabia direito porque precisávamos encontrar este cálice, apenas sabia que era importante para nós encontrá-lo e estava ajudando, mesmo que não esteja envolvida nos esquemas mirabolantes de Dean. Pensar nisso me fez sentir mal pelo jeito que a tratara, ela estava ali porque queria ajudar, não porque era obrigada, eu deveria estar grato por ter alguém me ajudando ao invés de estar sendo estúpido com ela. Tinha que pedir desculpas a ela, mas primeiro queria ter alguma ideia brilhante para compensar pelo meu mau humor matinal. Se eu ao menos soubesse por onde começar a procurar, criar um plano reserva não seria tão difícil quanto estava sendo, mas tinha que trabalhar com as escassas informações que tinha, e não tinha nenhuma ideia de por onde começar

***

Uma batida na porta me sobressaltou. Não percebera que havia dormido enquanto tentava pensar em um plano. Laureen entrou no quarto parecendo animada, estava segurando o celular na mão e andava em minha direção dando pequenos saltos de excitação com as últimas notícias que conseguira.

“Eu falei com a Alice, ela conseguiu nos dar um caminho para começar.” ela se sentou ao meu lado na cama, me entregando o celular onde havia uma foto aberta mostrando uma trilha na floresta marcada em tinta vermelha.

“Esse é o caminho até a caverna?”

“Acredito que sim, mas Ally não conseguiu dar muita certeza. Pelo menos temos por onde começar, mesmo que seja o caminho errado. De qualquer forma é bom termos um plano B, só para o caso de estarmos indo para o caminho errado” ela deu de ombros enquanto pegava o celular de volta.

“Desculpa por hoje de manhã” falei, sentindo a necessidade de me redimir com ela, principalmente quando ela se mostra tão prestativa.

“Está tudo bem, eu provoquei” ela se levantou e caminhou em direção a porta. “Te encontro no jardim em trinta minutos, tenta arranjar alguma coisa que possa ser útil em uma floresta”

“Cordas e lanternas?” perguntei, me levantando e indo para a porta também.

“Sim, mas acho que é melhor achar mais algumas coisas além disso, botas para caminhada ou coisas do tipo, garrafas d'água... não sabemos quanto tempo vamos ficar lá, pelo que eu vi na foto, vamos levar muito tempo para chegar nessa caverna.”

Na cidade havia uma pequena loja que vendia produtos para esporte com ênfase nos produtos para trilhas e escaladas. Um vendedor super prestativo me atendeu, me dando dicas sobre o que comprar. Saí da loja carregando duas mochilas de lona preta com fósforos, lanternas, cantis para água, dois sacos de dormir, uma barraca, cordas e dois pares de botas próprias para longas caminhadas em trilhas difíceis.

Quando cheguei ao jardim da pousada onde estávamos hospedados, Laureen já estava me esperando, sentado em um banco de madeira polida. Se levantou ao me ver e veio me ajudar com a mochila. Dividimos os pesos e saímos. Pegamos um ônibus até a entrada da cidade e começamos nossa busca.

A trilha começava onde Laureen falara, nas duas árvores com galhos entrelaçados que formavam uma espécie de portal que se abria para uma estreita trilha de terra que a muito não era tocada. A trilha era toda cercada por altas árvores com troncos lisos e retorcidos, com galhos apontando em todas as direções. Folhas secas e avermelhadas cobriam a maior parte do caminho, tanto na trilha como no mato que nunca fora cortado. Nossas botas com solado de borracha praticamente não faziam barulho ao tocarem o chão, levantando uma trilha de poeira conforme pisávamos. Nossas mochilas pesavam em nossas costas, mas nenhum de nós ousou reclamar.

Depois de aproximadamente quinze minutos de caminhada, a trilha começou a fazer curvas e a se inclinar, nos fazendo subir cada vez mais. Galhos e plantas estranhas nos impediam de seguir adiante, mas Laureen os retirava do caminho facilmente, me encorajando a continuar andando, mesmo quando minhas pernas começavam a protestar. Muito tempo depois, chegamos a uma pequena clareira com grama razoavelmente baixa, as árvores não deixavam que muita luz solar tocasse o solo, mas o lugar parecia ideal para um rápido descanso. Colocamos nossas mochilas no chão, Laureen foi buscar alguns gravetos para que pudéssemos fazer uma fogueira para me manter aquecido enquanto eu tirava comida e água de dentro da mochila. Meu estômago estava começando a protestar por causa do esforço e do tempo sem comer.

A fogueira acesa emanava um calor agradável que aquecia meu corpo que, mesmo com várias camadas de roupa, parecia estar congelando. Abri um pacote de batatas fritas que comprara em uma pequena mercearia empoeirada antes de ir me encontrar com Laureen e comecei a comer. Por mais que tenha consumido o pacote inteiro sozinho, meu estômago ainda protestava de fome, mas tinha que guardar o resto da comida para mais tarde, não fazia ideia de quando conseguiríamos voltar para a pousada e ter uma refeição de verdade. Guardei o pacote vazio na mochila, apagamos a fogueira e seguimos em frente.

O caminho era tortuoso, subidas íngremes e vegetação atrapalhava nosso desempenho, nos atrasando. E a caverna parecia cada vez mais distante de onde estávamos. Pela foto que Laureen mantinha aberta no celular, estávamos rumando para o lugar certo, mas estava começando a duvidar daquele mapa, parecia que estávamos andando em círculos, tudo ali parecia igual para mim, as mesmas plantas, as mesmas árvores, até mesmo as mesmas pedras.

Depois de incontáveis horas de caminhada, finalmente chegamos ao local indicado no mapa, o céu já estava escuro, as estrelas estavam brilhando junto com a lua crescente. Meu corpo protestava por causa da longa caminhada, meu estômago roncava audivelmente, pedindo por alimentos, mas ainda não podia parar para descansar, tinha que arranjar um jeito de entrar naquela caverna. A entrada da caverna havia sido tapada com tábuas e pedras para que ninguém pudesse entrar. Provavelmente estávamos no lugar certo. Pensar assim parecia me dar forças para continuar, principalmente frente a ideia de que não íamos precisar do plano B que nenhum de nós conseguiu arquitetar.

Ajudei Laureen a tirar a maioria das tábuas e pedras para que pudéssemos entrar na caverna. Mesmo com as lanternas acesas, não conseguia enxergar muita coisa. Laureen me servia como guia por causa da visão aguçada de vampiro. Ela pegou minha mão e começou a me guiar montanha adentro. Era um túnel comprido e escuro que começou a descer por dentro da montanha em linha reta. Muito tempo se passou até que o piso finalmente se nivelou.

Estávamos em uma parte da caverna muito abaixo de sua entrada e parecia ter mais o que andar, mas meu corpo já não aguentava mais, não sabia quanto tempo aguentaria.

“Acho que podemos parar para descansar, podemos continuar pela manhã.” comentou Laureen, colocando os sacos de dormir no chão. Não sabia como ela saberia que já era de manhã ou não, mas fiquei quieto, precisava descansar, ela com certeza me acordaria quando fosse a hora de seguir em frente. Comi um pacote de biscoitos e me deitei, me afundando em um sono profundo que nem mesmo o chão duro da caverna foi capaz de atrapalhar.

Acordei com Laureen empurrando meu ombro levemente para que acordasse. Meu corpo doía, mas estava um pouco mais disposto a seguir adiante. O lugar continuava escuro, havia perdido a noção das horas ali, mas o celular de Laureen indicava que eram oito horas da manhã. Comi cinco cookies de café da manhã, tomei alguns goles de água e partimos.

Não sei quanto tempo levamos para chegar até a parte mais funda da caverna, mas com certeza havia sido mais de duas horas de caminhada. Diferentemente do resto da caverna, aquela parte era iluminada pela luz do sol que invadia a montanha por pequenos buracos nas paredes que eram imperceptíveis pelo lado de fora a não ser que soubesse que eles estavam ali.

O lugar no qual nos encontrávamos era como uma clareira, mas feita de pedras acinzentadas. Um amplo buraco arredondado incrustado nos confins da montanha. Horas de caminhada para chegar àquele lugar pareciam ter valido a pena. Estantes repletas de livros antigos e empoeirados enfeitavam o lugar, uma poltrona velha estava posicionada perto do local onde fogueiras foram acesas para amenizar o ar frio que invadia o lugar durante o inverno. Em um canto ficavam vários utensílios de cozinha apesar de não haver um fogão por ali. Peguei-me imaginando o homem que vira no jornal acendendo uma fogueira e cozinhando ali mesmo.

“Acho que estamos no lugar certo” falou Laureen, observando atentamente o lugar a nossa volta.

“Vamos procurar logo aquele cálice e sair daqui, temos que ser rápidos para não perder o voo.” Comentei, mesmo já sabendo que iríamos perder o voo de qualquer jeito. F ui até uma das estantes para analisar alguns objetos que ali estavam.

“Você procura neste lado que eu procuro do outro” falou, indo na direção oposta de onde me encontrava.

Panelas, canecas e caldeirões estavam empilhados em um canto, cheios de poeira e teias de aranha. Os separei para poder dar uma olhada melhor, mas não havia nada além deles por ali. Era estranho observar estes objetos, Ally era uma bruxa também, mas não usava nenhum deles para obter o que queria, mas talvez fosse porque não era uma bruxa experiente ainda. Continuei procurando no lado destinado a mim enquanto ouvia Laureen mexendo nas coisas do outro lado da divisória imaginária que havíamos criado no meio do cômodo.

Horas se passaram sem que tivéssemos ao menos um vislumbre do cálice. Foi quando um barulho alto e irregular nos sobressaltou. Era como se as rochas estivessem se soltando das paredes e rolando para onde estávamos. Não demorou muito para meus pensamentos se mostrarem reais. A entrada do cômodo estava completamente bloqueada por grandes e pesadas rochas, impedindo que até mesmo o menor dos ratos que habitava aquele lugar pudesse sair dali. Um pavor tomou conta de meu ser, temia que não fosse ser possível sair dali, que fossemos morrer ali mesmo naquela caverna estranha e empoeirada. Olhei para Laureen e vi o mesmo medo em seus olhos. Ela me olhava sem saber o que fazer, esperando que eu tivesse alguma ideia brilhante para nos tirar de lá, mas nada me veio a mente.

“Tente tirar algumas rochas para que possamos passar para o outro lado enquanto eu procuro o cálice” falei, ela era mais forte que eu, não tinha como negar isso, por isso a deixei cuidar das pedras sozinha enquanto fiquei com a parte relativamente menos trabalhosa.

Laureen não questionou, foi até a parede formada pelas ásperas rochas acinzentadas e pôs-se a trabalhar. O barulho de pedras rolando para dentro da caverna era o único som que podíamos ouvir, até mesmo meus passos no duro e frio chão de pedra não conseguiam ser ouvidos mais. O tempo parecia ter acelerado de uma maneira que nunca imaginara possível, o sol logo começou a diminuir sua luminosidade, deixando ainda mais difícil de executarmos nossas tarefas. Acendi as lanternas, coloquei uma perto de Laureen que parecia estar finalmente conseguindo obter algum progresso e levei a outra comigo para que pudesse continuar procurando.

Em um canto perto da poltrona havia um armário de madeira escura com as portas praticamente fora dos eixos. Ao abri-lo, uma das portas se soltou, coloquei-a no chão e dei uma olhada dentro do armário, sem nada encontrar. Foi quando tive uma ideia. E se existisse algum compartimento escondido por ali atrás de algum dos móveis? Era a única explicação para não termos encontrado nada até então. Empurrei o armário, mas não encontrei nada, de qualquer forma, suspeitava de que não estaria ali, seria muito fácil de ser encontrado. O lugar mais provável seria atrás da estante, mas com todos aqueles livros e objetos seria muito difícil de tirá-la do lugar. A examinei minuciosamente, mas não havia meios de empurrá-la, o peso era muito mais do que meus braços conseguiam suportar, o cansaço estava começando a me vencer novamente.

Com muito esforço, consegui fazer com que ela caísse com um estrondo ensurdecedor que fez com que toda a poeira do lugar saísse de seu lugar e formasse uma densa nuvem fazendo meus olhos lacrimejarem e minha garganta arder. Laureen me olhava sem entender, mas, ao olhar a parede atrás de mim, seus olhos brilharam animadamente. Estava certo, ali existia uma pequena bolha escavada na pedra onde alguns objetos estavam guardados. Uma estaca de madeira branca, um pequeno livro de capa de couro preto e páginas amareladas pelo tempo e, atrás disso, o cálice.

Era pequeno, tinha aproximadamente um palmo de altura, todo feito de pedra cinza com pequenos buracos formando desenhos incompreensíveis. Retirei os objetos dali, e coloquei os três dentro da mochila, talvez Alice fosse gostar de dar uma olhada no livro e naquele pedaço de madeira branca.

“Como vão as coisas com as pedras?” perguntei, indo me juntar a Laureen. Tudo parecia igual, a não ser pelo monte de pedras que estavam empilhadas ao seu lado.

“Não adianta, quanto mais eu tiro, mais rochas aparecem” Laureen bateu as mãos nas pernas para tirar o pó delas, seu rosto parecia frustrado e temeroso “O que vamos fazer agora? Temos que sair daqui, Mike” falou com urgência transparecendo em sua voz.

“Não é possível que só haja esta saída, temos que procurar outro jeito de sair daqui, nem que tenhamos que abrir aqueles buracos para conseguirmos sair daqui” falei, apontando para um dos buracos abertos pelos quais a luz solar passava, mas que, no momento, já estava praticamente nula.

O desespero era tanto, que não sentia fome, meu corpo, apesar de dolorido e cansado achava no medo uma fonte de energia para continuar em movimento. E assim começamos a trabalhar, mas não havia nada lá, já havíamos revirado aquela caverna inteira, mas não encontramos nenhuma passagem secreta ou algo do tipo. Perder o voo já havia se tornado a menor de nossas preocupações.

O sol já havia se posto quando sentamos no chão sem saber o que fazer. Não havia outra saída e não tínhamos como cavar um caminho para fora da caverna sem pás. Laureen parecia estar começando a ficar histérica, suas últimas esperanças a abandonando sem pensar duas vezes. Vê-la assim só aumentava meu medo de morrer naquela caverna. Comecei a andar de um lado a outro pela caverna quando avistei algo que talvez pudesse nos ajudar.

Atrás das panelas e caldeirões, havia uma estreita passagem, provavelmente uma passagem para gatos ou algum outro animal pequeno, mas tinha quase certeza de que conseguiríamos sair dali por aquele buraco se o aumentássemos ligeiramente nas laterais. Não sei como não havia visto aquele buraco antes, talvez por estar tão concentrado procurando o cálice não havia prestado atenção em detalhes que antes eram inúteis para nós.

Mostrei a Laureen o buraco, ela rapidamente entendeu minha ideia, achou duas colheres no meio da pilha de objetos ali perto, me entregou uma e começou a cavar, alargando o buraco. Me sentia como um presidiário que cava o túnel que o libertará de sua prisão. Ri do pensamento e voltei a me concentrar no trabalho que executava.

Não demorou muito para que o buraco ficasse largo o suficiente para que conseguíssemos passar por ele com nossos corpos colados ao chão empoeirado. Estar fora da caverna era um alívio. O ar fresco da noite me dava calafrios, mas era ar puro e não o ar cheio de poeira que respirara por tanto tempo dentro daquela caverna. Laureen parecia aliviada por estar do lado de fora. Alongou os braços que estavam arranhados, assim como os meus. Quando passamos pelo buraco, não conseguimos tirar nossos equipamentos de trilha da caverna, a única coisa que não deixamos para trás foi o cálice, o motivo de todo o sofrimento que passamos naquele lugar.

As árvores eram densas e não deixavam a luz da lua iluminar muito bem o caminho. Não fazíamos ideia de onde estávamos, mas Laureen pegou minha mão e começou a me puxar. Seus paços estavam confiantes, parecia que ela conseguia enxergar algo que meus olhos mortais não conseguiam ver.

Não demorou muito para que chegássemos ao asfalto da estrada que levava até a cidade. O alívio tomando conta de ambos, estávamos a salvo.

Notas finais
Então, o que acharam deste capítulo? Leitores fantasmas espero que estejam gostando, deixem um review para eu saber, a opinião de vocês é muito importante também!!!

Agora vamos a notícia que mencionei no começo: a fic tá chegando ao fim :(
Se tudo der certo ainda vamos ter seis capítulos pela frente, mas mesmo faltando estes capítulos, parece que o final está cada vez mais próximo... É estranho perceber isso, estou acostumada a escrever sobre a vida da Millie...

Não sei se vou fazer mais uma temporada, até porque eu planejei a fic para ter uma temporada só. Estou com algumas ideias para novas fics, mas todas bem diferentes desta que vocês estão acompanhando. Primeiro porém vou terminar esta, não quero que escrever duas fics me atrapalhe no desenrolar do final desta história...

Acharam a notícia triste ou feliz? Podem falar a verdade, gosto de saber o que pensam sobre minha história.

Beijinhos e até o próximo capítulo (que ainda não tem previsão de quando vai ser postado)...