A Caçadora
11 Brigas
Notas iniciais
Eles estavam quase correndo pelo corredor escuro e gelado.
Percy não quis contar nada, por mais que Annie e Mary pedissem. Ele e sua irmão ficavam trocando olhares, mas Mary não conseguiu identificá-los. Ela morria de raiva disso.
O corredor mais parecia uma esteira, onde eles ficavam andando mas nunca chegavam ao fim. Por fim, Mary não conseguiu aguentar e começou a correr, os cabelos voando atrás de seu corpo, com a trança quase completamente desfeita. Logo conseguiu escutar os passos de seus companheiros atrás, apesar de eles soarem meio silenciosos. Já os de Mary eram praticamente imperceptíveis, tanto pelo fato de ela em si já ser silenciosa, mas também pelo fato de estar concentrando seus poderes, aquecendo-os. Não sabia nada do que lhe esperava lá embaixo, somente que era um problema.
Quando chegou ao corredor, apertou diversas vezes o botão para ele subir, não conseguindo esperar. Estava pensando em descer escadas, apesar de não saber onde elas estavam, quando o elevador chegou. Annie e Percy chegaram logo atrás.
– Você corre, ein? — Percy disse, logo quando as portas do elevador se fecharam, e ela teve a sensação que iria despencar. Por sorte, não foi nada, somente o problema dele.
Em resposta, ela deu de ombros.
Eles desceram no elevador em silêncio, todos tensos. Ou talvez fosse a aura de poder que Mary estava juntando, se preparando. Percy lhe lançava olhares levemente amedrontados as vezes, mas ela não ligava. Não iria fazer nada com ele, mas realmente não tinha a mínima ideia do que esperava ela lá fora. E, para ela, problemas eram mais que ruins.
Logo que as portas se abriram, ela disparou para fora, se movendo como uma sombra. Podia sentir e ver tudo no ambiente, as chamas das velas, o altar à sua esquerda, os bancos de madeira, e o calor que Annie e Percy emanavam. Quando chegou as portas, ela parou, sem abri-las. Não iria correr esse risco. Eles podiam pegá-la de surpresa, e isso não seria bom, mesmo ela estando preparada. Ela esperou Percy abrir as portas.
O luar invadiu o espaço logo que ele começou a abrir a primeira. Geralmente, ele lhe deixava forte, mas hoje não tanto. Era a noite, as sombras que lhe deixavam poderosa.
Quando viu o que esperava lá fora, seu coração deu um pulo. Não era algo que esperava, e achou aquilo estranho. Realmente estranho.
Era um mortal, com cabelos e olhos escuros. Sua pele era morena, e ele vestia um casaco branco fechado, não dando para ver sua blusa. Estava com calças jeans e tênis de corrida azul petróleo.
Ela se virou claramente ofendida para Percy.
– Você chama um mortal de problema?
Ele estava com a sensação séria, e havia uma espécie de alerta naquele olhar. Ela franziu o cenho para ele, e se virou para falar com Annie, mas parou quando viu a cara dela. Estava com os olhos arregalados e sua pele pálida. Ela claramente conhecia ele.
Logo que percebeu que não teria nenhuma resposta clara de nenhum dos dois, ela disse:
- Quem Hades é você? — A cada palavra que dizia, o clima baixava e as sombras ficavam mais densas. Uma névoa fina começava a surgir, como se do nada.
Ele franziu o cenho, deixando os olhos escuros em uma fenda. Estava olhando para os lados, como se tivesse percebido a aura de Mary lotar o lugar. Então, ele voltou os olhos para ela.
- Você me xingou?
- Não, mas posso fazer isso — ela respondeu, colocando as mãos na cintura e levantando uma sobrancelha, num jeito quase arrogante e desafiador.
Ele balançou a cabeça numa expressão do tipo: "eu não mereço isso". Olhou para o lado, como se decidisse entre duas opções ruins e idiotas.
- Não — ele finalmente respondeu. — Só quero, uh... Tentar conversar com você civilizadamente.
Ela olhou de um modo ofendida para ele e se virou com raiva para Percy.
- Eu não acredito nisso! Isso é um problema? Pelo amor de Zeus! — Cada palavra não era simplesmente dita, era como se ela atacasse pedras. Elas tinham um poder forte, e Mary não hesitava em usá-lo quando ela queria. Sua expressão era de raiva, uma quase desilusão que a irritou bastante.
Percy estava com os olhos arregalados e o queixo caído. Seus lábios estavam com uma coloração azulada por causa do vento frio de início de inverno que entrava pelas portas da igreja.
- O que é? — Ele explodiu. — Isso é sim um problema! Quem você acha que é para ir invadindo a vida dos outros? Você tem alguma ideia de quem ele é? Você entra no nosso mundo e já vai se achando!
- Não fui eu que me convidei para vir aqui! Não fui eu que insisti! — Mary gritava agora, e estava a poucos centímetros de Percy, com o longo e pálido dedo indicador da mão direita em seu peito de uma forma acusadora. — E eu sempre participei disso! Você tem alguma ideia do que eu passei por isso? Não se ache o único sofrido aqui, Percy. Eu já passei por muita coisa! Você não pode sair por aí fazendo as coisas e se arrependendo depois, assim!
- Ah, é? Então se acha a forte, é? — Ele também gritava. Era estranho o fato de ele ser maior do que Mary, e ela ter de olhar para cima para vê-lo. Mas nem se deu ao trabalho de tentar parecer mais alta. — Por que não saí por aí, então? Vá! Você já passou muito tempo sozinha, lutando, não? Por que não passa mais um pouco e vai seguindo o seu caminho?
Ela cerrou os olhos, que estavam escurecendo. Então se afastou de Percy, com quatro passos para trás. Se virou bruscamente e foi caminhando, passando pelo garoto que fora denominado um "problema", como se ele não existisse. As sombras ficaram densas, e ela logo estava carregando sua mochila negra e Quione estava ao seu lado. Ambas pareciam caminhar para chegar em algum rumo, como se fizessem isso há muito tempo. Então, ela tremeluziu e sumiu.
Percy se virou irritado, e ia se dirigir ao elevador, mas parou bruscamente, sem nem andar um passo direito. A discussão que tiveram foi grande o suficiente para fazer o resto do Instituto descer e ver o que havia ocorrido.
John, que estava na frente, deu um passo em sua direção.
- O que você fez?
Notas finais
Mas obrigada por ler!
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