A Caçada- Uma história do Universo X-men
1 Capítulo 1
Três horas. Vinte dois minutos. Quarenta e cinco segundos para embarcar. Nove horas e meia de um voo. Um avião com cerca de trezentos e cinquenta e cinco passageiros, provavelmente apenas 2% de todos os tripulantes tenham alguma habilidade mutante desenvolvida ou ainda inativa, esperando o momento certo para serem despertadas.
Três horas. Vinte minutos. Quinze segundos. quando o tempo começou a andar pra trás e se tornar tão lento? Com certeza não foi quando Lana se descobriu mutante a algumas semanas, controlar o tempo não era uma de suas artimanhas. Nem a mesma sabia qual era. Um incidente no banheiro e de repente todas as garotas estavam agindo como se nem soubessem quem eram. Foi a única vez que usou seus poderes e foi o suficiente para que se recolhesse em casa e pedisse aos seus pais que a enviassem para um intercâmbio fora do Brasil. Sem mencionar as habilidades inumanas, é claro.
O sonho do pai de Lana, Roberto, era ter nascido mutante ou ter um filho com dons abençoados, como ele chamara. Não contar para os pais, principalmente para Roberto, que tinha dons era como esfaquear os próprios olhos. Ainda que soubesse do fanatismo do pai por seres mutantes, não poderia confiar que a opinião dele continuaria da mesma forma ao saber que uma de suas filhas tinha herdado o Gene X.
Quando ligou para a principal academia mutante em Westchester, NY, pediu descrição e que não comunicassem seus pais acerca da mutação, levando em conta que nem a mesma sabia do que era capaz. Aceitando as condições, o Instituto Xavier de Estudos Avançados entrou em contato com Roberto e Maria e lhes informou sobre uma falsa bolsa concedida á sua filha por meio das suas altas notas nos estudos biológicos.Roberto,c laro, ficou deslumbrado em saber que sua filha teria esse tipo de chance na vida, deixaram acreditar que com direcionamento correto, Alana poderia se tornar uma grande geneticista um dia.
Dali em diante tudo correu o mais normal possível. Lana não teve contato com seus poderes, as garotas não lembravam o que tinha acontecido. Os pais providenciaram tudo da viagem e estava tudo perfeitamente bem para que ela estudasse durante três anos junto de mutantes e jovens promissores que poderiam mudar o futuro. A única preocupação que tinham a respeito da viagem, eram os protestos anti-mutantes que vinham acontecendo ao redor do mundo e cada vez mais violentos. Mas eles não tinha com quê se preocupar, Lana não era uma mutante, não é?
...
As pessoas no avião eram comuns demais, exceto por um garoto que se sentava em uma das ultimas poltronas, sem ninguém para dividir aquela fileira. Os olhos dos comuns eram de deboche e espanto, alguns estavam com medo. Não os julgo por mal, minha primeira reação foi um choque também. Ele tinha traços orientais e era só o que era comum, A pele variava entre laranja, branco e algumas manchas pretas. Os olhos eram brancos, sem cor nas íris. Apenas a pupila orbitava ali.
Lana não se fez de rogada e ignorou seu lugar marcado para ir se sentar junto dele. Sentiu olhares curiosos e cheios de ódio dirigindo-se a suas costas. Inclusive de um outro possível mutante com ataduras no pescoço.
Ao sentar-se perto do garoto tricolor, um cheiro forte de oceano lhe encheu as narinas, uma coisa ruim. O Estômago de Lana embrulhou-se e todo o café da manhã foi para o corredor da aeronave. Risos e piadas. Mais constrangimento para o menino e trabalho para as aeromoças que já olhavam com raiva por sobre seus ombros. Uma ótima primeira impressão.
Ao voltar do banheiro depois de uma troca rápida de roupa e ter colocado o casaco uniforme do Instituto, Lana sentou-se novamente onde pretendia e fez uma nota mental que não iria vomitar novamente. Sentando-se, as orbes brancas do seu vizinho de poltrona viraram-se para ela. Se ele tivesse sobrancelhas, jurava que estavam formando uma expressão melancólica.
—Me desculpe pelo que aconteceu a você, pessoas com enjoo do oceano acabam tendo efeitos colaterais quando chegam perto de mim...— A voz dele era calma. Suave. Quase que compassiva. Nada agressiva.—acaba sendo uma forma de dizer oi.
— Não deveria se desculpar — começou ela. — a culpa é minha se tenho enjoo do oceano. Mas espera, não estamos em mar aberto agora, então porque sinto esse cheiro de água e enjoei quando me aproximei de você?
— Uau, quando disseram que mandariam alguém para pegar meus dados diretamente comigo não achei que seriam tão diretos.— Ele claramente se referia a alguém do Instituto, apontando para o uniforme que ela vestira.
— Ah, não. Eu não sou alguém. Sou só uma aluna indo pra lá— tirou de seu bolso uma carteira provisória e mostrou para ele, que leu e sorriu estranhamente, mas gracioso, em sua direção.— você claramente é um mutante então, o que faz?
— Uau, você faz muitas perguntas.
— Você fala muito "Uau" — tentou imitar em tom sarcástico enquanto ajeitava na sua mochila os lanches que tinha bagunçado quando tirou o casaco.
— Foram só duas vezes...enfim. Eu sou Lucas, mas todos me chamam de Koi, por causa do peixe. — Lana atenta, começou a lembrar-se das carpas de um lago no cemitério onde seu avô fora enterrado. — Basicamente eu nasci com o gene X mas na verdade parece apenas que minha mãe transou com um peixe gigante.
Com uma breve explicação dos poderes de Lucas, que iriam desde respirar em baixo d'água e e se adaptar ao ambiente a sua volta, Lana explicou pouco o que sabia sobre os seus e sentiu-se segura em contar para alguém sobre sua nova realidade mutante.
O voo até que foi tranquilo para ambos, desde que ignorassem os risinhos e os comentários alheios dos mundanos. As nove horas programadas passaram sem notarem, já que conversavam como amigos de infância e e conheciam melhor. Koi desejou ter um pai como o de Lana já que o seu aconselhou a mãe que se livrasse da aberração. Como não o fez, o mesmo seguiu sua vida como se nunca tivesse tido um filho. Apesar da rejeição do pai, a mãe e alguns de seus vizinhos o adoravam. Parte pela pessoa incrível que ele era, parte pelas lendas japonesas a respeito dos Koi.
Tudo estava perfeitamente bem, até chegarem ao aeroporto e descobrirem que um manifesto pró-mutantes havia saído do controle e causado uma explosão no centro da cidade e causado a morte de muitas pessoas. Tudo estava um caos e a agente que deveria estar lá para recebe-los não apareceu.
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