A Caçada
8 Poços Escaldantes
Notas iniciais
Adentraram à sala que a Masmorra guardava, e eles foram recebidos por uma corrente de ar quente. Era surreal o que eles viram, o arredor deles parecia um palácio, cheio de pilares e um teto dourado. Mas se espantaram quando olharam para baixo e perceberam que estavam a alguns metros de puro magma, de onde? Eles não sabiam
Uma voz grave e surpresa surgiu diante deles. Teodor preparou seu Escudo, Petru sacou sua Besta e Ecaterina estava com feitiços nas mãos. O Conde das Trevas estava diante deles, a oportunidade também
—Vlad Tepes: Teodor! Nos encontramos de novo!
—Teodor: Vlad Tepes, já faz um bom tempo!
Teodor partiu para cima de Vlad Tepes, tentando um poderoso soco e ignorando os alertas de esposa e filho. Teodor não pode fazer nada a não ser ver o sorriso maligno de Vlad estampado em seu rosto
—Vlad Tepes: Pobre Teodor! Chegou tão longe para morrer logo aqui!
Vlad emitiu uma onda de choque que lançou Teodor para a parede onde havia a porta que os trouxera para este lugar. Petru e Ecaterina efetuaram disparos tantos de magia quanto de flechas
Vlad abriu suas mãos e as estendeu em direção deles e os projéteis pararam no ar, o que causou o temor e a surpresa deles
—Petru: Como isso...
—Ecaterina: É possível...?
—Vlad Tepes: Estou muito decepcionado com vocês! Depois de todo o caminho percorrido, depois da oferenda que fizeram à Matriarca da Natureza, este foi o poder que ganharam? PATÉTICO!
E então as flechas e projéteis mágicos foram repelidos de volta aos seus respectivos lançadores. Petru foi atingido por algumas flechas, assim como Ecaterina foi atingida por seus próprios feitiços
—Vlad Tepes: Não vale a pena perder meu tempo com vocês! O sol já está raiando lá fora, e sinto que terei mais uma alma para a minha coleção!
Vlad Tepes lançou um feitiço que abriu um outro portal para o mundo dos mortos, Vlad ria enquanto desaparecia no ar, retornando para sua Sala do Trono e deixando que seus servos se encarregassem dos caçadores
Demorou um pouco para todos voltarem a si, Ecaterina curou suas feridas, as do filho e as do marido. Quando olharam para o portal, ele já havia expelido algumas criaturas da morte, e uma nova batalha eclodia no coração do Castelo de Vlad Tepes
—Ecaterina: Que a Mãe Natureza nos proteja!
—Petru: Será uma longa batalha!
—Teodor: Vamos lá!
Enquanto os caçadores enfrentavam os inimigos sombrios, uma ponte descia e eles nem perceberam isso. Apenas atacaram e se defenderam. Ondas de Zumbis Carniçais, Espectros Fantasmagóricos e Esqueletos Andantes surgiram aos montes, e cada um deles foi caindo perante os caçadores
Cansados e abatidos, ainda faltavam muitos inimigos e parecia não ter fim. Era pior do que tudo que já enfrentaram na vida, e em terras passadas
—Teodor: Não desistam!
—Ecaterina: São muitos!
—Petru: Vamos vencê-los todos!
Ecaterina e Teodor estavam satisfeitos com Petru, o filho deles parecia imaturo mas cresceu bastante nesta jornada. Com seu Escudo, Teodor conseguiu bloquear vários ataques e lançou inimigos para o magma ardente; Ecaterina pulverizava tudo a seu caminho enquanto Petru fornecia suporte para seus pais com disparos precisos que tombavam as criaturas
Até que perceberam que as ondas não parariam de surgir se não destruíssem o portal, Ecaterina teve uma ideia que poderia surtir efeito, ou não. Se funcionasse, o portal seria destruído, se não funcionasse, os três morreriam
—Ecaterina: Já sei! Me protejam!
—Petru: Certo!
E foi o que fizeram, Teodor e Petru protegiam Ecaterina enquanto ela canalizava um poder místico e antigo que havia dentro dela. Demorou apenas alguns minutos para que ela a lançasse em direção ao portal
Um único golpe desde ataque poderoso e o portal se desfez, o que causou comoção por entre os caçadores enquanto eles eliminavam as criaturas restantes. O último inimigo foi jogado na lava ardente e eles puderam descansar brevemente, foi quando perceberam que havia uma ponte em seus pés
—Petru: Vejam! — Petru apontou para várias construções de pedra que tinham início na lava, mas que permaneceram aí desde tempos antigos
—Teodor: Parecem terminais de pontes levadiças... isso vai dar um trabalho!
—Ecaterina: Não temos tempo a perder!
O trio caminhou por entre a plataforma e constataram que haviam seis terminais de pontes levadiças. A primeira, a quinta, sexta e sétima pontes estavam abaixadas; enquanto a segunda, terceira e quarta pontes estavam levantadas. Algo chamou a atenção de Teodor
—Teodor: Se é o que estou pensando... é muito provável que teremos dificuldades e precisaremos de muita lógica para prosseguir...
—Petru: Por que?
—Ecaterina: Pode ser que algumas pontes abaixem enquanto outras levantam.
—Petru: Nossa!
Teodor forçou a primeira alavanca, e com um barulho de mecanismo, eles perceberam que a segunda ponte abaixava enquanto a sétima ponte levantava
—Teodor: Exato... Façamos o seguinte: eu vou seguir em frente enquanto vocês ficam nos terminais ativando as alavancas, e seguiremos juntos quando possível, pode ser?
—Ecaterina: Não temos outra alternativa...
—Petru: Por mim, tudo bem!
Petru resolveu ficar no primeiro terminal enquanto Ecaterina e Teodor seguiam para o segundo terminal. Lá, Ecaterina puxou a segunda alavanca e a sexta ponte levantou enquanto a terceira ponte subia
—Teodor: Certo... minha vez...
Teodor seguiu solitário até o terceiro terminal. De lá ele puxou a terceira alavanca e a quarta ponte abaixava enquanto a quinta ponte levantava; mas ele percebeu que o quarto terminal não tinha alavanca nenhuma. Isso era um problema, mas as três primeiras pontes estavam abaixadas, o que possibilitava que Ecaterina e Petru pudessem segui-lo
Quando se dirigia para o quarto terminal algo chamou sua atenção. Alguma coisa voava na direção deles, Teodor não pode ver atentamente até que se aproximou alguns metros
—Teodor: Que mer...
Teodor correu de volta para o terceiro terminal enquanto berrava com a mulher e o filho para que se protegessem, Ecaterina e Petru estranharam mas quando avistaram a criatura eles se esconderam atrás das pilastras que tinham em cada terminal
—Teodor: Protejam-se!
—Ecaterina: Eu não acredito nisso! Achei que existiam apenas nos livros lendários!
—Petru: O que é isso?!
—Ecaterina: É um Morcego Demoníaco!
Morcegos Demoníacos foram uma raça de híbridos com morcegos e humanos, feiticeiros habilidosos escolhiam se transformar em animais para terem uma segunda vida, como se fossem “familiares”, escoltas de grandes bruxos. Mas com morcegos era diferente, havia alguma coisa bizarra que fazia com que os feiticeiros que quisessem fundir suas formas com as de morcegos eram transformados nestas criaturas horrendas
—Teodor: Vlad Tepes deve ter escravizado este! Temos que ter muito cuidado!
Teodor foi observar a distância que o Morcego Demoníaco se encontrava e quase foi atingido por uma bola de fogo, e o Morcego continuou bombardeando a pilastra. Não era muito esperto, mas estava livre, e podia saborear o desespero e sangue fresco pela primeira vez
Petru fez um disparo surpresa, mas a criatura se desviou dele sem nem ao menos ver de onde vinha o projétil
—Petru: Como ele conseguiu isso?!
—Ecaterina: Seus disparos projetam som e luz, morcegos são guiados por sensores já que sua visão não é muito boa!
—Petru: Não pode ser! Vou tentar mais uma vez!
Petru efetuou mais alguns disparos e todos eles foram desviados pelo Morcego Demoníaco, até que ele voltou sua atenção para Petru. O sangue do garoto congelou pois a criatura estava seguindo em sua direção. Teodor aproveitou para seguir para o quarto terminal e Ecaterina estava esperando o momento certo
—Ecaterina: Filho, espere! Vou te ajudar!
Ecaterina fez um disparo que pegou o Morcego Demoníaco de raspão, este disparo mágico fazia menos barulho e causava um incômodo à criatura maligna. E na Sala do Trono, Vlad Tepes observava o desempenho de sua criatura
—Vlad Tepes: Vejamos como eles se saem contra o Morcego Demoníaco! Mas eu esperava mais deles, ao invés de vê-los escondidos nos terminais...
No quarto terminal, Teodor queria ajudar mas não tinha nenhuma ideia, quando uma veio a sua mente. Ele tirou o Escudo Dourado de seu braço e calculou precisamente a distância com o tempo que levaria para o Morcego efetuar um novo ataque flamejante
Quando o Morcego elevou seu braço, Teodor lançou seu escudo. A velocidade do giro fez com que cortasse as mãos do Morcego como se fosse papel, e o Escudo voltava para Teodor. Mas isso não passou despercebido pelo Morcego, que partiu em direção à Teodor
Teodor sabia que não conseguiria obter o Escudo para uma defesa rápida e então pulou para se proteger em um pilar enquanto o Escudo se fincava na pilastra atrás de Teodor
—Petru: Eu não sabia que o Escudo do pai podia fazer isso...
—Ecaterina: Também fiquei sabendo agora...
—Vlad Tepes: Estes caçadores... cheios de surpresa!
Quando o Morcego deu as costas para Petru e Ecaterina eles fizeram disparos de flechas e magias que foram facilmente desviados, mas um deles atingiu a asa do Morcego que se contorceu de dor enquanto buscava uma causa para tal dor, não encontrou pois todos se esconderam muito bem e não emitiram nenhum som
A respiração dos caçadores era pesada, mas muito suave para não chamar a atenção do Morcego Demoníaco, que ainda buscava por um alvo para atacar e dilacerar. Novamente não encontrou nenhum até que, não se sabe como, o Morcego Demoníaco se dividiu em uma nuvem de pequenos morcegos que sobrevoaram todos os terminais, como batedores
Não demorou muito para encontrarem Petru, os morcegos ativaram seus alarmes e se uniram e se tornaram o Morcego Demoníaco novamente. O grande Morcego se aproximou demais, Petru percebeu isso e efetuou um disparo que o Morcego Demoníaco foi incapaz de desviar. Este disparo atingiu o olho do Morcego que, novamente, se contorceu de dor pelo ar
Então perceberam que suas asas não tinham tanta proteção quanto eles imaginaram, e assim como o Carrasco, o Morcego poderia ser derrotado pelas suas asas, afinal era o que permitia a rápida locomoção da criatura
Então Teodor, Ecaterina e Petru tiveram um plano incrível, e muito bem articulado. Teodor chamou a atenção do Morcego, gritou o mais alto que pode enquanto o Morcego vinha em sua direção
—Teodor: AQUI! AQUI! SEU BICHO FEIO!
—Vlad Tepes: Ora, ora! Desistiram ao ponto de suicídio?!
O Morcego caolho se aproximou muito de Teodor, rosnou com baba e tudo enquanto Teodor apenas sorria, e continuou o gritando mais alto que pode. Esta era a confirmação que o Morcego estava esperando, elevou seus braços e conjurou uma enorme bola de fogo. Mas o grito contínuo de Teodor era a confirmação que Petru e Ecaterina esperavam mais ainda
Petru efetuou uma saraivada de flechas na asa esquerda do monstro, enquanto Ecaterina alvejou a asa direita do monstro com uma esfera de energia arcana. De um lado, o tecido das asas estava rasgado e do outro a asa estava em chamas. O Morcego Demoníaco se contorcia de dor enquanto perdia altitude
—Vlad Tepes: Não acredito!... — A feição de Vlad mudou de uma hora para outra, seu fiel servo, o último que tinha, caiu na lava fervente e seu grito cessou quando era apenas uma pilha de ossos em brasas.
—Teodor: Ufa!
—Petru: Woohoo! — Petru pulava de alegria, embora faltasse apenas atravessar as sete pontes.
—Ecaterina: Temos que continuar...
Teodor estava no quarto terminal, Ecaterina no terceiro e Petru no segundo. Ecaterina viu que ativando a terceira alavanca, a quarta ponte levantou novamente e a quinta ponte abaixara. Teodor atravessou enquanto Petru ia para o terceiro terminal
Seguindo as lógicas das alavancas, o trio demorou muito. Regressaram terminais e avançaram terminais, mas finalmente conseguiram alcançar o outro lado. Havia uma porta toda entalhada com inscrições e runas. O dourado desta porta era encantador, algo digno de um reino élfico. Teodor abriu a porta e adentraram um salão
Era uma sala escura, não conseguiam ver nada. A única coisa que conseguiram ver era que era bem menor do que o “palácio flamejante”, e que haviam quatro pilares e o chão refletia tudo, e no centro tinha um trono completamente sombrio e cruel. Espinhos se estendiam em tudo, era o trono de um ser sombrio
Uma nova luz brilhou e Vlad Tepes surgiu do portal, fazendo-se presente para o grupo de caçadores. Sua expressão estava tampada por um capacete demoníaco, ele estava protegido por uma armadura que cobria todo seu corpo
—Vlad Tepes: Estava esperando por vocês, caçadores de Sighisoara! — a voz grave do Conde das Trevas estava abafada por causa do capacete, mas os olhos tinham um brilho tão vermelho quanto o do Carrasco e do Morcego Demoníaco.
—Teodor: Vlad Tepes, eis o seu fim!
—Vlad Tepes: Jamais conseguirão me vencer!
O cenário para a batalha final estava pronto! De um lado, os Caçadores de Sighisoara se preparavam para destruir o Conde das Trevas; do outro lado, Vlad Tepes estava ansioso para coletar mais escravos. Esta será uma batalha cruel entre o Bem e o Mal, o vitorioso decidirá o destino do mundo
FIM DO CAPÍTULO
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