A Caçada
2 Jardim da Perdição
Notas iniciais
Não demorou muito tempo para se aproximarem do Jardim da Perdição. O cocheiro Ormus conduzia a carruagem com maestria, mas o silêncio era ensurdecedor.
A lua brilhava no céu enquanto Ecaterina entoava cantigas antigas, Petru alisava sua Besta Sagrada e Teodor aguardava de braços cruzados
—Ormus: Então... – o cocheiro finalmente quebra o silêncio – por que vocês vão para o Jardim?
—Teodor: Você sabe quem somos, Ormus, não há outro motivo de nossa ida até lá!
—Ormus: Sim, Teodor, mas mesmo com todos os desaparecimentos... é difícil acreditar que vocês sobreviveriam àquele lugar...
—Ecaterina: Temos mantimentos, e equipamentos de proteção. Seja o que for que estiver no Jardim, não será páreo para nos impedir.
—Ormus: Vocês quem mandam...
Finalmente a carruagem parou em frente ao Jardim, ele parecia um labirinto natural. Paredes de moitas densas e resistentes cercavam o local, era o ambiente perfeito para uma armadilha. Teodor, Ecaterina e Petru saltaram da carruagem e Teodor pagou a Ormus algumas moedas de prata. Em um movimento de mãos, Ormus agitou seu chicote e a carruagem deu meia volta até Sighisoara
—Ormus: Boa sorte a vocês!
—Petru: Obrigado! – Petru gritou mas o cocheiro não deve ter ouvido, pois já estava a uma distância considerável.
Eles pegaram suas coisas e adentraram o labirinto. Teodor estava com o Escudo Dourado no braço, Petru estava pronto com sua Besta Sagrada e Ecaterina tinha muita mágica nas mãos. Eles estavam prontos para o que poderia acontecer e então caminharam um trajeto sinuoso. Algumas vezes deram de cara com becos sem saídas, mas conseguiram uma rota em linha reta
—Teodor: Vamos! Por aqui!
—Ecaterina: Não estou gostando nada disso, sinto uma energia ruim aqui!
E seguiram caminho até a movimentação deles estar sendo prejudicada. Todos olharam para baixo e viram-se sendo puxados em direção ao chão. Petru já estava com metade de seu corpo submerso no solo, e tentava a todo custo proteger sua preciosa Besta. Teodor conseguiu se salvar primeiro, Ecaterina foi a segunda, e lançando uma espécie de âncora eles conseguiram puxar Petru com um pouco de dificuldade
—Petru: Nossa! O que foi isso?!
—Ecaterina: Areia movediça, mas é estranho...não havia relato algum sobre isso...
—Teodor: Talvez porque ninguém conseguiu chegar longe, ou...
—Petru: Eu acho que conseguiu sim...
Eles olharam para trás e viram um esqueleto “boiando” na areia movediça. Ele deve ter sido puxado junto com Petru quando algum osso se grudou em seu short. Petru tomou um susto, mas não foi a primeira vez que viu um esqueleto. Teodor notou alguma coisa curiosa no esqueleto, um amuleto, tipo um medalhão. Ele lembrou que tinha um companheiro que possuía este mesmo artefato
—Teodor: Não acredito...Krystus... – Teodor recolheu o medalhão e o envolveu em seu braço como um tributo ao seu amigo – Nunca imaginei que você chegaria a este fim...
—Ecaterina: Você o conhecia?!
—Teodor: Um longo amigo de caça, sumiu há alguns anos, antes de Petru nascer...então era aqui que ele estava...
Dando adeus ao falecido companheiro, Teodor vira as costas e segue com Ecaterina e Petru por mais alguns metros, e novamente o labirinto os enganara com becos sem saída até que chegaram próximo a uma espécie de planta
—Petru: Que estranho, esta planta...
Quando Petru tocou na planta, algo aconteceu. Presas brotaram de sua “cabeça” e sua verdadeira forma fora revelada: era uma planta carnívora! De sua boca saíram jatos de ácido que queimavam o solo e as plantas ao redor. Petru foi atingido na perna enquanto tentava fugir, um grito de dor de seu filho bastou para que Teodor rapidamente colocasse o escudo em posição para defender a família do ataque cáustico da Planta Carnívora
—Petru: Que droga! Tá queimando!
—Ecaterina: Espere um pouco, filho!
Rapidamente Ecaterina se aproximou de Petru, removeu um pouco do ácido com um tecido que trouxera, era tipo um esparadrapo. Colocou as mãos na ferida e pronunciou algum encantamento. A ferida se fechou em poucos segundos, o que deixou Petru impressionado, mas ainda sentia um pouco de dor. Furiosa, Ecaterina se levantou e murmurou um outro encanto e lançou uma bola de fogo na Planta Carnívora, que grunhiu e caiu carbonizada no solo
—Teodor: Então é por isso que há tantos desaparecimentos aqui, primeiro uma areia movediça, e agora a droga de uma planta carnívora! Vlad Tepes tem alguma coisa a ver com isso!
Eles descansaram um pouco, repuseram suas energias e seguiram em direção até um corredor onde havia uma árvore majestosa. Teodor percebeu que seu escudo brilhara fracamente, mas mesmo assim era um aviso: algum perigo estava próximo. Teodor seguiu em frente, passando pela árvore quando acordou alguns segundos depois próximo a Ecaterina e Petru
—Petru: Pai! Você está bem?!
—Ecaterina: Amor?!
—Teodor: O que?! – Teodor estava tonto e com sangue vazando pela boa – O que houve?!
—Petru: Foi aquela árvore lá! Ela te golpeou com os galhos!
Petru atirou algumas flechas iluminadas na árvore, para tentar ver se funcionava, mas não surtiu efeito. Ecaterina lançou uma outra bola de fogo mas ela se dissipou
—Teodor: Esta árvore deve ser de carvalho, é tão antiga e imune à dano quanto o tempo...
Lendas locais diziam que carvalho era uma madeira que os espíritos da floresta utilizavam para construir seus lares. Quando a guerra entre Humanos e Elfos eclodiu há muitos séculos, o carvalho foi essencial contra o fogo bruto dos Homens. Teodor analisou a árvore e percebeu que ela não tinha olhos, então como ela teria notado seus movimentos? Teodor então percebeu que tinha algumas pedras próximas a ele e a Ecaterina. Pegou a que ele julgava ser mais pesada e a lançou para próximo da árvore. Foi batata! A árvore golpeou a esmo com seus grandes galhos até que a pedra parou de quicar, foi quando a árvore cessou seus movimentos ofensivos
—Teodor: Entendi! A árvore detecta nossos movimentos! Vamos andar a passos completamente suaves até o final do corredor!
E foi o que fizeram, mesmo com mochilas pesadas, eles conseguiram o feito. Passos tão suaves que a árvore que atacara Teodor parecia inofensiva perto deles. Demorou um pouco mas chegaram ao outro lado, quando avistaram mais uma planta carnívora pronta para despejar seu ódio ácido em qualquer um que se atrevesse a se aproximar. Petru então tenta disparar com sua Besta, mas erra o alvo e chama a atenção da Planta, que dispara sua rajada ácida na direção deles. Mas a distância permitiu que os três desviassem do ataque, e conseguiram correr até uma abertura lateral
—Teodor: Essas plantas estão por toda parte!
—Petru: Desculpa, se eu não tivesse errado...
—Ecaterina: Não tem problema, filho! Esperem um momento, tenho que reabastecer minhas energias arcanas
Os disparos flamejantes e a cura que Ecaterina produziu consumiram bastante sua energia mágica. Clamando pela Mãe Natureza, novamente esferas brilhantes cobriram o corpo de Ecaterina, e depois de alguns segundos ela irradiava poder mágico. Teodor olhou sorrateiro para a Planta Carnívora, seu olhar fixado na abertura era a prova de que ela estava pronta para atacar a qualquer sinal de movimento
—Teodor: Eu vou primeiro, uso meu Escudo para bloquear os ataques e Petru utiliza sua Besta para acabar com a planta!
—Petru: Certo! – respondeu entusiasmado.
Teodor apareceu rapidamente, bloqueou os ataques ácidos da Planta Carnívora enquanto Petru, atrás dele, fazia um disparo preciso com sua Besta. A flecha iluminada acertou a “cabeça” da Planta Carnívora, que deu um grito e caiu morta no chão
—Petru: Woohoo!
—Teodor: Vamos!
Andaram mais alguns metros dentro do labirinto da natureza, passaram por mais alguns becos sem saída até que chegaram em uma passagem ampla. Petru verificou o solo e percebeu que havia uma leve movimentação e a apontou para seus pais. Concluíram que era a armadilha da areia movediça e saltaram por ela. Chegaram em uma abertura dupla, Teodor foi verificar uma lado e quando se virou ele quase foi atingido por um ataque de uma terceira Planta Carnívora, isso o deixou furioso
—Teodor: Desta vez será difícil, não temos um espaço para um ataque...
Teodor analisou e viu que tinha uma câmara que cercava a Planta Carnívora, Teodor e Petru se puseram nela. Não precisou muitas palavras para entender o plano. Petru subiu nas costas de seu pai, que o elevou até Petru poder enxergar a Planta sem ser visto. Mais um disparo preciso e a Planta desabou após um grunhido selvagem. Caminhando pela outra abertura eles novamente encontraram uma outra árvore colossal. Desta vez eles já sabiam o que fazer, passos suaves e calmos os levaram até o outro lado. Eles passaram por um portal de pedra envolta por gravetos e folhas e observaram o outro lado do labirinto
—Petru: Finalmente conseguimos!
—Ecaterina: É! Já gastamos muito tempo neste labirinto!
—Teodor: Sim, vamos descansar um pouco e seguiremos em frente.
Após um breve descanso eles seguiram caminho até que se viram diante de um rio, o Rio Bravo!
—Teodor: Não sabia que o labirinto era um dos caminhos para o Rio Bravo...
—Ecaterina: Este rio...sinto algo negativo nele...
A madrugada já estava brotando, a lua no céu estava radiante mas perdendo seu brilho pouco a pouco. O céu estava ficando mais claro, e os três sabiam que isso significava que o amanhecer estava se aproximando. Andreea não teria tanto tempo de vida, logo sua alma estaria condenada a se tornar escrava de Vlad Tepes por toda a eterinadade
FIM DO CAPÍTULO
Fale com o autor