A Cúmplice.

17 Capítulo XV


Notas iniciais
Sou uma péssima autora, eu sei, podem reclamar. Desculpas não vão mudar o que fiz, não vou ficar implorando (tá, talvez só um pouco) que continuem lendo. Sei como é ficar esperando ansiosamente por uma atualização e ficar frustrado vendo que nunca atualiza. Não vou fazer promessas que não posso cumprir, mas vou tentar postar mais frequentemente, porque depois desses meses todos... É o mínimo que posso fazer, não é? Então, se ainda tiver alguém aí, bom capítulo. PS: Eu dei uma adiantada no tempo da história neste capítulo porque era necessário, estava presa em setembro.

Ana ficara no quarto por vinte minutos, apenas olhando para a foto. Fora Lilith quem havia subido e procurado por ela, finalmente despertando a jovem do transe. Ana fizera sua irmã mais nova prometer que nunca contaria à sua mãe e Elliot sobre a foto que ela havia achado, e nem sobre sua ida àquele quarto. A adolescente nem se importara, dissera que eles não entravam naquele quarto desde que ela e Roberta haviam se mudado para lá.

O que era perceptível, porque quando Ana deu mais uma olhada no quarto, reparou algumas teias de aranha nos cantos das paredes. O quarto não recebia visitas realmente há muito tempo. Se a cor das paredes não fosse branca e a luz da lâmpada não estivesse acesa, Ana estaria em um quarto de uma mansão assombrada. – Se ela pensasse bem, a palavra ‘assombrado’ se encaixava muito bem com aquele quarto em questão. Talvez com a casa inteira.

Passaram-se duas semanas desde que Ana achara a foto. Não saiu da universidade em nenhum dos fins de semana, por mais que quisesse investigar o que aquilo tinha a ver com a morte de sua mãe. Não havia contado ao colega de quarto que já havia pegado a tal pista, simplesmente não conseguiu. Mas havia o ‘contra’ que fazia questão de assombrá-la, a cena aparecia na sua mente nos piores momentos, mas principalmente quando ela estava com Ethan.

Decidiu focar nos estudos, por mais que não conseguisse gravar muitas coisas. E o primeiro trabalho em grupo já havia sido entregue há tempos, graças à Victória, principalmente, pois Ana havia esquecido completamente de ajudar a fazê-lo. Não que os outros integrantes do grupo tivessem reclamado, sabiam que a jovem era inteligente o suficiente para fazer, então decidiram que ela recompensaria no próximo.

Porém, apesar de todas as provas e testes, a morena sabia que tinha de voltar a escrever o livro, e rápido. Portanto, utilizava seu tempo livre sentada no computador e, felizmente, escrevera metade de um capítulo mais rápido do que o primeiro. Talvez fosse porque Ethan agora estava mais preocupado em relatar o que acontecera de fato e não os mínimos detalhes de cada história. Ana continuava a evitar partes sórdidas, que ele tinha certo prazer em contar, mas agora estava contente com apenas os fatos. Então a jovem não tinha tantos acontecimentos trágicos em mente, apesar de não ter esquecido o que tinha escrito no último capítulo.

O mês de outubro não começara bem; o semestre, para Ana, já era um desastre. Porém, com todo o esforço que tinha, manteve-se estável ao decorrer do mesmo. Já era quase novembro, mas o capítulo dois já estava completo e o três pela metade. Contudo, novamente, sem saber o porquê, decidiu esconder isso de Ethan. E apesar dela precisar do homem para continuar a escrever, começou a adiantar alguns eventos que já eram de seu conhecimento, como, por exemplo, o dia que se conheceram, pois as informações que tinha sobre o que acontecera nesse intervalo do dois para o três eram muito vagas. Todas as vezes que Ethan contava algo novo, sendo no quarto ou até mesmo pelos corredores, ela anotava para os próximos capítulos, tendo em mente que não conseguiria completar o livro em um ano no ritmo em que estava. Teria de ser mais rápida, mais ágil, mais objetiva.

No momento, Ana estava sentada em um dos bancos no pátio da universidade, esperando o sinal da aula de artes cênicas bater. Eles não haviam prosseguido com a história de fazerem o fantasma da ópera por causa dos recursos, o que deixara Jéssica contente, pois finalmente viram que tinha razão. Porém, ainda estavam montando uma peça: A Megera Domada, de Shakespeare. Ethan havia falado com ela há um tempo, depois de faltar duas aulas seguidas, que precisavam de dois personagens. Ana faria Bianca, e só por ler as suas falas tivera um ataque de riso. “É óbvio que conseguirei fingir que sou romântica, mas isso é totalmente ridículo.” Ela pensara.

O sinal batera há cinco minutos e Ana nem havia percebido, mas se levantou e foi até à sala de teatro. E, apesar de ter começado há tão pouco tempo, o clima lá não era dos melhores.

— Você não pode, simplesmente, acertar suas falas pelo menos uma vez?! – Gritou Connor. Pelo o que se lembrava, ele faria Petrúquio e Jéssica faria Catarina, e era com ela que ele estava gritando. – Já estamos ensaiando há um mês, tenha piedade!

— Eu estou falando certo, se está escrito outra coisa no seu roteiro, isso não é problema meu! – Ela respondeu.

— Quanto profissionalismo de vocês dois. – Victória diz sarcasticamente ao levantar. – Jéssica, você pegou o roteiro corrigido? Porque eu lembro muito bem que esta cena foi modificada na correção final. Por favor, alguém dê as falas certas a ela!

Nate levantara e dera seu roteiro a ela no momento que Ana entrara na sala.

— Finalmente. – Ele dissera ao chega perto da morena. – Achei que Bianca nunca fosse chegar.

— Eu não ouvi o sinal, estava do lado de fora. – Respondeu serenamente, sentando ao lado de Lucas, que faria seu pai na peça, Batista. – O que eu perdi?

— Jéssica não ensaiou com o roteiro certo. – Lucas respondeu. – Apesar de termos avisado para pegaram o da correção final na diretoria.

— Ninguém me avisou também! – Ana disse espantada. – Eu não peguei o roteiro final.

— Pensei que o professor fosse te mandar pessoalmente. – Nate disse do outro lado da sala.

— Eu acabei esquecendo por causa da revisão de provas, – Ethan disfarçara com uma voz cansada, ele raramente fora visto na universidade aquela semana, e por coincidência, o Blue Killer fizera mais uma vítima. Quando Ana soube, quase vomitara no chão do quarto, porque fora sua culpa. Se não tivesse escondido o que tinha achado, ele não teria agido, pois saberia do seu progresso. – mas não se preocupe, as suas cenas e falas não foram modificadas drasticamente, tome aqui o roteiro e revise um pouco, só vamos fazer uma cena com você hoje.

— Ah... Tudo bem. – Ana se levantou e pegou o roteiro.

...

Lilith estava um tanto quieta aquela semana, Roberta reparara. Não sabia exato por que, mas iria descobrir. Talvez fosse alguma coisa na escola, um desentendimento com uma das amigas ou algo do tipo, mas não conseguia suportar sua filha silenciosa pelos cantos. A adolescente era muito cheia da vida para isso, não queria que a menina perdesse o brilho. Esse era um dos motivos que deixara Roberta contente com o afastamento de Ana, apesar da enteada sempre ter sido um doce com ela e com Lilith, seu relacionamento com o pai não era saudável. Sabia que a morena possivelmente influenciaria no comportamento de sua filha se ficasse por perto.

E, apesar de todos tentarem esquecer e não comentarem sobre, os acontecimentos do ano anterior não haviam sido muito a favor de Ana. E a ruiva não tirava de sua mente de que aquilo ainda viria à tona cedo ou tarde. Um surto daqueles não era algo para se por debaixo dos tapetes. “Ainda mais porque não há mais espaço embaixo do mesmo.” Pensara Roberta. “Dizem que cidades pequenas atraem segredos grandes, talvez esse seja o caso da nossa.”

— Lilith? Querida? Está em casa? – Roberta chamou-a da porta.

— Sim. – Ouvira a reposta vinda da cozinha.

Ao chegar ao cômodo, deparou-se com sua filha se atrapalhando um pouco tentando fazer um bolo. A cozinha, em si, estava intacta. Mas a situação da pia não era das melhores. A cena faria Roberta rir, se tivesse esquecido o porquê de estar querendo falar com a filha.

— Por que não pede para Maria fazer o bolo para você? É para isso que a contratamos, Lilith! – Disse rindo.

— A professora disse que tem que ser eu, sabe... Se eu faço um curso de culinária, é para saber cozinhar, né? – Respondeu enquanto batia a massa.

— Ah, mas é claro... Lilith, está tudo bem? – Perguntou.

— Sim, por que não estaria? Só por que estou trabalhando? – A menina pôs a massa no tabuleiro, continuou com frieza. – Só por que uma das minhas professoras foi morta a caminho da escola? Não há motivo para eu não estar bem.

— Como assim?! – Roberta exclamara. Ela ouvira sobre uma nova morte, mas uma perto da sua filha?

— A professora de história. – Ela disse enquanto colocava o tabuleiro no fogão. – A de cabelos castanho claro e olhos azuis que você disse que parecia metida, lembra?

— Lembro... – A ruiva tapou a boca em seguida.

O silêncio permaneceu no cômodo por um longo tempo, só foi rompido assim que Lilith tirou o tabuleiro do fogão. O bolo aparentava estar bom.

— Isto não deveria lhe preocupar, mãe, eu não corro riscos. – Ela disse normalmente. – O assassino só ataca mulheres a cima de 18 com olhos azuis, estou bem longe do padrão do cara. Pode ficar tranquila.

— Um assassino que mata a sangue frio, minha filha, não tem padrão. – Roberta respondeu. – Uma hora, em algum momento, isso sairá de controle; se ninguém fizer algo.

— Você fala como se tivesse experiência. – Disse a adolescente, dando risadinhas.

— Nunca mais fale algo do tipo, Lilith! – Roberta a advertiu. – Está achando o quê? Ponha esse bolo na geladeira e vá pro seu quarto!

— Mas eu preciso decorá-lo e...

— Pro seu quarto, agora! – A ruiva gritou para a filha.

Em troca, a menina fez uma cara feia ao passar pela mãe e subiu as escadas fazendo birra.

O que diabos estava acontecendo naquela cidade? Roberta pensou.

— Meu Deus... Ana! – Ela exclamou enquanto pegava sua bolsa e ia para o carro, pronta para ir à universidade novamente.

...

Depois do ensaio, que não foi tão mal sucedido como parecia que seria no começo da aula, Ana decidiu que voltaria ao quarto e digitaria até seus dedos ficarem cansados. Fazendo sentido ou não, ela escreveria. Sendo o livro do Ethan ou não. Porém, por pura sorte, ela se lembrou de alguns fatos que ele dissera há pouco tempo e os pôs no computador. Estava completamente sucumbida pela escrita para sentir que alguém abrira a porta de seu quarto.

— Ana? – Alguém a chamava atrás de sua cadeira. Seu primeiro ato foi fechar o programa, mas quando se virou era somente Ethan. O que também não era bom, pois ele havia descoberto que Ana já estava adiantada. – Está no capítulo três e não me contou?

— Não tive tempo. – Respondeu sem tirar os olhos da tela, ainda apagada. – Da mesma forma que você não teve tempo de me dar o roteiro.

— Assim como não teve tempo de ir à casa de seu pai pegar a foto? – Ele disse com a mesma na mão. – Por que escondeu de mim? E não tente mudar de assunto novamente.

— Por quê? – Ela repetiu, acendendo a tela do computador, salvando o documento e desligando o aparelho de uma vez. Ficou em silêncio por alguns minutos e só respondeu quando se levantou e tomou a foto dele. – Não sei; talvez eu simplesmente queira fingir que não estou passando por isso tudo. Talvez eu só queira ser uma universitária normal por um tempo, só para variar. Imaginar que estou escrevendo, sei lá, um romance policial ou um livro de terror. Já se passaram dois meses, minha cabeça não está das melhores... Quer saber? Eu nem te devo explicações!

— Mas é óbvio que deve! Por sua causa, minha querida, a professora de história da sua irmã não se encontra mais entre nós. – Ele disse sadicamente, deixando Ana boquiaberta. Aquilo era uma ameaça? – Sabe, uma hora as mulheres com olhos azuis vão deixar de existir nessa cidade e você será a única... Como acha que os cidadãos vão reagir a isso? Talvez o assassino mude a preferência...

— Primeiramente: Não ouse me culpar pelas suas atitudes, seu babaca! Quem fez foi você, eu não te controlo, então não há um dedo meu nisso. Segundo: Danem-se os cidadãos. – Ela disse, sem perceber o quão egoísta e tenebroso aquilo tinha soado. – Não ouse chegar nem mesmo perto da Lilith, está me ouvindo? Não me importa as consequências, se você ousar encostar um dedo nela, você é um homem encarcerado em minutos, não importa se eu for pra cadeia com você.

— Mas você não queria saber o que aconteceu com a sua mãe? – Ele perguntou.

— Não a esse preço. Talvez eu queira deixar essa história no passado, no lugar onde ela pertence. Enterrada, sem ser entendida. – Abriu a porta do quarto. – Ou talvez eu só esteja tendo uma crise de identidade.

— Acho que a segunda é a mais plausível. – Ele disse enquanto sentava na própria cama. – Você precisa se acalmar. Ficar escrevendo, pela pressão, te deixou meio perturbada. Aliás, será que eu poderia ver o que você escreveu?

— Vá em frente. – A morena disse encarando o corredor.

Ethan se levantou e foi ao computador. Sentando na cadeira e ligando a tela do monitor, ele encontrou o papel de parede limpo com apenas quatro ícones, lixeira, navegador, Word e o iTunes. Ela não era de manter vários atalhos, preferia procurar até achar para que não perdesse tempo com outras coisas pelo caminho. Não que ela se distraísse à toa. – Clicando no atalho do Word, e selecionando o documento que dizia: ‘Azul’, ele riu da piada interna da mulher. Lá estavam escrito três capítulos, todos denominados, mesmo sem a ‘sugestão dele’.

“Conspirações parte 1.” O que ele havia citado quase inteiro, sobre sua infância e adolescência, sobre coisas banais e, claro, a introdução dela como narradora disso tudo. Não havia emoção na escrita dela a partir da introdução, somente quando ela dissera: “Pobre menino Ethan.” O que indicava sua pena por ele. Ethan não precisava de compaixão, ele sabia muito bem o que havia acontecido, sabia muito bem sobre suas escolhas. O capítulo terminava com ela dizendo: “Seu passado já passou, e estou sendo redundante de propósito, porque sei que vocês se importam é com o presente o futuro, então vamos em frente.”

O segundo foi “Síndrome de justiceiro.”, em que ela contou sobre como ele havia decido que ajudaria o mundo com seus sonhos que foram deixados para trás há muito tempo. O de ser policial, ou detetive, por exemplo. Ele estudara direito, mas desistira depois de dois semestres. Lembrava-se vagamente de ter dito isso a ela, provavelmente dissera sem perceber. Todo tempo Ana agia imparcialmente, como uma narradora observadora que não tinha nada a ver com a trama, porém, no final deste mesmo capítulo, quando ela apresenta a morte dos pais dele e Connor, é que ela começa a revelar alguns dos seus sentimentos em relação à história.

"“A justiça pode caminhar sozinha; a injustiça precisa sempre de muletas, de argumentos.” Nicolae Iorga.

Se o que ele fez foi justo, por que tentou explicar o porquê matou? Que pergunta idiota. Será que deveríamos considerá-lo alguém do lado bom que foi tentado? Não importa realmente, se há algo bom nele, já se foi há muito tempo."

O terceiro capítulo era a história dela, pela visão dela. O nome? “Aniversários.” Não havia o ponto de vista dele, e ele precisava mudar aquilo. Quem lesse deveria saber o que ele havia feito e o porquê. Ah, havia tanto que ela ainda não sabia. Como poderia achar que conseguiria terminar aquilo sem fontes? Porém, o que o deixou intrigado foi o fato dela ter contado a vida dela nesse capítulo, todos os segredos e todos os sentimentos, fora um capítulo de desabafo.

Saindo do transe, o homem olhou várias vezes para a garota na porta, torcendo para que ela tomasse consciência e a fechasse. Se alguém entrasse e visse o que ela tinha escrito, não teriam um resultado muito bom, mas ela simplesmente ficou lá, parada, sem expressão, encarando o vazio. Ele estava, definitivamente, fazendo mal a ela. Infelizmente, era um mal necessário, que ela agradeceria depois.

— Quantos capítulos pretende escrever? – Ele perguntou.

— Quantos capítulos você quer que tenha? – Ela perguntou de volta, sem vontade.

— Dez. – Ethan disse, surpreendendo a garota. Só faltavam sete capítulos? Como aquilo era possível? Ela pensou.

Todo aquele pesadelo que ela pensara que iria passar, todos os meses, todas as pistas... Ela descobriria tudo sobre sua mãe, botaria aquele maníaco na cadeia e teria um recomeço um pouco menos turbulento. Qual era o objetivo dele afinal? Não importava, ela seria livre em menos de três meses, claro, se ele cooperasse. A onda de felicidade que a invadiu foi sobrenatural. Ana fechou a porta com um solavanco em surpresa, assustando o homem em frente à tela do computador.

— Como assim, dez?! – Ela perguntou eufórica.

— Não pense que será fácil só porque são apenas mais sete capítulos. – Ele cortou logo os sentimentos de alívio dela. – Até porque, se eu quiser passar tempo sem lhe dar informações, eu posso. A sua companhia tem me feito muito bem, sabia?

— Você é desprezível. – Ela retrucou sombriamente. – Ainda me pergunto como Connor pode ter vivido com você.

— Ele provavelmente aprendeu alguns truques de proteção comigo. – Ethan falou rindo de modo seco. – Você acha que ele é o típico príncipe encantado, não acha?

— Foi inclusive o motivo de termos terminado. – Ana sentou-se perto da janela e olhou para o lado de fora, procurando um de seus amigos pelo grande pátio. Nenhum deles estava lá. Eles ficaram em silêncio por algum tempo até a morena perguntar: – Qual é a próxima dica?

— Perdão? — O homem havia se dispersado muito rapidamente, na opinião da garota. Não era ele quem estava falando agora pouco? – Dica?

— Já completei mais um capítulo. Você leu e não reclamou, presumo que tenha gostado, portanto... A próxima dica sobre a minha mãe? – Ela exigira.

— Você não estava proclamando um discurso com a sua distorcida moral há uns minutos? – Comentou sarcasticamente o assassino. – Sobre Lilith valer mais do que isso tudo, sobre querer deixar toda essa loucura para trás?

— Não foi você quem disse que eu estava simplesmente tendo uma crise de identidade? – Ela retrucou entre os dentes.

— Temos de parar de brigar, sabia? Se vamos escrever isso juntos, porque eu preciso de você pra isso, e se você vai encontrar as respostas que procura, porque você precisa de mim para isso, precisamos nos focar no que é importante.

— Estou focada no que é importante: Minhas notas, minha família, minha sanidade mental e a segurança da cidade. Não exatamente nessa ordem, mas você entendeu. – Ela murmurou enquanto ele rolava os olhos. – E você? Preocupa-se com algo que não seja você mesmo?

— Você, obviamente. – Ethan respondeu como se fosse a coisa mais óbvia da face da Terra, com um olhar que Ana julgou ser totalmente cínico.

— O quão cara de pau você pode ser? – Ela perguntou sem acreditar. – Fala que se preocupa comigo, mas não demonstra nem se a Rainha da Inglaterra lhe pedisse. É totalmente... Doente essa preocupação que você tem por mim. É algo totalmente egoísta, porque você é simplesmente egocêntrico. Tudo precisa ser feito de acordo com a sua vontade. Não é somente nesta relaçã... Nesta bagunça que somos, é em todo momento da sua vida. Nos ensaios, você não aceita a opinião dos alunos. Nas aulas de literatura, não aceita a sugestão de livros. É ridículo! Ontem eu fui à sala dos professores e você fez com que a Margareth pegasse algo restrito, que poderia levá-la à demissão, e ela simplesmente fez porque você a manipulou. Você provavelmente pegou isso do seu pai... Pisar em todo mundo, sabe?

— Boa comparação, você deveria fazer psicologia depois disso. – Ele comentou com um sorriso de lado. – Eu acho que eu sou simplesmente alguém que se põe em primeiro lugar.

— Acredito que isso se chama ser sociopata. – Ela repetiu o sorriso que ele dera antes. O rosto do moreno se fechou. – Não que eu já não soubesse disso antes, logicamente... Acho que estou ficando com dor de cabeça.

— Ana. – Ele a chamou. A morena voltou a encarar o vidro da janela. – Pode não parecer, mas eu me importo sim com você.

— Claro. – Respondeu. – Como cachorros botam ovos e...

— E galinhas dão à luz. – Ana ouviu a conclusão da frase que sua amiga costumava falar na porta vindo da voz da mesma. Ao virar-se, Ana abriu um sorriso tímido. – Vicky, há quanto tempo está aí?

— Desde o “estou ficando com dor de cabeça”. – A loira citou fazendo aspas no ar. – Sua melhor desculpa para encerrar uma conversa que está te fazendo mal. Foi por isso que não bati. Desculpe senhor Millers, mas se você está chateando a Ana, acho melhor parar.

— Não foi nada. – A mulher saiu da janela e andou até a melhor amiga. – Sério, não precisa se preocupar.

— Como ele? – Victória respondeu ácida. – Escute aqui Ethan, você já machucou a Jéssica... Se você sequer pensar em chegar perto da Ana, eu te queimo em praça pública.

— Estava com saudades das suas ameaças, Summer. – Ele respondeu rindo. – Estávamos apenas conversando, nada demais. Agora, acho melhor você começar a repensar em como trata os seus professores. Suas notas não estão as melhores... Não gostaria de repetir o semestre, não é?

— Não misture vida pessoal com profissional, seu idiota. – A loira rosnou. – Estou falando com o ex-namorado da minha irmã.

— E, no momento, o ‘ex-namorado’ da sua irmã está no horário de trabalho. – Ele disse friamente. – Portanto, estou na profissão de professor. Comporte-se Victória, para toda ação há uma consequência, não queira saber quais são as minhas.

A loira empalideceu, nunca vira o homem falar de tal modo. Porém, sua amiga ao lado não parecia surpresa.

— Agora, acho melhor voltar ao que estava fazendo antes de vir aqui. – Ele completou.

Victória olhara intensamente para o homem que estava sentado em frente ao computador, e depois bufou quando ele disse nada mais. Virou-se para Ana, mas a morena simplesmente olhava para a manga do braço, distraída. Quando tentou tirar a amiga do quarto, ela acenou que não, dizendo que ainda precisava resolver algo com o professor. A Summer mais nova bateu a porta do quarto com força e saiu andando pelos corredores, atrás de seu namorado.

— Isso foi completamente desnecessário. – Ana finalmente encarou Ethan após a cena. – Além de descuidado. Perdeu a linha?

— Perdi a paciência. – Ele disse, levantando-se e andando até ela e agarrando seus ombros. Ana finalmente deixou a mascara de indiferença cair, e agora seus olhos expressavam que ela estava apavorada. Ethan olhou bem nos olhos dela e disse: – Escute, de agora em diante você não me esconderá mais nada, está ouvindo? Desde o que você faz na casa do James ao xampu que você usa. Desde como você estuda aos capítulos que você escreve. Desde a gasolina do seu carro às suas conversas com Lilith... Está me ouvindo, Ana?

— Estou! – Ela respondeu com uma voz fraca.

— Ótimo. – Ethan voltou ao seu calmo normal, ao papel de bom moço que fazia, deixando o seu eu verdadeiro escondido novamente. – Agora, a próxima dica é um pouco complicada, minha querida, mas a resposta está com o seu pai. Pergunte a ele sobre a noite de 22 de outubro de 1994. Você tinha cinco anos, se não me engano.

Ana engoliu em seco, tentando livrar seus pensamentos do que havia acabado de acontecer. Ethan a olhou e percebeu o que havia feito.

— Desculpe-me... Eu... Perdi o controle. – Ele tentou por as mãos nos ombros dela novamente, mas Ana se esquivou.

— Não toque em mim. – A jovem disse se afastando do homem. – Nem dê mais um passo... O... O Elliot vai responder sem problema?

— Sim. – O homem respondeu baixo, tentando não assustá-la novamente. Ela estava tremendo. – Desculpe Ana.

— Até a próxima aula. – Disse enquanto pegava a bolsa e saía do quarto em disparada.

Ethan observou enquanto ela corria como se não houvesse amanhã apenas para sair da presença dele. “Idiota, xingou-se mentalmente, como pôde agir desta forma com ela? Agora que não terá chance alguma... Realmente, idiota.” E se jogou novamente na pesada cadeira em frente ao computador.

— Por que diabos eu me importo? — Ele sibilou antes de pegar o celular.

Notas finais
Que briguinha feia, em? Ethan deu medo até em mim nesse final. ;-; (Não me odeiem por causa dessa briga, por favor.) PESSOAS - se alguém ainda estiver lendo - PRECISO DE AJUDA: Vou fazer aqui uma perguntinha: Com vocês imaginam o Ethan e a Ana? Eu tenho uma imagem na minha mente, mas não sei se vocês concordariam, então gostaria de saber a opinião de cada um. Até o próximo capítulo, que será (sem falta, nem que eu passe a noite inteira escrevendo, essa promessa eu cumpro) postado nesse fim de semana. (E um bônus até sexta.)