A Bússola Dos Sonhos
1 Mergulhada em sonhos estranhos
Notas iniciais
Lembranças? Memórias perdidas?
Nessa história, uma viagem, mas não há um lugar físico, mas um lugar psicológico, o mundo dos sonhos, que habita em cada um de nós...
Sonhos... O maior dos mistérios. Tantos já tentaram explicar suas origens, seus significados, em vão. As perguntas são infinitas: Por que sonhamos? Por que, na maioria das vezes não conseguimos nos lembrar de nossos sonhos? O que cada sonho pode significar? E pesadelos, por que nos perseguem? Por que existem sonhos ruins? Por que?...
E é no momento que conseguimos responder a essas perguntas que compreendemos que a verdade sempre esteve ali, na nossa frente, estampada, mas escondida dentre as possibilidades. E é nesse momento, que todos irão viver, que nos damos conta de que os sonhos, são muito mais do que aquilo que aparentam ser...
Mal os primeiros raios de sol iluminam as ruas e já se ouvem passos, centenas de passos...Jovens caminhando apressados em direção ao colégio do bairro, alguns com expressões alegres carregavam seus cadernos com entusiasmo, outros, com as rotineiras caras de sono, arrastando o material pelo chão. Era o início de mais um dia, mais um dia de aula.
Mas em um pequeno apartamento dois quartos e sala, uma garota permanece em seu recinto de sono, mergulhada em sonhos um tanto estranhos...
_Luíza!-a voz chamava
A menina se virava em todas as direções, mas estava cercada por todos os lados por uma plantação, uma imensa plantação de milho, um enorme campo dourado, iluminado por fortes raios de sol. Ela não conseguia compreender de onde surgira a misteriosa voz.
_Luíza!-a voz clamava novamente- Você precisa encontrar a bússola!
A garota corre em todas as direções, mas de nada adianta, a plantação a cercava por todos os lados, era um labirinto sem fim... De nada adiantaria, não conseguiria descobrir de onde a voz vinha, nem tampouco de quem ela vinha...
Mas era uma voz familiar, disso ela tinha certeza, uma voz serena, suave, mas que passava extrema confiança, como se estivesse pedindo que a escutasse...
_Luíza! A bússola...-a voz tornava a dizer
Um barulho estrondoso trás a menina de volta a superfície, a realidade. Era o despertador que tocara pela terceira vez, enfim, despertando a menina. Em um pulo ela se levanta assustada.
_O que foi?- pergunta o irmão, que estava na cama ao lado
_O-o s-sonho...-ela responde
_Outra vez?
_Sim, o mesmo sonho, a mesma voz me chamando, me perseguindo...
_Isso é besteira! Impressão sua
_Não Igor! É mais do que isso...e dessa vez, foi diferente...a voz, ela me pediu que eu encontrasse...uma bússola.
_É nisso que dá ficar vendo filmes até de madrugada
_Você não entende? Esse sonho, essa voz... Quer me dizer alguma coisa...eu sei disso
_Deixa de bestei... Mas antes que o irmão pudesse completar a frase, a menina olha para o relógio, marcava 07:10, logo sua expressão assustada da lugar a uma expressão de agitada e apressada. Ela estava atrasada, como sempre...
_Tenho que ir rápido!- ela diz
Nem a garota soube como explicar, mas em menos de dez minutos já havia trocado de roupa, tomado café e se encontrava parada em frente ao portão do prédio segurando a velha mochila.
Ela inicia com passos rápidos sua caminhada, poucos quarteirões a separavam da escola, mas o caminho parecia mais longo do que de costume, as ruas a essa hora se encontravam menos movimentadas, mas ainda era possível ouvir alguns passos ainda mais apressados.
Ela estava quase no portão do colégio quando ouve um som, um som que não faz muito tempo ouvira... O som do vento batendo na plantação de milho, sacudindo seus ramos...
Logo o cheiro do milho esturricando debaixo do sol penetra suas narinas, era um cheiro de campo, fresco e delicioso de se sentir...
Há algo de errado. Não estava em um campo, mas sim em uma cidade, não haviam plantações, mas dezenas de prédios e casas, não havia milho, somente asfalto duro e rígido.
Mas o som dos campos ainda penetrava em seus ouvidos, como que trazido por uma brisa vinda de trás de seu corpo. A menina se vira, mas atrás de si, somente uma larga rua quase deserta, não havia nada a não ser um homem forte carregando um caixote com frutas frescas para o velho mercadinho.
Estaria ouvindo coisas?
Resolveu não se preocupar com isso, apertou o passo e entrou correndo pelo grande portão de ferro do colégio, desceu a rampa que ligava a entrada ao pátio principal já vazio, ela olha em seu relógio de pulso, que marcava 07:30, havia perdido o primeiro horário, mais uma vez. Agora, só lhe restava esperar na velha sala de convivência pelo sino, anunciando o inicio da segunda aula.
Sentou-se em uma das cadeiras de madeira que enfeitavam o salão, ao seu lado estavam outros atrasados, alguns ouviam músicas em seus celulares para conseguir se manterem acordados, outros aproveitavam o tempo para fazer os deveres que haviam esquecido. Luíza estava nesse grupo de esquecidos, pegou o caderno de redação e leu no topo da página: “Tema: Dissertação sobre os acontecimentos que marcaram a historia da humanidade”, ela esboçou uma expressão de cansaço, as 07:35 da manhã, não havia inspiração que pudesse a ajudar. Até tentou rabiscar algumas palavras no caderno, mas não conseguiu escrever mais do que:” Um dos fatos que marcou a história da humanidade foi a Revolução industrial, que promoveu a industrialização das cidades, estados e países”. Luíza não era muito boa em redação, mas aquilo era o cúmulo!Nenhum professor engoliria uma redação daquelas, nem em seus dias de melhor humor. Não havia jeito... Melhor desistir...
Resolveu rabiscar alguma coisa na página da redação, começou a desenhar uma bússola, após alguns minutos, tinha acabado sua obra de arte, uma bússola um tanto torta, não tinha mesmo talento para o desenho... Mas pelo menos era uma bússola identificável.
Por um instante ela pareceu ter visto a agulha da bússola se mover, apontando para a própria menina...
Ela sacudiu o rosto e esfregou os olhos, estaria sonhando ainda?
Mas ela não podia imaginar que o que estava prestes a viver era bem mais que um sonho, bem mais que ilusão, era algo que podia mudar sua vida...Para sempre.
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