A Busca
6 A Busca: Pela Felicidade.
Notas iniciais
Dirigia pelas ruas que eu tanto conhecia de Forks, com o coração repleto de sentimentos confusos; estava feliz por finalmente ter superado meu passado, aliviado por conseguir respirar de novo e ansioso pelo que estava por vir. Ou melhor; por quem estava por vir. Lawrence havia me avisado que o amor da minha vida estava esperando por mim e eu aceitei buscá-lo.
Seguia o endereço que o pai dela havia deixado no antiquário dos Cullens, com um sorriso de nervosismo no rosto. Era estranho saber que a mulher que estava destinada a ser minha tivesse morado quase uma vida toda perto de mim e eu nunca tenha esbarrado nela. Mas, Lawerence me garantiu que eu a encontraria no momento certo e entenderia tudo que fosse preciso.
Parei no bairro da casa dela e suspirei quando estacionei o carro de meu pai. Tamborilei os dedos no volante me preparando. Como eu agiria era a grande questão. Aliás, como eu saberia quem era o meu amor só seguindo a pista de Lawrence? Será que era alguma prima dela ou vizinha? E quando eu descobrisse? O que faria? Chegaria nela e diria; hey uma garota morta me disse que eu tinha que me casar com você? Não parecia nada bom.
Eu sou um idiota. Por que estou fazendo isso? Não tem o menor sentido.
Pensei em acelerar o carro e voltar para casa, quando uma senhora colocou a cabeça na minha janela e me apresentou um sorriso caloroso. Naquela rua cheia de neve a mesma me aqueceu com um gesto.
—Você parece perdido garoto, preciso de ajuda? — questionou simpaticamente, suspirei, decidindo se devia arriscar, então simplesmente joguei tudo para o alto.
—Eu vim atrás dos pais da Lawrence. — anuncio e a pele da mulher se empalidece, então ao mesmo tempo que eu seu olhar se direciona a casa com o número do endereço.
—Infelizmente você não os encontrará; Eles se mudaram para Seattle. — me comunica quando se vira para mim novamente e eu faço uma careta. Era lógico que isso seria uma loucura. Era lógico que a sugestão de Lawrence não daria certo. — Mas, se precisar mesmo falar com um deles pode ir ao hospital, a irmã dela ainda trabalha lá. — uma luz parece surgir no céu quando a mesma me diz isso. — Te darei as informações necessárias para encontrá-la. — parece um anjo real e recebe um sorriso sincero meu antes de eu ir embora.
No entanto a única coisa que descubro sobre senhora é que se chama Sue.
O caminho até hospital é rápido e cheio de hesitação da minha parte, a essa altura admito que não espero mais nada intenso, mal sigo acreditando que as loucuras de Lawrence tenha sentido agora. Talvez Lawrence nem tenha existido de verdade.
Adentro ao edifício de cores neutras e me sinto incomodado por não gostar desse tipo de ambiente. Estou nervoso quando alcanço a recepção, quero perguntar sobre a irmã de Lawrence por ainda ter dois pingos de esperança de que ela possa me dar a resposta que eu preciso.
—Em que posso ajudar? — a recepcionista indaga educadamente e eu suspiro.
—Eu estou procurando pela doutora Swan. — falo de modo calmo e quando vou especificar de quem estou falando ouço uma voz atrás de mim que me faz ficar estático. Aquela voz, é a mesma voz que se complementa com uma risada leve e um olhar intenso. É a mesma voz que me acompanhou rumo a superação.
—Sou eu. Isabella Swan. — meus olhos lacrimejam automaticamente porque eu já tinha ouvido aquela voz antes em outra pessoa. Fico trêmulo e aos poucos me viro dando de cara com uma imagem que faz meu coração congelar. A face que encontro a minha frente é exatamente igual a de Lawrence; os cabelos em cascata escuros cobrem perfeitamente o rosto pálido, os olhos também escuros e a boca fina. E a careta que ela faz agora, é exatamente a que Lawrence faria se eu negasse fazer algo.
Quando Lawrence me disse que tinha uma irmã só deixou de acrescentar que era sua gêmea.
Nossos olhares se encontram de modo natural, uma corrente elétrica percorre meu corpo de um jeito estranho e eu engulo seco por não entender essas sensações.
—Sou...Edward. Edward Cullen...Lawrence me disse… — não consigo acabar porque assim que toco no nome dela Isabella me lança um olhar afetado.
—Você era amigo da minha irmã? — indaga em um murmúrio e eu suspiro. Como posso explicar para uma garota que pelo que Lawrence disse ainda sofria por causa da morte dela que encontrei sua irmã e ela me ajudou a superar meu sofrimento?.
—Sim. — esse é o resumo. Isabella arfa e em questão de segundos seus olhos enchem de lágrimas e ela morde os lábios.
—Desculpe, fazia tempo que eu não ouvia o nome dela. — se justifica, me olhando como se eu não pudesse entender essa dor. Bem, eu entendia, a irmã dela me ensinou a melhorar. — De onde você a conhecia? — questiona calmamente.
—Da... — não consigo inventar uma desculpa e Isabella me olha confusa. — Não importa. O que importa é que quando eu precisei de alguém, de verdade, Lawrence esteve lá por mim e fez com que eu ficasse de pé novamente. — explico com sinceridade e Isabella enxuga o rosto.
—Isso não parece o tipo de coisa que a minha irmã faria. — comenta com mais uma careta e eu a olho intensamente, um pouco atordoado ainda.
—Me desculpe. — peço quando ela nota. — É que...Você é exatamente igual a ela. É meio assustador. — surpreendente ela gargalha, de um jeito emocionado.
—É...Também faz tempo que as pessoas fazem esse comentário sobre nós duas. É reconfortante. — admite nostálgica e afunda as mãos nos bolsos de seu jaleco. — Eu estou no meu horário livre, quer tomar algo na lanchonete do lado daqui? — convida e pela primeira vez em muito tempo aceito algo do tipo sem hesitação.
O lugar em que escolhemos para conversar é arejado e logo fazemos nossos pedidos. A medida desse encontro começo a observar os trejeitos de Isabella, tentando encontrar Lawerence nela, mas, de alguma forma mesmo sendo iguais em aparência a mesma não tem nada dela em personalidade; Enquanto Lawrence exibia fúria no olhar, Isabella apresentava calma, por pouco não achei que se devia ao seu sofrimento, mas, ai percebi que era algo naturalmente dela.
—Então, você disse que minha irmã te ajudou... — ela inicia de modo contido e eu assinto. — É bom saber que ela era capaz disso, Lawerence sempre foi um pouco...Egoísta. — fala e eu noto que a mesma já consegue citar ela no passado. — Uau, faz realmente tempo que não falo sobre ela, ainda dói nos meus pais, e os amigos dela sumiram após sua morte...Às vezes é como se ela nem tivesse existido, é triste, porque..Antes de escolher o que escolheu Lawren era a própria definição de vida. — desabafou, e noto que talvez isso também não seja uma das características dela.
—Seus pais se mudaram? Eu fui atrás deles na sua casa e uma senhora me comunicou isso. — puxo conversa para acalmá-la um pouco e fazê-la confiar em mim.
—Sim. Como eu disse ainda dói neles e eles preferiram mudar de ambiente. Eu preferi ficar, comecei agora meu estágio na área de nutrição e não quero perder essa oportunidade. — me comunica com a voz frágil. — Mas, se você os procurou e logo depois veio até mim é porque quer algo, certo? — questiona e eu suspiro.
—Da última vez que eu falei com a Lawrence, ela deu a entender que...É meio estúpido na verdade; mas, ela deu a entender que eu encontraria uma coisa que segundo ela eu precisava e eu não sei...De alguma forma eu achei que seus pais poderiam me dar uma dica mais precisa. — é uma péssima explicação. Isabella franze as sobrancelhas.
—Você ao menos sabe o que é essa coisa? — pergunta solicita e eu faço uma careta.
—Eu...É melhor deixarmos para lá. — peço porque vendo por esse ângulo é totalmente idiota falar sobre isso. Isabella arqueia uma sobrancelha. — Sua irmã amava muito você. — mudo de assunto sentindo que Lawrence gostaria que eu dissesse isso a ela. Sua irmã se encolhe na cadeira que senta e suspira.
—Lawren não costumava falar sobre sentimentos. — comenta decepcionada.
—Acho que onde quer que ela esteja; ela sente muito por isso...Na verdade eu tenho certeza. — falo com firmeza e em um gesto involuntário minha mão toca a dela por cima da mesa. Nos olhamos aflitos e eu logo me desvencilhei.
—Então, você veio até mim, mas, eu não posso te ajudar por que você não quer me dizer o que procura? — indaga e acho que nesse momento me acha um pouco estúpido.
—Sua irmã era meio louca. — acho que vou a ofender com isso, mas, Isabella gargalha mais uma vez. É uma risada sincera.
—Ela com certeza era. — concorda ainda sorrindo, isso me faz sorrir também.
Nos olhamos mais uma vez.
—Nutricionista então? — de repente não é mais sobre Lawrence que estou falando e de alguma forma estranha Isabella não se incomoda.
—Sim. E você? — indaga curiosa.
—Advogado.
—Você deve ficar bem de terno. — ela comenta me olhando fixamente e então cora. — Me desculpe; eu fui indiscreta. — pede e eu dou uma risada de sua graciosidade. — Hey, não ria de mim. — fala mesmo que também esteja rindo comigo.
—Eu fico, mas, eu prefiro camisas xadrez. — admito e ela assente ainda rindo.
—Meu jaleco é branco, e essa cor com certeza não me favorece, sou muito pálida. — comenta divertida.
—Hey! Você mora em Forks, é meio que uma regra ser pálido aqui. — retruco e nós dois rimos um pouco mais.
—Eu achava que todos os amigos da Lawrence eram babacas, mas, você está mudando essa opinião. — me diz parecendo sincera.
—Eu era um pouco, antes de conhecê-la; um babaca mau humorado. — falo a verdade.
—Eu duvido.
—A perda faz isso com você. — falo quase sem querer e a dúvida fica evidente no seu olhar. — Eu perdi a minha esposa há algum tempo, e era um estúpido ao lidar com isso. — explico.
—Eu não vou dizer que sinto muito, sei que não alivia nada; experiência própria. — assinto concordando. — E eu não te culpo por como reagiu, por um tempo depois da Lawren morrer eu achei que não fosse aguentar também, então parei e pensei; se eu não aguentar irei fazer o mesmo que ela. Iria desistir só porque era difícil, só porque doeu um pouco e iria perder a melhor parte que eu acredito que ainda está por vir. — não era um pensamento egoísta, era no mínimo esperançoso.
Mais um olhar nosso e então Isabella sorri suspirando.
—O que eu vou dizer é meio idiota, mas, você sente como se já nos conhecêssemos? — questiona um tanto envergonhada e eu dou um sorriso.
—Sim. — é uma breve concordância.
—Digo, eu sou muito tímida, e desde que começamos a conversar tagarelei de um jeito que nunca fiz antes. — comenta rindo.
—Você é tímida sempre? — indago.
—Bem, não...Eu realmente gosto de karaokês, então com certeza perco um pouco da vergonha quando canto. — quando ela comenta isso minha mente vai para o dia que cantei com Lawrence.
—Certo, do que mais gosta? — questiono um tanto desconfiado.
—Do Central Park, visitei NY algumas vezes e realmente amo aquele lugar. — mais uma lembrança me atinge; Lawrence e eu caminhamos pelo Central Park. — Mas, eu realmente amo Forks mais que qualquer outro lugar. — comenta logo. — Só que com certeza meu lugar favorito é o parque de diversões; principalmente a montanha-russa. — fala com os olhos brilhante e eu sinto os meus lacrimejarem.
—Por quê? — é quase um sussurro.
—Às vezes você só quer gritar sem parar e na montanha-russa é o único lugar onde não olham estranho para você. — justifica.
Mais um olhar.
E eu finalmente entendi.
Isabella era o que eu procurava. Minha última busca.
O rosto do meu problema de algum tempo atrás é o mesmo rosto da solução. Finalmente entendo o que Lawrence disse sobre eu ter que transferir meu amor para outra pessoa; essa outra pessoa era igual a ela. E cada momento em que ela me proporcionou quando estivemos juntos foi nos lugares que Bella gostava não ela, nosso tempo juntos não fez com que eu me apaixonasse por ela como eu achava, fez com que eu começasse a me apaixonar por Bella. O amor da minha vida estava bem ali na minha frente e pelos céus; eu não ia fugir dele.
E aquele foi nosso primeiro encontro, que com certeza não foi o último. Dois dias depois surgi com um buquê de flores no hospital e a convidei para sair, nem me preocupei em saber se ela tinha namorado, de alguma forma eu sentia que era ele que estava destinada a mim. Bella aceitou. Foi o melhor encontro da minha vida. Me diverti como há muito não me divertia.
Mais um encontro e nós começamos a namorar, nesse meio tempo eu me encontrava indo e vindo de NY para Forks, somente para me adaptar aos horários de Bella, e para ficar perto da família. Com mais seis meses de namoro Bella conseguiu um estágio em um hospital em NY e se mudou para lá, o que com certeza facilitou nosso relacionamento.
Nos casamos em Forks no entanto, e sim, como Lawrence já sabia tivemos uma filha que nomeamos de Renesmee e que reunia toda as características que mais gostávamos em nós mesmos.
E toda vez que eu sentia falta de Lawrence eu só precisava olhar nos olhos de Bella.
E não, ela nunca soube como nos conhecemos, sinto que esse é um segredo que só minha cunhada e eu devemos manter.
Eu errei ao me excluir do mundo após a morte de Rosalies, mas, todos cometemos erros terríveis em nossas vidas. Fazemos coisas que nenhum pedido de desculpas pode resolver. Mas você precisa seguir em frente, tentar encontrar novas alegrias. Não importa o quanto você perdeu.
O estranho é que perder Rosalie e Lawrence foi o uniu Bella e eu. Foi como nos encontramos. O que nos tornou uma família.
E essa é minha coleção de buscas; Estranha, bagunçada, complicada, triste, linda, incrível e, acima de qualquer coisa, real. E eu devo parte disso a Lawrence. Quando eu a conheci, tinha perdido Rosalie. Eu estava morto por dentro, mas ela me trouxe de volta a vida. E eu vou viver o melhor que eu puder, por quanto tempo eu puder.
E de alguma forma eu sabia que Lawrence, Rosalie e meu filho estavam em paz; porque a paz existe, está em cada pedacinho de nós. Essa é a promessa da paz; que um dia após um tempo de vida significativo vamos encontrar uns aos outros mais uma vez.
Até lá, só temos que continuar a busca pela felicidade.
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