A Busca

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Desculpa a demora, mas voltei com um capítulo grande!hahhaha Ahh, eu comecei um blog de web-design, faço capas para fanfics, banner de capítulo, trailers, sinopses, etc. Tudo para a sua fanfic! Link: http://middleteller.blogspot.com.br/ Lembrando: em itálico - Anna, sem itálico: narrador.

–Nicholas...Nicholas... – Uma garota sussurrava caída no chão sob uma poça de seu próprio sangue.

O tempo passou e as pessoas apenas observavam, ninguém ia ajudar. Sua respiração era fraca, a dor a impedia de respirar. A visão estava ficando embaçada, fora de foco, seus olhos fechando. Mesmo nesse estado, conseguia perceber as pessoas passando por seu corpo, queria matar todos eles. A raiva, a tristeza, a dor, a perda era tudo que era naquele momento.

–Nicholas...Nicholas – A garota sussurrou pela última vez antes de desmaiar.

~*~

Um castelo de gelo pegando fogo, com chamas tão grandes que irradiam o céu escuro com a lua enorme brilhando. Eu sorria de felicidade, sangue escorria de meu rosto e dos meus companheiros, estava cercada do que parecia um exército. Todos estavam com a alegria estampada em seus rostos. Até que...

A parede frontal do castelo quase todo consumido pelas chamas foi derrubada a força de uma grande criatura, todos ficam assustados e começam a correr.

O monstro vem em minha direção e como sempre, eu acordo.

~*~

Tudo que Anna se lembrava depois de dormir era cenas, da Isabel a resgatando, de uma lareira, o calor de uma coberta.

Ao acordar, depois de seu mais comum sonho, ela se vê na frente da lareira, e isso a faz se lembrar do que aconteceu. De acordar, ficar no porão com seu irmão, Nicholas indo embora, os soldados o levando, sendo chicoteada...

A garota voltou a chorar, sua amiga a ouve do outro cômodo. Isabel não sabia o que fazer, sabia que o que ouve não tinha volta, Nicholas não iria voltar, ele agora é um escravo. Ela entra no quarto com bandagens e uma sopa rala. Anna estava nua na cama, para facilitar a visão de seus extensos ferimentos que tomavam toda a sua costa.

–Aguente firme...-Isabel fala enquanto limpa as feridas de Anna.

–Eu o perdi, Isabel...não pude o proteger...

–Não é sua culpa, não somos capazes de lutar contra soldados. Nossa vila está sendo consumida aos poucos...nada que fizermos poderá mudar isso.

As feridas estavam cheias de pus, Isabel limpa as feridas e joga uma substância que seu pai, o boticário da vila, usava no de machucados profundos como de Anna. O liquido era como ácido, ao tocar na pele sensível fazia seu corpo todo arder, como se tivessem colocado fogo nas suas costas. A garota morde seu lábio tentando esquecer a dor.

–Eu sei que doi, mas isso irá te curar – Isabel coloca as bandagens e pega a sopa.

Colher por colher Anna come, a fome que antes a tomava ia se esvaindo aos poucos. A sua pele pálida e seus lábios roxos, foram pegando cor com o calor da lareira e da coberta que Isabel entregou a ela.

–Volte a dormir, Anna.

Isabel sai do quarto e a deixa sozinha com seus pensamentos.

~*~

–Nicholas! – Eu acordo gritando para o nada desesperadamente. Sinto como tivesse o perdido novamente.

Isabel entra no quarto rapidamente, seu cabelo loiro estava desarrumado, ela deveria ter cuidado de mim sozinha. Minha amiga de acalma ao ver que estou bem, vai até o seu armário e tira um vestido verde de lá.

–O seu está todo rasgado, tentei recuperar, mas não consegui – Ela diz entregando a roupa.

–Obrigada, Isabel.

Ela sai do quarto e me deixa sozinha no mesmo. O cômodo era iluminado por uma única lareira, o que dava um ar de sombrio. A janela estava fechada, mas pelo espaço entre as tábuas de madeira, consegui ver que era noite.

Nicholas está a treze horas com os soldados de Falanger.

Coloco o vestido e saio do quarto, vejo Isabel na mesa de jantar comendo sopa. O cheiro me faz me lembrar de quando ela limpou de meus ferimentos.

Sento ao seu lado e ficamos quietas, apenas observando uma a outra.

~*~

–Alguma notícia de minha mãe? – Anna pergunta em algum momento.

–Não...acho que ela nem sabe – Isabel responde cuidadosamente, tentando não machucar os sentimentos de sua amiga, sem saber que ela nem se importava com sua mãe mais, apenas perguntava para saber se precisava preparar o enterro.

–E nem vai se importar quando souber – Anna comenta secamente, se levanta e direciona seu olhar Isabel – Obrigada, muito obrigada mesmo, se não fosse por você eu nem estaria viva.

–Eu sou sua amiga, Anna, não iria te deixar sangrando no chão.

–Obrigada, mas agora eu tenho que ir. – Elas se abraçam calorosamente. Isabel sabia apenas ela iria consolar Anna, ninguém mais, precisava apoiar sua amiga.

Anna vai até a porta sentindo dores pelo corpo todo, principalmente nas costas. Abre a porta e sente o vento forte e frio atingi-la, seu corpo começa a tremer instantaneamente. Estava quase saindo da casa de Isabel, quando ela a chama:

–Anna, espere! – Ela grita indo pegar algo num baú.- Fui até o bar e peguei sua capa.

Anna volta-se novamente para dentro e se veste com a capa.

–Se cuide – Isabel diz e Anna saí de sua casa.

~*~

O vento gelado fazia meu corpo inteiro tremer e a caminha de menos de dez minutos parecia ter levado horas. A vila estava fazia, eu era o único ser humano que se aventurou para fora de casa naquela noite, não por escolha.

A lua brilhava, o céu estava lindo para um dia tão triste.

Luz vinha de minha casa, Donna deveria estar lá. Me apreço e abro a porta fazendo o máximo de barulho possível. Não vejo nada, mas ouço gemidos vindo do nosso pequeno quarto. Novamente abro a porta fazendo barulho e toda a raiva que guardei por tantos anos eu deixo sair.

–Seu filho foi capturado pelos soldados de Falanger e você está dormindo com um homem?! – Grito e vejo os dois me olharem assustados – Como você ousa?! Nós somos os seus filhos! Você deveria cuidar de nós, nos alimentar! Não eu, eu deveria estar casada! – Donna saia correndo da cama e vestindo desajeitadamente — Mas, não...estou fazendo o seu trabalho enquanto você dorme com quinhentos homens por dia!

–Como você ousa falar nesse tom de voz comigo! – Donna se aproximava apontando seu dedo a mim e com sua voz mostrava que ela estava bêbada. Via pelo canto de meu olho que o homem estava saindo. – Sou sua mãe, você me deve respeito!

–Não, eu não devo! – Digo aumentando meu tom de voz –Eu iria te respeitar se você cuidasse de mim e de Nicholas como deveria! E como você diz que é nossa mãe?! Aparece em casa a cada quinze dias apenas para acabar com nossa dispensa! Nicholas nem conhece você, para ele você é apenas uma mulher bêbada que deu à luz a ele! Melhor dizendo, você era isso para ele!

–Agradeço a Deus por ele ter ido embora, uma boca a menos para alimentar – Donna apoia-se na parede e vejo o quanto ela está bêbada. – E saia daqui, essa é minha casa, meu teto, e se você não gosta de como as coisas funcionam por aqui, saia! Não preciso mais nem pensar em você!

–Essa casa não é sua! É do meu pai! Aquele que morreu lutando por nós, pelo seu reino!

–E como você mesmo disse, ele morreu! Agora eu sou quem cuido de você, agora esse fardo é meu! Quer que eu se importe com a perda de Nicholas! Faça ele ser feito de ouro! Saia daqui sua menina ingrata! Saia daqui agora! – Donna se aproxima ao meu baú de roupas e o joga fora de casa. Lágrimas escorriam de meu rosto – Saia de minha casa e nunca mais volte!

Ela me empurra para fora e eu encontro-me no frio da noite novamente.

~*~

Bobby dormia no bar fazia três semanas, Hector, o dono do mesmo, cedeu o quarto dos fundos para ele passar a noite. Havia perdido o emprego e sua casa, aquele quarto com apenas alguns cobertores era tudo que ele desejava.

Era quase manhã, quando ele foi acordado pelo barulho da porta do bar se abrindo. Pegou uma tábua de madeira que sempre esteve perto donde dormia. Sente-se grato por não tê-la tirado de lá. Cuidadosamente vai sai de seu quarto e tenta não ser visto pelo ladrão, estava escuro, o que o ajudava. Quando ia atingi-lo com a tábua na cabeça, ele ouve um grito de uma voz feminina conhecida:

–Bobby! Bobby! – A menina grita e ele para.

–Anna...?

–Sim... – Ela responde e Bobby a abraça.

–Eu ouvi os boatos! O que você está fazendo aqui? – Ele começa a falar – Vai se embebedar? Eu realmente não recomendo. Sabe, faz você perder as coisas. Casa, família, emprego. Bom...acho que você não precisa se preocupar com o ultimo, você trabalha num bar. Mas, mesmo assim....

–Bobby, calma. Eu não vim fazer isso.

–Então, por que veio aqui?

–Donna me expulsou de casa, tinha chave do bar e resolvi passar a noite aqui.

–Ahh, aquela velha bêbada, ainda não sei por que dorme com tantos homens. – Bobby arrasta o baú de roupas para perto do balcão – Sente-se, hoje eu vou te servir.

Anna sentou-se, seu rosto mostrava o cansaço e a tristeza. Bobby a serviu um copo de agua e pedaços de pão, ela praticamente os devorou.

–Eu juro que, se não fosse um velho bêbado igual a sua mãe, eu iria até Mirith acabar com os soldados do Rei Hugo e pegar seu irmão.

–Por que você diz Mirith?

–Porque é onde eles estão. – Bobby responde como se fosse algo que todos sabiam.

–Mirith? Têm certeza?! – Anna diz animada e levantando-se da cadeira.

–Não, você não vai fazer isso! É suicídio, Anna! Você não tem armas, nada! – Ele fala arrependido de ter dito sobre Mirith.

–Posso não ter, mas meu pai tem. A casa vai passar o dia inteiro sozinha. Posso pega-las de manhã e partir assim que consegui-las!

–Anna!

–Bobby, não posso ficar aqui imaginando meu irmão sendo escravizado. Preciso resgata-lo, preciso lutar! É isso o que eu quero. Meu pai disse que conseguimos o que queremos quando lutamos para tê-la. Eu acredito nisso!

–Anna...há uma boa chance de você morrer.

–Bobby, eu vou lutar pelo o que eu quero e se eu for morrer, eu vou morrer lutando, como o meu pai.

Notas finais
Gostaram do capítulo?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.