A Bruxa

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Esse primeiro capítulo ficou um pouco curto, mas prometo que o segundo será maior.

Naquele dia, eu estava mais chateada que o normal, no instante que acordei, fiquei com aquela vontade de voltar para a cama imediatamente. Primeiro dia de aula em uma escola muito diferente da antiga, novos amigos, novas carteiras, novos professores, e novos inimigos.

Não, pensei.

Tenho que ser otimista, afinal minha mãe precisava estar aqui. Ela estivera muito doente, tivemos que mudar de cidade para seu tratamento. Estou aqui a dois meses e parece uma eternidade, mas não conheço nada ou ninguém da cidade. Mas já que as aulas começariam em breve, ele me forçou a ir à escola. Se meu pai estivesse aqui ele entenderia. Tento afastar esse pensamento da minha cabeça, e vou até o closet.

Até que meu quarto não é tão pequeno, meu closet mais parece aqueles armários que as pessoas guardam produtos de limpeza, mas eu pelo menos tenho um. Minha cama é grande e fica no meio do quarto, ao lado, encontro a penteadeira com maquiagem e pentes espalhados sobre ela. Fazia tempo que não arrumava meu quarto. O banheiro fica vizinho ao meu closet, e em frente à minha cama há uma mesinha branca com meu notebook e em cima duas prateleiras cheias de livros. Fico observando o quarto, pensando em quando eu irei arruma-lo. O pensamento some quando escuto alguém bater a minha porta.

– Rachel? – Fala a minha irmã – Poderia me emprestar o seu shampoo? O meu Acabou.

Abro a porta e a deixo entrar no meu quarto. Percebo que ao entrar Alice olha para o meu quarto com uma expressão de espanto. Demora alguns segundos até que eu percebo para onde ela estava olhando, para a bagunça do meu quarto. Mesmo sendo mais nova, Alice é muito mais organizada do que eu.

Alice parecia mesmo comigo, só que quatro anos mais nova. Seus cabelos eram de um ruivo intenso, como o meu. As maças do seu rosto eram elevadas, sua boca rosada. Ela herdou a inteligência do meu pai, mas ao mesmo tempo o temperamento da minha mãe. Éramos como irmãs gêmeas.

– Eu vou pegar emprestado mais logo devolvo! – Seus olhos ainda estão concentrados no quarto bagunçado.

– Está certo – Falo ironicamente, e logo depois sorrio. Ela faz o mesmo.

– Deveria arrumar seu quarto Rachel – Ela sorri e logo após some no corredor.

Depois de um longo banho, ponho uma calça jeans preta, uma blusa azul de mangas, e por cima um moletom. Pego a minha mochila e desço as escadas.

Entro na cozinha, minha mãe está fazendo panquecas, e Alice está sentada em uma das cadeiras da mesa assistindo algum noticiário. Ninguém percebe minha presença, minha mãe está curvada sobre o fogão, até que Alice pisca para mim e dá um sorriso tímido. Em passos lentos vou até a cadeira vizinha a de Alice. Sento-me na cadeira de madeira, e tiro um livro da minha mochila. Fico lendo por cinco minutos, quando minha mãe se dirige até a mesa, com um prato cheio de panquecas.

Ela me olha e sorri, eu retribuo. Como uma panqueca e me dirijo até o corredor para sair, quando alguém em chama.

–Rachel! – Alice me chama.

Viro-me e sou surpreendida por um abraço dela, é tão quente, tão carinhoso. Retribuo o abraço, e quando nos afastamos, minha mãe está logo atrás dela, e me abraça também. Ela começa a chorar, me afasto e enxugo suas lágrimas.

–Filha.... Desculpe, eu sei que esse lugar não é onde você queria estar – balbucia ela e logo continua -, mas, eu preciso estar aqui.

–Eu sei mãe, não estou reclamando, é só que... – Paro de falar, sei que estou errada, eu sei que ela está doente, não posso fazer isso. Vejo seus olhos tristes, e cheios de lágrimas e não tenho coragem de brigar com ela agora – Eu estou bem mãe, é sério.

Saio da cozinha deixando Alice e minha mãe a sós. Eu quero chorar, mas preciso me controlar. Como eu posso fingir que está tudo bem, sabendo eu que não está? Mas como posso brigar com minha mãe uma hora dessas?

Tento afastar o máximo possível esse pensamento da minha cabeça.

Ando pela rua, o vento sopra forte, e as folhas farfalham. Observo a coloração das folhas, são de um laranja maravilhosamente perfeito. Depois de alguns minutos chego a escola. Ela parece mais um museu, e no alto há o nome da escola “Chicago High School”. Há uma enorme escada até o portão principal, as paredes cheias de janelas, onde mesmo de longe dá para ver algumas salas. No pátio da frente, muitas pessoas conversam em grupos, algumas sentadas e outras em pé gesticulando as mãos. Sinto um nó na barriga, e começo a tremer. Tento ficar o mais calma possível, e começo a andar no meio daquelas pessoas, algumas me olham de um jeito estranho, mas tento não olhar para elas. Vou até uma árvore onde não há ninguém, e me sento. Sinto uma pontada de alívio por estar ali sozinha. Fecho os olhos e fico apenas ouvindo o barulho. Até que ouço passos que ficam cada vez mais altos. Abro os olhos e me deparo com uma garota que aparenta ter minha idade, seus olhos são verdes, e seu cabelo é tingido de roxo, ela usa um piercing no nariz e tem uma tatuagem na nuca.

– Oi novata – Fala a garota.

– Oi – respondo.

– Meu nome é Nora, sou do segundo ano – Logo após ela dá uma pausa para que eu me apresente.

–O meu é Rachel, esse ano vou fazer o segundo também – Eu sorrio e ela retribui.

Levanto e pego minhas coisas, e fico fascinada no seu cabelo, que é de um roxo extremamente lindo.

– Vamos juntas até a aula então?

– Claro – Falei com sinceridade.

Ela me dá um abraço, uma atitude que eu estranhei no começo, mas depois até gostei. Andamos juntas até a aula de Química. Chegando na sala, eu procuro um lugar no fundo da sala, onde eu possa ficar o mais invisível possível. Cada mesa contém duas cadeiras, o que obviamente eu terei que sentar com alguém.

Várias pessoas chegam aos poucos e se sentam. Alguém senta ao meu lado, mas evito olhar quem é. Várias pessoas estão conversando, algumas sentadas nas mesas e outras deitadas nas cadeiras.

– Oi – Fala a pessoa que sentou ao meu lado, pela sua voz percebi que é um garoto, mesmo sem olhar para ele falo.

– Olá – Respondo.

Até que decido me virar e olhar para ele. Seus olhos são de um azul escuro, seus cabelos são pretos como as penas de um corvo. Seus olhos fitam-se em mim, ele me observa com muita intensidade. Sinto uma pontada de felicidade por ele estar olhando assim para mim, mas não entendo porque. Minhas bochechas coram.

– Qual seu nome? – Pergunta ele, ainda olhando intensamente para mim.

– Rachel... Rachel Amber e o seu? – Pergunto curiosa.

– Lucas Blacke – Disse ele com firmeza, e logo após sorri e eu retribuo.

O professor entra na sala e logo começa a explicar algo sobre Química.

– Você é novata, não é? – Sussurra ele.

– Sim.

– Quer almoçar comigo hoje na lanchonete?

Meu coração acelera, e fico quase ofegante. Encaro aqueles olhos azuis da cor do mar a noite, ele agora sorri, ainda olhando para mim.

– Eu adoraria – Respondo com sinceridade.

Ele sorri, e deixa escapar um suspiro. E logo após vira para onde o professor está explicando.

Quando a aula acaba, eu me sinto aliviada, mas ao mesmo tempo nervosa. Ele não é o primeiro garoto que me chama para lanchar com ele, mas eu sinto que com ele é diferente. Eu sinto algo nos ligando como um imã. Saio da sala e vou até o banheiro, onde encontro ele vazio. Arrumo meu cabelo e logo após saio.

Chegando na cantina, novamente percebo a presença de vários grupos, cada grupo em sua mesa, tem os jogadores, as patricinhas, os estranhos, as asiáticas e etc. Corro meus olhos na cantina a procura de Lucas.

-Rachel – Grita ele.

Me viro rapidamente, e percebo que ele está em uma mesa um pouco longe, e caminho em passos curtos até lá. Chegando lá vejo que há algumas pessoas sentadas a mesa junto a ele. Há uma garota de cabelo castanho claro sentada perto dele, ela tem olhos pretos, e usa um batom vermelho. Há um garoto com um cabelo loiro, que tem os olhos cinzas e é bem magro. Ao lado dele está Nora, a garota que conheci na entrada da escola.

A garota de Cabelo Castanho me encara, e logo depois dá um sorriso malicioso para mim, eu evito encara-la. Nora corre até mim e me abraça, até parece que nós somos íntimas, mas eu gosto dos seus abraços. Retribuo o abraço e logo sento junto a eles.

Todos agora estão com os olhares direcionados para mim, e a garota de cabelos castanhos dá mais um sorriso malicioso quando percebe que eu estou olhando para Lucas. Ela se aproxima dele e lhe dá um beijo.

Notas finais
Obrigada por ter lido! ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.