A Breath of Snow and Roses

16 Capítulo 12 {Continuação}


- Armas não são necessárias ou permitidas dentro das paredes desta casa, garoto. – resmungou um pálido e doentio velho, cujos cabelos cinzentos e a barba branca davam um ar senhoril. O cajado que o apoiava havia atingido Ryam em cheio na coxa esquerda, fazendo cair a moeda de prata que logo o velho homem juntou. – Venha sentar-se, vamos discutir as razões de seu barco. E prometo devolver sua arma quando terminarmos.

Assim Ryam sentou-se ao lado do velho, sob a sombra de uma figueira entre almofadas de seda em um divã estofado de tecido carmesim. O ancião afagava uma densa barba branca e triangular, na qual alguns fios negros ainda destacavam-se, como se esperasse que o bastardo tomasse a dianteira da negociação.

- S-senhor, eu gostaria de trocar minha embarcação atual por uma de mais fácil uso – adiantou-se Ryam, ao perceber que ele esperava seu pronunciamento. – Viajo sozinho, um barco tão grande não é necessário, além disso, minhas provisões estão esgotando-se e esperava obter certa quantia na venda dele para repor os suprimentos de viagem. – ele continuou, tentando não transparecer o nervosismo ou desespero. Agora culpava-se um pouco por ter aceitado a ajuda do primeiro homem que o abordou, mas quem sabe o que os Sete poderiam haver planejado?

- Trabalhamos no comércio marítimo há muitos anos, garoto, minha família e eu – o ancião rodava a moeda de prata entre os dedos finos e ossudos enquanto uma jovem vinha lhes servir chá e algum tipo de comida indistinguível para Ryam, pequenos potes de frutas secas cobertas por um pó avermelhado. – O que tens é uma bela fragata, ó sim, se é... Mas diga-me, vejo que usas uma vela branca e nenhum sinal que o distinga como membro ou vassalo de uma das casas da Campina, de onde vens. Há um certo receio de minha parte que tenhas roubado o barco que agora queres me vender, como posso ter certeza de que não o fez, garoto?

- Se o senhor, não tendo ido ao porto, é capaz de saber que meu barco tem velas brancas e trata-se de uma fragata, posso acreditar que conhece sua origem pelo trabalhado do casco e modelo da embarcação. Venho de uma vila de pescadores à leste de Casasolar (Sunflower Hall), a embarcação é tradicional nos mares que banham a Campina, e também a única herança que o pai de minha mãe deixou para seu neto bastardo.

- Seu avô deveria ser uma exceção àqueles lordes sulistas que abandonam as filhas que dão à luz a bastardos como você, pelo que vejo. Sua espada também pertencera à ele? – retorquiu o dornês enquanto levava à boca uma das frutas que a jovem trouxera, com um riso de deboche nos lábios.

- Não, senhor. Minha espada e tudo mais que possuo foi adquirido quando juntei-me às tropas do falecido Rei Renly Baratheon. Eu mesmo as paguei, com o dinheiro que o ofício de carpinteiro havia trazido.
— E o que fazia um carpinteiro nas tropas do Veado Arco-Íris? – desatou a rir o comerciante enquanto uma gota de sumo escarlate escorria manchando sua barba.

- Construiria suas catapultas e aríetes, e tudo mais que fosse necessário. Infelizmente, meus serviços não foram requeridos por muito tempo, então voltei para a aldeia à tempo de ver meu avô morrer e herdar sua embarcação. Nada mais possuo além dela.

- Isto é algo que podemos mudar, garoto. Tenho um barco pequeno, com uma cabine para noites tempestivas e casco resistente para enfrentar o mar bravio. Posso garantir provisões para semanas, e lhe aviso que se deseja continuar a navegar o Mar Estreito, vai precisar de uma bandeira. Não ter símbolo algum é ainda menos desejável que possuir um símbolo independente. O que me diz?

- Suas condições me parecem boas, e o negócio é justo. Claro, gostaria de ver meu novo barco.

- Dokarae Zoke o levará até ele. Mas o que me diz, sob qual bandeira navegará? Mandarei fazê-la por preço razoável, meu bom rapaz, por que gostei de sua pessoa.

Ryam engoliu o riso com dificuldade. O mercador parecia ávido por sua fragata, e era difícil conter-se ao vê-lo ansioso para tê-la. “Gostou muito de sua pessoa?” Ora, gostava mesmo era do que estava oferecendo. Mas ainda assim era fácil saber que sua posição era de vantagem: havia conseguido suprimentos e um meio de transporte menor e mais rápido.

- Mande que pintem em minhas velas um pelicano. – ele riu – E este será o símbolo deste bastardo da Campina.

Zoke o aguardava na porta da frente da casa em mármore em que o velho comerciante vivia. O homenzinho sorria com satisfação enquanto torcia os anéis de seus dedos, e conduziu Ryam até uma espécie de escuna, menor e com uma cabine avantajada, feita toda em madeira nobre. Provavelmente ele seria seu segundo dono, a embarcação ainda conservava boa aparência e a pintura do casco mal havia começado a desbotar.

- Se deseja esta humilde opinião, meu senhor, foi uma excelente compra, ó sim, excelente meu bom senhor! Sua vela deve ficar pronta até a tarde de amanhã, mas se for de vosso interesse, caro senhor, posso guiá-lo pelos divertimentos de nossa bela cidade.

- É de muito meu agrado uma diversão até que possa deixar este porto, e fico agradecido pela ajuda que este amigo oferece. Mas com todo o respeito, nunca precisei de ajuda para encontrar divertimentos em cidades belas como esta – e riram juntos os dois, enquanto Dokarae Zoke guiava Ryam para uma taverna bastante sugestiva, de onde belas dornesas de pele bronzeada acenavam para eles.