A Borda

2 CAPITULO I - A morte bate na porta.


Notas iniciais
Demorei um bocado mas postei o/ Espero que gostem. Aproveitem.

Eu estava andando por um corredor escuro, que cheirava a mofo e muito longo. Os seus quase 7 metros de extensão – que terminava em forma de ‘L’ para a direita – me davam calafrios, parecia não ter fim e toda a fonte de luz que havia era quatro candelabros com no máximo duas velas acesas que eram despostos em distancias iguais até o fim do corredor. Suas paredes decoradas com um papel de parede verde já desbotavam e havia grandes manchas causadas pela infiltração. E ali, no fundo daquele corredor sem fim, havia uma moça vestida com um leve vestido branco e que ficava sussurrando o meu nome: “Leo”. Quando já havia chegado a menos de 3 metros dela, ela se virou e rapidamente sumiu na curva do corredor. Quando eu dobrei o corredor não havia mais ninguém ali, somente uma porta entre aberta. Com cautela abri a porta e vi que ela dava em uma sala tão acabada e tão escura quanto o corredor atrás de mim. As paredes tinham o mesmo papel de parede do corredor e a única iluminação vinha de uma pequena lâmpada no teto. A única peça de decoração que havia ali era um piano preto castigado pelo tempo. Na parede esquerda da sala, a garota de vestido brando estava flutuando em posição fetal, só que parecia que ela estava de baixo da água. Mais e mais perto fui chegando. Aí, aconteceu a ultima coisa que eu esperaria, o chão começou a tremer, era um tremor bem leve, mas não era isso que me preocupava e sim o fato de que o quarto todo estava mudando de aparência. O que antes era um lugar vazio começou a se encher de equipamento de laboratório, bancadas surgiram, cabos enormes e maquinas que eu não fazia a menor ideia de como funcionava e nem para o que servia. O ambiente ganhou um ar de esterilizado. Por um momento eu me esqueci dela, e assim que eu olhei em sua direção, entendi o porquê dela parecer estar dentro d’água, aquilo me apertou o coração. Ela estava dentro de uma caixa de vidro de uns 2 metros de altura cheia de um liquido de aparência duvidosa, havia uma máscara de oxigênio em sua boca, cabos e mais cabos estavam conectados em sua pele. Quando eu fui chegar mais perto dela, ouvi um barulho de conversa atrás da porta pela qual eu entrei, olhei para os lados, mas não havia onde me esconder e então a porta abriu.

Foi aí que eu acordei sobressaltado e suando feito um porco. Ter pesadelos nunca foi uma coisa da qual eu era fã. Sempre odiei pra dizer a verdade, ainda mais quando esse pesadelo me atormenta noite após noite.

A luz do sol penetrava pelas frestas da minha janela batendo em meu rosto e iluminando um pouco do meu quarto – que por sinal é bem pequeno –, com a minha cama ocupando uma das paredes, um criado mudo do lado da cama com um abajur e o despertador em cima, meu guarda roupas e só. Mas mesmo ele sendo pequeno, as paredes vermelhas davam certa vida a ele. Já incomodado com o sol no meu rosto, com muita preguiça me levantei da cama, peguei uma cueca, uma calça jeans e uma camiseta branca e com muita preguiça fui para o banheiro para tomar banho. Era sábado então eu não precisava me preocupar com horário ou nada disso, podia fazer as coisas no meu tempo e sem preocupação. Após um longo banho e depois de ter escovado os dentes, fui para a cozinha ver se tinha algo para comer – O que vai ser difícil já que moro sozinho e não fui à padaria ontem –. Na geladeira tinha apenas leite, presunto e alguns vegetais. Reclamando comigo mesmo, fui na direção da saída com esperança de ainda ter pão na padaria. Assim que eu toquei a maçaneta, a campainha tocou.

“Deve ser o Jhonny.”

Disse para mim mesmo.

Abri a porta e lá estava ele para confirmar o que tinha acabado de dizer, vestindo seu habitual uniforme azul e um chapéu de caubói que não tinha nada a ver com a roupa. Ele estava fuçando sua bolsa, procurando a encomenda que veio entregar. Mas pensando melhor, não tem nada pra ele entregar aqui. Eu não fiz nenhuma encomenda, não tenho conta pra pagar, as cartas caíram no desuso. A curiosidade bateu.

“Bom dia Leo.”

Disse ele levantando o rosto por um instante e como sempre estava sorrindo, acho que ele é um dos poucos que gostam do próprio emprego. Jhonny é um homem branco de olhos castanhos, de cabelo curto num tom castanho bem claro, alto e de porte físico médio, além de um eterno bom humor.

“Bom dia Jhonny, tem alguma coisa pra mim aí?”

“Tem sim... se ao menos conseguir tirar ela daqui... Ah consegui.”

Após enfiar metade do braço dentro da bolsa, ele tirou um pequeno envelope.

“Tenha um bom dia Leo.”

Jhonathan devia estar atrasado, pois após me entregar o envelope, saiu com uma pressa tremenda. Eu iria deixar pra ver do que isso se tratava assim que eu chegasse da padaria, mas a curiosidade falou mais alto. Ali mesmo abri o envelope. Havia uma foto minha e dos meus amigos, naquele momento senti uma saudade enorme deles. Há 10 anos que eu não os vejo. Desde que eu abandonei meu antigo emprego. Na foto nós estávamos todos abraçados, sorrindo e comemorando o aniversario da minha irmã, foi um dia maravilhoso e que eu nunca vou esquecer. Atrás da foto eles tinham escrito: “Estamos com saudades”.

“Também estou.”

Fiquei um bom tempo olhando para a foto e lembrando aquele dia. Depois desse momento “homem sentimental”, deixei a foto na mesa da cozinha e sai rumo a padaria. Após retornar para casa com um saco de pão, pude tomar meu amado café da manhã.

O dia passou num piscar de olhos e quando percebi já estava de noite, acho que fiquei tão vidrado na TV que nem vi anoitecendo, só tirei a atenção da TV quando o cachorro do meu vizinho começou a latir. Olhei no relógio na parede da sala, eram 9h30min. Eu devia estar muito desatendo, caso contrario teria achado o fato de o cachorro estar latindo muito estranho. Ele nunca late, nunca mesmo, desde que eu me mudei, tanto que demorei alguns anos pra descobrir que ele tinha um cachorro. Reclamando, aumentei o volume da televisão, mas parece que o cachorro começou a latir ainda mais alto. Já irritado com aquilo, me levantei e fui ate a janela de onde dava pra ver o cachorro. Ele estava correndo em círculos feito um louco e latia olhando pra algum ponto do meu jardim. Segui com os olhos para a direção que ele olhava e latia, mas não havia nada. Fiquei ainda mais irritado.

“Cala a boca cachorro maldito!!!”

Finalmente o dono apareceu, brigou com o cachorro e o levou para dentro da casa. O meu alivio foi quase que imediato. Como é bom o som do silencio. Quando eu achei que poderia voltar a assistir minha série em paz, a campainha toca. Que ódio. Sai da janela e fui para a porta. Eu abri e vi uma figura mais alta que a minha porta usando um casaco todo esfarrapado e um capuz que cobria totalmente seu rosto, em uma mão havia uma foice pequena, eu não sei o nome certo ou se tem um nome certo praquilo.

Acho que a morte finalmente resolveu bater na minha porta.

Notas finais
E aí, gostaram? Se sim comentem aí, não machuca ninguém e ainda me deixa feliz. Se não, deixem suas criticas e opiniões do que precisa ser melhorado. E só isso que eu queria falar mesmo, eu acho. Bom, até semana que vem o/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.