A Blogueira
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Meu nome é Emi. Emi Tayson prazer.
Sou estudante e convivo numa cidade pacata em que nasci, vivi e cresci. Tenho os cabelos loiros um tanto alaranjados, enfim, uma coloração meio que indefinida. Os meus olhos são esverdeados misto com um azulado. Utilizo roupas mais básicas, ou, as mais baratas que dê para comprar com o meu salário um pouco menos que minimo; não tenho dezoito anos, vou fazer, porém ainda não tenho então tenho que me acostumar a não ter salário minimo.
Moro sozinha, quer dizer, eu cuido dos meus dois irmãos o Leon e o Darvin. Sou a excluída. Nessas horas se fosse um filme geralmente a excluída tem uma melhor amiga bobona e o mais popular de alguma coisa que a patricinha popular gosta fica gostando da excluída. Mas, errado. Eu sou mesmo a excluída, não tenho nenhum amigo, na minha universidade não tem pelo que eu saiba uma patricinha metida e nem o garoto mais popular está apaixonado por mim, na realidade eu nem sei quem é o mais popular.
– Emi.– meus irmãos eram gêmeos e acordavam na mesma hora, respiravam no mesmo segundo, era estranho.– Nós queremos cereal!– eles falaram num tom manhoso.
– Cereal? Já está na hora do almoço. Nem pensar.
– Por favor mãe.– Leon fez um olhar de pidão. Eles me chamavam de mãe mesmo sabendo que eu era a irmã deles, quando meus pais faleceram eles tinham em volta de um ano então pouco se lembravam dos mesmos.
– Vão logo escovar os dentes preguiçosos e então eu preparo uma surpresa para vocês!– ri enquanto eles saiam em disparada para o banheiro.
Fui até o fogão e peguei dois miojos, eu geralmente fazia algo muito diferente e demorado, porém, apesar de tudo que eu fizer eles sempre gostavam de miojo. Não demorou e já estariam prontos! Coloquei no prato com colher de plástico e coloquei na mesa menor que os dos costumavam comer.
Voltaram os pequenos com as mochilas de desenho animado e todos arrumados. Por incrível que pareça eles amadurecem rápido. Não quanto eu amadureci por culpa do falecimento dos meus pais, mas, o suficiente para eu me surpreender.
– Passaram gel no cabelo? Estão muitos lindos, olha, um monte de gatinha aposto que já está de olho, vou ficar com ciúmes.– ri apertando a bochecha deles.
– Ai.– gemeram de dor na mesma hora.– Miojo?– exclamaram subindo nas cadeiras e começando a devorar iguais porcos.
Peguei a minha mochila e esperei eles terminarem de comer. Minha barriga estava roncando mas para eles nunca se atrasarem eu comia na universidade mesmo, as cantinas eram caríssimas como na maioria das universidades porém eram até boa a maioria das guloseimas que lá tinham.
– Vamos, o ônibus já está chegando.– peguei os pratos deles vazios e coloquei em cima da pia, quando chegasse já iria lavar, não dava tempo agora.
Peguei a mão deles e levei atravessei oito quarterões, aonde o mais próximo ponto de ônibus ficava. Dei um beijo na testa dos dois e eles sumiram no ônibus bem a tempo. Sentei e fiquei esperando agora o meu ônibus, liguei o meu celular já sabia que iria demorar e fiquei ouvindo Demons da banda Imagine Dragons. Ouvi toda a música e mais algumas de bandas como The Beatles, Guns, enfim, ótimas músicas. O ônibus chegou.
Subi e tentei achar um lugar onde tinha dois bancos vazios, era melhor, não gostava de sentar ao lado de gente que com toda a certeza esperava alguém melhor para sentar o lado deles. Enfim achei, era um dos últimos e comecei a voltar a ouvir minha música enquanto ficava olhando pela janela.
– Ah, só tem esse lugar vago?– ouvi uma voz reconhecível masculina bufando.– Prefiro ficar em pé!
– Cala a tua boca, James. Que fique em pé, esse lugar não está vago está a minha mochila, não está vendo?– irritei-me tirando os fones de ouvido.– Não quero pegar sua doença jornalista!– reclamei.
– Como se eu ligasse para opiniões de cobras como você! Você deveria ir para o jornal como "A primeira cobra falante" ! Não sei como ainda não parou no jornal.– ele deitou a língua de fora.
– A prefeitura está organizando a campanha cidade bonita, colabore, fique dentro de sua casa.– ri.
– Senta logo moleque! Se a policia te vê em pé o cacete desce para mim.– o motorista gritou enquanto dirigia então fui obrigada a tirar a mochila para ele sentar.– Obrigado.
– Eu posso dizer que a blogueira anônima é bem mais divertida que você, mesmo eu não a conhecendo aposto que é muito mais bonita que você!– ele sussurrou em meu ouvido.
Mordi o lábio inferior com força.
– Claro, claro, ela deve ter uma vida interessante não?– eu era essa blogueira. Eu. Queria esfregar na cara dele mas não podia.
– Sim, acompanho ela todos os dias, ela tem a pior vida de todas, muito parecida com a sua! Só que a diferença é que ela enfrenta de cabeça erguida, diferente de você.
– Ô, tanta diferença.– respondi com ironia.
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