Notas iniciais
O capítulo não tá perfeito, eu sei, mas é o máximo que consigo. Espero que gostem :)

Dei um pulo da cadeira quando alguma coisa vibrou perto de mim. Olhei em volta e vi que estava deitada sobre o livro de biologia. O que aconteceu comigo? Dormindo na aula? Me recuperei rapidamente e comecei a fingir que estava entendendo algo da matéria, o que não era mentira, pois era uma matéria fácil. Mas nunca antes eu havia dormido em aula, isso era completamente contra Hannah. Eu estava brava comigo por ter deixado isso acontecer, eu devia estudar, tentar esquecer o resto e me concentrar nos estudos, não deixar as outras coisas me atrapalharem.

Logo me lembrei do celular que tinha vibrado e sem deixar ninguém ver, ergui o celular. Era mais uma daquelas mensagens anônimas que ninguém aguentava. Há duas semanas elas começaram e estavam esgotando a todos.

"Vocês me julgam errado, quero mostrar que não sou o inimigo, e também adoraria te conhecer. Que tal me encontrar em 40 minutos no Circo Brurrap? P.S.: Venha sozinha, você vai gostar" e um sorriso. Era isso que essa pessoa havia me mandado.

As palavras não sou o inimigo martelavam minha cabeça. Não conseguíamos mais dormir, estávamos sob ameaça. recebíamos fotos ameaçadoras e ele não é inimigo?. Adoraria te conhecer e Circo Brurrap na mesma mensagem... Isso era muito contraditório. Somente quem me conhece há muito tempo e sabe de tudo o que aconteceu me chamaria para o Circo Brurrapp. Ele era nosso inimigo.

Olhei no relógio, 11h. Eu precisava sair agora para chegar no circo em 40 minutos. Peguei uma garrafa com água na mochila e coloquei ao lado do livro. O Sr. Mirrel, professor de biologia me olhava, então voltei minha atenção ao livro. Li metade da página e levei minha mão até o final da folha para mudar a página e ops.

— Hm... Sr. Mirrell? — ele voltou sua atenção em mim e logo olhou para minhas roupas encharcadas. — Acho que preciso... Sair?

Ele passou a língua pelos lábios avaliando a cena e continuou com sua feição rígida. Ele não acreditava em mim, mas também não poia me impedir de sair. Relutante, acenou para mim. Peguei minha mochila antes que ele recusasse e sai da sala.

Corri pela escola passando um pano seco nas minhas roupas. Eu não sabia por que estava fazendo isso, acreditava que não tinha uma resposta — não tinha resposta para eu ter molhado minha roupa, dormido na aula e estar abandonando uma aula na metade.

Assim que cheguei na porta parei, repensando se devia mesmo voltar àquele lugar. O que eu estava fazendo era, obviamente, errado, mas eu precisava de respostas. Tudo isso era algo muito serio. Mike estava bem, ele ficaria bem, ninguém precisava pagar... Claro que já estávamos pagando. Todos estávamos sentindo por vê-lo daquela maneira em uma cama de hospital, mas alguém queria muito mais da gente.

Eu continuaria o meu trajeto, se não tivesse ouvido uma voz — muito indesejada — murmurando meu nome.

— Hannah, Hannah, Hannah... — mordi os lábios e me virei para trás relutante. — Acha mesmo que eu acreditaria que você está indo... — ela parou de falar e fez uma expressão pensativa, o que não combinava com ela. — Secar sua roupa?

— Querida, Anna, não acho que você seja paga para pensar. Você não é paga para nada, agora me deixe em paz. — E me virei antes que eu desse um soco naquele rosto estranho dela.

Eu simplesmente não suportava Anna desde muito tempo. Ela tinha aquele jeito eu sei de tudo e achava que podia mandar em todo mundo. Sai andando antes que eu — ou ela, tanto faz — perdesse a cabeça.

— Pode ir, Hannah, vou descobrir o que você esconde — gritou ela enquanto eu saia. Anna tinha esse jeito assustador, mas a verdade é que ninguém deve se preocupar com ela. É somente uma garota perturbada.

Cheguei no circo em menos de quarenta minutos. Estacionei o carro na porta e olhei o local, tudo o que eu podia ver era os portões coloridos, um castelo imenso no centro, e uma roda gigante colorida. Não tinha ninguém no parque, os melhores brinquedos só abrem à partir das 20 horas. Era a hora perfeita para não ser visto.

Fiquei parada no carro pensando se deveria ou não descer, era muito perigoso. eu não sabia me defender. Cheguei até a pegar o celular para ligar para alguém, mas desisti. Eu devia enfrenta-lo.

Quando ouvi o sino da igreja, significava que era hora de ir. Respirei fundo e evitei pensar muito sobre isso, me faria desistir. Peguei uma navalha que estava dentro do carro por precaução e o celular. Notei que havia uma mensagem nova sem remetente, sem hesitar abri.

"No castelo", era o que dizia. Eu já imaginava. Era o melhor lugar para encontrar alguém e não ser visto, além do mais, ele ficava aberto o dia todo.

Passei direto por alguns faxineiros que limpavam o pátio de cimento e entrei no grande e assustador Castelo do Drácula (o que é um nome estranho, pois nunca vi nenhum vampiro lá).

Todo o lugar era escuro e assustador, assim que entrei quis sair. O Hall de Entrada era coberto por imagens de palhaços, comecei a tremer. Minha respiração estava acelerada, eu sentia que ia travar. Continuei andando esperando mais uma mensagem, mas nada chegou.

Sai da ala dos palhaços e entrei na área dos mortos, que para mim era bem melhor. Era um labirinto cheio de armadilhas, mas nada pior do que palhaços. Logo meu celular tocou novamente e quase pulei.

"Direita", e havia uma escada à minha direita. Eu não devia descer, eu não devia nem mesmo estar aqui. Retirei a navalha do bolso e fui lentamente. Na porta, havia uma lanterna para mim, mirei a luz no chão e não voltei a pensar no assunto.

A sala que as escadas levavam estava bem iluminada e repleta de espelhos. Não havia ninguém, somente um bilhete no chão. Me abaixei olhando em volta para ver se estava tudo certo. "Não sou o inimigo, quero te ajudar", ele insistia em dizer isso. Eu já estava ficando irritada com tudo isso. Examinei o local novamente.

— Não tem ninguém aqui — gritei, na esperança que algo acontecesse. Nada. Me virei para ir embora, então meu celular tocou. Parei de andar e me mover, meu coração estava quase saindo pela boca.

Lentamente levantei o celular que dizia: Estou aqui.

— O que você quer? — e em alguns segundos depois o celular vibrou novamente: Mostrar que posso te ajudar, faça a escolha.

Meu coração parou novamente, achei que ia cair. Ele era o inimigo. Eu tinha seis anos de novo, olhando para espelhos, que eram portas. Eu precisava escolher. Os palhaços gritavam atrás de mim, eu fazia o mesmo. Eu precisava sair dali, não conseguia não chorar. Os palhaços se aproximavam, eu podia ouvi-los, suas risadas, seus gritos. Não pensei duas vezes e corri para o segundo espelho, sem explicação, simplesmente corri. Lá estava o grande homem com o nariz vermelho e o sorriso maléfico. Tudo ficou preto a minha volta.

Agora eu era novamente uma garota assustada no segundo espelho, olhando para uma sombra preta. Eu não podia ver o seu sorriso, ele estava de costas. Mas eu podia sentir o seu sorriso. O celular vibrou novamente, e impulsivamente abri a mensagem.

"Sei o que teme, sei o que quer. Vamos, pegue". Olhei em volta, confusa. Não havia nada por ali, além de um papél no chão. Ele continuava imóvel a alguns metros de mim, era um homem, tinha cabelos curtos, me dava medo. Me abaixei rapidamente e peguei o papel no chão, não olhei para ele, simplesmente corri.

Não houve palhaço, nenhum ataque. Eu estava no meu carro, estava tudo bem. Eu não precisava me preocupar. Tudo estava bem, comecei a repetir.

Olhei para o papel que estava parado imóvel no banco do passageiro. Gabarito Escuar Colégio, era o que estava escrito no cabeçalho. Encostei a cabeça no volante do carro e comecei a chorar.

***

— Oi, Brandon — falei assim que ele atendeu o telefone. — Onde você está?

— Oi, meu amor. — ele sorriu. — Estou em casa e você?

Dei mais alguns passos e toquei a campainha.

— Na sua casa — ouvi ele sorrindo, então a porta abriu imediatamente.

Ele me recebeu com um sorriso no rosto e logo me abraçou. Achei que nós íamos cair para trás, mas os braços de Brandon estavam lá para me proteger. Brandon me levou aos beijos até o sofá, seus pais não estavam em casa.

Alice nos ligou enquanto brincávamos, ela nos chamou para um almoço. Aceitamos. Depois tivemos a noite toda só para nós.


Notas finais
Se tiver algum erro, se não gostou de algo, se gostou, qualquer coisa pode deixar uma review :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.