A Better Man

3 Terceiro Cap. — Somos Melhores Amigos!


Since you went away

dontcha know?

I sit around

with my head hangin' down

And I wonder

Who's loving you

− Jackson 5 in Who's Loving You

Adam sorriu e congelou na entrada da porta. O seu coração palpitou ao olhar para Kimberly, ainda continuava sentada sem se dar conta do olhar de Stalteri, aquele silêncio de dois segundos era terrível. Desejava ter algo a dizer e tinha.

− Kimberly – Adam chamou a sua atenção – lembras-te? – Kimberly não entendeu onde Adam pretendia chegar com aquela questão incompleta – Lembras-te como nos tornamos melhores amigos?

− Nós fomos melhores amigos? – Kimberly troçou de Adam, riu fracamente. – Sim, eu lembro-me. – Adam abriu a porta, Kimberly levantou-se entendendo o seu gesto. Guiou-a pelos corredores, eram verdadeiramente confusos e terroríficos, com uma cor desbotada e frios.

− Ainda bem, porque matar-te-ia se não te lembrasses. – Adam franziu as sobrancelhas. Kimberly desatou a rir pela sua expressão. Os seus olhares cruzaram-se, um sorriso pelas gargalhadas baixou para um sorriso largo e de lábios juntos.

“ Adam não tinha chegado a tempo de agarrar no braço dela quando chegou lá fora. As suas mãos foram automaticamente à sua cabeça. Perguntou, inclusive, às duas pessoas sentadas num carro de bois à esquerda da grande porta do estábulo.

O “não” viera em câmara lenta, um aperto no coração. Seria possível dizer-lhe com a total certeza se algum dia a viria? Se conseguiria sequer chegar perto dela um dia?

A sua única reação foi chutar a terra, as suas mãos foram à sua cabeça. Um nico de raiva subiu e manteve-se ali, desejou tanto poder ter dois dedos de conversa, apenas ouvir a sua voz ou saber como era o seu toque.”

− Não é muito difícil lembrar como nos conhecemos ou virámos melhores amigos, sabes?! – Kimberly olhou para ele e de seguida para as suas mãos. – Vou-me sempre lembrar como meteste assunto. Ah, só uma coisa, tu parecias completamente desesperado. – Kimberly socou o braço de Adam com notória força ausente.

“ Dia vinte de julho, um dia quente e enfadonho. Era a primeira vez que mudava de escola por causa da mudança de casa. Kimberly não era filha de um casal ou somente de pai ou mãe que viviam em constante mudança.

Tinha ido à festa de fim de ano num celeiro longe, bastante longe, da cidade e das redondezas. Quanto tempo ficou? Um quarto de hora? Aquele ambiente entre alunos de caras conhecidas não era para ela, a sua presença tresandava a novata. A sua prima, Lyane Piovani, convenceu-a a pôr lá os pés, já não era mau de todo.

Lyane mostrava-lhe parte da cidade que desconhecia, o bairro onde, agora, iria viver, estudar, crescer ainda mais e tentar talvez lavar as feridas da inexistente autoestima, fazer pelo menos quatro amigos e não ter que dizer “não” para todos os interesseiros em copiar.

− Despacha-te, Kim! – Lyane olhou para as horas, Kimberly fê-las voltar atrás para buscar o seu aparelho eletrónico, como lhe gostava de chamar. – Kim! Vamos! – Lyane gritou para dentro de casa, Kimberly não tardou a aparecer.

− Está bem! Calma, sim? – Kimberly enfiou a chave apressadamente no bolso do casaco. – A minha mãe quase o colocou na máquina de lavar e levei um raspanete, não preciso de outro. – Lyane rolou os olhos – Já agora, tenho um bolso descosido, espera, a minha mãe já o deve ter cosido.

− Vamos, porra! Ninguém quer saber disso! Nova Iorque, a parte que não conheces, está à tua espera, querida! – Lyane abriu os braços e gargalhou. – Okay, nem tanto assim. – Kimberly riu alto e apalpou o seu bolso e certificou-se de ter a chave antes de começarem a andar.

…

Eram já cinco minutos de caminhada e pareciam horas. Kimberly parou, colocou as mãos nos bolsos de trás das calças e Lyane explicou que ali era um “bar” para jovens entre os doze e vinte e um anos, sem qualquer tipo de álcool nas bebidas.

− Acho que alguém perdeu uma chave. – Uma voz totalmente desconhecida atrás delas. – Olá? – Kimberly olhou para Lyane e apalpou os bolsos e teve um mini ataque-cardíaco.

− Puta merda. – Kimberly desabafou, rodou os calcanhares e a sua cara chocou com a de um garoto. – Oh, obrigada…

− Adam! És a nova aluna da escola, certo? – Adam enterrou as mãos nos bolsos de trás, olhou o nada e espero que aquela garota lhe respondesse, que não o ignorasse.

− A prepósito, eu sou a Kimberly, mas todos me tratam por Kim. E sim, sou… − Kimberly riu – Vens connosco? – Olhou para Lyane. Esta retribuiu o sorriso, um sorriso parvo – O que é?

− Porque não? Vão àquele bar? – Adam deu um passo em frente. Lyane riu para Kimberly, mas de forma diferente, como se quisesse dizer-lhe algo. Kimberly rolou os olhos e avançou os passos, ficando lado a lado com Adam. – Vais ver que vais gostar de viver neste lado e estudar aqui.”

− Eu não estava desesperado! – Adam abriu a porta e segurou, de modo a que Kimberly pudesse passar primeiro. – Sabes bem disso. Queres tomar alguma coisa, um café talvez?

− Claro que não estavas! – Kimberly ironizou – Sim, agradeceria depois de toda esta confusão e espera. Mal acredito que podia ter ido presa, se o meu pai sonha com isto… − A sua cara transmitia cansaço e preocupação.

− Vai correr bem, quando lhe contares, ele vai perceber. Eu conheço o Sr. Lively, mas se mesmo assim ele não gostar, chama-me, porque ele adora-me! – Adam riu da sua piada, que na verdade nem era uma piada.— Vá lá!

− Eu sei, é verdade! Mas ele já se dava bem contigo mesmo antes de saber que eras o meu melhor amigo. – Kimberly e Adam chegaram finalmente ao bar. Era, de facto, um bar bem espaçoso e bem mais aconchegante que o resto do edifício.

− Dois cafés, por favor. – Adam puxou uma das cadeiras para Kimberly que se encontrava anexada ao balcão. – Como vai o teu pai? – Adam olhou-a sério, sem brincadeiras. Ela sabia ao que se referia.

− Bem… Quer dizer, desde que ele herdou aquele maldito jornal, encontramos bastantes pessoas cruéis. Não compreendo, não compreendo porque é que aquele blogueiro coscuvilheiro quer infernizar a nossa vida se ele foi despedido antes da herdança do jornal.

− Sabes muito bem que ao hackeá-lo só ias dar mais pano para mangas, certo? – Os seus punhos suportavam a sua cabeça. Kimberly sentiu-se abraçada e tocada pelo seu olhar, a sua pergunta tinha mexido com ela. Ela sabia, mas não se lembrou que ia dar. – Não te lembras-te, pois não? – Ele riu-se. – Vê-se mesmo que amas as pessoas ao teu redor.

− O meu pai tinha razão – Adam abraçou-a de lado, o som dos pires a bater na mesa não os perturbou. – em relação a ti, darias um ótimo genro. – As suas palavras saíram disparadas e impensadas. Pegou na chávena e bebeu, sabia que Adam a olhava com cara de caso.

Sem grande notoriedade, Lucille e Kennedy tomavam o seu pequeno-almoço no mesmo lugar à mesma hora. O olhar observador de Lucille detetou Kimberly e Adam sentados lado a lado.

− Eles ainda me vão trazer problemas. – Lucille abanou a cabeça em sinal de impaciência. Agitou o café enquanto rolou os olhos.

− Eles já estão a dar problemas desde que ela entrou aqui. – Kennedy agitou o café e riu. Era a primeira vez em tanto tempo que voltava a ver a paciência e o amor genuíno com alguém.

Era engraçado ver o quão espontâneo Adam era com Kimberly, o seu mau-humor desaparecia, a sua atenção existia para ela. Não havia amizade apenas, havia mais, sempre houve. Não é possível dizer de outro modo, a sua saudade por ela, a saudade que ela despertou nele nestes últimos anos.

Enquanto ela o olhava da mesma maneira, a maneira da qual todos gostávamos de ser olhados e admirados. Todas as borboletas no seu estômago continuavam lá. Fora com ela que Adam aprendeu a rir das coisas, a rir sem ter ninguém por perto.