A Better Man
6 Sexto Cap. — Estou Pronta…
Say that you'll stay a little
Don't say 'bye bye' tonight
Say you'll be mine
Just a little bit of love is worth a moment of your time
Knocking on your door just a little
So cold outside tonight
Let's get a fire burning
Oh, I know I keep it burning right
If you stay, won't you stay, stay?
— John Legend in Save Room
Depois daquela noite de feira popular, da libertação de ambos, tudo melhorou entre eles. Já não havia o clima tenso e os constrangimentos, graças a Deus! Pareciam crianças, um amor tão puro, tão transparente. Kimberly foi apanhada de surpresa juntamente com ele. Amavam-se há anos!
Kimberly e Adam tentaram esconder a todo o custo aquele namoro, principalmente, de Lucille. Sabiam da sua política quase nazista que não apoiava o namoro entre colegas. Já tinham prévio o futuro de ambos, Adam seria despromovido e seria transferido para uma polícia do outro lado do país, e Kimberly acabaria por ir presa devido aos ataques informáticos contra o outro fulano. Temeram os seus futuros, mas não acabariam por essa razão. Lucille teria que ter muito trabalho para que parassem de terem sentimentos de anos.
Obviamente, mais cedo ou mais tarde, Lucille acabaria por descobrir. Descobrir por ela mesma, ou talvez já soubesse. Já todos sabiam.
“Thursday, 02:12 p.m. National Bank, Arizona
Kimberly devia ter seguido o seu pressentimento. Não devia ter ido ao banco. Não naquela hora, não naquele dia, não devia lá ter posto os pés. Ao invés disso, ficou refém lá dentro com mais uma centena de pessoas. Crianças, crianças de colo, adolescentes, jovens adultos, idosos… e ela.
Adam ficou puto da vida quando associou o seu pressentimento à notícia que passou em grande destaque no plasma enorme da sala. Sentiu um aperto no coração. Um sufoco. Uma sensação agonizante. Ninguém o tinha avisado.
Disparatou em todas as direções. Disparatou com todos. Desafiou os limites de Lucille pela milésima vez na sua carreira profissional. Lucille exaltava-se mas acabava por gostar da sensação de desafio do mal-humorado Adam. Dava-lhe gozo senti-lo sobre pressão, saber qual seria a sua próxima jogada. Sabia que ele estava prestes a explodir por se tratar de Kimberly. A mesma sensação que teve com Olly e Adele, mesmo antes de os perder. Destetou-se por despertar a sensação profunda de pânico a Adam.
Adam persistiu e viu Lucille caminhar de um lado para o outro para chamar todos os reforços. Rezava para consigo mesmo. Viu a expressão de puro pânico à mistura de ansiedade na cara dela.
− Eles querem-na… − O necessário para se instalar o caos, o necessário para despertar todo o tipo de reações. Sentou-se para se mentalizar de que era… verdade?! Adam encarou e teto e riu-se, pânico.
Sabiam das exigências e capacidades deles, uma tragédia internacional perfeita! Sabiam que Kimberly era astuta, as suas capacidades eram iguais às deles, mas seriam provavelmente inúteis.
Pouco a pouco saíram seis dos muitos reféns feitos no banco. Explicaram o que se passava lá dentro, um sequestro que podia demorar o que eles bem entendem-se, só terminaria com a morte… de Kimberly.
O sequestro consistia num jogo mortal, numa espécie de Roleta Russa Cibernética. Cada refém recebia uma mensagem no telemóvel com uma determinada quantia retirada, a quantia variava de pessoa para pessoa, o objetivo era retirarem no total cinquenta mil dólares. Era um alívio abrir a mensagem e ler “350$US” ou outra quantia qualquer, havia uma bomba. A bomba seria explodida quando a mensagem recebida fosse a palavra “Bomba” escrita em acrónimo.
Adam chorou na tentativa de que os libertados estivessem a exagerar, sabia que Kimberly receberia a tal mensagem e que seria a última. Maltratou-se por nunca ter sido sincero em relação aos seus sentimentos com ela e por terem passado anos separados.
Thursday, 06:46 p.m. Arizona Police, Arizona
Quando se parou de martirizar, ouviu o barulho de folia no corredor. Como é que eles festejavam e riam no meio daquela situação? Não tinham coração nem sentimentos? Saiu do cubículo de Kimberly para discutir com toda a gente que estava a festejar sabe-se lá por que merda fosse.
Adam não quis acreditar no que os seus olhos viam. Já faziam horas desde o início do sequestro, faziam horas que estava sozinho no cubículo de Kimberly a rogar pragas contra ele mesmo. Não tinha dado conta que se tinham passado tantas horas, pensava seriamente que se tinha passado uma ou duas horas.
Adam ficou petrificado com lágrimas nos olhos ao ver Kimberly num estado caótico, desumano. Tinha a equipa com que trabalhava ao seu redor. Adam sentiu um calor humano mesmo ao seu lado.
− Vai lá ter com ela, Stalteri.— Lucille estava com um sorriso de orelha a orelha. Não sabia o que aquilo significava.
− Posso esperar, ela é só… a minha melhor amiga…
− Stalteri! – Lucille encarou-o de olhos semicerrados e braços cruzados. Puta! Lucille já tinha descoberto tudo. – Achas que sou alguma idiota? Toda a gente sabe do romance e que romance! Também gostaria de ter assim uma história para contar um dia aos meus netos… Vai lá e dá-lhe um beijo, porque quem manda aqui ainda sou eu!
Adam não pensou duas vezes. Furou a roda que estava em volta de Kimberly. Foi ótimo voltar a sentir a pele, os lábios, o toque, o tudo dela. Ela era maravilhosa, não queria voltar a perdê-la, muito menos para sempre.
Kimberly foi apanhada de surpresa num beijo, sentindo à mistura as lágrimas de Adam. Reencontrou o conforto no meio dos braços dele enquanto os seus colegas os elogiavam e ficavam pela imagem dos dois.
− Como é que tu…? – Adam não conseguia completar as próprias frases, ainda não tinha recuperado do susto.
− Os códigos que usavam não eram deles. Eles, puramente, os recebiam prontos a enviar para quem lá estava. Consegui hackeá-los pela rede Wi-Fi que usavam, a do banco, não eram muito inteligentes. Consegui infiltrar-me e pude descobrir que os códigos eram assinados pelo Leroy Paganelli…
− O…
− …Blogueiro, exatamente. – Kimberly completou o raciocínio de Adam. – Há provas suficientes para o pôr atrás das grades. − Adam sorriu, estava orgulhoso dela.
Leroy Paganelli fazia, ou melhor, fez tudo aquilo para atingir o pai de Kimberly. O pai de Kimberly tornou-se um grande empresário aos vinte e oito anos, herdando o jornal do pai depois da morte do mesmo. Com a sua capacidade de visionário conseguiu espalhar o nome por todo o país, fazendo daquele, um dos jornais mais importantes do país, mas houve, especialmente, uma pessoa que não aceitou muito bem aquela sorte, Leroy Paganelli. Leroy, com a sua ambição destrutiva, levou-se a si mesmo ao despedimento, pensava que apenas os números contavam. Culpou sempre, sem razão, Bruno pelo seu despedimento.”
Friday, 11:43 p.m. Arizona Police, Arizona
Kimberly estava embalada nos seus pensamentos lentos no seu cubículo. As horas no canto inferior direito do seu PC pareciam estar contra si. Faltava imenso tempo para poder sair daquele inferno, cerca de duas horas e meia. Provavelmente, desde que entrou para a polícia, aquele tinha sido o dia mais calmo e menos violento no Arizona.
Houveram queixas de pequenos assaltos, queixas sem sentido, mas nada que fizesse despertar o alarme do perigo da equipa principal.
− Pronta para sair deste pequeno inferno? – Adam pousou a sua mão esquerda no ombro esquerdo de Kimberly. Embora não estivesse à espera daquilo, não se assustou.
− Ainda me faltam dar horas, Adam. – Kimberly disse num suspiro pesado.
− Já falei com a Lucille e convenhamos que hoje o dia foi uma valente merda. – Adam sorriu. Kimberly podia ter a certeza que ele não tinha falado nada com Lucille, mas confiou nele.
− Está bem.
Kimberly levantou-se da sua cadeira e ajeitou a sua saia amassada pelas horas que esteve sentada na cadeira. Adam empurrou a sua cadeira e ajudou-a com o casaco.
− Obrigada. – Ela sorriu-lhe, fazendo-o desmoronar por dentro. Era estranha aquela sensação, terrível diria. Nunca tinha sentido aquilo, nem daquela maneira, nem naquela intensidade.
Kimberly conhecia-o desde, quase, canalha. Tinha-o moldado à sua feição sem ele nunca ter dado conta, tinha-o ensinado a ser um bom amigo, um bom namorado. Mesmo Kimberly assistindo da bancada número três, ela tinha-o aconselhado sobre as suas namoradas, tinha carregado aquela dor dentro dela, de o ver a beijar e acompanhar outras garotas a casa. Quem era ela na história? Apenas a melhor amiga.
Tinha-se reprimido por tanto tempo. Perdeu Kimberly como quem perde um papel importante, Adam sentiu na pele a angústia que a distância entre eles provocava. Adam era amargurado, seco e impaciente por culpa dela, por sua culpa que se afastou dela.
− E os novatos? – Kimberly abraçava de lado Adam enquanto caminhavam pela rua iluminada e cheia de pessoas. – Como se estão a sair? – Adam sorriu-lhe.
− Podemos dizer que bem. – O bar, que ficava no final da rua, estava a abarrotar, notava-se pela multidão à porta. – Nunca pensei que a Lucille me colocasse a coordenar pessoas na área informática em menos de um ano.
Adam riu-se, sabia como Lucille era. Moveu a sua mão direita para o cabelo de Kimberly e acariciou-o, sabia como ela odiava aquilo, teve um olhar opressor como uma resposta óbvia.
− É bom saber que continuas a Kimberly que eu deixei. – Adam riu. Kimberly mudou a sua expressão opressora e rapidamente gargalhou.
Saturday, 00:02 a.m. Mr.Skull Bar, Arizona
Adam e Kimberly esperaram na fila aproximadamente treze minutos para apenas entrarem no bar. Kimberly ficou a conhecer algumas coisas sobre Adam enquanto morador do Arizona, as peripécias na faculdade, ficou a saber que não teve nenhum relacionamento, nem sequer uma ficada.
− O que vais pedir? – Adam sentou-se à frente de Kimberly.
− Hoje vou encher a cara de Martini. – Kimberly olhava para o menu.
− Que maravilha é estar de folga, hã? – Adam provocou-a. – Só quero ver como vais acordar amanhã. − Kimberly rolou os olhos.
Saturday, 03:16 a.m. Adam’s House, Arizona
Adam tinha estipulado uma hora para saírem do bar, não tinha a sorte de ter uma folga no dia seguinte como Kimberly. Três horas da manhã já seriam horas suficientes para irem embora, mesmo assim seria doloroso levantar-se da cama no dia seguinte.
− Kim, não achas que já chega? – Adam tocava-lhe no braço. Com apenas três mini copos de licor e um de champagne, Kimberly já tinha percorrido todo o bar, abraçado tudo e todos. No princípio foi engraçado, mas ela não tinha a sua consciência e raciocínio no melhor estado. O que pequenas grandes aves de rapinas fariam ao ver um pedaço como Kimberly? Exatamente…
− Não, querido. – Kimberly brincou com os lábios dele. – Não sejas tão mandão. – Kimberly riu safadamente.
− Kim, isto já teve piada. Vamos embora, tu não estás bem. Vamos, agora! – Adam pegou em Kimberly de maneira um pouco brusca, carregou-a no seu ombro esquerdo. Kimberly não protestou, achava que ele estava a brincar com ela.
Adam desejou ter o seu carro ali, mesmo estando perto de casa, mas Kimberly balançava as pernas e brincava com a situação. Sentiu que foi rude ao arrancá-la do bar assim, prometeu que lhe pediria desculpas quando estivessem mais calmos e sossegados.
Em frente à porta do apartamento de Adam, tirou a chave do bolso das calças e adentrou com Kimberly ainda no seu ombro que balbuciava algumas palavras.
Levou-a para o seu quarto, não seria a primeira vez que dormiam juntos. Obviamente, Kimberly lhe exigiria explicações.
— Kim, hoje ficas cá. – Deitou-a na cama. Kimberly olhava-o sem permanência, os seus olhos rolavam sem intenção.
Adam ergueu o seu corpo, precisava urgentemente de um duche. A sensação fraca de ter a sua camisa puxada fê-lo parar, embora se quisesse rir daquela situação.
— Posso ir contigo? – Adam sabia muito bem ao que a sua namorada se referia, não aceitaria. Não queria que ela pensasse na manhã seguinte que ele se tinha aproveitado da sua bebedeira. Adam riu-se. – O que foi? – Kimberly fez cara triste.
— Contem-te, Kim… – Adam voltou a rir-se e afastou uma madeixa de cabelo da cara dela. Kimberly ergueu-se e encarou-o e riu-se também. Começou a beijá-lo delicadamente e docemente. Adam pôde sentir que o gosto de licor permanecia ainda.
— Kim… É melhor pararmos. – Adam apertou delicadamente a sua mão.
— Faz amor comigo…— Kimberly tinha a sua cabeça encostada ao seu peito. Adam ficou surpreendido. Adam sabia que Kimberly fugia daquele assunto como uma flecha, não entendia e não sabia porquê. Nunca lhe perguntou, talvez por medo de parecer rude ou mal compreendido.
Adam tentava raciocinar. Num lance, ele mesmo a beijou sem acabar de pensar. Deitou-a sem a largar do beijo, estava por cima dela. Sabia perfeitamente que podia fuder com tudo o que tinha com Kimberly. As suas mãos passeavam dentro da roupa pela extensão do corpo da amada.
Kimberly ria por causa da sua bebedeira, Adam reconsiderou o ato que poderia levar à rutura do namoro ainda fresco. Kimberly continuou a beijá-lo e permitiu que ele lhe tirasse a camisola. Adam sentiu o coração dela aceleradíssimo, voltou a reconsiderar, parecia um adolescente.
− Tens mesmo a certeza? – Parou o beijo.
− Cala-te e continua… − Sabia como ela se sentia, sempre que estava nervosa mandava-o calar e continuar. Irritava-o a maneira de como ela agia perante certas coisas que a deixavam nervosa, mas amava-a mesmo assim.
Saturday, 05:28 a.m. Adam’s House, Arizona
Kimberly tinha adormecido, mesmo já sendo praticamente dia. Ela estava perfeita, impecável para aquilo que se tinha sucedido. Ainda tinha a sua pele suada e “pegajosa”, onde vários fios da sua franja lateral estavam colados à sua testa. Kimberly dormia agarrada a ele e virada para ele, apenas o lençol branco fino lhe cobria o corpo a partir dos seus seios.
Adam não resistiu a sorrir e a pensar coisas sujas por sua causa, pelo efeito dela. Beijou-lhe a testa para afastar todos aqueles pensamentos. Tinha a perfeita noção de que não conseguiria dormir o suficiente para se levantar com disposição, e também tinha noção que chegaria atrasado.
Saturday, 09:39 a.m. Adam’s House, Arizona
Adam adormeceu pesadamente, teria que se levantar às sete horas da manhã, teria. O seu cansaço deteve-o, acordou por sorte às nove e meia da manhã, duas horas e meia atrasado, lindo!
Adam tinha-se levantado da cama com toda a calma para garantir que não acordava Kimberly. Sorriu mais uma vez ao olhá-la. Sem tentar fazer baralho, tomou banho à pressa e vestiu-se. Lucille iria torturá-lo de várias maneiras na sua imaginação e no final, claro, matá-lo-ia.
− Adam? – Adam tentava calçar os seus sapatos até que Kimberly o chamou. Kimberly parecia não crer no que via.
− Sim? – Adam estava sentado no cadeirão do seu quarto com um pé calçado e um apenas com uma meia calçada.
− O que aconteceu? – A sua voz era arrastada, ressaca. O corpo inteiro de Adam gelou e estremeceu e depois deu-se um misto de sensações. Tinha a certeza que aquela seria o desfecho da cena, Kimberly não se lembrava de nada.
− Tu não te lembras de nada? Tu não te lembras de nós…− Adam estava ainda com o sapato na mão e à beira de um ataque cardíaco.
− Eu lembro-me disso… − Kimberly sorriu-lhe para se parar de martirizar. – Eu só não me lembro de certas coisas, é como se fossem grandes borrões, sem detalhes e tudo misturado. Lembro-me de começar a beber, depois de tu me estares a suplicar para ir embora e… tu sabes o resto. – Kimberly corou intensamente. Adam pousou o seu sapato no chão e avançou para ela, beijou-a delicadamente.
− Vem viver comigo. – Adam olhou-a. Kimberly tinha as suas mãos no rosto dele, ficou estática. – Sabes bem que somos só namorados, Adam.
− Kim, tu sabes bem que faço isto porque antes de ser o teu namorado sou o teu melhor amigo. – Adam confessava-lha palavras tão puras como seda, acalmaram-lhe a alma. – Tenho de ir, a Lucille ainda me arranca o pescoço. – Riu-se e encarou as pernas de Kimberly. – Deves algumas satisfações, quando voltar do trabalho já sabes.
Kimberly beijou-o e abraçou-o como o fazia antes do namoro.
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