A Besta
4 Capítulo 4 Mortes Misteriosas
4 Mortes misteriosas
Ivy acordou bem disposta hoje. O Sol brilhava em sua janela e isso sempre fazia ela se sentir animada. Ela levantou da cama, colocou o uniforme da escola e abriu sua janela para que pudesse respirar o ar fresco da manhã.
A menina saiu do quarto e desceu a escada saltitando graciosamente. A mãe falou um “Oi” enquanto preparava o café e o pai só fez um sinal com a cabeça como comprimento. Ivy sentou-se a mesa e olhou o que havia posto para seu café da manhã.
Nesta hora sua animação diminuiu um pouco. Suas opções eram bem diminutas. A família estava passando por uma crise financeira, eles nunca foram muito ricos, mas também nunca deixaram de ter certo conforto.
Não lhe faltava alimentos, nem nada tão grave, mas eles estavam cortando gastos de toda a maneira que podiam. E, como não estavam acostumados com esse tipo de sistema, estava sendo bem difícil para eles se adaptarem.
A mãe e o pai, Sra. Ana e Sr. Marcelo, não sabiam o que podiam fazer para melhorar a situação. Marcelo era um bombeiro aposentado, tinha um salário bom e regular, mas sofria com muitos anos sem aumento do salário, a única coisa que crescia eram os preços dos produtos essenciais.
Já Ana, se encontrava em uma situação diferente. Ela trabalhou por muitos anos em uma casa de família, como enfermeira particular de uma idosa, mas após o falecimento da patroa, ela perdera o emprego.
Ela estava à procura de uma oportunidade, porém cada vez isso se tornava mais difícil, pois quanto mais tempo se passava mais exigências quanto a qualificação pra contratação eram feitas. Além disso, Ana já não era tão nova.
Mesmo com tudo isso, Ivy não se deixou abalar, ela decidira que queria continuar de bom humor hoje. Tomou o café em silêncio, escovou os dentes e com um sorrisinho, saiu de casa a caminho da escola.
Ela chegou, cumprimentou as amigas, que na verdade pareciam exaustas, e estavam mesmo, e logo todas se animaram.
As aulas passaram como de costume, e o intervalo chegara rápido ao que parecia. As meninas começaram a tirar fotos pela câmera de seus celulares, inicialmente delas próprias, e depois dos outros na escola.
Ivy procurava despreocupadamente algo para que pudesse fotografar, quando percebeu mais adiante uma agitação entre os funcionários. Como todos os professores e funcionários mantinham bastante afeição por ela, isso porque a garota era ótima menina, ela decidiu perguntar o que se passava entre eles.
Quando chegou lá, ela viu que o inspetor agitava em suas mãos, indignado, uma manchete de jornal. Nela, a garota pôde ver três fotos de pessoas diferentes: uma jovem deveria ter uns dezesseis anos, logo abaixo a de um homem já de certa idade e por fim, a de outro homem, ao que parecia, um guarda florestal ou algo do tipo.
Confusa com o que se passava ela tocou o ombro do inspetor José, rompendo assim as vozes, e perguntou:
— Olá gente. Bom desculpa a intromissão, mas percebi que vocês estão nervosos e decidi perguntar, aconteceu algo?- disse com ar inocente
-Oi, querida. Bom, nada conosco. Na verdade, está havendo uma série de mortes misteriosas aqui pela cidade e bem, isto é preocupante para todos nós- disse José depois de um momento confuso.
— Oh, todas essas pessoas do jornal estão mortas?!- disse como se obrigasse a palavra a sair.
-Receio que sim, minha jovem- respondeu tristonha a professora Lila.
-Mas que coisa terrível. Mas como assim, receia?
-Duas delas tiveram a morte confirmada e já foram encontrados os corpos, destroçados ao que parece- Disse Lila apressadamente e com ansiedade- e este
senhor ainda permanece desaparecido, mas é provável que tenha tido o mesmo destino- concluiu.
— Mas, qual é a causa de tantas mortes? Existe algum serial killer a solta?- indagou Ivy com a curiosidade crescendo dentro de si.
— Não se sabe ao certo a coisa que matou todas essas pessoas, mas a causa foi apontada como ataque de animal. Isto é ridículo! Fico me imaginando que animal teria uma boca tão grande e com força tamanha para fazer com os corpos o que ouvi falar- José riu sem humor algum ao falar.
O sinal tocou e Ivy teve que retornar à sala, mas ainda agitada com o que acabara de ouvir.
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Na aula de química, a última aula do dia, Ivy ainda sentia certo desconforto, mas estava melhor, pelo menos por enquanto.
Mas a calmaria, nada durou: Eles entraram no laboratório e logo o professor anunciou que hoje eles trabalhariam em duplas, e que o próprio professor as escolheria. E, para o azar da garotinha, o professor anunciou que ela faria dupla com Richard .
Olharam um para o outro transtornados com a ideia de trabalharem em dupla, mas sabiam que não teriam escolha. E para piorar, Ivy notou que ele segurava o jornal com as fotos daquelas pessoas mortas.
Eles se sentaram desconfortáveis lado a lado, mantendo a maior distância possível entre as cadeiras, no espaço permitido pela mesa.
O professor passou para cada dupla uma folha com o título: A efervescência do potássio e do lítio.
Cada dupla teria de observar as reações destes elementos quando colocados na água e anotar as observações. E, juntos, elaborar um texto explicando as diferenças entre as propriedades da matéria observadas pelas suas diferentes reações quando postas na água.
Ivy já no seu limite resmungou bem baixinho, quase inaudivelmente “Ótimo! Já não basta a tortura de me fazer sentar ao lado dele, ainda teremos que trabalhar juntos para escrever este texto”.
Mesmo que para outros fosse quase impossível, a reação de Richard mostrou que ele provavelmente escutou o que a menina dissera. Ele se encolheu na cadeira passando a folha á ela.
Ivy ruborizou pela vergonha e se sentiu culpada, pois naquele momento, ela teve um flash da alma de Ricky, ela percebeu que ele possuía uma alma e era alguém bom.
Mesmo isso, não mudava o fato de ele ter escutado o que ela disse, e, por isso não foi tão fácil trabalhar em conjunto. Mas conforme o tempo passava vagarosamente, o ânimo dos dois jovens se acalmava, e eles já conseguiam fazer as observações juntos sem tanta tensão.
Ivy reparou que Richard tinha um sotaque diferente, e percebeu que ele não deveria ter nascido aqui. Provavelmente ele veio de algum outro lugar, mas ela não reconhecia de onde vinha aquele sotaque.
Os dois, apesar de exteriormente parecerem extremamente diferentes, descobriram que tinham certas semelhanças. Possuíam as mesmas opiniões sobre determinados assuntos, preferiam ficar em silêncio na maioria das vezes e eram muito inteligentes.
Depois do término da aula, eles saíram e seguiram cada um o seu rumo, como se nunca tivessem se falado. Mas apesar disso, Ivy sentia que conquistou algo: ela perdeu o medo que sentia ao ver Richard, pois mesmo que por um segundo, ela reconheceu uma alma humana nele.
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