Notas iniciais
Hello! Eu não sei o que está acontecendo com o tempo, está passando muiiiiito rápido e já tem quase um mês que atualizei a fic. Oh. My. God, desculpem pela demora! Cheguei com mais um capítulo, boa leitura ♥

Quando chegamos na Torre e saímos do elevador, Tony praticamente arrasta Bruce na direção de uma sala de reunião. Pelas palavras desconexas que murmura para o amigo, descubro que Steve, Natasha, Wanda e Sam já voltaram da missão problemática. Pelo o que entendi, Clint e Visão — que há semanas estavam no Centro de Treinamento dos Vingadores —, estão a caminho daqui também.

De repente, me vejo completamente sozinha no meio da sala. Uma incômoda sensação de impotência se mistura com um inevitável temor pelo futuro. Em outras palavras, me sinto apenas uma civil em meio ao fogo cruzado de incertezas. Exatamente o que sou, uma civil.

A contragosto, volto para o elevador e aperto o botão que me levará ao andar onde ficam os quartos. Logo caminho pelo corredor, cruzando as portas pelo caminho. É bem nessa hora que ouço vozes e estanco o passo.

Não demora muito e reconheço a voz baixa de Pietro e o tom embargado de Wanda. Imagino que, depois do ocorrido, ela ainda não esteja em condições de participar da reunião emergencial e que seu irmão gêmeo esteja lhe dando apoio no momento difícil.

Sentindo-me uma intrusa por ouvir parte da conversa sem querer, me coloco em movimento de novo, porém não consigo evitar um olhar rápido para o interior do quarto.

Os dois não chegam a me ver, mas eu tenho uma boa visão deles e a imagem me corta o coração. A cabeça de Wanda no ombro de Pietro, os olhos dela muito vazios, ele acariciando o ombro da irmã e murmurando palavras de conforto.

Interrompo a caminhada de novo e hesito só por um instante antes de dar meia volta e seguir até eles. Bato na porta aberta e os dois erguem os olhares na minha direção.

Por causa do que ela fez ao Bruce na Nigéria, tenho um certo pé atrás com Wanda, mas nesse momento isso me parece totalmente irrelevante.

— Sabe, não foi culpa sua — digo a ela.

Wanda esboça um sorriso amargo.

— Então de quem foi?

Engulo em seco antes de passar pela porta devagar. Cruzo os braços ao voltar o olhar à Feiticeira Escarlate e argumento com calma:

— Até onde eu sei, a culpa foi de um imbecil com um codinome patético. Ossos Cruzados? Não foi ele quem acionou a bomba?

— Foi. Mas eu não consegui impedi-lo.

A culpa é gritante em seus olhos.

— Você tentou. É o que importa.

Wanda me encara visivelmente intrigada. Pietro, por outro lado, parece me agradecer com um discreto olhar por eu apoiar sua irmã.

— Por que está me defendendo, Amy? — ela questiona de súbito, a voz ecoando pelo quarto de um jeito afiado. — Até onde eu sei, você não gosta de mim.

Um soco teria me surpreendido menos. Pega de surpresa, rio sem graça. Não dá para negar que a garota é bem direta e um tanto imprevisível.

— Isso não é verdade — minha resposta muito elaborada sai quase num sussurro.

Wanda estreita o olhar e traz uma recordação à tona:

— No casamento da Olivia com Loki, eu tentei me aproximar. Você respondeu a minha tentativa de puxar assunto se afastando, depois de me lançar um olhar no mínimo frio.

Estou pronta para negar essa acusação também, mas... ok, eu lembro de ter feito algo assim. E sei exatamente por que me comportei tão mal, então me ouço explicando:

— Eu estava chateada na época. P da vida, melhor dizendo. Sim, com muita raiva de você. O Bruce havia desaparecido do mapa e eu sabia que ele tinha tomado aquela decisão porque ficou péssimo quando perdeu o controle do Hulk por... Bom, por sua causa. Me desculpe. Eu sei que você teve seus motivos para se aliar ao Ultron, mas que depois se redimiu da melhor maneira possível. Por isso saiba que, pra mim, são águas passadas.

Para minha própria surpresa, percebo que estou sendo sincera no meu pedido de desculpas.

Entretanto, Wanda soa descrente e ressentida ao dizer:

— São mesmo? Você não acha que eu mereci o que aconteceu hoje? Um castigo e tanto, não? Deve ser carma. Num dia, eu mexo com a mente dos Vingadores, do seu querido Hulk inclusive, e espalho o caos. No outro, não consigo controlar uma bomba e um hospital é atingido em consequência. Num dia, o Hulk é visto como um monstro. Hoje, sou eu.

Certo, agora essa garota está indo longe demais. Se a situação fosse outra, eu daria uns bons tapas nela por cogitar essa asneira de carma e por supor que eu gosto de vê-la sofrer.

Porém, entendo que ela está confusa com o ocorrido, culpando-se pelas pessoas que ficaram feridas e perderam a vida hoje, buscando um refúgio ou sentido ao derramar as palavras amargas e agressivas sobre si mesma.

Tudo que posso fazer é convencê-la de que está muito enganada porque, adivinhem só, ela está mesmo. O que aconteceu durante a missão não foi culpa dela, tampouco providência divina, foi uma fatalidade horrorosa cujo peso ela não pode carregar nos ombros.

Tenho ciência de que Wanda Maximoff é muito poderosa, portanto, sei que ela fez tudo que estava ao seu alcance naquele momento. Se não conseguiu destruir a bomba ou mandá-la para um lugar onde não representasse risco, não foi por falta de empenho. Ela estava sob pressão, não estava esperando que o Ossos Cruzados fosse tirar uma bomba da manga, não teve tempo hábil para pensar e concentrar o poder suficiente, mas ela tentou.

Sendo assim, decido manter a conversa civilizada, sem partir para a violência física, me sento ao seu lado e olho bem para os seus olhos ao dizer com franqueza:

— Wanda, eu nunca desejaria um castigo desses pra alguém. Eu admito que não caio de amores por você, mas não sou mesquinha a esse ponto. Reconheço que você mudou. Cometeu os seus erros lá atrás, é verdade, como todo mundo comete por mil motivos diferentes, mas nada daquilo te definiu porque não era você de verdade. Não deixe o que estão falando agora te definir. Você não é um monstro, é uma Vingadora, caramba.

Um longo silêncio se instala até que Pietro diz com um sorriso tímido e satisfeito:

— Obrigado. É exatamente o que estou tentando colocar na cabeça dessa teimosa.

Enquanto isso, a irmã me encara sem o ar defensivo de antes. Acho que entendeu o ponto, percebeu que fui sincera em cada palavra e está permitindo que elas se firmem dentro de si.

No fim, um sorriso enviesado surge e Wanda acusa num tom leve:

— E você disse que não caía de amores por mim.

Reviro os olhos.

— Como eu falei antes, são águas passadas. Além disso, eu também mudei e rancor não leva a lugar algum. Vamos deixar aquela situação com o Hulk para trás? Ótimo! — Pulo da cama e arremato com uma nova proposta: — Que tal comer alguma coisa agora? Estou pensando em batata frita porque sempre melhora o meu humor. E considere isso uma oferta de paz e tanto porque eu não costumo dividir comida.

Pietro se põe de pé e me desperta do devaneio:

— Posso acompanhá-las, madames? Estou morto de fome.

— Claro! — Sorrio e inclino a cabeça para o rapaz de cabelos platinados.

— Então é melhor eu me apressar! Vejo vocês na cozinha, não demorem!

Um vento forte percorre todo o quarto e bagunça meu cabelo quando Pietro desaparece na velocidade da luz. Rio um pouco e me volto para Wanda. Arqueio as sobrancelhas.

— O que me diz?

A Feiticeira Escarlate hesita apenas por um segundo antes de levantar da cama.

— Obrigada, Amy. — E com um meio sorriso quase imperceptível, emenda: — No fim, até que você é razoavelmente legal.

— Valeu. Você também é suportável.

Sorrio de volta.

De repente, somos atingidas por aquele vento característico do movimento acelerado de Pietro. Eu me assusto, mas Wanda parece acostumada e apenas olha para algum ponto atrás de mim com um carinho cúmplice.

— Qual parte de não demorem as mocinhas não entenderam?

Antes que eu me vire e mande o engraçadinho para o inferno, Pietro vai embora do mesmo jeito ligeiro e abrupto como apareceu, movimentando o ar em volta mais uma vez.

— Ele é sempre assim tão exibido?

Um calor fraternal ilumina os olhos da Vingadora na minha frente.

— Cuidado, é do meu irmão que você está falando. Mas sim, ele é.

***

Faz mais ou menos meia hora que estamos na cozinha da Torre. Já nos entupimos de batata frita, bebemos refrigerante, assaltamos a geladeira em busca de alguma sobremesa pronta e jogamos conversa fora.

Sinto-me aliviada e bem por ter dissipado a tensão no rosto de Wanda e, em consequência, pelos ombros do seu irmão gêmeo estarem mais relaxados. Eu mesma me sinto mais leve, quase como se nada tivesse acontecido, embora só esteja me iludindo.

Tive a chance de me aproximar de Pietro desde o dia em que ele me seguiu por Nova York — justo no dia que eu briguei com Bruce e tive o desprazer de reencontrar Kurt. Agora, vejo que Wanda também é uma ótima pessoa e gosto da ideia de ser amiga dela um dia. Acho que hoje, demos o primeiro passo.

Infelizmente, Sexta-Feira nos interrompe em dado momento, sua voz artificial ecoando pelo lugar. Ela convoca os irmãos Maximoff para se reunirem com os outros Vingadores. Wanda aperta meu ombro ao sair, a tensão voltando ao seu semblante, enquanto Pietro se despede com um meneio de cabeça.

Sozinha de novo, me pego girando o anel de Bruce no polegar. Sei que ele deu a entender que o casamento é para logo, porém, em virtude do ocorrido com Ossos Cruzados e Wanda, e de como os Vingadores estão sendo massacrados pela opinião pública, não vejo cenário para isso acontecer tão cedo.

Com certa tristeza, me dou conta que ainda não contamos a novidade para ninguém. Infelizmente, não vejo clima para isso hoje tampouco.

Não importa. Mesmo que demore um século, sei que vai acontecer e estou muito feliz com a ideia de unir nossas vidas. Nossos corações, sem dúvida, já estão entrelaçados até o fim.

Solto um suspiro inevitável e sou vencida por um sorriso muito bobo.

— É um belo anel — uma voz suave me desperta do momento reflexivo.

Um pouco alarmada, ergo o olhar na direção da porta e reconheço Pepper Potts sob o batente. Rápido, me recomponho e deduzo que ela voltou de viagem. Até onde sei, estava ausente há semanas, tratando de negócios das Indústrias Stark.

— O engraçado é que eu tenho certeza que já vi esse mesmo anel na mão do Dr. Banner — diz em tom insinuante, um leve e simpático sorriso surgindo em seu rosto. — Meus parabéns, Amy.

Pronto, a novidade foi dividida com alguém. Não nego que isso desperta uma satisfação genuína em mim. Tão bom quanto estar feliz é compartilhar a alegria com alguém.

— Valeu.

— Já tem uma data? — Ela entra na cozinha, se senta à minha frente e pega uma batata frita da travessa no centro da mesa.

Por um momento, olho feio para o último gesto. Não gosto muito de dividir comida, salvo exceções. Mas prontamente disfarço, decidindo que Pepper pode entrar para o seleto grupo de pessoas com quem faço isso. Ainda mais porque a hóspede aqui sou eu, não ela.

— Sem data definida ainda. Na verdade, é muito recente, Bruce me pediu em casamento hoje. Você é a primeira pessoa a saber da novidade. E, provavelmente, será a única por algum tempo. Não tem clima para boas notícias por enquanto.

Pepper para de mastigar e me analisa por um longo instante. Depois, como alguém que sabe do que está falando por viver a mesma situação que eu, vai direto ao ponto:

— Não é fácil se relacionar com um Vingador, Amy.

Solto um suspiro resignado.

— Eu sei.

De um jeito reconfortante, ela acrescenta:

— Mas vale a pena quando se ama muito o homem por trás do herói.

Arqueio uma sobrancelha e brinco com ironia:

— Bom, isso será um problema porque eu não sei se amo o Bruce tanto assim. Talvez eu enjoe dele rapidinho depois do casamento. Quem sabe antes até?

Ela comprime os lábios num sorriso cúmplice. Depois, serve um copo de refrigerante para si mesma e repõe o meu que estava quase vazio. Então propõe um brinde:

— Ao noivado e à certeza de que você não vai enjoar do Bruce. Tony sempre me diz que vocês foram feitos um para o outro, Amy. Cá entre nós, eu acredito nele.

Esquecendo as preocupações, deixo a felicidade tomar conta de mim. Nossos copos se encontram de leve, espalhando um suave tilintar pela cozinha.

— À madrinha do noivo e à sua tocante fé em nós — falo sem querer, na empolgação. Quando Pepper entende a insinuação e se mostra visivelmente honrada, faço um pedido: — Você pode manter segredo até o Bruce falar com Tony? E fingir surpresa quando ele te convidar?

Pepper esboça aquele sorriso cúmplice de novo, com uma nuance de diversão.

— Deixa comigo.

Agradeço com um meneio de cabeça, antes de entornar o refrigerante junto com ela.

Então somos interrompidas por Shiny Happy People. Levo alguns segundos para tirar o celular enfurnado no bolso da calça, a música ecoando junto com o vibrar insistente. Uma olhadela e reconheço a foto do contato.

— Ah, é um amigo meu do Inferno.

— O quê?! — Pepper quase engasga com a Coca-Cola, me fazendo rir.

— Uma boate chamada Inferno. Danny é barman. Nós ficamos amigos porque eu frequentava muito o lugar. — Sorrio com nostalgia ao lembrar da última vez que estive lá. Com Bruce. — Com licença — peço, antes de deixar a cozinha e atender à chamada.

Depois de perguntar como estou e conversar sobre algumas animosidades, Danny revela o motivo principal da ligação. Dois funcionários pediram as contas hoje e o bar estará desfalcado em plena sexta-feira. Como sabe que eu já trabalhei como barman na época da faculdade, ele lembrou de mim e quer saber se eu poderia ajudá-lo pelo menos essa noite e, se me animar, ficar com uma das vagas.

Não queria me afastar da Torre hoje, porém não vejo que diferença minha presença fará por aqui. Talvez investir em um pouco de normalidade e ajudar um amigo, isso sim faça alguma. Por isso, respondo:

— Pode contar comigo. Te vejo mais tarde.

Encerro a chamada e caminho por um dos corredores da Torre, um meio sorriso me vencendo. Pode não ser o emprego dos sonhos nem o momento ideal, mas com certeza será bom para ocupar a cabeça, me distrair pelo menos por hoje e ser útil de alguma forma — afinal, levarei alegria e desenvoltura a estranhos através dos drinks deliciosos que pretendo preparar. Não deixa de ser uma atitude nobre, certo? Tipo, embebedar estranhos?

Além disso, estarei no meu habitat natural, cercada de música e boas vibrações. Esquecer um pouco o que houve com Wanda, que a mídia está massacrando os Vingadores e o mau pressentimento que tenho acerca disso tudo poderá ser muito bom também.

Mais animada com a ideia de me desligar da realidade, checo a hora no celular. Ainda tenho algum tempo até a noite, mas penso que será bom chegar mais cedo e me inteirar sobre a localização de cada bebida e utensílio do bar.

Envio uma mensagem para os agentes da S.H.I.E.L.D. que andam na minha cola, cuidando da minha segurança a pedido de Bruce. Aviso o horário que pretendo sair da Torre, o endereço e que só irei voltar pela manhã, para assim eles se programarem.

Tomo um banho demorado, absorta pelos acontecimentos do dia. A descoberta de que Bruce não pode ter filhos, a descoberta de que não o amo menos por isso, o pedido de casamento mais repentino e encantador do mundo, a última missão de parte da equipe dos Vingadores e os possíveis desdobramentos que terá.

Tentando ignorar a preocupação que ressurge, espalho algumas roupas sobre a cama, analiso certas combinações e por fim decido o que vestir, uma calça preta e uma regata metalizada em cinza. Capricho nos acessórios e, depois de enfiar os pés num par bonito e confortável de sandálias, finalizo com a maquiagem e prendo o cabelo em um rabo de cavalo.

Diante do espelho, vejo a porta abrir e meu coração dá uma ligeira cambalhota antes mesmo de Bruce surgir de fato na soleira.

Ao me ver, seu semblante é suavizado de imediato e um brilho enternecedor acende em seus olhos. Ah! Ele também tropeça de um jeito muito fofo ao entrar no quarto. Por respeito, não rio dele.

— Aonde vai assim tão linda?

Sem conseguir conter o tom ambíguo, respondo olhando o seu reflexo no espelho:

— Ajudar um amigo no Inferno.

A confusão dura muito pouco, logo percebo que ele entendeu a referência.

— Danny me pediu ajuda por essa noite e talvez eu trabalhe como barman efetiva depois.

Um sorriso de apoio surge enquanto Bruce se aproxima. Viro-me em sua direção, passando os braços ao redor do pescoço dele.

— É a sua cara. Só... — Ele esfrega a nuca por um instante. — Só tome cuidado, sim?

— Eu sempre tomo. Foi assim que conheci o Hulk, lembra? — debocho de mim mesma, fazendo referência a quando me vi em meio ao fogo cruzado entre Chitauris e o Gigante Esmeralda, há alguns anos.

Por falar em esmeralda, Bruce repara em algo pendurado no meu colar, um “pingente” no mínimo curioso que encontrou abrigo quase no decote da blusa.

Devagar, ele puxa a corrente um pouco para cima e percorre o anel com os dedos. Então, ergue o olhar para mim, me encarando com uma pergunta subentendida.

— Eu fiquei com medo de perder — explico, pois mesmo no polegar o anel estava meio folgado. — Pensei em usar assim, perto do coração, onde... Bom, onde você já está. Nada mais justo, não acha?

Bruce sorri, porém não é um sorriso que chega aos olhos. Algo que me faz sentir culpada por estar prestes a sair. Ele parece tenso.

— Pensando bem, acho melhor eu ficar. É isso. Vou ligar para o meu amigo agora mesmo e avisar que...

— Não, Amelia — Bruce me interrompe, direto, balançando a cabeça. — Você deve ir. Vai te fazer bem arejar um pouco, ver outras pessoas, manter distância dos noticiários por enquanto. Você tem vivido muito em função de mim ultimamente, precisa retomar a sua rotina, fazer algo por si mesma. Além disso, mais cedo, você disse que estava ansiosa para voltar a trabalhar. Esse pode ser um recomeço.

Assinto, me sentindo melhor por ele compreender meu lado. Ainda assim, não contenho a curiosidade e decido sondar:

— Como foi a reunião? O que tanto conversaram? Está tudo bem? Na medida do possível, claro.

Bruce dá um passo para trás, me levando a soltá-lo. Ele desvia o olhar e esfrega a nuca de novo.

— Nada definido. Os Vingadores já tiveram dias melhores, é verdade, mas vamos nos reerguer.

Estreito o olhar.

— Uma resposta muito evasiva para uma reunião tão longa.

Meio ansioso, Bruce se explica melhor:

— Foi só uma vídeoconferência com a S.H.I.E.L.D. Coulson precisava entender o ocorrido para acalmar o governo, posicionar a ONU, esse tipo de coisa, nada de mais. Você não está atrasada?

Ou tenta se explicar melhor e acaba me dispensando de um jeito meio suspeito.

— Você mente muito mal, Bruce. — Franzo o cenho, ainda mais desconfiada, mas tento ser compreensiva ao emendar com cuidado: — Tudo bem, não vou te pressionar a falar nada agora. Algo me diz que você precisa digerir a reunião primeiro.

Ele expira com força e não nega. Ao invés disso, propõe:

— Conversamos amanhã?

Pego a bolsa em cima da cama ao mesmo tempo em que respondo:

— Por mim, tudo bem. — Então venço a pouca distância entre nós e toco seu rosto com um carinho suave. E sinto uma grande necessidade de esclarecer algo óbvio, mas que Bruce pode ter esquecido: — O que estão dizendo dos Vingadores não é verdade. Não a verdade inteira. Sim, vocês não são perfeitos e sim, às vezes, erram. Mas a quantidade de bem que fizeram ao mundo, a quantidade de vidas que salvaram sem nunca esperarem nada em troca e a capacidade de se reerguerem apesar dos baques que levam pelo caminho, tudo isso faz de vocês super heróis, os mais poderosos da Terra, não vigilantes que precisam ser controlados.

Com a expressão bem mais leve, Bruce pega a mão que eu mantinha em seu rosto e planta um beijo na palma. Um formigamento seguido de uma onda de calor percorre meu corpo.

— Espero que você saiba que eu não quis te dispensar — ele diz na sequência, acho que é uma menção à pergunta sobre eu estar atrasada. — Só é difícil pensar com clareza quando você está por perto. Você é... desconcertante, Amelia.

Abro um sorriso de orelha a orelha, achando graça da sua confissão e feliz pelo clima ter ficado mais leve, por termos encontrado um ponto de equilíbrio, respeitando o espaço e o tempo do outro.

Nesse momento, tenho certeza de que ficaremos bem, independentemente de qualquer tempestade que ainda vai cair sobre nós.

Pepper estava certa. Tudo vale a pena.

Então, eu o beijo. É inevitável. Um beijo delicado, o suave roçar de lábios seguido de uma demorada pressão. Deslizo a mão pela sua camisa, pousando a palma sobre o peito, sentindo os batimentos frenéticos do coração, ciente de que ele me pertence. Depois, um abraço caloroso e apertado. Um abraço cúmplice, de apoio, de amor.

Antes de me afastar, arremato com um sussurro em seu ouvido:

— Vou encarar como um elogio.

Bruce, no entanto, parece muito desconcertado para responder qualquer coisa.

Sendo assim, deixo o quarto sem esperar por resposta.

Notas finais
Estamos nos aproximando da reta final hihihihihihi E teremos segunda temporada ;-) Ainda não tem título definido, mas estou matutando com meus botões... Pretendo finalizar essa temporada aqui até julho, vamos ver se consigo. Bjs e reviews são bem-vindos ♥ PS: Viram meu novo avatar e capa do perfil? É que eu me casei com Jason Bourne, gente, e estou espalhando meu amor por ele em tudo que posso :v