A Bela e a Fera - Livro 1
1 Capítulo 1: O castelo Encantado.
[P.O.V. Bela]
Ele estava atrás de mim. Eu não sabia se preocupado, furioso, ou os dois. Aquele homem que em primeiro olhar parecia um príncipe, a salvação dos meus problemas, tornou-se mais um pesadelo difícil de acordar. Minha mente o imaginava destruindo o que eu tinha de precioso, a mim mesma, para que minhas pernas aguentassem e eu não parasse de correr.
Nenhuma forma me permitia fugir pela água. Ir até lá fardaria o meu destino. Eu queria poder escolhê-lo ao invés de aceitar as imposições da vida. Precisei adentrar a floresta noturna e fria, quando aquilo que me aquecia tornava-se cada vez mais inútil, mesmo que eu não tivesse coragem de retirá-lo. O quão mais as árvores se fechavam, mais seca ficava a paisagem à minha frente até que flocos brancos começassem a cair sobre minhas roupas.
Alguns animais também corriam ao me ouvir passar e doía meu coração pensar que para eles eu era uma possibilidade de perigo. Não olhava para trás, mesmo que quase pudesse senti-lo me alcançar. Eu não ouvia mais sua voz me chamando, mas de alguma forma havia a certeza de que fraquejar, sentar um pouco para descansar, era dar-lhe a vitória.
A temperatura caindo rápido conforme minhas pernas avançavam causava-me tonteira. Já conseguia enxergar superfícies brancas e fundas quando apenas uma coisa ainda me fez continuar: lobos. Confesso que o desespero por chorar foi quase insuportável e eu não acreditava que depois de tudo, eu morreria daquela forma.
Quando meu corpo aceitou a derrota e ainda achou melhor essa possibilidade às que a vida havia dado, senti medo. Um medo que pareceu ser escutado pela floresta. Algo inacreditável aconteceu: árvores brancas, quase completamente congeladas apareceram à minha frente e ventos fortíssimos me impossibilitaram de andar. Mas uma tranquilidade surgiu: os lobos haviam desaparecido. Imaginei que tivessem encontrado uma melhor refeição e fiquei triste pelo ser, mesmo que agradecida.
Já com as forças reservas da minha alma e do meu corpo ordenando o meu descanso, limpei o rosto cheio de pontos brancos e encontrei portões gigantescos e ameaçadores. Sem mais escolha, entrei.
Fui mais devagar pelo jardim branco que balançava até chegar a portas que eu não imaginava serem possíveis de tão grandes. Era pesado e gelado o objeto que parecia ser uma campainha e praticamente joguei-me contra ela para fazer algum barulho para que alguém, no que parecia ser um castelo, me ouvisse. Por, talvez, mais um ato de sorte, a porta se abriu.
Entrei o mais rápido que pude e a fechei. Sem que eu pudesse mandar algum comando no corpo, caí sentada ali mesmo, apoiando as costas em uma das enormes placas de madeira. Estava quente comparado ao lado de fora e olhei meus braços um pouco arroxeados e trêmulos, as pernas inchadas com os músculos mexendo sozinhos como se reclamassem comigo e o paninho que mesmo não quente o suficiente, poderia ter me ajudado muito trabalhando com o calor que meu corpo tinha.
Como se ainda existisse algo em mim naquela noite, chorei. Chorei soluçante de medo, alívio, felicidade e desespero. Apenas chorei até que algo quente se aproximasse com palavras doces com um sotaque interessante e até engraçado:
“Mademoiselle, como está péssima. O que aconteceu?” demorei poucos segundos ainda para limpar o rosto e olhar para o dono da voz.
Apenas vi um candelabro à minha frente, seu fogo aumentando um pouco antes de aproximar suas velas um pouco mais de mim. Minha fome já era tanta que estava me causando alucinações.
“Mademoiselle?” ouvi sua voz novamente, confirmando por seus gestos que realmente havia um objeto preocupado comigo.
“Eu não consigo me mexer, moço.” Respondi ainda chorosa, mostrando as pernas para ele, arroxeadas de frio e grandes. “Corri até aqui desde a vila e quase virei refeição congelada.” Limpei novamente as lágrimas.
“Mon Dieu, c’est terrible!” o vi pular até um cômodo que não conseguia nem ver a porta, apenas a luz acesa, voltando logo depois com uma poltrona grande amarronzada que praticamente deslizava em minha direção. Eu estava BEM louca. “Consegue sentar-se?”
Assenti, mesmo que sem alguma certeza. Demorei um pouco, mas consegui sentar-me e ela me levou para o cômodo quente de onde vinha. Havia uma lareira acesa e um pequeno banquinho correu para que eu apoiasse os pés. Após um suspiro forte com tudo começando a melhorar um pouco, a vontade de chorar sumindo e a ideia de morte se esvaindo, pousei novamente os olhos no candelabro que me olhava ainda preocupado, parado ao meu lado, no braço da poltrona.
“Muito obrigada pela ajuda, senhor. Eu não esperava encontrar socorro. Obrigada mesmo.” Mais uma lágrima gorda caiu e ele sorriu um pouco mais aliviado.
“Não precisa se esforçar para falar agora, chérie. Conversamos um pouco mais quando estiver pronta. Temos que cuidar de sua temperatura agora.” Sem nem ao menos precisar pedir ou chamar, um carrinho surgiu do outro lado da poltrona com uma bela xícara de porcelana e um bule todo trabalhado. De repente ele também falou:
“Não pode apenas aquecer-se por fora, querida. Ainda pode congelar. Aceite uma xícara de chá. Vai lhe fazer bem.” A voz era de senhora bondosa, o que me fez também sorrir-lhe. Servi-me de seu chá, levando a boca que queimava em contraste com o meu gelo. A xícara riu, pedindo que eu bebesse do outro lado pois ali lhe fazia cócegas. Comecei a considerar a possibilidade de aquilo ser real. Eram muitos.
“Vocês têm nome?” perguntei fraco, receosa por ofender.
“Me chamo Samovar, querida. Este é Chip, meu filho. Trabalhamos na cozinha. Pode ir até lá ou avisar um de nós quando estiver com fome.” Sorria também preocupada.
“Je suis Lumière, chérie. Estarei à sua disposição. Queremos nos garantir de que está bem.” A poltrona deu um passo à frente em direção ao fogo. Respirei fundo mais uma vez.
“Meu nome é Artemísia. Alguns me chamam de Arte, outros mais próximos me chamam de Bela.” Falei gentil com minha voz tendo menos dificuldade para sair após os goles de chá. “Muito prazer.”
“Podemos conseguir um quarto para você essa noite. Amanhã, se estiver pronta, conversamos um pouco, tudo bem?” O bule disse com tranquilidade e eu acho que nunca agradeci tanto algo na vida.
A poltrona ainda me levou com alguma delicadeza por cima das largas e grandes escadarias. Aquilo de fato era um castelo. Parecia um sonho ao mesmo tempo que um delírio.
O quarto era realmente incrível. Senti-me uma princesa. Com cuidado, consegui passar da poltrona para a cama e o carrinho do bule apareceu mais uma vez com alguns bolinhos e pães. Coloquei tudo com cuidado na mesinha de cabeceira e agradeci antes que ela se retirasse.
“Boa noite, senhorita.”
Respondi ainda procurando de onde a voz poderia vir. Era de um belíssimo armário de roupas. “Gostaria de roupas limpas para dormir?” Ela mesma estendeu-me uma camisola. Realmente tudo ainda estava úmido.
Aceitei mais uma vez e peguei a camisola. Com alguma dificuldade, mas já mais aquecida, consegui tomar um banho, vestir-me e voltar para a cama. Comi o que havia me sido oferecido, tomei mais um pouco de chá, deitei-me sob as cobertas grossas e olhei para as janelas compridas e estreitas do quarto. Tremiam um pouco e a neve ainda batia, fazendo-me olhar para tudo à minha volta e ainda soltar algumas lágrimas silenciosas de gratidão antes de adormecer com a certeza de que no dia seguinte as minhas pernas ainda estariam lá. Não sei exatamente por quanto tempo estive adormecida.
Acordar no dia seguinte foi como um sonho. As dores ainda estavam presentes, mas a paz e o silêncio reinavam não apenas no ambiente, mas também em meu coração. Fiquei ainda alguns minutos olhando para o teto, pensando, até que a coragem para averiguar tudo o que havia acontecido na noite anterior surgisse.
“Bom dia.” Falei tentando sentar-me na cama e vendo que a camisola quentinha era o primeiro passo para de fato acreditar em tudo. A senhora armário me respondeu de maneira doce e meu coração não conseguia decidir se sentia alívio ou ainda um pouco de medo.
Como se apenas aguardassem a deixa, a porta do quarto abriu-se calmamente, o carrinho de Madame Samovar cheio de comida entrou para acalmar meus olhos, junto com Lumière e alguém que eu ainda não havia conhecido. Um relógio bem trabalhado em um material que eu não conseguia identificar. Parecia um pouco desconfiado e me deu alguma vontade de rir. Primeiro objetos preocupados, agora desconfiados de mim.
“Bom dia, minha querida. Como passou a noite?”
“Bonjour, chérie!”
O candelabro pulou diretamente na cama, o que me fez sorrir. Já possuía uma intimidade comigo que nem eu sabia. Cumprimentei a todos, ainda achando graça do relógio que me observava. Também o cumprimentei educada, começando a pegar as comidinhas aos poucos sem muitas cerimônias.
“Não tenho o que dizer sobre a noite, madame. Estava tão exausta que acho que nem mesmo me mexi.” Sorri a ela, Chip já exercendo sua função ao pular em minhas mãos. Minha voz estava bem melhor e o chá possuía um gosto bem forte. Parecia já ser algo que pudesse me ajudar a melhorar.
“Como estão as pernas, chérie?” Lumière perguntou um pouco constrangido e movi as cobertas para vermos juntos. Não estavam mais roxas e sim bem vermelhas, um pouco menos inchadas. Havia ainda uma ou outra queimadura do gelo e machucados por conta da floresta, mas acreditei que tudo ficaria bem com aquela melhora já aparente. Ele também pareceu um tanto aliviado.
“Depois de alimentada e mais forte, podemos começar a cuidar disso, Bela.” Chip disse docemente e sorri a ele pela maneira que havia escolhido me chamar. “Temos algumas coisas no castelo que podem ajudar. Usamos às vezes com o amo.”
“Ah, é mesmo? Eu agradeço muito!” dei um beijinho na ponta da xícara onde eu bebia e ele riu. “Então este castelo tem um dono? É algum tipo de rei ou príncipe?” Se fosse, era mais do que natural que eu não o fosse ver andando pelas escadas.
“Algo assim.” Lumière deu uma de suas risadinhas elegantes antes de perguntar: “Mas, por favor, chérie, nos conte o que houve!” eles pareciam mesmo curiosos e preocupados com minha situação, então resolvi contar-lhes, mesmo que não em muitos detalhes, minha trajetória até aquele lugar. Recostei-me no travesseiro e soltei um pequeno suspiro, sentindo que a atenção deles havia dobrado.
“Eu sou de um lugar um tanto longe daqui. Meu pai, em suas ótimas condições, prometeu-me em casamento a um homem que eu não conhecia. Eu sabia que um dia isso aconteceria, acontece com frequência na minha família. A ideia não me assustou muito, mas pouco tempo depois, ele veio visitar a família, jantar em casa para me conhecer. Eu estava nervosa, ansiosa para descobri-lo. Afinal, ele podia ser ótimo. Não foi o que aconteceu.
O jantar foi um desastre. Ele falava atrocidades do que faria para ‘melhorar tudo’ quando se tornasse rei e eu quase não abri a boca naquela noite. Eu estava horrorizada com o que ele pensava sobre o que significava possuir uma família e um reinado. Como fiquei calada e sempre educada, ele me achou perfeita e mandou que preparassem o casamento o quanto antes. Foi quando eu percebi que tinha uma decisão a tomar. Ou aceitar aquilo e passar o resto da minha vida enlouquecendo, ou tomar uma atitude. Optei pela segunda. Fugi.
O lugar mais longe que consegui parar da primeira vez foi uma vila simpática meio longe, meio perto daqui. Um homem de lá prestou-se a me ajudar sem qualquer delonga. Forte, bonito, bastante convencido mas em primeiro momento, já abalada, gostei dele. Passei vários dias em sua casa e do jeito dele, cuidava de mim. Uma moça humilde começou a aparecer na casa e entre as conversas, me ensinou a cozinhar algumas coisas, algo de costura enquanto cuidava de minha roupa e eu, ingênua, fui entender tarde o que estava acontecendo.
O dia em que ele pediu a minha mão em casamento, a festa já estava montada do lado de fora da casa. Mas minto; ele não pediu a minha mão, ele disse: ‘Você vai casar comigo.’ Me assustei e ele não entendeu como ele havia feito tudo aquilo por mim e eu não queria casar com ele. Não disse que não queria, só achei que teríamos mais tempo antes de algo assim acontecer... então ele disse que eu devia isso a ele. Tranquei-me no quarto dele enquanto ele tentava m convencer a sair e forçava a porta, eu pulei a janela e corri para a floresta.
Ele não demorou muito para perceber e foi atrás de mim... mas de algum jeito, consegui despistá-lo meio rápido, como se a floresta me ajudasse. Mas dentro dela encontrei o frio e os lobos enquanto corria, apavorada pela ideia dele me encontrar se eu parasse. No fim, o castelo apareceu quando eu já não conseguia mais... e agora, mesmo feliz e aliviada pela ajuda de vocês, ainda tenho medo de que ele entre aqui e me encontre. Em menos de um mês, me forçaram a casar duas vezes.
Será que isso é normal nos homens? Realmente sou forçada a me casar com eles por fazerem algo por mim? Tenho medo de eu estar errada nisso tudo. Há pouco tempo eu só estava em casa, escovando o cabelo para me preparar para jantar em família. Agora eu não tenho nem ao menos um lugar para voltar, sabendo que vai estar tudo bem. Não sei o que de horrível pode me acontecer.”
Eles não me pararam em nenhum momento para fazer qualquer tipo de pergunta ou observação. Pareciam estar alarmados. Entreolhavam-se algumas vezes e no máximo levavam as “mãos” às bocas até que o silêncio reinasse por poucos segundos. Acho que ninguém havia me escutado por tanto tempo antes.
“Minha nossa, que trágico, querida. Muito corajosas suas atitudes.” A bule disse carinhosa e com voz preocupada. “Há, realmente, pessoas bem desprezíveis no mundo... mas acredito que não são todos os homens que possuem a doença da ignorância. Um dia você pode encontrar um bem melhor.” Ela era realmente um amor.
“Fique tranquila, mademoiselle. O castelo não é encontrado por qualquer pessoa. Em muitos anos, recebemos pouquíssimas visitas e todas precisando de ajuda. Não acredito que este homem possa te encontrar aqui.” O relógio pareceu não se alegrar quando Lumière disse essas palavras para me confortar.
“Então... este é mesmo um castelo encantado.” Eles assentiram com um sorriso acolhedor e mais uma vez senti os olhos lacrimejarem de gratidão. “Obrigada.” Falei baixinho, passando a mão em uma das paredes perto de mim. Eles riram doces.
“Nem tudo vai te responder, chérie. Mesmo que quase tudo tenha vida, poucos podem realmente falar com você. Não se assuste se falar com um prato e ele não corresponder, mesmo que venha rolando até você.” Ele sorriu para mim e o relógio pareceu gostar menos ainda do que havia acabado de ser dito.
“Ora, por quê? Qual a diferença entre vocês e eles?” a minha curiosidade foi enorme, mas o reloginho deu um treco antes que eles respondessem. Isso acabou mesmo os impedindo.
“É algo um tanto complicado, querida. Se ficar um pouco mais de tempo conosco, quem sabe possamos conversar sobre isso...” a madame disse gentil e mesmo chateada, compreendi. Todos tínhamos nossos segredos para guardar de pseudoestranhos, afinal. Concordei algumas vezes antes de voltar a tomar meu desjejum.
“Garanto que o amo não se importará que fique conosco até que se recupere totalmente, Bela. Enquanto isso poderemos ir conversando e aquela poltrona te leva caso queira sair do quarto para arejar mesmo antes de conseguir andar.” Samovar disse.
“Muito obrigada. Por favor, acostumem-se com a quantidade de vezes que direi isso a vocês. “ eles riram e acabei também sorrindo.
“Vou lá embaixo buscar os objetos que poderão ajudar nos primeiros cuidados das suas pernas. Voltamos já.” Lumière disse e eu assenti com graça, feliz.
“Só por precaução, Bela... porque gostamos de saber mesmo com tudo sempre em ordem... qual é o nome do homem que te persegue?” eles perguntaram antes de sair pela porta.
“Gaston.”
***
[P.O.V. Fera]
Depois que o grupo atravessou a porta e tão logo achou que já estavam a uma distância segura para não serem ouvidos, o ansioso relógio desatou em uma falação com seus colegas tão intensa quanto tinha sido sua desaprovação diante da jovem hóspede.
“O que acham que estão fazendo?” perguntou exasperado, mas continuou falando sem dar qualquer chance de resposta. “Não, não, não, não falo sobre dar abrigo a esta menina que precisa de ajuda, mas sobre dar com a língua nos dentes diante da primeira pessoa que aparece! Eu sei, eu sei que não recebemos muitas visitas e que vocês adoram uma conversa, só que não queremos pessoas comentando sobre este lugar! Nunca sabemos o que a falta de cautela pode nos causar! Além disso, ainda precisamos comunicar oficialmente ao amo que nós temos uma hóspede; seria mais preocupante se descobrisse por conta própria e desconfiasse que estamos fazendo algo pelas suas costas neste Castelo e decidindo demais sozinhos.” O olhar foi especialmente expressivo para Lumière. “E então, quem irá até ele para dar a notícia?”
Diante dos olhares impacientes dos demais, o relógio tremeu e gaguejou. “E-e-eu? Bom, e-eu sei que é minha função fazer comunicados e administrar o Castelo, mas... Tenho estado muito ocupado, nem sei onde o amo está!” tentou se esquivar, mas recebeu novos olhares acusadores. “Oh! Quer dizer qu-que ele ainda está em seus aposentos na Ala Oeste, como na noite passada? E como... em todos os últimos dias...” hesitou, já falando mais para si mesmo do que para os outros. “Isso quer dizer que... ele está com um de seus ‘humores’...” engoliu em seco.
Não havia muito que discutir. Era mesmo sua função fazer aquele comunicado; e se era exigente e perfeccionista com o trabalho dos outros, era também confiável e fiel em seu próprio trabalho – mesmo quando odiava a ideia.
Com um suspiro, o relógio se separou do grupo e tomou o corredor que levaria a uma das escadarias da Ala Oeste. O caminho até os aposentos do senhor do Castelo.
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