A Bela e a Fera

18 Capítulo 18 - Sir Hartnett


Notas iniciais
Outro capítulo minhas queridas. Espero q gostem.

Quando Dominic se afastou deixando-a sozinha a mesa do desjejum, Mabel pela primeira vez em dias se sentia em paz. A conversa tranquila, os sorrisos amenos, o modo carinhoso como era observada, cada detalhe de momentos inesperados que lhe faziam bem sendo repassados e contabilizados a favor de alguém por quem seu coração jamais se inclinara.

Foi nesse momento que Sophie se acomodou ao lado de Mabel e sorrindo desejou bom dia novamente. Havia algo de novo no rosto da moça loira. Será que o sentimento de serenidade que a invadia também acometia a irmã do marquês? Ela se perguntou enquanto encarava o rosto bonito da amiga.

A voz melodiosa da outra logo começou:

— Me parece que o clima nesta casa está mais leve hoje, apesar dos percalços. – Sophie falou se servindo de um biscoito amanteigado, numa clara menção ao incidente de Elliot – Dominic, inusitadamente me beijou quando cruzou por mim no corredor. Você estava sorrindo para si mesma como uma boba, e eu... – ela suspirou encarando os olhos escuros de Mabel – e eu me sinto como se a vida voltasse a me relegar com a sorte.

Mabel também suspirou. Será que deveria contar a Sophie o motivo das mudanças que estavam para acontecer? Se assim fosse, deveria começar pelo principio, ou seja, desde que se comprometera com Elliot, há alguns anos. Entretanto, a senhorita Deeping não lhe permitiu falar, estava tão agitada e ansiosa com a novidade que seus olhos azuis nada conseguiam ver além do motivo que levava seu coração a bater feliz desde a noite anterior.

— Preciso lhe dizer... – ela começou segurando a mão que Mabel displicentemente largara sobre a mesa – Preciso urgentemente contar a alguém o que está acontecendo.

Será que Sophie já sabia? Mabel se perguntou dando toda a atenção possível para a amiga.

— Senti sua falta no baile de ontem... – oras que aquela conversa já estava lhe dando cólicas, Sophie com todas aquelas voltas não chegava ao ponto principal nunca – Se você estivesse lá, com seu lado tão prático, teria rapidamente percebido se posso ou não ter esperanças com o senhor Philip Hartnett.

Estranhando o nome Mabel se preparou para perguntar quem era aquela pessoa, pois certamente não fazia parte dos convidados quando Sophie se aproximando um pouco mais explicou:

— Ele é um dos advogados que vieram ontem para ver Dominic.

Mabel sequer sabia que havia advogados na casa. Quanto mais que um deles se chamava Philip Hartnett.

— Ele praticamente dançou apenas comigo a noite toda. – Sophie continuou a explicar mostrando um sorriso aberto e encantador, o que imediatamente trouxe outra pessoa à mente de Mabel. Dominic e a irmã eram muito mais parecidos do que ela jamais percebera. E agora, diante da moça loira, ela começava a notar essas pequenas ou grandes semelhanças que aproximava tanto os irmãos. E que consequentemente, pela primeira vez em anos, a distraiam do assunto tratado

— Foi um verdadeiro cavalheiro! – outro suspiro e de repente uma nuvem escura pairou nos olhos azuis quando estes se perderam sobre o bordado da toalha de mesa – Apesar de tudo, sinto um pouco de receio. – neste ponto ela encarou diretamente a amiga – Você acha que Dominic aprovaria se meu pretendente fosse apenas um advogado?

Desta vez, era a vez de Mabel suspirar. Aquela era uma pergunta difícil, que exigia uma resposta adequada. Não poderia oferecer à amiga alguma espécie de esperança que depois não se concretizasse.

— Ah Mabel! Queria tanto que você estivesse lá! Você saberia como agir... o que me dizer...

Lá estava outra bobagem. Ninguém sabe como agir. E certamente ela, Mabel não era exemplo algum de uma moça que sabe como agir diante de um homem. Ou diante de um sentimento mais profundo por um homem.

Entretanto, a pergunta é que precisava de resposta imediata. E ela se propunha a responder:

— Seu irmão é uma pessoa surpreendente. – começou e soube que Sophie não notou seu modo de falar por estar diretamente envolvida com seus próprios problemas, e logo continuou – Creio que se não for do agrado dele, você deverá esquecer esse possível pretendente. Mas, ao mesmo tempo... tirando por base seu relacionamento com sir Duff, preciso dizer que o marquês não errou ao afastá-la dele, sua fama não é das melhores, e o comportamento dele nos últimos dias apenas confirma essa fama... acho que teria sido extremamente infeliz caso Dom... sir Deeping acatasse a corte que sir Duuf lhe oferecia.

A garota loira se recostou na cadeira, pensativa e distraidamente falou:

— Creio que você tem razão... – ela sabia que ao separá-la de sir Duff, Dominic lhe fizera um favor, mesmo que na ocasião não tivesse compreendido isso.

Mabel percebeu a direção que os pensamentos da outra tomavam e tratou de demonstrar sua confiança nas decisões da amiga.

— Você fala que eu sei como agir. Mas, desde sua apresentação está sendo cortejada e geralmente conseguiu afastar aqueles que não considerava adequados para si com uma determinação, que sinceramente estava me faltando nos últimos dias. – especialmente em relação a Elliot — Sir Duff é um homem experiente, ele sabe como agir. Por isso você precisou da ajuda de sir Deeping. Dê tempo ao tempo minha amiga... logo você descobrirá se este senhor Hartnett merece ou não o seu interesse. Mas, lhe digo, se seu irmão confia nele, talvez não veja problemas em saber que um de seus advogados corteje sua irmã.

Sophie voltou a sorrir brevemente. Ela sabia que Mabel tinha razão. De nada adiantava se apressar. Se sir Hartnett verdadeiramente se interessasse por ela, e se fosse um homem honrado, não haveria motivos para que Dominic se colocasse contra uma possível corte.

Suspirou mais aliviada enquanto pegava outro amanteigado do prato em frente. Era tão bom ter uma amiga confiável como Mabel! Algumas vezes ela desejava ardentemente que fossem irmãs, seria perfeito poder contar com Lilly e Mabel para lhe oferecerem seu carinho e atenção!

***************

Depois da conversa com a mãe. Da certeza de que Frances não se opunha a uma nora sem dote. De que Frances compreendera todos os acontecimentos dos últimos dias. De que Frances aceitara o fato do filho mais do que se interessar pela amiga das filhas. Dominic saiu a cata de Mabel. Mas, encontrou com outra pessoa no caminho. Era o jovem Philip Hartnett, o jovem recém chegado no escritório de advocacia que lhe atendia.

O rapaz era bem apessoado. Dominic constatou. Seus traços eram fortes e marcados. Os olhos de um verde esmeralda o encaravam de frente. Sinal de firmeza de caráter. O marquês disse a si mesmo e convidou o rapaz a segui-lo em um passeio pelo jardim.

— Então. Diga-me senhor Hartnett, como está sendo o trabalho com meu velho amigo, o doutor Hall?

— Tenho aprendido muito com ele sir Deeping. – o rapaz respondeu acompanhando as passadas largas do outro.

— Soube que seu pai não está satisfeito com sua decisão de seguir carreira como advogado.

Philip respirou com força. Parecia que seu pai alardeara aos quatro cantos a decepção que tivera com o terceiro filho homem.

— Ele acha que alguém em nossa posição não deve trabalhar.

Dominic percebeu a contrariedade na voz do rapaz e esperou pelo que viria a seguir.

— Mas, o título seguirá para Alam quando ele morrer. John já está se preparando para correr o mundo... Elisa, está comprometida e logo casará. E eu sinceramente sir Deeping, não tenho qualquer vontade de viver uma vida vazia e sem graça apenas correndo o mundo. Sem fazer nada de produtivo.

Ah, Dominic compreendia bem os pensamentos do rapaz, e se sentia inclinado a concordar com ele.

— Invejo sua posição. Quando se tem a possibilidade de optar por aquilo que deseja.

Os olhos de Philip correram surpresos para o marquês. Ele sabia que Dominic se transformara no marquês de Deeping antes dos dez anos de idade. Como filho mais velho não havia escapatória para ele. Apenas se transformar naquilo que não estava preparado para ser. Entretanto, o que mais o surpreendeu foi a sinceridade do homem diante de si.

— O senhor gostaria de ter uma profissão? – se atreveu a perguntar.

Na verdade Dominic não pensara no assunto.

— Nunca cheguei a saber se gostava de algo em especial. Apenas fiz o que deveria fazer para manter a tradição familiar e conduzir minha família.

— Ah sim... sua mãe e irmãs... – a voz do rapaz saiu diferente, assim como sua postura se empertigou ao mencionar a ala feminina da família Deeping.

— Sim, minha mãe e irmãs... como bem sabe, ainda tenho muitas responsabilidades com relação a elas. No momento em que Sophie e Lilly se casarem, me sentirei mais tranquilo.

— Tenho certeza de que será muito exigente quanto a origem dos possíveis noivos. – o outro mencionou como que por mera curiosidade.

Os olhos de Dominic se dirigiram para os verdes que estavam fixos em seu rosto. Philip o encarava como se a resposta lhe fosse muito importante.

— Meu caro... você tem uma irmã... diga-me o que seria mais importante para você em um pretendente? Origem ou honra?

Não foi preciso pensar muito.

— Acredito que um homem honrado seria a certeza de que minha irmã não viria a sofrer.

— Então, você já sabe o que penso. – um breve sorriso brincou nos lábios estreitos de Dominic antes que ele fosse direto ao ponto: — Qual das duas lhe interessou?

Foi engraçado perceber o rosto pálido de repente se tingir de vermelho. Ele havia acertado direto no alvo. Fora apenas uma suposição, mas que se mostrara acertada.

— O que disse? – Philip ainda perguntou quase engasgando com a própria saliva.

— Perguntei se foi Sophie ou se foi Lilly quem atraiu sua atenção.

Parecendo finalmente controlar a emoção, sir Hartnett falou:

— Tive o prazer de dançar com a senhorita Deeping mais velha ontem a noite na festa que sua mãe tão gentilmente...

— O obrigou a ir. – Dominic concluiu interrompendo o rapaz – Não precisa ser gentil, eu estava lá, vi quando Frances praticamente o obrigou a estar presente no baile.

Sir Hartnett sorriu se sentindo mais a vontade diante do marquês.

— Então, Sophie atraiu sua atenção... devo dizer que será preciso muita paciência com a minha querida irmã, ela não é uma pessoa fácil sir Hartnett.

Assim como o irmão mais velho tinha fama de ser. Ele pensou mas não disse.

— Sir Deeping. – Philip parou obrigando Dominic a parar também. Eles estavam ingressando na rua principal do jardim, próximo aos ciprestes que circulavam um gigantesco gramado. – Gostaria de ter sua permissão para me aproximar e conhecer melhor a senhorita Sophie Deeping.

Quanta formalidade! Dominic pensou apertando os lábios para não sorrir. Aquele rapaz e ele deveriam ter praticamente a mesma idade. Entretanto, naquele momento o marquês estava se sentindo como um homem bem mais velho. Quase como o pai de Sophie.

— Tem minha permissão sir Hartnett, e espero que faça tudo por merecê-la. – a parte final talvez fosse desnecessária, mas ele jamais deixaria de informar que estaria atento a tudo o que aconteceria.

Naquele breve instante, Dominic acreditou que o rapaz finalmente voltou a respirar com normalidade, desde que saíram da casa o jovem se mostrava travado e comedido em todos os gestos. A conversa ainda rendeu algumas recomendações e exortações, breves trocas de gentilezas, que não se prolongaram mais do que o necessário.

O assunto parecia ter se encerrado, o marquês constatou. Imediatamente pediu licença e saiu em busca do que lhe interessava realmente, passar algumas horas com Mabel antes do almoço. E a manhã já ia alta, era bom se apressar ou mal teriam tempo para trocar meia dúzia de palavras.

Em passos rápidos contornou o jardim, ele sabia que ela gostava de ficar na rua que levava à cavalariça ou então, perto do canteiro das rosas. Com os olhos atentos seguia na direção desejada quando a viu de braços dados com Sophie, tomando a direção do chafariz, no gramado oposto aquele onde ele estivera minutos atrás.

Tomou a direção da dupla que, de tão entretida, não se apercebeu de sua aproximação.

— Dominic! – a irmã falou alto quando ergueu os olhos rapidamente para a frente e o viu. Um grande sorriso se estampou nos lábios femininos enquanto ele dirigia o olhar para uma encabulada Mabel. Ela estava falando sobre ele. Sobre os acontecimentos daqueles dias.

Parando diante delas ele fez uma breve e desajeitada mesura. Mal conseguia desviar os olhos das íris escuras da senhorita Nagle.

— Que bom encontra-lo! – Sophie falou ainda sorrindo, olhando do irmão para a amiga e da amiga para o irmão, numa clara indicação de que sabia o que estava acontecendo. — Pensei que estava ainda conversando com mamãe sobre o incidente com Elliot.

— Nós já conversamos. – ele anunciou sério – Ela já sabe de tudo o que aconteceu. E como aconteceu.

Carinhosamente Sophie acariciou a mão da amiga que estava depositada sobre seu braço antes de falar:

— Elliot algumas vezes é um idiota!

Dominic não queria concordar com aquela frase em voz alta. Apenas moveu a cabeça de forma afirmativa antes de dizer:

— Agora está tudo resolvido. Tenho certeza de que ele agirá diferente no futuro.

— Não tenho tanta certeza... – Sophie alfinetou sorrindo e se aproximando um pouco mais do irmão confidenciou: — Sinceramente gostaria que todos soubessem a verdade e descobrissem o quão covarde ele é capaz de ser... – os olhos azuis se desviaram rapidamente para Mabel.

E de repente, mudando de expressão ela concluiu sua estada junto ao casal dizendo que precisava se refrescar e praticamente exigiu que o irmão acompanhasse sua amiga pelo restante do passeio.

— Ela foi gentil... – Dominic falou vendo a irmã se afastar rapidamente pelo caminho que ele mesmo fizera alguns minutos atrás.

— Eu contei a ela tudo o que aconteceu. – Mabel informou mesmo sem necessidade.

Ele a encarou diretamente antes de se aproximar, segurar a mão feminina entre a sua e beijá-la com delicadeza.

— Fez muito bem... já conversei com mamãe também. Expliquei tudo o que aconteceu e garanti a ela meu desejo de um dia me casar com você.

Ela corou, sentiu o coração disparar. A forma determinada como Dominic falava no assunto a assustava. Parecia que o casamento se daria no dia seguinte. Mas, ela não tinha certeza se queria se casar com ele. Sequer sabia o que sentia por ele.

— Sir Deeping... – ela começou, ele dissera que não iria pressionar – o senhor não considera que se precipitou em falar sobre esse assunto?

Mas Mabel sabia que ele conversaria com a mãe. Por que agora agia daquela forma?

— A senhorita sabia de minha intenção de contar tudo a ela.

— Mas não pensei que falaria sobre... casamento. Acreditei que apenas esclareceria os fatos com ela.

Ele sentiu a cobrança na voz da moça. Estava indo muito rápido?

— Precisava ser sincero com minha mãe. Frances percebeu como me sinto com relação a senhorita. Não poderia mentir para ela.

Mabel caminhou para o lado, afastando-se levemente dele.

— Mas isso não quer dizer que a senhorita deverá aceitar minha presença por obrigação. – ele nunca concordaria com isso. Pois sabia muito bem como era ruim fazer algo por dever.

A garota se voltou rapidamente, observou os olhos azuis límpidos lhe oferecendo mais do que ela espera receber dele e logo falou:

— Não é por obrigação... – apesar de ser mulher, ela sempre fora incentivada a agir de acordo com sua vontade. – Cheguei a comentar com Sophie sobre nossos encontros, sobre nossa última conversa... sobre Elliot. – a voz dela se mostrava triste ao mencionar o ex noivo e ele se ressentiu disso, apesar do noivado terminado e de tudo o que ela lhe garantira, Mabel parecia não ter esquecido totalmente o ex noivo – Disse a ela que o senhor e eu somos amigos.

Amigos. Dominic repetiu mentalmente.

— Não mencionou o beijo? – a pergunta tinha um tom de provocação.

— Não! – ela retrucou firmemente – E enquanto conversava com ela, percebi que o senhor e eu nunca fomos próximos, nem mesmo quando crianças, eu...

— Você sempre foi mais próxima de Elliot. – ele retrucou passando as mãos para trás.

— Sim, sempre... e durante a conversa também cheguei a conclusão de que estava tomando decisões precipitadas. – ela o encarou firme – O senhor falou sobre o beijo. Aquele beijo jamais deveria ter acontecido.

— Por que está agindo assim? – ele perguntou sentindo o estômago embrulhar – Nós decidimos que teríamos mais tempo para nos conhecer, para conversar, para saber como nos relacionar...

— Porque o senhor supõe que ao final deste tempo, estaremos casados. E eu não sei se será assim...

O que havia acontecido naquele breve intervalo de horas? Dominic se perguntou nervosamente. Aquela pessoa diante dele não parecia em nada com a mulher que aceitara seu beijo, que conversara com ele durante o café. Que se mostrara aberta e receptiva.

— Eu fui enganada sir Deeping. – lá estava ela mencionando Elliot outra vez, mesmo que fosse indiretamente, era sobre ele que Mabel falava – Não pretendo enganar ninguém. Sei o quanto isso machuca.

O rosto de Dominic estava sério. Ele não a compreendia. E pudera! Se nem mesmo ela se compreendia. O certo era que vira Elliot pela manhã, logo depois de conversar com Sophie, e percebeu que ele a ignorava, que a encarava como uma mulher qualquer, e isso a magoou. E se o que o ex noivo pensava sobre ela ainda tinha o poder de afetá-la, talvez fosse porque ainda nutria sentimentos por ele.

— Eu sei como se sente com relação a Elliot. – tudo afinal era sobre o primo – E estou disposto a aceitar sua decisão, seja ela qual for. Apenas estou lhe pedindo que me conceda uma chance.

Ah! Aí estava mais um problema. Será que ela conseguiria recusá-lo se ele continuasse a agir daquela forma? Será que ela não acabaria aceitando um casamento apenas para não magoá-lo? Mesmo que não estivesse apaixonada por Dominic como um dia fora por Elliot?

Dominic se aproximou, se aproximou perigosamente, tão perto que ela via cada traço das íris azuis. Ela sentiu o corpo reagir a presença dele. Era algo parecido com o medo que sentia quando criança e o futuro marquês de Deepping se achegava, entretanto, mais pungente e mais vigoroso.

— Prometo não perturbá-la nunca mais caso sua resposta seja negativa.

Nunca mais? Ela repetiu para si. E será que conseguiria conviver com a certeza de ter magoado alguém que se mostrara mais do que um bom amigo? Mas como dizer isso a ele? Desviou o olhar, encarando as próprias mãos as apertou uma contra a outra sem saber o que dizer.

— Mabel... – ele chamou baixo e ela se obrigou a encará-lo. Ele sorriu, não o mesmo sorriso daquela manhã, mesmo assim, um sorriso encantador. – Diga-me a verdade. Você ainda ama Elliot? – ele queria ouvir uma negativa como aquelas pronunciadas pela manhã, mas sabia que havia uma grande chance de que não fosse assim. Sentimentos não são lógicos como os números que ele usava para realizar a contabilidade de seus bens.

— Não sei nada sir Deeping. Estou perdida... me perdoe... sei que agi de forma mais determinada mais cedo... – ela o encarava enquanto falava, e o modo como era observada tornava tudo mais complicado e mais claro diante dela. Se naquele ponto em que mal se conheciam havia o receio de causa mágoa. Como seria quando eles estivessem mais próximos. Foi sincera: — Não sei se algum dia poderei vê-lo de forma diferente... não sei se poderei amá-lo...

Ele poderia dizer que a amava, confessar o quanto se sentia atraído por ela. Garantir que ser amado ou não, pouca ou nenhuma diferença faria na relação deles. Mas sabia que não era verdade. Ansiava por saber que a mulher diante dele era capaz de retribuir seus sentimentos.

— O que propõe? – perguntou finalmente.

— Que o senhor não seja mais do que tem sido. Que não torne sua pretensão formal e aberta diante de todos.

Em outras palavras, ela esperava que ele continuasse recluso, que não bancasse seu par em eventos sociais e que evitasse conversar com ela mais do que seria correto? Isso queria dizer que claramente Mabel se recusava a aceitar sua corte.

Quando ele se afastou alguns passos Mabel compreendeu que o marquês compreendera o que ela pedira. Ele se manteria longe. Ele não tomaria o desjejum com ela novamente. Ele não apareceria nos eventos sociais. Ele não tentaria dançar com ela mais do que o estritamente necessário. Ele não lhe enviaria flores e nem faria visitas. A culpa tomou conta dela, mas, essa era a melhor solução. Se de repente seus sentimentos mudassem, tudo o que Mabel esperava era que não fosse tarde demais. E Dominic estivesse interessado por outra mulher.

Notas finais
Mabel é definitivamente uma boba? Será q Dominic terá paciência para esperar? E Elliot não vai se aproveitar? Obg a todas pela presença, especialmente as meninas que deixam seu apoio através dos reviews, estou em falta com vcs, mas tentarei ser mais pontual na postagem. BJO