Capítulo 18

Rachel deu de ombros.
— Em algum lugar da casa.
— Você já a viu?
— É claro.
— E como ela é?
Melaine ergueu o olhar, fitando os dois.
— Bonita, alta — respondeu Rachel, aproximando-se e enchendo de café a xícara de Will. — Tente não ser rude, policial Will. Ela é uma mulher como qualquer outra. Aliás, uma mulher que abriu a própria casa para acolhê-los.
Ele corou, tomando um gole do café. Então Melaine largou os lápis de cor e levantou-se, indo até o corredor e depois para a escada. Rachel ouviu a voz dela e o sussurro de Brittany. Melaine entrou correndo e parou.
— Aqui está ela — disse, olhando por sobre o ombro. Mas Brittany não apareceu.
Melaine voltou para as sombras e poucos minutos depois retornava, puxando Brittany pela mão e trazendo-o para a claridade. Brittany olhava para a garotinha, tão emocionada com esse gesto que não conseguia falar. Respirou fundo e ergueu a cabeça, deixando que todos vissem o rosto da fera.
Rachel deixou a garrafa na mesa e foi até Brittany, ficando a seu lado e segurando a mão forte. Juntas esperavam a demonstração de horror ou de piedade. Mas nada disso aconteceu.
— Olá, Sra. Pierce — disse Will, aproximando-se devagar. — É um prazer conhecê-la finalmente. — Os dois apertaram as mãos e Wiil apresentou o parceiro e todos os outros. Brittany sorriu, imaginando quando começaria. Mas nada aconteceu.
E quando Wiil chegou aos recém-casados, esqueceu os nomes.
— Jack e Katty — disse a jovem. — Estamos em lua-de-mel.
— Que bela recepção — brincou Brittany, e o casal sorriu.
De repente, a grande janela do salão espatifou-se, espalhando vidro à volta deles. Brittany correu, puxando as cortinas sobre a abertura e segurando-as contra a força do vento.
— Will, na despensa tem martelo, pregos e algumas placas de madeira.
O policial correu, e logo ele, Jack e Brittany vedavam a janela, decidindo que seria melhor fazer o mesmo com as outras.
Rachel varreu os cacos de vidro, enquanto os policiais afastavam os móveis da janela. Brittany aproximou-se, mas ela recolheu os cacos, levando tudo para a cozinha, sem fitá-la.
Havia algo errado, pensou, apreensiva. Mas não tinha como ficar sozinha com ela naquele momento. Havia muitas pessoas ali. E não estava sendo fácil para ela ficar no meio delas depois de tanto tempo. Disfarçadamente, escapou para a biblioteca, encontrando Will no sofá, lendo um livro.
O jovem policial levantou-se, com o rosto muito corado.
— Sinto muito ter entrado sem pedir licença. Mas sua biblioteca é incrível. — Ele fez um gesto na direção das prateleiras.
— Pegue emprestado o que quiser, Will. De que adianta ter tantos livros, se ninguém aproveita?
Brittany foi até o pequeno bar, serviu uma dose de conhaque e ofereceu-a ao jovem. Will agradeceu mas recusou, alegando estar em serviço.
Sentando-se na poltrona de couro, atrás da escrivaninha, Brittany lembrou-se da noite em que encontrara Rachel ali. Queria que a tempestade acabasse logo, para poder levá-la para a cama.
Ao pensar nisso, mexeu-se na cadeira, desconfortável.
— As pessoas tinham medo de você.
— Eu sei.
— E sem motivo.
Brittany arqueou uma sobrancelha, mas não disse nada.
De repente, Will afrouxou a gravata e desabotoou a camisa, mostrando as terríveis cicatrizes de queimaduras que lhe cobriam o peito e o ombro, e que mal podiam ser vistas sob o colarinho.
Brittany largou o copo sobre a mesa.
— Estava curioso para saber se eram piores do que as minhas — disse Will.
— Acho que são iguais — disse Brittany, apontando com um gesto a cadeira a sua frente. — Se importa de me dizer, como aconteceu?
O policial sentou-se, abotoou a camisa e começou a contar.
— Naquele tempo eu era casado. Tinha terminado a academia militar fazia dois anos e estava servindo em Orangeburg quando fui chamado para ajudar num incêndio. Era num orfanato para crianças com problemas emocionais. Fui o primeiro a chegar e...

O furacão continuou por mais dois dias, antes de deslocar-se para o norte, deixando um rastro de destruição. Na manhã ensolarada e fria, os hóspedes despediram-se. Rachel tinha feito novas amizades e Brittany parecia ter criado um forte laço com o policial Will. Ela estava contente por isso. Ao acordar na manhã seguinte e encontrar Brittany preparando o café de Melaine, sentiu uma onda de tristeza invadi-la. Brittany não precisava mais dela. Nem Melaine. A menina estava vestida e penteada, e parecia muito feliz.
— Bom dia — disse Brittany, e sua expressão mudou ao fitar os olhos dela.
Rachel forçou um sorriso.
— Bom dia para as duas.
Melaine virou-se na cadeira, com um pedaço de bacon na mão. Rachel roubou-o com um gesto rápido, beijando o rosto da menina.
— Dormiu bem? — perguntou Brittany, enquanto ela se servia de café.
Ela adormecera assim que tinham se deitado e, pela manhã, como sempre fazia, tinha voltado ao próprio quarto. Brittany gostaria de poder acordar com ela nos braços.
— Sim. Não percebi que estava tão cansada.
— Você foi incrível — disse Brittany.
Ela fitou-a por cima da borda da xícara.
— Você também.
Por que os olhos dela estavam tão tristes? Pensou Brittany, ao colocar as torradas na frente de Melaine.
Rachel forçou-se a terminar o café, embora sua bagagem já estivesse arrumada. Não queria ir, não queria dizer adeus. Mas agora Brittany podia cuidar de tudo. O trabalho dela terminara. Quinn Fabray telefonara no dia anterior, avisando que tinha conseguido um novo trabalho.
Era hora de partir. Rachhel estava arrasada.
— Melaine e eu vamos à cidade. Não quer ir conosco?
— Não. Tenho muitas coisas para arrumar e estou um pouco cansada.
Brittany aproximou-se, passando os braços à volta dela.
— Senti falta de você ontem à noite.
Rachel apenas assentiu, e Brittany tentou entender a expressão desolada no rosto dela.
— O que foi?
— Nada que um bom sono não possa curar.
— Por que não volta para a cama? São só oito horas.
— Quem sabe?! — respondeu ela, incapaz de dizer mais nada.
Alguns minutos depois, Brittany e Melaine saíam, prontos para enfrentar as outras pessoas e desfazer qualquer boato, de uma vez por todas.
Rachel lavou a louça do café, preparou algo para o jantar e chamou um táxi.

Rachel estava parada no cais, lutando contra as lágrimas. Estava dividida. Não queria deixar as duas pessoas que mais amava, mas não tinha escolha. Parte dela lhe dizia para ficar e continuar como estava. Mas seu coração advertia que Brittany nunca lhe pedira para ficar, nunca falara sobre o futuro. Depois da experiência com Cassandra não queria se arriscar. Brittany sabia que era temporário. Seu trabalho terminara.
— Aonde pensa que vai? — disse uma voz atrás dela. Ela endireitou-se, sem se virar.
— Para casa.
— Pensei que estivesse em casa.
A raiva era muito clara na voz de Brittany.
— Não, Brittany. Vim para ajudá-la com Melaine, para integrá-la em sua vida.
— Só isso? E vai me abandonar?
O coração de Rachel se apertou ao perceber a dor na voz dela.
— Tenho que ir.
Brittany agarrou-a pelo braço, forçando-a a encará-la.
— Por quê?
— Meu trabalho acabou.
Brittany mal podia controlar a raiva.
— E o que Melaine e eu significamos? Apenas mais um emprego?
— Não!
— Então entra em nossas vidas e de repente vai embora? É o que pensa de mim? Uma pobre-coitada que precisava de um pouco de ternura? — Ela baixou o tom de voz: — É isso que sentia quando eu a tocava?
— É claro que não. — Uma lágrima escorreu-lhe do rosto.
— Então por que está agindo assim?
— Porque nunca saberei se o que sente é apenas gratidão!
— Por Deus, Rachel! — Ela soltou-a, dando um passo para trás. — Sou uma mulher adulta. Sei o que quero. E quero você.
Rachel balançou a cabeça e fitou-a. O coração de Brittany apertou-se ao ver as lágrimas nos olhos dela.
— Como vou saber se não está confundindo suas emoções? Estava sozinha, escondida. Agora está livre, tem sua filha e pode ser uma mãe de verdade. Como posso ter certeza?
— Porque não preciso mais da sua ajuda. E continuo a sentir a mesma coisa.
Rachel piscou, afastando as lágrimas. De repente Brittany estava bem perto.
— Como pôde duvidar? Preciso de você no meu coração. — Brittany acariciou os braços dela, fitando os olhos castanhos. — Sempre precisarei. Não posso respirar, não posso viver sem você. Por favor, fique.
Rachel soluçou, as lágrimas escorrendo pelo rosto.
— Eu te amo! Desde que a vi pela primeira vez. Desde que gritou comigo por me esconder, desde que acarinhou minha filha. Eu estava aprisionada, Rachel . Mas amá-la é minha verdadeira liberdade. Por favor, não me mande de volta para a prisão.
Rachel sussurrou o nome dela, procurando os olhos azuis que tanto amava e vendo o futuro descortinar-se diante deles.
— Eu te amo — disse, baixinho.
— Graças a Deus. — Brittany fechou os olhos e suspirou, e ao fitá-la de novo, pediu:

— Case comigo, seja minha mulher, minha melhor amiga. Receba o meu nome, tenha uma porção de filhos comigo e me faça a mulher mais feliz do mundo. Preciso de você, minha bela.
Rachel fitou-a nos olhos.
— Diga sim.
— Está mandando ou pedindo?
— Suplicando.
— Ah, súplicas e esponja de lavar louça, é isso que gosto numa mulher!
Brittany riu, e o som encheu o ar, livre de qualquer dor do passado.
— Eu te amo, Brittany Pierce — sussurrou, os lábios quase tocando os dela, e então se entregou ao beijo apaixonado.
— Ela disse sim, mama?
Rachel virou-se e viu Melaine sair do carro e correr para elas, os cabelos loiros flutuando ao vento. Brittany pegou a filha no colo, e as duas olharam para Rachel.
— Agora vai ser minha mãe? — Rachel olhou para Brittany e corou.
— Sim, querida, acho que vou. — Melaine sorriu, feliz.
— Viu, mama, você não precisou ir ao fim do mundo para achá-la.
Rachel sorriu, lágrimas de alegria inundando lhe os olhos, enquanto Brittany a abraçava, encostando a testa na dela.
— Não, querida. Mas eu teria ido. Com toda certeza.

Notas finais
Desculpa a demora em posta..... aqui esta mas um capítulo, o proximo sera o ultimo. Bom eu vir que vc preferiram Pizberry, então sera Pizberry. Agora mais uma pergunta você se importam que a fic seja GP?